Cem anos depois que Selim o mago surgira o povo começou a revoltar-se, não podiam continuar sob o julgo daquele tirano, agora os filhos dele, netos, e bisnetos eram numerosos, não dava para se contar ao todo quantos caminhavam sob a terra.
Selim os perseguia e os sugava ano após ano, para que sua juventude e poder permanecesse, aqueles que nasciam com dons, eram os primeiros a serem sugados, pois apresentavam ameaça a Selim.
Sua irmã junto com outros guerreiros fundaram uma nova tribo, onde viviam em paz e com amor, livre da crueldade de Selim, mas sempre tinham que se esconder e mudar para que ele não os achasse, o filho mais novo havia herdado o dom de Selim, seus olhos eram violetas e ele podia usar os elementos ao seu favor, dominava a água e o fogo, e defendia seu povo de qualquer mal que aparecesse, outros jovens e moças apresentavam dons menos letais, alguns liam mentes, outros sabiam construir coisas que ninguém mais sabia, alguns podiam voar, outros sabiam ocultar sua presença e de qualquer coisa que quisessem, assim foram sobrevivendo cada um usando seus dons para ajudar a tribo, os ancestrais falavam com alguns deles, e por meio desses souberam de suas regras e vidas passadas, e seguiram seus costumes, como antes da magia sumir.
Melissandre irmã de Selim viveu até 102 anos e depois morreu deixando a tribo aos cuidados de seus filhos, seus filhos por sua vez, cediam seus deveres aqueles que os ancestrais ordenavam.
Foram escolhidos seis sábios da tribo, para guiarem o resto da tribo, geralmente eram escolhidos aqueles que ouviam as vozes dos ancestrais.
O filho mais novo de Melissandre chamava -se Jorah, ele nasceu com os mais belos olhos que já viram, eram violetas, mas tinham um toque de rosa no meio deles, era um novo tipo que ainda não havia, O chamaram de iluminado, ele era tão gentil e amável com todos, lembrava a Melissandre seu irmão Selim antes dele torna-se o monstro que era, Jorah cresceu e junto com ele dons maravilhosos, ele era mesmo como Selim, podia voar, mover todos os elementos, ler pensamentos, e curar feridas e animais.
Por ser mais novo não deveria reinar antes de seus irmãos, mas os ancestrais decidiram que ele teria que reinar, pois era o único que podia vencer Selim em combate.
Jorah era amado e respeitado por todos, as moças suspiravam quando ele passava montado em seu cavalo, tinha a idade de vinte primaveras quando sua mãe lhe ordenou que casasse e construísse família, seus outros filhos já haviam lhe dado netos e bisnetos, Melissandre não tinha sangue mágico em si, estava velha e cansada, quando engravidou de Jorah já tinha sessenta primaveras de vida, seu companheiro Aloque era herdeiro de sangue de Selim, ela quase morre no parto do filho, mas tudo correu bem.
Jorah veio para dar esperança a todos na tribo, os ancestrais o enviaram regado de poder para guiar seu povo.
Jorah se apaixonou por uma jovem também herdeira de sangue, eles juntos levariam a tribo para um novo local e planejariam o ataque a Selim.
Por anos Jorah reinou e procurou por Selim sem sucesso, com sua esposa teve dois filhos, um menino e uma menina, Jandah era seu filho primogênito, ele nascera com olhos violetas, sinal de que era herdeiro de sangue também, mas ainda não se sabia se ele teria algum com, ou todos como seu pai. Ananda pelo contrário nasceu com olhos rosas, era doce e exalava um perfume que prendia a atenção de todos, seus pais souberam assim que nasceu que ela tinha dons mágicos.
O tempo passou e os ancestrais falaram pessoalmente com Jorah.
__ Jorah, o iluminado, escute a voz de seus antepassados, ouça o clamor de nossas vozes.
Jorah, aguçou seus ouvidos e se afastou da balbúrdia que seu povo fazia, deu por si as beiras do lago, sozinho. ouvia apenas o murmúrio dos rios.
__ Oh, ancestrais, aqui estou a vosso pedido, dizeis a teu humilde servo, o que posso fazer.
__ Jorah, tu nasceste puro, teu poder foi concedido por nós, nasceste de nos é de nossa vontade de parar a abominação que tornou-se Selim. Deves tu preparar uma jaula, feita com Salgueiro e visgo, vais enterra-la em uma caverna que há atrás da Cachoeira, ao norte da tribo, lá colocaras essa jaula e lá deixarás até que nos te falemos a hora certa de a usar, lembre-se meu filho, ninguém poderá saber nunca do local onde está está jaula, e não conte nada a ninguém.
__ Mas uma jaula não segurara Selim, o certo é que eu o mate, meu povo não perdoará se sua vida não for ceifada.
__ Obedeça meu filho, Selim não pode morrer, não ainda, ele é imortal, ele terá que ficar preso na jaula por anos até que esteja fraco o suficiente para ser morto, o sangue da sua espécie tem que deixar as veias dele, ou todos serão mortos e seu intento será frustrado.
__ Compreendo o que dizes oh ancestrais, assim farei, contarei ao meu povo apenas o que ordenares.
As vozes se calaram e quando Jorah voltou a sua tenda, já havia caído o crepúsculo, precisava se concentrar para entender melhor o que lhe foi confiado, por isso tantos morreram tentando matar Selim, ele não pode ser morto de qualquer forma, mas Jorah, faria o certo pelo seu povo e os livraria daquele mal.
Sua esposa chegou a tenda assustada e esbaforida, a procura dele.
__ Jorah, Jorah, onde andavas, marido meu, procurei e chamei por ti por horas.
__ O que se passa mulher? porque estas assim?
__ É vossa mãe, ela não está bem, é chama por ti para despertasse, de certo partira ainda hoje.
__ O que dizes? não é verdade.
Jorah corre para a tenda da mãe, e a encontra como a esposa falou, moribunda e sem força, toda a cor de suas faces enrugadas se foi, estava rodeada pelos filhos, netos e bisnetos, já há algumas luas, seu pai se foi, agora também sua mãe. Sabia que uma hora aquilo ocorreria mais não estava preparado, para perder a mãe, ela era sua conselheira, ela tratava ele e os irmãos com tanto amor, e ele sabia que se não fosse a coragem dela eles jamais teriam fugido das garras de Selim.
__ oh mamãe, estou aqui, teu pequeno Jorah, porque queres deixar-me agora?
__ Meu filho eu jamais deixarei você e seus irmãos, estarei sempre com vocês, em vossos corações e almas.
__ Estará mãe, eu prometo. Honrarei seu nome e o seu sacrifício.
__ Venha mais perto meu filho.
Ele aproximou seus ouvidos dos lábios da mãe, ela sussurrava tão baixo que com muito esforço apenas ele conseguiu entender.
"Siga os ancestrais, não se perca no caminho, não duvide de si mesmo nunca, ouça seu coração, estarei sempre nele"
Dito isso, sua voz calou-se para sempre, desolado ele deitou a cabeça no peito que já não pulsava da mãe, e chorou copiosamente sobre o leito da mãe, seus irmãos também choraram, junto com todo o resto ali presente, mas sabiam que a mãe estava agora em um lugar melhor, precisavam preparar seu corpo para a passagem, isso era trabalho das mulheres, os homens saíram da tenda para que elas lavassem e arrumassem o corpo, ao amanhecer do dia, levaram o corpo dela para o Rio, em uma balsa a colocaram cercada de flores e de galhos para queimar, empurraram a balsa e atearam fogo, Jorah viu as chamas laranjas se ergueram sob o corpo de sua mãe, deu um último adeus e se foi.
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Atualizado até capítulo 73
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