Ela olhou para as mãos e largou o graveto desconcertada, tornou a abaixar-se e pegou uma faca de osso e pedra, ela era muito bonita, seus olhos eram rosas e violetas como os de seu pai Jorah, sua boca era pequena e muito bem feita, os cabelos eram da cor da palha do milho quando seca, era baixa, mas seu corpo esguio lhe conferia um ar altivo.
Jandah sentiu seu coração acelerar, aquela moça era diferente de todas as que ele já viu, seus olhos se encontraram e algo aconteceu, nenhum conseguia desprender o olhar.
__ Acho melhor guardar sua faça, senhora, isso não é modo de agir.
__ Siga seu caminho senhor, não farei mal algum a vossa pessoa.
__ Deixe-me ajudar, ouvi seu lamento, o que faz aqui escondida a essa hora uma moça tão... É, tão sozinha.
Ela deve ter percebido porque deu um leve sorriso e baixou a arma.
__ Você não deve conversar muito com mulheres não é?
__ Você está perdida? nunca a vi por aqui.
__ Eu moro nas fazendas de trigo, vim até aqui para falar com o rei, saqueadores atacaram minha família, meus pais e meus irmãos menores estão vindo pela estrada até aqui, eu cheguei antes a cavalo, preciso pedir ajuda ao rei, eles tomaram minha casa, não temos para onde ir.
__ Não se preocupe, eu cuidarei disso. Sua família ainda está longe?
__ Devem estar passando pela ponte de pedra agora, apenas um burro e um cavalo puxam a carroça. Por favor me leve até o rei, ou a alguém que nos ajude.
__ Como se chama?
__ Eu me chamo Aline, e você gentil senhor?
__ Eu sou Jandah!.
Ela abriu a boca, e caiu de joelhos aos pés dele
__ Perdoe está serva ignorante a sua frente, meu rei, eu não sabia, não devia.
__ Levante-se minha donzela, não se preocupe com isso agora, me siga vamos buscar alguns cavaleiros para escoltar sua família.
Jandah escolheu seis de seus melhores cavalheiros e mandou cavalos a mais com eles para puxar a carroça, logo chegaram até os pais da jovem Aline que foram escoltados até o castelo onde o rei e a filha aguardavam.
Os pais dela eram velhos e traziam consigo dois jovens rapazes e duas meninas menores, contaram que na verdade eram avós deles, que os pais morreram de febre. Jandah não tirava os olhos de Aline e mal prestava atenção no que ouvia.
Ordenou que dessem uma casa a eles, comida e que uma guarnição fosse até a Fazenda recuperar a propriedade, enquanto eles descansavam.
Jandah estava encantado com aquela bela moça que conheceu, quis saber mais sobre ela, e para isso consultou os anciãos, e pediu que sua irmã se aproximasse dela, para ver se era mesmo uma boa pessoa.
Aline era uma jovem alegre e bela, rejeitara muitas propostas de casamento, não queria ser só uma fina de casa como as outras, queria lutar, caçar e ajudar a proteger o reino, mas quando ela conheceu o rei, seu coração bateu mais forte e ela quis ser algo a mais, soube que era com ele que teria de ficar, mas será que um rei, casaria com ela?
Jandah ficou muito feliz quando soube que os anciãos e sua irmã apoiariam sua união, chamou os pais dela até seu castelo e a pediu em casamento, eles ficaram surpresos, porém o pai dela disse
__ Estamos lisonjeados com seu pedido rei, porém já lhe aviso que Aline já recusou muitos pedidos, ela não tem pretensão de casar, eu não obrigaria minha filha a fazer nada que não queira, eu sei que os costumes são esses, mas eu não o farei, terá que pedir a ela própria.
Jandah estranhou aquelas palavras não era comum que as moças tivessem voz na hora de escolher seus casamentos, é claro que uma ou outra tinham sorte de serem pedidas por quem desejam.
__ Que assim seja, tragam Aline até aqui.
Quando a moça chegou, viu seus pais já ali, achou que seriam mandados de volta para a Fazenda, mas então Jandah falou
__ Minha querida donzela, acabo de ter vossa mão recusada pelos vossos pais, eles dizem que não desejas casar, e que apenas tu podes me responder com certeza. Então vós faço a pergunta novamente, Desejas tu, querida donzela, ser minha rainha, e lutar e proteger nosso povo ao meu lado?
Aline arregalou os olhos de espanto.
__ Oh, o que dizes meu rei? mal me conheces, sou apenas uma humilde roceira, não sou digna de vossa graça.
__ És tão digna quanto qualquer outra, agora responda.
__Como poderia eu negar vosso pedido meu senhor, é claro que eu aceito.
Os pais dela a olharam desconfiados, mas souberam que era mesmo o que ela queria, não era por medo, nem estava sendo obrigada. Ficaram felizes a filha enfim encontraria seu caminho.
Os dois casaram um mês depois, e Jandah nunca foi tão feliz na vida, Aline era o oposto da outra, era doce, carinhosa e gostava de deitar-se com ele todas as noites, se entregava com tanta paixão que Jandah passava o dia pensando em seu corpo e em sua companhia, não chegava a seu quarto e já se amavam até cansar.
Um ano depois do casamento Aline deu a luz a uma linda menina, quando a parteira chamou Jandah e lhe entregou sua filha, seus olhos encheram de lágrimas, ela parecia tanto com sua mãe Melissandre, quando ela abriu os olhos um brilho rosa intenso expandiu a sua volta, ela nasceu com dons, Jandah tinha olhos violetas, mas não tinha dom algum ao contrário de sua irmã que possuía o dom da atração e de ler mentes. Mas sua filha tinha dons o brilho era o sinal disso, ele beijou sua esposa e a agradeceu por esta benção. Levou a criança até a varanda, lá embaixo toda a tribo aguardava como era de costume para conhecer o herdeiro do rei, ele ergueu a menina e gritou
__ Está é minha primogênita, seu nome será Amália, pois é doce e linda como a própria flor, seus olhos são rosa, é brilham intensamente, ela tem o dom, vejam sua futura rainha e a saúdem.
Jandah virou a filha para o povo e o brilho dos olhos dela foi visto por todos, que se ajoelharam diante de sua princesa desejando-lhe, saúde, paz, beleza, é sabedoria.
Jandah era o homem mais feliz do mundo, Aline estava orgulhosa de si, por fazer o rei tão feliz e por ter dado um herdeiro de sangue a ele, ela também tinha os olhos, mas não tinha poderes.
Amália crescia linda, podia ouvir os ancestrais como seu avô Jorah, curava animaizinhos, voava, e fazia magia com os elementos naturais. Jandah ficava cada dia mais orgulhoso da filha, quando ela fez quinze anos, já haviam filas de pretendentes a sua mão, mas Jandah não queria força-la a nada, assim como sua mãe não foi forçada, Jandah e Aline tiveram mais dois filhos homens, os dois tinham os olhos violetas, mas nenhum possuía dons, eram rapazes bons e esforçados.
O ano era 1638 quando Amália fez vinte anos, então conheceu Felício, um jovem rapaz que não possuía dom algum, mas era bom e gentil com ela e Com todos,
decidiu que seria ele seu marido, falou com os pais e pediu que consentissem.
Um ano depois de casar Amália engravidou, seu primeiro filho nasceu repleto de poder, nem Jorah o iluminado tinha tanta luz quanto ele, seus olhos eram violetas, mas o fundo era rosa, ele irradiava luz por todos os poros, quando chorou a terra tremeu, e os ventos sopraram tão forte que todos tiveram que correr para dentro de suas casas
Jandah e Lira olharam para a criança com a certeza de que ele era o rei escolhido, o rei da profecia antiga, aquele que seria capaz de derrotar de vez Selim o mago, que ressurgiu e aterrorizava o povo novamente.
Quando jandah morreu seu bisneto Florence tinha cinco anos de idade, é já possuía um poder imenso.
Amália reinava com justiça e sabedoria ao lado do marido e com ajuda dos irmãos.
Mas um dia Paladinos vestidos de negro começaram a invadir as vilas menores onde haviam herdeiros de sangue, eles queimavam as vilas, matavam todos aqueles que tinham olhos coloridos e prendiam as crianças como escravas, as notícias chegaram até a rainha Amália, os paladinos estavam ainda longe de sua cidade mas chegariam até eles, ela então pediu ajuda aos ancestrais, durante um dia inteiro ela esteve em transe, seu marido e os anciãos já estavam preocupados, quando ela abriu os olhos.
__ Já sei o que fazer, reúnam todos do povo que tenham o sangue, querido irmão preciso de sua ajuda, vá até a floresta e pegue toda a erva de Salgueiro que encontrar, leve quantos bens for preciso vá agora, não temos tempo.
Quando todos estavam reunidos Amália deu a eles as ervas de Salgueiro, e um odre com o chá da erva já feito.
__ Bebam meus irmãos, este chá irá disfarçar a cor de nossos olhos os ancestrais me disseram, precisamos tomar todos os dias, quando o sol nascer e quando o crepúsculo chegar.
Ela bebeu de seu odre e fez Florence beber também, todos imitaram seu gesto, logo seus olhos ganharam, tons de azul, verde, castanho, cores normais.
__ Isso não durará para sempre, temos que seguir a risca as ordens dos ancestrais, bebam e sempre levem consigo o odre cheio, caso precisem de mais, quando os assassinos chegarem não vão nos tomar por magos e partirão .
Uma semana depois os paladinos negros chegaram a cidade, os soldados eram rudes e brutos, tratavam a todos com desprezo e faziam e pegavam o que queriam.
O Sacerdote foi levado a presença de Amália.
__ Então você é a rainha? seu povo está aqui escondido por que?
__ Nos estamos aqui há muito tempo já, meu senhor, nossos antepassados foram donos dessas terras antes de nós, e aqui permaneceremos até nosso fim.
__ Seu povo por acaso não tem olhos violetas e lançam magia por aí?
__ Ande por aí meu senhor, acaso vê alguém assim entre nós?
__ Não, não vejo, mas também não vejo nenhum símbolo de Deus ou da igreja.
__ Perdoe nossa ignorância, mas estamos aqui seguindo as tradições de nossas gerações passadas, não sabemos nada sobre igrejas e Deus algum.
__ Entendo suas palavras, mas se eu fosse você tomaria cuidado, todos os inimigos da igreja são considerados culpados.
__ Não pode culpar a mim e a meu povo por não sabermos do que fala, afinal estamos aqui, vivendo em nosso mundo desde o início dos tempos, e sós vós os primeiros homens da Igreja a virem aqui.
__ Podemos pernoitar em sua cidade? Poderia oferecer esteiras e comida aos servos do único Deus que existe? Rainha dos ateus.
__ É claro, fique a vontade. As refeições serão enviadas a vocês, tem um acampamento mais a frente que só é usado em cerimônias de casamento, mandarei para lá As esteiras e a comida.
O Sacerdote não gostou da sabedoria de Amália e do modo gentil que foi tratado, esperava queimar aquele lugar como todos os outros, mas nada poderia fazer sem um motivo, o papa não permitiria, e ela tinha razão em suas palavras.
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Atualizado até capítulo 73
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