Após a morte de Jorah, a tribo que agora era imensa vivia seu melhor momento, Com Selim preso, os outros herdeiros de sangue puderam se reunir, e juntos retomaram a cidade antiga e o castelo de onde seus antepassados haviam fugido.
Jandah e Lira filhos de Jorah governavam ao lado de seus companheiros com sabedoria e justiça.
Ninguém sabia que Selim havia fugido de sua jaula, com Jorah também morrera a localização de onde ele estava.
Jandah tinha quarenta anos quando seu pai morreu, estava casado e tinha dois filhos homens, nenhum herdou o sangue dele, ambos nasceram com olhos normais e sem dom algum, Lira sua irmã deu a luz a dois filhos com olhos violetas, se Jandah não tivesse um filho com dons, seus sobrinhos seriam nomeados reis após sua morte.
Lira continuava boa e pura e seus filhos cresceram justos e honestos, já os meninos de Jandah herdaram o sangue duvidoso da mãe, ela usara de artifícios para conseguir casar com ele, ele honesto teve de ceder.
Jandah não era feliz, sua esposa o atormentava com questões bobas e ele não conseguia sequer olhar nos olhos dela, quem dirá deitar ao seu lado e fazer outro filho.
Revoltada ela ameaçou pular de um abismo junto com os filhos caso seu marido não lhe desse o valor merecido, ele não acreditava nela, já conhecia bem seus modos perversos de conseguir o que queria, e seus filhos agiam com igual maldade.
Um dia Lira passeava pelas margens do rio e viu a esposa de seu irmão com outro homem, um homem comum, Lira escondeu-se e ouviu atenta o que diziam.
__ Ele não pode saber, nunca saberá, é um tolo arrogante, eu sou sua rainha e nada pode fazer quanto a isso, dei dois filhos a ele.
__ Samira, ele pode descobrir que eles não são filhos dele.
__ Não poderá, eu fiz tudo direito, só quem pode lhe dizer a verdade é você, você dirá?
__ Nunca jamais, mas ainda acho que devemos fugir juntos, com nossos filhos.
__ E o que você poderá nos dar? Eu não vou acabar minha vida lavando e cozinhando pra você, pior, cuidando de crianças.
__ É melhor do que ser enforcada, meu amor vamos embora, eu imploro.
Lira estava estupefata ouvindo a conversa daqueles dois, ele tinha razão, ela será enforcada. Lira correu para contar a verdade ao irmão, ele poderia se livrar daquela mulher perversa.
No Palácio procurou seu irmão ansiosa por dizer -lhe as novas, mas ele estava em reunião com os anciãos.
Lira pôs -se a andar de um lado para o outro em frente à sala, e não sabe quanto tempo ficou ali, mas ouviu um farfalhar e logo os anciãos saíram um a um.
Ela aguardou que todos partissem, e entrou na sala.
__ Irmão, preciso falar-te algo, é grave, mas é também maravilhoso.
__ O que dizes, minha irmã? algo grave e maravilhoso? acaso existe algo assim?
__ Bom, infelizmente quero dizer que vossa honra foi manchada e terás que reconquista-la derramando sangue.
__ Estas me assustando Lira, o que houve?
__ Vossa esposa, te engana com outro homem as margens do rio. Ela se deita com ele e já não é de hoje.
__ Tens certeza?
__ Eu mesma vi, com meus olhos e jamais mentiria sobre algo tão sério.
__ O que as leis dizem sobre adultério?
__ Que a mulher adúltera, deverá ser enforcada caso tenha se deitado mais de uma vez com um homem, ou com mais de um, que deve ser chicoteada e expulsa da vida em comunidade, sendo destituída de todos os seus bens materiais.
__ É quanto a um homem?
__ Não existem leis para punir homens infiéis.
__ É achas justo isso?
__ Não, não acho, mas vejo aqui a oportunidade de se veres livre daquela cobra e de arrumar uma esposa que tu mereça, além de que há algo mais.
__ Ela não tem só um caso? O que pode ser pior?
__ Os filhos dela, são deste homem, não seus, eu ouvi ela dizer, isso explica por que nenhum tem o sangue.
Dessa vez Jandah, levantou-se da mesa, em seus olhos a fúria reinava, virou -se para a irmã.
__ Já entendi, vieste aqui levantar falso contra ela, se eu não tiver filhos os seus herdam o trono, então é isso minha irmã, jamais esperaria isso de você.
Lira também levantou confusa, por que o irmão acharia isso dela? Por acaso ele não a conhece a tanto tempo?
__ Por quem me tomas Jan? Sou eu vossa irmã, me conhece desde que vim ao mundo, achas mesmo que eu faria tal coisa?
Jandah, já mais calmo, sentou -se e levou a mão a cabeça, pensando no que Lira acabou de falar.
__ Me perdoe eu não quis, é só que o que falaste tomou meu rumo, não sei o que dizer ou pensar.
__ Olhai para mim, querido irmão, leia meus pensamentos, veja o que eu vi, e saiba minhas intenções.
Assim ele fez, viu e ouviu o que a irmã viu antes, caiu ao chão chorando, pois apesar de tudo amava os filhos, mesmo ele sendo tão distantes e malignos como a mãe.
Lira aproximou -se dele, e o abraçou.
__ Não precisas meu irmão, matar a mãe deles, podes manda-la embora com o amante e alegar aos anciãos que não podia deixar as crianças desamparadas.
__ Eu, não sei o que fazer Lira.
__ Deixe em minhas mãos, eu farei isso por ti.
__ Agora levante e pense, sem ela, você poderá casar novamente, com uma moça certa dessa vez, poderá ter filhos legítimos, herdeiros do trono.
__ Oh minha irmã como podes ser tão boa para mim? mesmo eu duvidando de ti? agradecido serei por toda a eternidade.
__ Vamos deixe de maluquices e vamos embora daqui, temos muito o que fazer. E deixe comigo, não fale nada a sua esposa, vou reunir todos na praça agora mesmo.
Lira convocou os anciãos e a todos os nobres dali, aqueles que espalhariam as novidades.
O mestre ancião estava impaciente acabaram de sair de um ciclo do Conselho e agora era convocado a praça, estava cansado demais para aquelas coisas de jovens, mas um chamado do rei era irrecusável.
Quando todos já estavam reunidos Lira se pôs ao lado do irmão, e colocou a esposa dele a sua frente, mandou homens prenderem o amante dela e deu ordem que o trouxessem quando fosse ordenado.
__ Então criança, fale logo o que deseja de nós, para que todo esse alvoroço?
__ Eu falarei.
Disse Lira com seriedade, buscando as palavras certas para começar seu discurso.
__ Bom, quero primeiro pedir aos senhores que respeitem e acatem a decisão de nosso soberano, descobrimos com ajuda de ancestrais e testemunhas, tendo eu mesma como uma delas que está mulher aqui presente, conhecida como nossa rainha, tem sido infiel ao rei, e que a muito vem o enganando, ela tem um amante, desde muito antes do casamento, e ambos os filhos dela são filhos desse amante, não de meu irmão.
Um murmúrio correu por toda a praça, a acusada se viu acuada e quis negar as acusações.
__ É mentira, eu nunca faria isso, meu amado rei bem sabe que é o único homem que tive. Jandah diga a eles .
Mas Jandah estava tão envergonhado que mal podia erguer seu olhar, todos olharam para o rei esperando sua resposta, mas ele manteve-se em silêncio. Dando a Lira a palavra novamente.
__ Por acaso os senhores me conhecem desde antes de eu nascer, sabem quem era meu pai e minha mãe, sabem da minha índole e do meu caráter, acham que eu Lira filha de Jorah o rei que libertou-nos de Selim o mago, acusaria alguém em vão, diante dos anciãos, do rei e dos nossos ancestrais?
Um coro ecoou por toda a parte de não, jamais, nunca. Satisfeita ela encarou a acusada e continuou
__ Está mulher todos sabem quem é, chegou aqui com seu pai e seu irmão, ambos trabalhadores e honestos, mas ela forjou uma noite que não existiu com meu irmão para força-lo a casar pela honra, todos sabem que assim foi, e nem honra ela tinha mais, meus pais consentiram esse casamento, mesmo Jandah não amando ela, logo ela apareceu grávida, e depois de novo, nosso rei a respeitou, cuidou dela e dos filhos com amor e honra, em troca recebeu mentiras e traições, ele está ainda descrente do que descobrimos, mas sua alma é tão nobre que não quer ver esta aí executada, apenas pede a anulação de suas bodas e ordena que ela e seu amante sejam exilados para sempre, se forem vistos por aqui serão enforcados.
__ Mas meu rei, minha senhora, o certo é que ela pague a honra com sangue.
Jandah não aguentava mais aquele circo, então ergueu-se e disse
__ Já chega, a honra é minha e a lavarei como eu quiser, não deixarei duas crianças inocentes sem mãe, me julguem se quiserem, mas ela pagará diante dos deuses e dos ancestrais, tirem ela daqui junto com o amante, mas não maltratem eles na frente das crianças, deixem que peguem comida e levem peles e lonas para tendas, não deixarei meus, os filhos dela ao relento, são inocentes.
__ Como quiser meu rei.
Uma semana depois que ela partiu, as falações acabaram e Lira já arranjava encontros do irmão com as amigas dela.
Em uma noite estrelada, Jandah caminhava pelo jardim quando ouviu um lamento baixo, curioso se aproximou para ouvir melhor.
__ Quem está aí? não se aproxime ou o mato.
Uma moça saltou de uma moita armada com um pequeno e fino graveto, Jandah não podia ter outra reação se não rir as gargalhadas. Ela se sentiu ofendida e resmungo alguma coisa que ele não ouviu.
__ Mil perdões minha senhora, mas presumo que sua arma fatal não vá me fazer tanto dano quanto imagina.
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Atualizado até capítulo 73
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