A terra era fértil graças a Florence o rei guerreiro, e as coisas progrediram bem desde a morte de Selim.
Chele gostava de ajudar seu povo e também gostava de ajudar seu pai a cuidar do Reino, mas não se conformava quando pedia para ir caçar com ele e os outros homens e ouvia um não.
__ Mas pai, eu sei me defender, você sabe, eu não sou só uma princesa, eu sou uma guerreira.
__ Não discutiremos isso novamente Chele, sua obrigação é costurar, e aprender a ser uma boa esposa.
__ Boa esposa, isso é uma piada, eu não vou casar com um homem qualquer que você escolher, não espere isso de mim.
__ Vá para seus aposentos agora menina, e não saia de lá.
__ Que injustiça, eu odeio essas suas regras, um dia sairei sozinha e trarei o maior animal que encontrar, eu prometo.
Marsh era duro com a filha, tinha medo de perde-la, sua aparência era tão frágil e delicada que ele esquecia da força que habitava em seu interior. Ele sorriu de costas pra ela e seguiu seu caminho, não podia negar que era divertido ver a filha tão zangada, proferindo palavras de ódio pelos corredores.
Em seu quarto, Chele olhava os homens se afastarem, seu pai montava um enorme garanhão negro, chamado de Piche, ela mesma será o nome a ele, seu irmão Sant montava uma égua marrom e outros três homens os seguiam. Ela viu quando embrenharam-se no bosque e correu, tirou suas roupas e vestiu uma calça de couro malhado e uma blusa qualquer, colocou na cabeça um manto com capuz e desceu até os calabouços, tomando cuidado para não ser vista, ela havia descoberto uma passagem ali que dava para os estábulos, e sempre que queria sair sem ser vista era para lá que se dirigia.
Ao chegar aos estábulos, olhou para ver se ninguém havia por perto, e correu para o bosque como um raio, alcançou o grupo em poucos minutos, e os seguiu de longe, viu quando deixaram os cavalos amarrados as árvores e seguiram a pé, conversavam coisas de homens, apenas seu pai permanecia calado, desde a morte de sua mãe e seu nascimento o pai não mais foi visto com outra mulher, nem por diversão.
Logo ela ouviu um restolhar mais adiante, subiu nas árvores e os seguiu ali de cima, seu irmão seguia na retaguarda do grupo ficou tentada a jogar algumas sementes em suas costas, mas isso poderia entregar sua localização, então os seguiu apenas.
Mas a frente em um descampado o pai estava de lança em punho e caminhava vagarosamente, de certo avistara algum veado, Chele adorava carne de veado, mas a tempos que não caçavam um.
Viu o pai jogar a lança e acertar um porco do mato.
"De novo, toucinho e lombo".
pensou ela, não aguentava mais comer porco, sabia que tinha que agradecer aos deuses pelo alimento fosse qual fosse, mas queria veado e teria um, foi se afastando do grupo e parou em cima de um cume, apurou a audição e fechou os olhos, ouviu os sons da floresta, esquilos coelhos, patos selvagens, uma leoa com seus filhotes então abriu os olhos, uma manada inteira de cervos, há cerca de meia hora dali, ela poderia caçar sozinha, mas seu pai saberia que ela saiu do quarto, então resolveu guia-los até lá
Subiu nas árvores e foi atrás dele, um dos homens levava o porco até os cavalos, ele ficaria lá para guardar a caça de outros animais, Chele desceu por entre os galhos mais a frente, e quebrou galhos secos fazendo barulho, ouviu quando o pai disse, "por ali", e se afastou fazendo farfalhar os galhos e moitas, os homens seguiam seu rastro, quando chegou bem perto do local, se afastou pelo lado oposto subindo uma árvore para observar escondida.
Os homens olharam através da moita e viram a manda de cervos, Sant quis atacar de cara mas o rei disse que ele parasse para não espanta-los, cervos são velozes demais, e alguns são muito novos.
__ Olhe, se pegarmos aqueles quatro ali, teremos carne para um banquete e ainda sobrará para muito tempo.
__ E o que faremos?
perguntou Sant.
__ As vezes acho que eu devia trazer mesmo sua irmã, ela saberia o que fazer, talvez ela só se aproximasse e os servos a seguissem.
Chele quase deu uma gargalhada da cara que o irmão fez, mas falou a boca com as mãos, teve uma ideia.
Atravessou o Largo pela margem das árvores e chegou até os servos, começou a cantar baixinho e os servos caíram num sono profundo, os homens olhavam desconfiados sem saber o que houve, mas Marsh olhou ao seu redor e soube que era obra de sua filha, ele segurou um sorriso de orgulho, e desejou que ela estivesse segura, levantou e disse aos homens que o seguissem.
__ Venham, Sant pegue aquele servo menor, vocês três peguem um cada um, eu fico com o maior.
__ E se acordarem?
__ Não vão, ande rápido.
Cada um pegou o que lhe foi ordenado e seguiram para o bosque, Marsh pegou o seu servo grande, olhou para as árvores e disse baixinho
__ Para casa agora menina, espero vê-la em seu quarto ao chegar. Falaremos sobre isso.
O coração de Chele acelerou no peito, "ele não podia só me agradecer? "
Correu para casa de volta e se aprontou antes que o pai chegasse.
Os homens amarraram as patas dos servos e cortaram suas garganta enquanto ainda dormiam.
Alguns homens estavam assustados, parecia magia o que houve, O rei urso olhou para os seus homens
__ O que aconteceu lá, foi apenas um presente dado pelos ancestrais, uma forma de mostrar que ainda estão conosco, eles nos levaram até lá é nos deram a carne.
__ Sei.
Disse Sant irônico ele sabia bem que era obra de sua irmã aquilo, e por ele tudo bem que a irmã fosse caçar no lugar dele, ele odiava aquilo.
Marsh olhou zangado para o filho, mas nada disse, ao chegar no vale distribuiu os servos ao seu povo, cada servo foi levado para um local, norte sul, leste , oeste, o maior ele levou consigo para o castelo.
__ Vão meus amigos , comam e bebam em honra dos ancestrais que nos deram esse presente.
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Atualizado até capítulo 73
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