Leila ajudou Savine a limpar e organizar as louças que utilizaram no almoço, logo depois, subiram juntas para o quarto em que a jovem ocupava com a sua mãe e aproveitaram para retirar alguns itens que a senhora usava para enviar à doação de um bazar em que a igreja local realizava todos os finais de semana em prol dos mais necessitados; separaram as peças em excelente estado e as outras Savine havia descartado com muita tristeza, devido às fortes recordações, ela sentiu muita falta de sua mãe vestida naqueles trajes, mas não adiantava manter aquelas peças guardadas no guarda roupa acumulando mofo e poeira, fazendo-a sofrer ainda mais enquanto pessoas em situação de vulnerabilidade social necessitavam por ajuda, de boas vestimentas e de alguma forma aquele gesto acalentava o seu peito, tinha certeza que sua mãe faria o mesmo se fosse com ela, as duas não eram nem pouco ligadas à materialidade e com o auxílio e a presença imprescindível de Leila foi bastante fortalecedora.
-Obrigada por tudo que você está fazendo por mim, saiba que eu nunca irei me esquecer disso, Leila!
-Eu faço com o maior prazer. Deixe tudo isso comigo que eu entrego amanhã bem cedinho para o Pastor Lincoln, ok?
-Tudo bem!
-Hoje vai ser a noite das meninas!
Leila passou a noite com Savine. Eram seus últimos dias em Washington antes de começar seus estudos em Oxford, quando combinaram de assistir um filme juntas com direito a pipoca e muitos chocolates. Leila até brincou com Savine dizendo que doces curaria qualquer resquício de tristeza. Conectaram na TV um filme de comédia muito conhecido chamado “As Branquelas”, onde as duas se divertiram com cada cena e foi uma espécie de terapia para Savine.
No outro dia, ao amanhecer, elas se despediram com um longo e demorado abraço de despedida.
-Todas as pessoas especiais pra mim, estão indo embora.
Savine suspirou chorosa.
-Nada disso. Vamos tentar manter sempre o contato e quando eu conseguir um apartamento definitivo em Londres você passa o tempo que você quiser lá comigo, combinado?
Leila falou na intenção de animá-la dando o seu último abraço antes de partir em direção ao seu novo rumo.
Savine teve direito a três dias de folga do trabalho, mas pediu para usar somente um, pois, se ficasse mais um minuto em casa iria enlouquecer e isso não a faria bem. Trabalhar ocuparia a sua mente triste e agitada.
Ela chegou na sede das indústrias Rolls Royce e foi rapidamente amparada e abraçada pela equipe feminina de limpeza a qual fazia parte. Suas colegas de trabalho se lamentaram porque não puderam comparecer ao funeral de sua mãe por conta da escala de trabalho e infelizmente não poderiam abandonar os seus postos.
Savine foi contratada como auxiliar de serviços gerais há cerca de dois anos e meio, quando estava prestes a concluir a sua formação na concorrida Universidade Estadual de Washington, cursando Ciências Biológicas. Ela havia se candidatado para participar do programa especial dentro da própria instituição chamado “Honors College”, que graças ao seu excelente desempenho acadêmico, atividades extracurriculares e ter alcançado uma das maiores notas nas redações solicitadas pela própria faculdade, acabou ganhando uma bolsa de estudos em horário integral.
Mas no fim das contas, Savine constatou que todo o seu esforço tinha ido por água abaixo após ter comparecido nas tantas entrevistas realizadas em parques, reservas ambientais, zoológicos, institutos de pesquisas e preservação que prestavam atendimentos e reabilitação em função do bem estar dos animais, da fauna e flora onde experiências profissionais foram rigorosamente exigidas, e mesmo com o seu impecável currículo que comprovou seus cursos e estágios extracurriculares, pareciam não ser o suficiente em relação ao disputado mercado de trabalho norte-americano, e o questionamento que predominou na sua mente foi: “..Como obter prática em algo se nem ao menos lhe foi concedida uma única chance?..” Desmotivada e abatida por compreender que anos de estudos, dedicação e especialização na sua área foram totalmente desperdiçados, Savine se agarrou na primeira oportunidade que apareceu nas indústrias Rolls Royce. O salário não era muito, mas era fixo e ajudava nas despesas da casa trabalhando por ela e por sua mãe que já estava bastante debilitada. No início foi muito difícil, pois ela não tinha muita experiência com limpeza rígida mas rapidamente foi adquirindo habilidade.
Savine passava com seu carrinho de limpeza entre os corredores luxuosos da indústria Rolls, com um borrifador em suas mãos, ela esfregava a mistura de álcool líquido e sabão neutro com essência de lavanda refrescante em uma das portas de vidros transparentes, parou para observar o piso espelhado, o mármore luminoso que exalava cuidado, elegância e modernidade num único lugar. Naquele momento a elite de diretores, membros do conselho e acionistas ligados à presidência da empresa transitavam pelo amplo salão corporativo com seus ternos de linho fino impecavelmente confeccionados pela alta costura e em seus rostos estampavam um certo ar de superioridade atropelando o caminho dos funcionários responsáveis pela manutenção do centro global de negócios sem ao menos cumprimentá-los ou se desculpando pelo péssimo incidente.
-Savinee, Savine, Savine!
Uma voz grave feminina surgiu de repente…
- Vamos lá, garota, acorda, está no mundo da lua?
A mulher usou suas mãos batendo as palmas uma na outra para assustar Savine
- Senhora Gisela, me perdoe, é que eu estava…
-Eu quero lá saber onde você estava, garota! Estou te chamando a horas e você aí, parada feito uma PATA no meio da entrada mais importante, por um acaso, está com a vida ganha queridinha?
Gisela Menezes, responsável e chefe geral do departamento de limpeza que possuía atitudes contrárias da qual uma verdadeira líder deveria aplicar e estabelecer perante o quadro de funcionários, Gisela se comportava de maneira agressiva, arrogante, prepotente e muitas vezes desrespeitosa, sem contar que a mesma fazia questão de validar o quanto se sentia incomodada pela presença de Savine.
-Não senhora Gisela, mais uma vez, me desculpe pela minha falta de atenção, isso não irá mais se repetir.
Savine abaixou a cabeça respirando fundo e engolindo seco a ofensa por receio de ser despedida, porque infelizmente ela precisava muito daquele emprego.
-Vamos logo, se mexa, depois desse hall principal vá direto para o segundo andar, ouviu bem? E pare de enrolar porque a próxima vez que eu te pegar procrastinando aqui no meio do salão eu não vou pensar duas vezes em demiti-la, coisa que na verdade já era para eu ter feito há muito tempo, não é?!
Gisela falou cruzando os braços a fuzilando com os olhos
-Entendido, senhora Gisela!
Depois do saguão, Savine se encaminhou para o segundo andar, lá ela conferiu todas as salas e os auditórios quais necessitavam de higienização com urgência em consequência das numerosas reuniões atreladas umas nas outras pelo grande fluxo de treinamentos e palestras devido ao congresso que ocorria na sede da torre corporativa.
- Minha querida, o que faz aí sozinha? Venha aqui e me deixe te dar um abraço, venha!
Savine estava organizando garrafas de água bem gelada, enquanto alinhava taças de cristais na mesma proporção sobre um enorme gabinete de uma das salas de conferência, que ao ouvir a voz afetuosa saiu correndo ao encontro.
-Eu soube o que aconteceu com a sua mãe, minha querida, e eu sinto muito, Savine! Eu também perdi alguém muito importante há alguns dias e sei bem da dor que você está sentindo.
A mulher abraçou calorosamente Savine enquanto fazia um carinho em suas costas ao ouvir as palavras da jovem em meio ao choro
-Pois é, tem coisas que fogem do nosso controle e infelizmente não conseguimos evitar.
-Quer um conselho, minha linda? Não se culpe e nada de ficar se remoendo também, pense na sua mãe agora desfrutando de um lugar maravilhoso sem dores e sofrimentos. Siga sempre em frente Savine, e se precisar de um ombro de amigo para chorar conte comigo, saiba disso!
-Obrigada, Aline! Eu sei que eu posso, na verdade é isso que eu estou fazendo. Decidi trabalhar para ocupar a minha mente.
-E fez muito bem! Agora deixe eu te ajudar aqui, nos restam apenas 25 minutos para organizarmos tudo antes de iniciar a próxima sessão de reuniões, hoje o dia será corrido.
-Verdade Aline
Aline pertencia ao cargo de sub-encarregada. Gerenciava sua equipe de limpeza e os auxiliava nas atividades operacionais quando havia necessidade como naquele dia.
Caminhavam juntas conversando rumo aos elevadores enquanto ajustavam alguns detalhes de extrema importância rapidamente.
Quando a porta de um dos elevadores se abriram revelou-se a presença de um homem grande e imponente, sua expressão séria e intimidante fazia automaticamente congelar a espinha de qualquer pessoa, seus olhos azuis frios se destacaram sob o terno luxuoso de tom oceanico, seus músculos definidos ficaram ainda mais em evidência ficando completamente de acordo com a sua espantosa medida atlética
-Boa Tarde, Senhor!
Aline o cumprimentou
Fergus respondeu em um breve aceno com a cabeça enquanto olhava para as duas que estavam trêmulas por conta da sua severa expressão carrancuda, deram dois passos para trás a fim de que ele e seus seguranças de também aparência carregada atravessassem, mas como ele vivia em alerta, logo notou o olhar de uma delas o encarando, Savine rapidamente olhou para o chão em resposta, Fergus a fitou de cima embaixo em silêncio e seguiu o seu caminho com seus homens para o fim do corredor.
-Menina, que clima pesado foi esse? não sei porquê, mas meu coração quase saiu pela boca. Que isso!
Aline falou colocando uma mão no seu peito e a outra apertando o andar desejado no painel do elevador.
-O olhar e o jeito dele provoca espanto, medo e pavor em todos, eu espero não encontrá-lo nunca mais na minha vida…
-Ai Savine, me faltou o ar, o cara é mal-encarado, eu sei porque pelo que eu ouço entre os corredores aqui da sede é que todos sem exceção tem pânico de esbarrar ou ter que frente a frente com o Senhor Fergus… dizem que ele é metido com a máfia, mas não sabemos ao certo, e quer saber? mesmo se soubesse eu fingiria que não sei de nada.
-O melhor que a gente faz é cuidar do nosso serviço, até porque, a senhora Gisela está na minha cola, doida para me demitir.
-Ai Savine, a Gisela é mal-amada e tem raiva das funcionárias novinhas e lindas assim como você, ela acha que assediando e descontando as frustrações dela em todas vocês, vai aliviar alguma coisa nela, na verdade, ela precisa de um tratamento e de uma boa surra de piroca bem grossa entrando e saindo sem parar nela, falei tô leve!
-Aline, que isso, sossega!
-Sossega nada, Savine, me deixa, eu hein!
As duas caíram na gargalhada
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Atualizado até capítulo 91
Comments
Silvia Pereira
Ainda bem que a amiga foi ficar com ela depois do funeral da mãe, pobrezinha está enfrentando tudo isso sem o apoio de ninguém ao lado dela, muito triste isso
2024-11-13
3
Elaine Bastos
Savine tem as melhores amigas kkkk
2025-01-02
0
Nayara Gomes
lkkkkkkkkkk
2024-11-20
0