Sarah se aproximou da mesa de Julie, um arquivo volumoso em suas mãos. "Julie, tenho um caso aqui que acho que você vai se interessar."
Julie, ainda atordoada pelos pensamentos da noite anterior, forçou um sorriso. "Fale, Sarah."
"É um caso de violência doméstica. A mulher, uma jovem chamada Ana, agrediu o marido depois de anos de abusos. Ela está sendo acusada de agressão, mas eu acredito que ela agiu em legítima defesa."
"Eu quero assumir esse caso, Sarah. Podemos nos encontrar com a Ana hoje?"
Sarah sorriu, aliviada. "Ótimo! ela está presa na delegacia vamos vê ela agora."
No caminho para a delegacia, Julie pensava em Ana. Ela imaginava a dor que a jovem havia sofrido, a angústia de viver em um relacionamento abusivo. Ela se sentia conectada a Ana, como se estivesse lutando pela própria liberdade, pela própria justiça.
A delegacia era um lugar frio e impessoal, com o cheiro de cloro e o barulho constante de conversas e risos. Julie encontrou Ana em uma sala de espera, sentada em uma cadeira, com os olhos vermelhos e inchados.
"Ana, eu sou Julie, a advogada que vai te defender."
Ana levantou os olhos, seus olhos cheios de medo e esperança. "Obrigada por me ajudar, Julie. Eu não sei o que faria sem você."
Julie colocou a mão sobre a de Ana, transmitindo o seu apoio. "Eu vou fazer o meu melhor, Ana. Me conte tudo o que aconteceu."
Ana começou a falar, sua voz tremendo, mas firme. Ela descreveu os anos de abuso, as humilhações, as agressões físicas e psicológicas. Julie ouvia atentamente, seu coração se apertando a cada palavra.
"Ele me batia, me humilhava, me controlava. Eu estava presa, Julie. Eu não sabia para onde ir."
Julie assentiu, compreendendo a dor de Ana. Ela sabia que muitas mulheres viviam em situações semelhantes, presas em relacionamentos abusivos, sem saber como escapar.
"Mas você finalmente encontrou a força para se defender, Ana. E eu vou lutar por você."
Ana sorriu, um sorriso fraco, mas cheio de esperança. "Obrigada, Julie."
Julie sabia que o caminho seria longo e difícil, mas ela estava pronta para lutar. Ela estava pronta para dar voz a Ana, para defender sua liberdade, para trazer justiça para sua história.
O salão do tribunal era um palco de tensão. Olhares severos se cruzavam, o silêncio era quebrado apenas pelo tic-tac do relógio na parede. Julie, impecável em seu tailleur preto, observava a cena com olhos atentos. Ana, sentada ao seu lado, parecia frágil, mas seus olhos transmitiam uma força inabalável.
O promotor, Alex, seu ex marido, se levantava. "Excelentíssimo Juiz, o Ministério Público requer a condenação da ré, Ana, por agressão física contra seu marido, conforme descrito na denúncia."
Julie se levantou, pronta para a batalha. "Excelentíssimo Juiz, a defesa reconhece que houve um incidente físico entre a ré e seu marido, mas argumenta que Ana agiu em legítima defesa, em resposta a anos de agressões e abusos psicológicos."
O Juiz, um homem de cabelos grisalhos e expressão impassível, assentiu, indicando que Julie prosseguisse.
"Excelentíssimo, a ré sofreu anos de violência doméstica, física e psicológica, por parte do marido. Ela foi privada de sua liberdade, humilhada e ameaçada. O incidente em questão foi o ápice de uma situação intolerável, uma reação desesperada de uma mulher que finalmente encontrou a força para se defender."
Julie apresentou as provas, fotos de Ana com hematomas, depoimentos de testemunhas que confirmaram os abusos, e relatórios de psicólogos que atestavam o trauma psicológico da ré.
Alex, com um ar de superioridade, rebateu. "Excelentíssimo, a defesa tenta manipular a lei para proteger uma agressora. A ré agrediu o marido, e deve ser responsabilizada por seus atos."
Julie, com a voz firme e segura, respondeu. "Excelentíssimo, a lei não existe para punir as vítimas, mas para protegê-las. Ana não é uma agressora, ela é uma sobrevivente. Ela lutou por sua liberdade, por sua dignidade, e merece a nossa compreensão e apoio."
O Juiz, após ouvir os argumentos de ambas as partes, fez uma pausa para deliberar. O silêncio no salão era denso, carregado de expectativa.
Após alguns minutos, o Juiz anunciou sua decisão. "Considerando as evidências apresentadas, e reconhecendo o histórico de violência doméstica sofrido pela ré, a sentença será de serviço comunitário, com acompanhamento psicológico."
Ana, aliviada, soltou um suspiro de alívio. Julie, sentindo um misto de satisfação e tristeza, observava a cena. Ela sabia que a batalha não havia terminado, que Ana ainda teria um longo caminho a percorrer para se recuperar do trauma. Mas, naquele momento, ela havia conseguido justiça para sua cliente, e isso era o que importava.
"Excelentíssimo, a defesa agradece a decisão justa."
Julie se aproximou de Ana, colocando uma mão em seu ombro. "Ana, você é forte, você é corajosa. Você vai superar essa fase."
Ana sorriu, seus olhos brilhando com esperança. "Obrigada, Julie. Você me deu a força que eu precisava."
Julie sorriu de volta, sentindo um calor no coração. Ela sabia que a luta por justiça era constante, mas ela estava pronta para continuar lutando, para defender as vítimas, para dar voz aos silenciados.
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Atualizado até capítulo 72
Comments
Ruth Valentina André
Julie é uma verdadeira guardiã das vítimas sem voz, ela dá força e apoio aos seus.
2025-03-20
1
Cleidiane Silva dos Santos
😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍
2024-11-02
1