Uma boa mãe.

Enquanto Noah dirigia pelas ruas, Leah caiu num sono profundo, nem percebeu quando estacionaram na rua em frente. Sem dificuldade, ele a pegou no colo e entrou na casa, sem fazer barulho para não acordá-la. Tessa estava dormindo no sofá com o óculos ainda no rosto. Ele subiu até o quarto onde deitou Leah. Foi até o guarda-roupa, pegou uma camiseta grande e tirou o vestido dela. Ela resmungou algo inaudível, sentou e ajudou a puxar a peça para cima. Noah teve um breve vislumbre do corpo nu e teve que se controlar. Quando ela deitou, ele a cobriu e, quando estava saindo, ela segurou a mão dele.

_ Fica aqui, um pouquinho.

_ Tem certeza?

_ Não... Mas não quero ficar sozinha. _ Ela deitou de forma que ficasse espaço para ele.

Noah teve receio. Ela tinha bebido, e isso poderia tornar as coisas um pouco mais complicadas. Mas não podia negar que, apesar de o corpo queimar de desejo, queria muito ficar ao lado dela. Contrariando o senso de preservação, deitou ao lado dela, que instintivamente deitou sobre o seu peito, voltando a dormir. E, por mais que o desejo ainda estivesse presente, Noah adormeceu quase que imediatamente.

Quando amanheceu, teve o vislumbre mais tentador que já imaginou. Leah estava deitada de costas, a camiseta estava enrolada na altura da cintura e uma bunda deliciosamente redonda estava perigosamente virada para o seu lado. Suas mãos estavam na cintura e não resistiu a tentação de passar os dedos na pele macia e quente. Quando ela remexeu, ele parou com a mão no ar até ela voltar a ressonar. Levantou-se em silêncio e foi até o banheiro para acalmar a excitação matinal. Depois de uma ducha, desceu as escadas. Liam estava sentado no sofá assistindo desenho.

_ Bom dia Liam! _ Noah diz para o menino de olhos grudados na tv.

_ Bom dia Noah, você dormiu aqui? _ O menino pergunta olhando fixamente para ele.

_ Eu cheguei tarde e acabei pegando no sono. _ Ele desconversa.

_ Acho que Luck também, ele acordou com uma cara engraçada de sono. _ O menino riu.

_ Você está sozinho?

_ Sim. Tessa precisou tirar o pijama. Ela é engraçada. Mas me prometeu voltar à tarde para me ensinar a fazer planilha.

_ Planilha? _ Ele era novo demais para isso.

_ Sim, ela me explicou que é importante saber o custo dos materiais que eu vou usar no meu projeto de robótica. Assim, posso ajudar a mamãe a economizar. _ O menino diz abaixando os olhos.

_ Eu não quero que você se preocupe com isso. Eu vou comprar seu material. _ Nuca mais ia deixar eles passarem dificuldade, enquanto ele vivia rodeado por riqueza, seu filho e a mãe contavam moedas.

_ Serio? Mas a mamãe sempre diz que precisamos economizar. Não quero que ela se decepcione comigo.

_ Ela não vai... Eu vou conversar com ela. _ Ficou se sentindo mal por uma criança tão pequena ficar preocupada com questões financeiras, sabia que a culpa não era de Leah, ele iria consertar as coisas.

_ Mas mesmo assim, preciso aprender a fazer planilhas para economizar.

_ Ok, ok. Onde está o Luck? _ Já tinha entendido que o filho era genioso.

_ Ele foi levar Tessa, mas disse que já voltava.

_ Certo, está com fome?

_ Muita.

_ E o que você quer comer?

_ Panquecas.

_ Onde podemos comprar?

_ Nó não compramos Noah, a mamãe faz. _ O menino riu.

_ Vamos deixar a mamãe dormir, podemos achar uma receita na internet, você me ajuda a fazer?

_ Simmmm! _ O menino gritou.

Assim, passaram a próxima hora na cozinha. Leah foi despertada por um cheiro doce, a porta do quarto estava entreaberta, levantou e caminhou até a cozinha, ficou chocada com a cena que viu. Liam estava sentado na bancada com o rosto todo sujo de farinha, enquanto Noah ria, virando uma panqueca. Os olhos se encheram de lágrimas, essa era a cena que ela queria ver toda manhã. Seu filho estava tão feliz. Como será que ele reagiria ao saber que Noah é seu pai?

_ Oi, mamãe, Noah pegou uma receita na internet e estamos fazendo nosso café da manhã. _ Liam disse sorrindo.

_ O cheiro está ótimo, querido. _ Ela disse, disfarçando a voz embargada.

_ Por favor, não olhe na lixeira. _ Disse Noah, franzindo a sobrancelha.

_ Sabe o que dizem quando você pede uma pessoa para não pensar em elefante? _ Diz ela, indo para lixeira.

_ Mas dessa vez, mamãe, não era para pensar mesmo em elefante. _ Liam começa a rir até chorar. A lixeira está cheia de panquecas queimadas e cruas.

_ Eu juro que limpo tudo. _ Noah, diz sem jeito.

_ Eu espero que, após tantos testes, essas daí estejam boas. _ Ela ri.

_ Veja, mamãe, fizemos café. _ Liam diz apontando a cafeteira.

_ Uau! Café?

_ Ele disse que você fica mal-humorada se não tomar café pela manhã. _ Ele diz, entregando Liam. _ E o que não queremos hoje é uma mãe mal-humorada.

_ Sua panqueca está queimando. _ Leah diz apontando a panela com fumaça subindo.

_ Droga. _ Noah queima a mão e leva o dedo na boca.

_ Nossa, você é um desastre. _ Leah ri, pegando a mão dele e enfiando debaixo da água da torneira. Noah respira bem próximo ao seu cabelo, levantando arrepios pela pele.

_ Podemos comer? Estou com muita fome. _ Liam diz, descendo da bancada.

Noah e Leah se olham, sendo despertados pelo momento. Ela levou as panquecas para a mesa que já estava parcialmente posta. Summer desce as escadas sem falar com os três, senta-se na mesa e enche uma xícara de café sorvendo o conteúdo.

_ Tudo bem? _ Leah pergunta rindo, sabia das ressacas da amiga.

_ Eu juro que nunca mais vou beber na minha vida. _ Ela resmunga bebendo o café.

_ Como você voltou ontem? _ Leah questiona ao mesmo tempo que Luck entra pela porta da sala, notou que sua amiga ficou vermelha igual a um pimentão.

_ Vindo, ué, você me deixou para trás. _ Ela disse, bebendo o café. _ E da próxima vez que você gritar comigo, juro por Deus que chuto seu traseiro. _ Ela aponta para Noah.

_ Vejo que não foi tão ruim, parece que você ainda aproveitou bem a noite. _ Ele não deixa barato.

_ Seu idiota...

_ Você está brava, tia? _ Liam pergunta, sentindo a tensão crescente.

_ Não, querido, só estou com dor de cabeça. Vou deitar de novo. Dá um beijo na tia.

_ Eu também preciso ir. Tinha algumas reuniões agendadas para hoje, mas como vou ficar, preciso fazê-las de forma remota. _ Noah diz, se levantando.

_ Você não precisava ficar... _ Leah começa.

_ Volto somente após os resultados dos exames de Liam. Mas tarde conversamos sobre isso. _ Ele diz, olhando para ela, deixando a certeza de que não vai ser tão fácil desfazer dele. _ Vem cá, garotão. _ Noah pega Liam no colo. _ Eu estou bem próximo daqui, se você se sentir mal, quero que você peça à sua mãe para me ligar, certo?

_ Tudo bem, mas você volta?

_ Claro. Não vou embora sem você. _ Aquelas palavras cortaram a alma de Leah.

_ Você precisa mesmo de um banho. _ Liam ri enquanto esfrega uma marca de farinha no rosto de Noah.

_ Eu volto assim que terminar. _ Ele diz, colocando Liam no chão e piscando para Leah. Ele encaminha para saída e deixa-a com várias dúvidas na cabeça.

Ela e o filho se sentam para assistir à TV, ela tenta relaxar, aproveitando o dia de folga. Sentou-se com a xícara na mão e os pensamentos da noite passada começaram a preencher o espaço. Tudo bem que tinha bebido um pouco, mas aquilo não explicava o fato dela ter sido tão devassa. Lembrou-se dos olhos de Noah e das mãos grandes passeando pelo corpo, sentiu o peso dos seios aumentar. O que aquilo significava? Não tinha muita experiência nessa área, mas sabia que aquilo tinha sido intenso. Lembrou-se dos olhos de luxúria que a olhavam com desejo. E onde ela estava com a cabeça quando pediu para passar a noite? Deus a ajudasse. Ela provavelmente deveria cortar o mal pela raiz, mas começava a achar que já era tarde demais. Ficou sentada ali envolta pelos pensamentos.

***

Noah tentava a todo custo manter o foco no trabalho, o que estava se tornando uma tarefa estressante. Só conseguia pensar em acabar tudo e voltar para ficar com Leah e seu filho. Seu filho... Aquilo era mágico. Tinha um filho inteligente e simpático, ninguém resistia a ficar do lado dele. Tessa até o abandonou para passar a tarde com ele.

Por volta das 20 h da noite, acabou de se arrumar e foi com um Luck silencioso para a casa deles. Ele estava bem estranho, nada de piadas infames, nem comentários ácidos. Ele parece até um pouco nervoso ao dirigir. Depois do carro estacionado, foi caminhado para a porta da frente e, após tocar a campainha, foram atendidos por uma senhora sorridente.

_ Pois não?

_ A Leah está? - Noah questiona.

_ Oi, Noah! _ Liam corre para ele.

_ Ela está no trabalho senhor. _ A mulher responde confusa.

_ Ele é meu amigo, dona Dora.

_ É meu chefe. _ Diz Tessa.

_ O senhor que ajudou o menino? Entre, por favor. _ A mulher falou com alegria no olhar.

_ Mas nem precisa sentar. _ Tessa diz. _ Leah deixou recado para quando você chegasse para encontrá-la no hospital. O médico de Liam quer conversar com vocês. _ Ela fala seriamente.

_ Vou direto para lá. Depois volto para cá, amigão. _ Noah diz, bagunçando o cabelo dele.

_ Eu vou te esperar acordado, quero te mostrar meu protótipo.

_ Tudo bem, venho assim que possível.

Noah se despede e parte em direção ao hospital. Chegando lá, se apresenta na recepção e é encaminhado para a sala de espera. Leah não aparece e ele começa a caminhar pelos corredores em busca dela. Passou o dia todo pensando nela, e por mais que estivesse preocupado com os resultados dos exames do filho, não podia conter a excitação de ver ela novamente. Chegando em outra recepção, viu um grupo de homens conversando e reconheceu o da noite passada com o rosto cortado. Eles conversavam olhando algo.

_ Eu quase consegui. _ O homem dizia.

_ Cara, você levou um murro do cara que levou ela. _ Um segundo riu.

_ Será que ela deu para ele? _ Comentou um terceiro.

_ Eu não me importo, eu quero ter minha chance, vocês viram ela naquele vestido ontem? Estava para matar. _ Disse o homem da boca cortada.

_ Ela estava quente mesmo.

Noah estava farto daquilo, iria marcar seu território. Caminhou até os homens, fazendo questão de passar entre meio os homens e segurou a cintura de Leah dando um beijo nela. De cara, ela ficou paralisada, quando percebeu que era ele, relaxou por um momento até se dar conta de onde estava.

_ Noah! _ Ela esbravejou.

_ Te achei, querida. _ Ele ri.

_ O que foi isso, esse é meu trabalho. _ Ela olhou para trás dele e viu alguns dos colegas de trabalho olhando curiosamente. _ Sério isso, testosterona?

_ Vamos, estava te esperando para falar com o médico. _ Ele pega ela pela mão mal-humorado e sai arrastando-a pelo corredor.

Chegando na sala do médico responsável pelo caso de Liam, eles foram recebidos por um médico sem feições que indicou as cadeiras.

_ Bem, não tem jeito fácil de dar essa notícia. _ Ele começa retirando os óculos.

_ O que meu filho tem, doutor? _ Leah pergunta, segurando a mão de Noah.

_ Eu não queria te dar essa notícia, mas os resultados deram positivo para Leucemia...

_ Não! _ Leah começou a chorar com a mão na boca, se levantou e cambaleou. Noah a abraçou.

_ Eu recomendo que leve ele para Detroit ou Chicago, para começar um tratamento mais avançado, aqui só temos o básico. Isso pode ter um valor alto, mas seria o indicado.

_ Nós vamos levá-lo para Houston. Tenho amigos lá e uma excelente rede hospitalar. _ Noah diz enquanto ampara Leah aos prantos. _ Não me importo com valores, vou encontrar os melhores tratamentos para ele.

_ Isso vai ser ótimo. Eu sinto muito te dar essa notícia, Leah, eu queria fazer mais, o que eu quero que você entenda é que conseguimos diagnosticar cedo e as chances de melhora são enormes. Ele vai se recuperar. _ Diz o médico, levantando-se da cadeira e apoiando o braço dela. _ Eu vou dar um tempo para vocês. _ Ele diz, saindo da sala.

_ Ei! Eu estou aqui. _ Noah diz segurando o queixo dela. _ Nós vamos cuidar dele. Eu vou tomar conta de vocês.

_ Eu sou uma mãe péssima, eu demorei a arrumar o dinheiro para os exames dele... E se for tarde?...

_ Shiiii! Eu estou aqui, nós vamos cuidar dele, eu prometo. Você ouviu o médico falando que descobrimos cedo. Amanhã partimos para Houston e eu vou procurar o melhor médico para ele. _ Noah dizia segurando o rosto dela.

_ Eu juro, Noah, que tentei ser a melhor mãe. _ Ela diz, chorando.

_ Você é! Criou um menino maravilhoso. E ele vai ficar bem, eu juro! _ Ele disse, beijando a testa dela.

_ Você vai cuidar dele? Me promete?

_Eu vou cuidar de vocês dois... _ Ele depositou um beijo nos lábios dela, foi um beijo para acalmar o turbilhão de emoções.

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