Noah se sentiu muito mal quando falou do prazo de 48 horas, e pior ainda quando Nicholas pediu a seus funcionários que começassem a enviar os arquivos para a verificação dele. Uma equipe tão pequena e totalmente eficaz. Todos se dispuseram a ficar junto até o término. O ambiente era leve e descontraído. Tessa estava sentada junto aos 2 jovens chefes de TI, conversavam a respeito das novas atualizações feitas na empresa. Noah, com uma planilha, verificava os dados, satisfeito com os resultados.
_ Preciso de um café. _ Tessa diz, suspirando.
_ Eu pego na cozinha. _ Diz Nico.
_ Não, eu preciso de um cafe completo. _ Ela ri, respondendo. _ Preciso comer algo doce. Urgente!
_ Olha a formiga interior falando. _ Diz uma das moças de telecomunicação.
_ Esse horário? _ Diz Noah, olhando para o relógio que marcava 2:45 da manhã. _ Acho que você vai ter que se contentar com o café. _ Podemos fazer uma pausa.
_ Ótimo, podemos dar um pulo no Perkins e comer algo. _ Nicholas completa.
_ Perkins? _ Noah olha de cara torta, lembrando da cena de mais cedo.
_ O melhor donuts da região..._ Cindy completa.
_ Donuts? Bora! _ Tessa diz, fazendo todo mundo rir.
Saíram todos juntos até o estacionamento, onde se dividiram em 3 carros. Luck dirigia o carro levando Noah e Nicholas.
_ Eu tenho que te parabenizar pelo excelente trabalho, os números são impressionantes. _ Disse Noah com sinceridade. _ Eu ainda não entendo por que me convidou, sua empresa tem tudo para se desenvolver sozinha.
_ Obrigado. Mas não são somente pelos números. A cidade tem jovens de muitos talentos. Precisamos de alguém que os leve para o mundo. _ Disse Nicholas.
_ Ótimo, pode dispensar todo mundo, vou para o hotel descansar e amanhã começo de onde parei. _ Finaliza.
_ Por mim, tudo bem, está faltando alguém na minha casa e acho que sou eu. _ Diz Nicholas, arrancando alguns sorrisos.
_ Estou impressionado como você trata todos os seus funcionários e a empresa de modo geral.
_ Aprendi com os melhores... Cresci aqui vendo os comerciantes trabalharem, esse mesmo para onde estamos indo, o senhor Travis Perkins, é um dos comércios mais antigos aqui na cidade. O ambiente lá é muito agradável. Trabalhei para ele antes de ir para a universidade. Foi com o dinheiro de lá que comprei aquela moto. _ Riu, lembrando Nicholas.
_ O que você fez com a Monster? _ Luck pergunta.
_ Dei para meu filho, ele acabou de fazer 14 anos, passa os fins de semana tentado dar jeito naquele motor. _ Os 3 riram.
_ E você, Noah, quando vai providenciar o herdeiro do seu império? _ Pergunta Nicholas.
_ Talvez nunca, não achei a mulher certa para ser a mãe. _ Noah diz.
_, Na verdade ele não acha uma que aguente essa cara rabugenta dele. _ Luck conclui. _ Chegamos.
_ Eu vou seguir para o hotel, amanhã nos falamos._ Disse Noah.
_ Qual é, cara? O hotel não vai sair do lugar, vamos tomar um café? - Insiste Nicholas.
_ Amanhã... _ Noah começa.
_ Ao menos prova o donut, depois paro de te atormentar. _ Diz Nicholas.
_ Ok! _ Diz Noah também descendo. _ Vamos, Luck. Não vou te deixar aqui mexendo na internet.
Luck, a contragosto, desce e assim os 3 juntos caminham para a cafeteria. Lá dentro, sentam numa mesa oposto ao outro grupo. O lugar é simples, mas muito bem decorado e movimentado pelo horário. Ao fundo, vê uma garçonete atendendo uma das mesas. Quando ela vira e encara Noah, começa a andar em direção à mesa deles.
_ Eu preciso ir ao banheiro, pede algo para mim. _ Levanta Nicholas.
_ Vocês já querem pedir? _ Pergunta sedutoramente, a garçonete encostada na mesa, abaixa de um jeito provocante, deixando o decote à mostra. _ Noah pega o cardápio e começa a olhar, enquanto Luck sorri descaradamente para a mulher. Ela percebe que Noah não dá atenção e começa a se jogar para Luck. Enquanto isso, outra garçonete se aproxima da mesa do outro grupo.
_ Vocês já querem pedir?
Noah congela de frente para Luck, que percebe, ficando alerta.
_ Os donuts acabaram de sair do forno, o cheiro está divino...
Ela continua não se dando conta do alvoroço que causou na mesa ao lado.
_ ...Entendi... _ Continua ela.
Noah olha de soslaio para o espelho do outro lado, seguido por Luck, quando vê a mulher da mesa ao lado, prende o fôlego. E era ela. Ela termina de tirar o pedido e volta a caminho do balcão. Noah levanta antes que ela se vire e sai abruptamente para a saída. Luck o segue de perto, atravessam a rua e ele abaixa a cabeça com as mãos nos joelhos, tentando acalmar a respiração. Puxa o ar algumas vezes e levanta, passando as mãos pelos cabelos.
_ Que porra é essa? _ Noah grita, olhando para Luck.
_ Quando nessa vida, cara? Não é possível. _ Luck diz.
_ Eu preciso sair daqui. _ Noah diz, indo em direção ao carro.
Eles entram no carro e, um tempo depois, o telefone toca, ele se assusta e atende. Troca umas poucas palavras com Nicholas, pede desculpa e diz que pela manhã eles conversam.
_ Eu quero que você volte para lá e descubra o que você puder dela, você entendeu? _ Noah diz. _Que droga! _ Deu um soco no banco da frente.
_ Calma, Noah, não deve ser ela. _ Luck diz, nem ele mesmo acreditava nas palavras.
_ Como não, cara, você viu? E ela... Leah? E aqui que ela estava esse tempo todo.
_ Eu vou lá, mas você precisa se acalmar, não pode ser ela, o detetive procurou ela por meses, Leah Miller não existe. _ Luck diz tentando entender o que aconteceu.
_ Ironias do destino... Só deve ser sacanagem isso. _ O carro estacionou na entrada do hotel e Noah pula para fora.
Após entrar no quarto, começa a andar de um lado para o outro, exasperado com a demora de Luck, vai ao bar, pega a garrafa e começa a beber. Os minutos levam uma eternidade. Olha no relógio e já se passou 1 hora. Droga, Luck havia sumido. Duas horas depois, ele entra na porta sem bater. Noah, que estava sentado, levanta num salto. E olha para Luck inquisitivo.
_ Cara, não sei como, mas ela. O nome agora é Anderson, Leah Anderson, as pessoas daqui gostam muito dela, ninguém falou nada sobre ela. Tive que subornar um motorista para descobrir que ela trabalha lá noite, sim, noite não, de segunda a sexta. _ Luck enche um copo com whisky e senta-se.
_ Não é possível? Como? _ Noah pergunta mais para si do que para Luck.
_ Não faço a mínima ideia, cara. _ Luck toma o líquido do copo. _ O que importa? É ela, e agora?
_ Você conseguiu descobrir onde ela mora?
_ Não, estava muito frio, tive que sair de lá. Eu vou perambular na cidade para descobrir algo, mas vamos ter que esperar mais um dia para descobrir. _ Luck diz, terminando de beber.
_ Leah... Eu ainda não acredito. Mas você disse que o sobrenome dela agora é Anderson? _ Noah diz com uma sensação desagradável formando.
_ Ela deve ter se casado, sei lá. _ Luck diz.
_ Mas garçonete? Ela era uma aluna brilhante de medicina. Você viu as notas dela... Largar tudo do jeito que ela largou. _ Noah diz, se sentando.
_ Eu achei que você já tinha superado. Quanto tempo tem 6, 7 anos? _ Luck questiona.
_ 7 anos, 10 meses e 24 dias...
_ Irmão, você me assusta...
Noah ri.
_ Espero que ela não esteja casada... _ Noah diz rindo.
_ O que está pensando? _ Luck questiona, rindo.
_ Eu quero saber se ela é tudo aquilo que eu me lembro ou se eu me desapego de vez dessa lembrança que me atormenta.
_ Eu vou descansar, que horas quer sair?
_ Vamos às 9, falei para Nicholas para deixar a equipe descansar, pelo andar acho que não vou gastar 48 horas. Eu preciso que você encontre ela e me passe todas as informações dela. Se casou, o nome do marido, onde trabalha, horário, onde ela mora...
_ Vai com calma, garotão, eu vou dormir um pouco e consigo tudo isso. _ Luck diz, saindo em direção à porta.
Não importa a que custo, ele teria outra noite com ela e tiraria ela de vez da cabeça.
Deitou e dormiu por uns minutos, teve alguns sonhos misturados com lembranças, esses flashes backs o atormentavam, ele levantou suando e disposto a acabar com aquela tortura. Levantou, tomou um banho e decidiu ir para a empresa. Luck já tinha saído, então foi com Scott para a empresa. Chegando, foi recepcionado por um sorridente Nicholas e passou o dia vendo e revendo planilhas.
Tessa falava algo sem parar, porém, Nicholas ouvia, mas não entendia uma palavra. Não sabia onde Luck tinha se enfiado, não teve notícia dele o dia todo.
_ Conseguiu falar com Luck? _ Perguntou, interrompendo Tessa.
_ Pela terceira vez, o celular dele está sem sinal. Você ao menos ouviu o que acabei de falar. _ Tessa questiona, irritada.
_ Para ser sincero, não. _ Ele responde sem olhar para ela.
_ Noah, está tudo bem, nunca te vi tão desatento assim. _ Perguntou preocupada. _ Você está com essa mesma planilha há mais de uma hora.
_ Na verdade eu já decidi que vou agregar a Maple S.A. à Walker Enterprise.
_ Ótima notícia! Então, o que estamos esperando para voltar para casa?
_ Ainda não, preciso de um relatório detalhado sobre a área tecnológica, pelo que vi, vamos ter que fazer um investimento pesado aqui. _ Noah mente para ganhar tempo, isso ele poderia fazer a distância, mas precisava de mais um dia para confrontar Leah e quem sabe... _ Chame os rapazes e peça um relatório completo, vamos embora em um dia ou dois. _ Disse fingindo ler a planilha, a verdade, se seus planos se concretizem, precisaria de mais de um dia, ficou nervoso ao pensar. Fechou a pasta e jogou na mesa, precisava andar para pensar.
_ Vou pedir agora, no mais tardar amanhã já terei o levantamento completo. _ Tessa diz.
_ Não apresse eles, preciso de algo sólido. Vou dar uma olhada nos espaços, preciso de ideias. _ Na verdade não queria voltar para o hotel e esperar por notícias, iria enlouquecer.
Saiu andando pelos corredores e averiguando o funcionamento de cada espaço. A sala onde ficavam os HDs precisava de um novo refrigeramento. Se fosse colocar em prática um ponto de acesso naquela parte do país, precisaria de mais máquinas e o refrigeramento dali não parecia apropriado. Fez uma anotação mental para ligar mais tarde para o escritório central em Houston e solicitar alguns orçamentos. Queria saber a quantas estava o projeto da Intel de desenvolver tecnologia de resfriamento de imersão. Uma tecnologia inovadora que poderá capturar até 99% do calor gerado por equipamentos de TI, que pode ser reutilizado ou aproveitado. Precisava saber em que meio poderia usar esse aproveitamento. Estava focado no trabalho quando aproximou-se da área da cozinha, a porta estava meio aberta e pode-se ouvir.
_ Leah você não deveria estar aqui, você deveria estar aproveitando sua folga... _ Dizia uma mulher.
_ Está tudo bem, Mary, eu preciso mesmo desse extra.
_ E quando você tem um tempo para ele? _ A mulher questionava.
_ Eu faço tudo pelo senhor Anderson... Ela dizia rindo. _ E mais, ele quer muito participar do campeonato estadual de robótica. Ele tem muito potencial. Mas agora eu vou fazer o café, sei que o senhor Nicholas sempre pede nesse horário, e com esse visitante, quero fazer igual à senhora Herrera pediu, ou ela não me chama mais se eu não cuidar do "menino dela". _ As mulheres riram.
Noah sentiu a boca seca, virou as costas e se afastou antes que elas o vissem. Quem era o imbecil do marido dela? Ela estava em dois empregos para sustentar um homem? Que tipo de homem se sujeitava a isso? Sentiu o gosto amargo na boca ao pensar. Caminhou apresado para a sala de reuniões. Uma ideia formou-se em sua cabeça.
_ Nicholas, podemos tomar um café? _ Ligou para Nicholas, que estava em um andar diferente.
_ Claro! Quero te apresentar um projeto do pessoal do marketing... Tem um bistro fantástico...
_ Não! Se não se importar, pode pedir um café para tomarmos na sala de reuniões? _ Disse cortando o amigo.
_Ok, chego aí em 10 minutos.
Noah riu vitoriosamente, queria saber qual seria a reação de Leah a ser pega de surpresa. O marido dela que se cuide, porque ele estava mais que pronto para ter uma noite com ela, na verdade, estava louco.
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Atualizado até capítulo 25
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