Don’t wanna lose you now

Amanheceu, mas Noah não quis ir para o escritório, talvez no fim do dia fosse se despedir de Nicholas. Tentaria ao máximo se afastar de Leah. O copo na mão não disfarçava a frustração. Tinha pensado em ir para a academia, terminar de arrebentar a mão, talvez a dor aplacasse o que ele estava sentindo. Quando a viu naquela cafeteria, algo diferente tinha despertado em seu interior, algo que há muito tempo estava perdido. A sensação de voltar no tempo era algo assustador, mais de uma excitação sem tamanho. E quando a encontrou no hospital depois daquele encontro estranho no escritório, ele teve a esperança de ter mais uma chance de sentir aquela coisa boa de novo. Quando tocou o rosto dela e ela entreabriu os lábios, teve que usar de todo o autocontrole para não a beijar. Deu um gole na bebida e sentou-se pesadamente na poltrona, afundando depressivamente. Sorte não ter feito essa loucura, senão não estaria mais fodido do que agora. Talvez ela tivesse sentido algo, mas a devoção pelo marido a tornava uma terra intransponível. Não podia entrar na vida dela com a carga que carregava só por uma noite tomada pelo prazer. Apertou o copo nas mãos, a vontade era de arremessar na parede. Usou novamente o autocontrole para não fazê-lo. Ficou bebendo a garrafa de whisky e, quando secou, estava irritado com ele por ser um frouxo, deitou-se na cama e dormiu por algumas horas, acordado por batidas na porta. Era Tessa que viera avisar que os pilotos já estavam apostos para quando quisesse partir. Tomou um banho e tomou um remédio para dor de cabeça, resolveu passar na empresa para assinar a parceria de negócio com Nicholas, ele merecia isso, na verdade, era mais uma desculpa para ver Leah uma última vez, já tinha tomado a decisão de não voltar naquela cidade. Tinha muitos funcionários e algum deles poderia vir até aquela maldita cidade. Colocou seu terno cinza e desceu para o saguão. Tessa já estava sentada com seu notebook aberto enquanto digitava freneticamente, algo que ele nem se interessou em saber o que era. Passou e fez sinal para ela seguir. Chegando no carro, sentou-se no banco de trás enquanto ela decidiu sentar na frente ao lado do irmão que dirigia, abriu o notebook e recomeçou a digitar, no mesmo momento em que ligava o rádio do carro. O locutor, com a voz grave e melodiosa, falava algo sobre uma balada romântica do final dos anos 90 que embalava os corações adolescentes. Noah pensou que não poderia ter algo pior naquele momento do que escutar uma balada romântica. A melodia começou e, sem querer, começou a prestar a atenção na letra.

I never thought that I would lose my mind                That I could control this

Never thought that I'd be left behind

That I was stronger than you, baby...

Luck olhou pelo retrovisor interno e fez menção em desligar o rádio, e foi bloqueado por um tapa desferido pela irmã. Que nem tirou os olhos do notebook.

Girl if only I knew what I've done

You know, so why don't you tell me

And I, I would bring down the moon and the sun

To show how much I care

Don't want to lose you now

Baby, I know we can win this

Don't want to lose you now

No no, or ever again

I've got this feeling you're not gonna stay

It's burning within me

The fear of losing

Of slipping away

It just keeps getting closer, baby

Whatever reason to leave that I've had

My place was always beside you

And I wish that I didn't need you so bad

Your face just won't go away

Dont want to lose you now

Baby, I know we can win this

Don't want to lose you now

No no, or ever again

Don't want to lose you now

(Don't want to lose you now)

I never thought that I would lose my mind

That I could control this, yeah

Never thought that I'd be left behind

That I was stronger than you, oh

Don't want to lose to loneliness

Girl, I know we can win

Don't want to lose to emptiness, oh no...

Luck não deu atenção a reclamação da irmã e desligou o rádio, Noah agradeceu, esgotado mentalmente, estava com nervos em frangalhos, precisava acabar tudo aquilo, entrou no prédio sendo seguido por uma Tessa apressada e um Luck resmungando algo sobre virilidade e sei lá o que, Noah não estava prestando atenção em nada nem ninguém, seguiu diretamente para sala de reuniões olhando furtivamente para localizar a causa do seu estado, sem sucesso.

_Tessa, peça para avisar o Nicholas que aguardo ele para assinarmos o contrato. Partimos às 17:30, não quero perder um minuto a mais. _ Noah disse, sentando.

_ Já era hora! _ Ela disse de saída.

_ Você não falou uma palavra desde que saímos do hotel, e está com uma cara de poucos amigos. _ Luck fala. _ Está tudo bem?

_ Está tudo bem, só quero acabar isso e ir embora. Eu já liguei para Megan, vamos nos encontrar no fim de semana, preciso acertar minha vida de uma vez. _ Poderia ser a coisa mais idiota a se fazer, mas parecia o certo.

_ Megan Williams? Você não pode ser tão idiota, você nem sente tesão naquela magrela. _ Luck disse o que  pensava sem receio, e estava preocupado com as decisões que o amigo poderia tomar. _ Você deveria tentar falar com ela. _ Disse sem mencionar Leah.

_ Nem tudo tem a ver com sexo, Luck. _ Afinal, foi o melhor sexo da sua vida que estava acabando com ele anos depois. _ Eu vou me acertar com ela, posso continuar em Houston e ela na casa dela, e esporadicamente podemos nos encontrar.

_ Melhor comer uma garota de programa...

_ Nossa, Luck, você só pensa em mulher? _ Tessa ralhou entrando na sala. _ Estão tentando contato com Nicholas, vou pedir um café...

_ Não aqui, por favor. _ Ele disse bruscamente. _ Se não se importa, preciso conversar com seu irmão em particular, sobre os novos seguranças que estamos contratando.

Tessa saiu revirando os olhos, não iria entrar num debate inútil. Noah levantou irritado, não podia continuar ali, já tinha tomado a decisão de ir embora, para que ficar se martirizando por algo que já tinha acabado. Levantou e ficou de costas para Luck, não estava a fim de conversar, estava novamente naquele lugar que tinha lutado anos para sair, o fundo do poço, sozinho. Começou a se questionar por que tinha vindo para esse lugar? Quando as coisas estavam em ordem, tudo tinha ruído.

Ficou parado um tempo divagando sobre seus próximos passos, quando observou um grupo de crianças jogando bola na praça e um garotinho sentado ao lado de uma pequena pilha de livros. Deu um sorriso triste, talvez algo de bom saísse daquela viagem. Saiu da sala, seguido por Luck, desceu as escadas e, quando chegou na rua, se sentiu um pouco mais animado. Caminhou até o grupo de garotos que se alegraram ao ver um rosto familiar.

_ E aí, tio, você vai jogar com a gente? _ Um dos pequenos gritou.

_ Agora não, eu vou sentar um pouco e decidir em qual time vou jogar. _ Sentou-se ao lado do menino pequeno com os olhos vidrados no livro. Os outros logo se dispersaram, voltando ao jogo. _ Oi...Liam, não é isso? _ Perguntou.

_ Bonjour monsieur Walker! Comment vas-tu? _ Falou o menino, testando o que tinha aprendido.

_ Notre! Vous parlez très bien! Félicitations! Je vais avoir un ami pour pratiquer mon français.

_ Não tão rápido. _ Liam disse, rindo.

_ Você está muito bem, umas aulas extras iriam te ajudar muito. Ter alguém para conversar ajuda. _ Noah disse, vendo o garoto abaixar a cabeça.

_ Talvez no futuro, tenho tempo. _ Disse mais para si o menino.

_ Sua mãe ainda está no trabalho?

_ Sim, ela sai daqui a 37 minutos. _ Disse olhando para o relógio, que para surpresa de Noah, era analógico e não digital.

_ Você também gosta de números? _ Disse Noah. _ Eu também... _ Olhou mais uma vez para o grupo de crianças que gritavam alegres após um gol. _ Tenho uma proposta, se você deixar seus livros aqui comigo e jogar um pouco até sua mãe chegar, eu vou propor para ela um trabalho ali na Maple. Com um bom salário, e assim ela vai ter mais tempo para ficar com você, o que acha? Na verdade, Noah já tinha decidido pagar os estudos daquele menino, ele tinha visivelmete um dom.

_ No senhor Nicholas? _ O menino disse arregalando os olhos.

_ Sim, parece que todo mundo conhece esse cara. _ Noah riu com sinceridade. _ E aí? O que acha de uma partida? _ Viu os olhos do menino desviarem para os livros. _ Pode ir, eu vou ficar aqui e assistir, tomo conta dos seus livros.

Noah assobiou alto, chamando a atenção dos garotos. Os olhos de Liam brilharam ao ver aquilo, parecia nunca ter escutado um assobio de perto.

_ Eu desafiei meu amigo aqui, a uma partida, e se ele conseguir fazer um gol, eu ainda vou mandar aquele grandão lá buscar pizzas para todo mundo. _ Noah apontou para Luck do outro lado da rua encostado no carro.

Os meninos começaram a gritar e bater palmas, o que fez Noah rir. O garoto mais velho, que recebeu o dinheiro de Liam no dia anterior, puxou Liam para seu time e, em poucos segundos, eles já corriam animados. As crianças tinham de 6 a 10 anos e brincavam iguais. Liam inicialmente foi seguindo os mais experientes de um lado para outro, mas aos poucos entendeu como se jogava e começou a entrar na brincadeira, tentando roubar a bola e fazendo até pequenos dribles. O garoto levava jeito. Quando o time adversário jogou a bola no goleiro, ele segurou e jogou para um dos meninos que começou levar a bola, quando dois vieram para cima dele e tocou a bola para Liam que pegou com facilidade e fez um drible no primeiro segurou a bola com os pés quando outro tentou tomar a bola, e chutou com o lado do tênis, fazendo um belo gol. Foi uma alegria de todo mundo, uma parte pelo gol, outra pela promessa de uma pizza. Liam veio sorridente correndo para o lado de Noah, que levantou para estender os braços para o pequeno. De repente, as pernas dele começaram a fraquejar, ele bambeou para os lados e começou a cair em câmera lenta. Noah correu e segurou o menino antes de cair no chão.

_ Liam! _ Uma voz cortou o ar. _ O que você fez com o meu filho?

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