Por volta das 20 horas, Liam ainda não tinha voltado dos exames. Leah estava sentada com uma amiga, que não permitia Noah se aproximar para tentar conversar, e até o olhava com olhar de ódio. Era melhor se manter afastado até ele voltar dos exames. Eles teriam tempo para conversar. Resolveu voltar para o quarto para esperar o retorno do menino. Tinha pedido um quarto particular para o menino pernoitar, caso fosse necessário. Chegando na recepção em que ficavam os quartos, viu um grupo de homens conversando, e ao ouvir o nome de Leah diminuiu o passo para escutar.
_ O quarto é para o filho dela. _ Disse um dos rapazes.
_ Eu queria ficar ao lado dela, é só ela me dar chance.
_ Qual é Marcus? Você teve sua chance, e ela te chutou. _ O outro riu.
_ Em quando estão às apostas?
_ 3 mil...
_ 3 Mil? Quem conseguir levá-la para cama está feito.
_ Eu faria isso de graça.
_ Eu não acredito que ela não transa desde o pai do menino, ela é...
_ Gostosa! _ Os três riram.
Noah passou pelos 3 os fuzilando, o que não passou despercebido pelos homens.
_ Senhor Walker, o menino já voltou, acabei de deixá-lo no quarto, mas não encontro a mãe dele.
_ Eu faço companhia a ele. _ Ele diz, entrando no quarto. _ Por que ele está dormindo de novo? _ Ele questiona no mesmo momento em que um médico entra no quarto, seguindo por Leah.
_ Está sob efeito de sedação, que usamos para que os resultados dos exames não sejam comprometidos. _ Começa o médico. _ O resultado fica pronto até segunda, estou enviando para alguns amigos em Detroit. Quando ele sair da sedação, vou reavaliar, mas acho que por hora é melhor deixar ele pernoitar aqui, caso ele tenha uma recaída. Pela manhã, vou liberar e você pode levá-lo para casa. _ Disse olhando para Leah. _ Fique em paz, o mais importante já foi feito, que eram os exames.
_ Obrigado, doutor. _ Noah agradece, já que Leah recomeça a chorar.
_ Uma das recepcionistas vai chamá-lo para as questões burocráticas. _ Disse o médico apertando a mão dele.
Leah ajoelha ao lado da cama e começa a chorar, soluçando, assim que o médico sai.
_ Ei, calma! _ Disse Noah, a pegando pelos braços. _ Olhe para ele, Leah, está tudo bem, veja que ele só está dormindo.
_ Eu sinto muito, eu devia ter feito algo antes...
_ Você fez tudo que uma boa mãe faria, ele é um garoto maravilhoso. E ele te ama.
_ Eu deveria ter buscado ajuda para ele, e se agora for tarde? _ Ela olha para Noah chorando.
_ Ei, eu estou aqui agora, vou te ajudar a cuidar dele. Vou tomar conta de vocês dois. _ Ele a abraça forte.
_ Mamãe, está chorando de novo? _ Liam começa a acordar.
_ Desculpa, querido, não gosto de ver você assim. Mas vou ficar aqui do seu lado e não vou te soltar mais. _ Diz, deitando-se ao lado do filho e o aconchegando em seus braços.
_ Senhor Noah, fica aqui com a gente?
_ Claro, amigão, não vou a lugar nenhum. Você quer comer algo? Ele pode comer algo? _ Noah olha para Leah questionando.
_ Sim. Você quer comer algo? _ Pergunta ao filho.
_ Eu vou dormir um pouco mamãe. Estou com sono.
_ Tudo bem, eu vou me sentar aqui do seu lado, e quando você acordar, eu trago algo. _ Noah puxou a cadeira e sentou de frente para Liam e Leah.
Assim, ele ficou observando ambos dormirem, ela parecia tão cansada que, quando fechou os olhos, dormiu, sentindo o filho nos braços, pode finalmente descansar. Tudo ainda era uma incógnita, e se as conversas infames no corredor fossem verdadeiras, ele era o único homem de sua vida. Único, não, tinha seu filho. Um filho e como eles iriam contar isso para o menino. E mais, será que ela deixaria ele fazer parte da vida deles? E como seria daqui para frente? Ficou por horas sentado e, quando o dia começou a amanhecer, levantou-se e foi até a lanchonete buscar café da manhã para eles. Sentou-se na lachonete enquanto aguardava seu pedido, Luck estava lá e fez companhia.
_ E agora? _ Ele questiona. _ Você já falou com ela?
_ Ainda não. _ Ele esfrega os olhos. _ Ela estava emocional e fisicamente esgotada. Eu julguei ela mal. Tudo que ela fazia era para o filho... Meu filho. Incrível, eu tenho um filho, você sabe o que isso significa, Luck?
_ Sim! Nada de noitada. Ainda bem que passou a fase das fraldas. _ Ele ri. _ Eu nem te dei os parabéns, ele é fantástico. E ainda bem que puxou a mãe e não herdou sua cara feia.
_ Eu sei... Ele parece mesmo com ela. _ Ele dá um sorriso amargo. _ Eu perdi todos esses anos ao lado dele, e agora ele está doente.
_ Ainda bem que você o encontrou, antes tarde do que nunca.
_ Isso eu preciso admitir. _ Um arrepio gelado passou pelo seu corpo.
_ O que está pensando em fazer agora?
_ Eu vou levá-lo para Houston, não vou ficar longe do meu filho.
_ E a Leah? Já pensou como ela vai agir?
_ Na verdade, passei a noite pensado em uma maneira de convencer ela. Acho que ela não vai aceitar tão fácil. Mas não posso deixá-los aqui desse jeito. E me recuso a ficar mais um dia sem fazer parte da vida dele.
_ Melhor preparar para a batalha.
_ Espero não chegar a tanto. Acredito que, depois do café, o médico deve liberar Liam para ir para casa, fique por perto. _ Ele levanta e vai pegar a bandeja para levar ao quarto. Uma faxineira fica admirando quando ele para e pega uma rosa na recepção. Ele pisca para ela, que fica vermelha, e abre a porta para que ele possa entrar. A cena que ele vê o deixa paralisado.
Leah está de costas alongando, com as pernas estendidas e o tronco abaixado com as mãos tocando os calcanhares. Ele tem uma linda visão daquela bunda virada para ele. E aquela legging dá uma linda visão. Ele fica admirando aquele estranho e sexy alongamento, o corpo já reagindo à visão. Quando Liam o chama, o tirando do transe.
_ Senhor Noah! _ O menino fica feliz ao ver. Noah leva um susto e leva um segundo para se recompor.
_ Eu trouxe algo para vocês comerem. _ Diz ele com certa dificuldade, piscando, olhando para Leah com as bochechas coradas.
_ Eu estou faminta. E você, Liam? _ Ela diz, ajudando o menino a sentar, ficando de costas novamente para Noah, ele precisava parar de olhar para a bunda dela, aquilo não daria certo.
_ Eu também, mamãe.
_ Vejamos, como eu não sabia o que você gostava, trouxe algumas coisas variadas.
_ Tem café? _ Leah diz rindo.
_ Não, não tem café. Como você sabe disso? _ Noah pergunta, curioso.
_ Você respondeu um questionário alimentar na universidade. Quando você sumiu, acabei achando essa informação enquanto tentava te achar.
_ Você estudou com o senhor Walker mamãe?
_ Me chamel só de Noah, nós somos amigos. _ Já que não podia pedir a ele para chamá-lo de pai por hora.
_ Posso, mamãe? _ O garoto questiona a mãe, enfiando um biscoito na boca.
_ Sim, querido. E nós estudamos na mesma universidade. _ Leah disse, se arrependendo de entrar naquela conversa. Foi salva pelo médico que batia na porta.
_ Bom dia, Liam, eu sou o doutor Willians, lembra-se de mim? _ Ele diz, se aproximando da cama. _ Vejo que tem uma bela refeição aqui.
_ Espero que não tenha problema, doutor, ele passou muitas horas sem comer nada. _ Noah diz.
_ Não hoje, mas na próxima pergunte, porque costumamos pedir exames em jejum, mas não é o caso hoje. _ Diz o médico tranquilizando. _ Meu paciente precisa mesmo se alimentar. Como você se sente, Liam?
_ Quero ir para a escola...
_ Hoje não, amigo, por ordem médica, você vai para casa descansar e na segunda pode voltar para a escola. Podemos conversar lá fora um minuto? _ Diz o médico para ambos.
Noah abre a porta e chama Luck, que entra para ficar com o menino. Os três saem caminhando para o corredor até uma sala médica.
_ Bem, eu vou dar alta para casa, mas quero que você fique atenta a qualquer sinal de recaída, esse é meu cartão, tem meu número pessoal, quero ser avisado de qualquer mudança. Creio que o caso dele possa ser um pouco mais delicado, mas preciso aguardar a conclusão dos exames. Não quero que você fique preocupada, nós estamos cuidando dele, só precisamos de atenção. _ O médico conclui.
_ Nós vamos ficar de olho nele, doutor. _ Noah toma a frente na conversa. _ E seguro levar ele agora?
_ Sim, Leah e Enfermeira, uma das mais qualificadas que tive a honra de trabalhar. _ O médico levanta apertando a mão de Noah.
Eles se despedem do médico e saem da sala. Noah com as mãos nas costas de uma frágil Leah. Chegando ao quarto, Luck e Liam riam animados.
_ Ele está bem, vamos levá-lo para casa, Leah. _ Noah diz baixo para ela ouvir. Aquelas palavras a tiram do eixo. Não teria como fugir dele.
Saiu do transe e foi ajudar o filho a se vestir para ir embora. Enquanto ela arrumava tudo, os homens saíram do quarto, Luck para buscar o carro e Noah para tratar das questões financeiras da internação e exames. Ela pensou em retrucar, mas ela não podia cobrir todos aqueles gastos. Em poucos minutos, estavam a caminho da casa. Viu os olhos curiosos de ambos quando chegou na rua da casa. Era um bairro simples e familiar. Em frente à casa tinha uma cerca branca que dava acesso a uma casa com uma pequena varanda na frente. Algumas esculturas de personagens da Disney ornamentavam a entrada de grama verde. Foram recebidos pela amiga da noite anterior, que encarou os homens com olhar frio. Luck não escondeu a curiosidade. Summer era baixinha como Leah e de composição voluptuosa, como ambas chamavam. Os cabelos cacheados e volumosos eram mais um de seus atributos rebeldes. Noah se despediu de Liam com um beijo no alto da cabeça, que foi retribuído com um forte abraço. Ambos se olharam estranhamente e ele prometeu que voltaria assim que possível. Não adiantava tentar fugir, a hora daquele embate em que ela fugiu a vida toda estava chegando. Levou o filho para o banho e ficou sentada na cama do menino, o esperando. Ficou lembrando das últimas horas. Ela tinha dormido, mas podia sentir os olhos dele em cima dela a noite toda.
Liam terminou o banho, se vestiu e ambos desceram para a sala, onde ela colocou um desenho e se desligou da vida lá fora.
Algum tempo antes, Nicholas tinha entrado em contato com ela para não ir para a empresa e que tirasse o dia de folga para ficar com o filho. E se precisasse de qualquer coisa, era para ligar. No telefone, também recebeu mensagem do senhor Perkins ofertando ajuda para o que ela precisasse. Já que não tinha plantão no dia, decidiu aproveitar ao máximo. Summer fez almoço e fizeram uma refeição muito agradável. Liam acabou dormindo no sofá depois do almoço, o que deu um tempo para Summer começar com os questionamentos.
_ Você conversou com ele?
_ Não tive tempo ainda. Graças a Deus. Não sei como vai ser.
_ Você acha que ele pode fazer o quê?
_ Não sei, mas ele deixou claro que não vai deixar o filho. Não vou negar que ele apareceu em boa hora, mas a presença dele está acabando comigo.
_ Acredito, ele é lindo, e aqueles olhos são tão azuis quanto você descreveu. Apesar de você sempre falava bêbada, nunca levei a sério que ele era isso tudo. As fotos nas revistas não fazem jus.
_ Valeu, Summer! Achei que fosse minha amiga. _ Leah ralhou com a amiga.
_ Não liga, o segurança faz mais o meu tipo. _ Summer riu. _ E quando você pretende contar para Liam?
_ Não sei, nunca falei mal do pai dele, mas acho que ele não vai entender bem toda essa dinâmica maluca. E, na verdade, foi ele que me abandonou. Eu tentei, quando vi que não daria certo, eu fiz o que uma boa mãe faz, eu cuidei do meu filho.
_ Mas você nunca o procurou, amiga, ele nem sabia da existência do filho. Você tem sua parcela de culpa.
_ Eu sei, agora estou com medo dele tirar meu filho de mim. Ele é super rico, como eu vou competir caso ele queira ir para a justiça. Não posso viver sem Liam.
_ Não sofra antes da hora, mulher. Quando ele vier, converse com ele. Ele já deve ter percebido que você é uma boa mãe. E caso ele tente alguma coisa, eu ponho ele para correr como minha avó fazia, na base da vassoura. _ Ambas caíram na gargalhada.
Liam acordou algumas horas depois, estava com uma aparência bem melhor, pegou os livros e se sentou na mesa para ler. Leah sempre se encantava por um ser tão pequeno ter uma capacidade tão avançada. Provavelmente ele não tinha herdado dela. Apesar de sempre ter sido uma aluna aplicada, sempre teve que estudar muito para se igualar aos outros alunos. Já ele fazia tudo ser natural. Ela estava na cozinha escutando a rádio local, que nem escutou quando os visitantes chegaram.
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Atualizado até capítulo 25
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