Parabéns papai

Noah teve um segundo para pensar, antes de ter a visão completa de Leah com rosto vermelho ao seu lado, buscando o rosto do filho.

_ Liam, querido, e a mamãe, fala comigo, meu amor. _ As mãos dela tremiam enquanto passava as mãos no garoto desacordado no colo de Noah.

Ele levantou o menino e caminhou apressadamente para o carro que Luck já estacionava, abrindo a porta.

_ Vamos para o hospital. _ Noah disse, entrando acomodando o garoto no colo.

Leah observava com os olhos cheios de lágrimas. Noah quis perguntar várias coisas, mas guardou para si os questionamentos. Ao estacionar o carro, Luck correu sinalizando para um grupo que correu com uma maca. Liam foi deitado por um Noah atônito, que acompanhava toda movimentação como se estivesse fora do corpo. O garoto estava imóvel desde a hora que caiu, a equipe técnica começou a mexer com ele, furando e colocando fios de monitoramento. Leah ficou pálida e ele correu para segurar ela, que não fez nem força para afastá-lo. Ela se encostou nele e chorou em silêncio.

Noah passou a mão pelas costas dela, dando sustentação enquanto a outra acariciava a cabeça. Ela enterrou a cabeça em seu peito quando foram perfurar ele pela segunda vez, um nó se formou na garganta dele. O médico pediu para que se retirassem para que a equipe pudesse avaliar Liam. Noah levou ela para fora e a ajudou a sentar numa cadeira numa sala para familiares. Noah odiou o pai do menino, que o abandou com a mãe. Sentiu um remorso tremendo por julgá-la na noite passada, era pelo filho que ela trabalhava tanto, e não por um marido. Agora, o filho dela estava deitado naquela cama, enquanto ela, do lado de fora, aguardava contendo o choro. Uma amiga dela veio ao encontro e a acompanhou até o balcão para fazer a internação. A equipe saiu da sala de emergência deixando Liam deitado na cama sozinho, Noah entrou e ficou ao lado da cama, observando-o dormir, Luck entreabriu a porta e olhou para dentro.

_ Como ele está?

_ Dormindo, os médicos devem falar com Leah.

_ Eu devo dispensar os pilotos?

_ Por hora, sim, quero saber se eles vão ficar bem. Esse carinha aqui é o famoso senhor Anderson.

Liam piscou os olhos e passou as mãos as pequenas mãozinhas esfregando, quando sentiu o soro preso no bracinho.

_ Senhor Walker? Por que estou no hospital da mamãe?

_ Me chama de Noah amiguinho. Como você está se sentindo?

_ Eu fiz um gol. _ Ele riu vitorioso.

_ Um belo gol. _ Luck diz, fazendo gesto positivo.

_ Depois ficou tudo preto, eu ouvi a mamãe... Cadê minha mãe?

_ Ela saiu rapidinho, mas ela já vem.

_ O que eu tenho?

_ Não tenho certeza. Mas nas horas extras eu também sou médico. _ Disse piscando. _ Vejamos... _ Disse, pegando o prontuário. _ Você deve ser o jovem senhor Anderson? Liam Anderson, vejamos mais o que... Você nasceu em 22 de outubro de... _ Noah ficou parado por um segundo ou dois, Luck se espantou com o quanto seu amigo ficou pálido. De repente, o rosto se iluminou e ficou com um olhar de fúria. _ Fica com ele. _ Ele disse, saindo da sala.

Andou até o balcão, pegou o braço de Leah e a arrastou.

_ Você está me machucando, Noah. _ Ela disse. Ele não escutava uma palavra, estava cego e surdo momentaneamente.

_ Aqui! _ Disse empurrando-a para uma sala. _ Quando você ia me contar?

_ Te contar o quê? Meu filho? Ele acordou?

_ Ele está bem. Luck está com ele. Você ia me deixar ir embora sem me contar que eu tinha um filho?

_ Seu filho? _ Ela desconversou.

_ Eu tenho algumas habilidades, uma delas tem a ver com números, e eu sei que ele é meu filho, agora tudo faz sentido. Por isso, você me procurou, por que você não me contou?

_ Eu tentei, sua funcionária me derrubou da escada, ainda me comparou a mais uma de suas conquistas. Você nunca me procurou, nenhuma vez. Por que eu te devo alguma coisa? Você não tinha que vir e entrar na minha vida.

_ Não é sua vida, Leah, e a vida do nosso filho. _ Ele falou, abaixando a voz. - Você alguma vez pensou nele? Você estava pensando mesmo em deixar o garoto viver sem pai, por orgulho ferido. Você tem três trabalhos e mal tem tempo para ele, enquanto o pai dele tem tanto dinheiro que nem em uma vida inteira conseguiria gastar tudo.

_ Não é orgulho, eu não sabia como você reagiria.

_ Agora você sabe. _ Disse ele, furioso.

_ Eu estava te procurando, Leah. _ Disse um dos jovens médicos que atendera Liam entrando na sala. _ E o senhor, quem é?

_ O Pai. _ Noah respondeu sem hesitar.

_ Então, o senhor deveria fazer o favor de ajudar a pagar o seguro de saúde do menino. Já deveríamos ter feito os exames conforme te falei, Leah. Eu espero que minhas suspeitas não se concretizem, mas não podemos esperar. _ O médico falava sem parar.

_ Eu vou fazer os exames no fim da semana. _ Disse ela, abaixando a voz.

_ Calma, você pode me explicar o que está acontecendo? _ Noah vociferou.

_ Sentem-se. _ O médico apontou para uma cadeira em frente a mesa, deu a volta e se sentou. _ Liam tem estado doente há algumas semanas, mas preciso de exames auxiliares para passar uma avaliação completa.

_ Por que diabos ainda não fizeram. _ Noah questiona.

_ Meu seguro saúde não cobre os exames, são de alta complexidade. Por isso peguei tantos extras, para cobrir os gastos. _ Leah diz deslocada.

_ Pode pedir os exames, doutor. Podemos ficar com nosso filho. - Noah perguntou.

_ Vou pedir os exames agora.  Eu pedi para ele fazer exercícios físicos. O que aconteceu?

_ O que aconteceu? Ele estava jogando com outras crianças e fez um gol e caiu. _ Noah falou atropelando as palavras sem perceber o peso de suas palavras.

_ Ele fez um gol? _ Leah perguntou incrédula.

_ Eu acredito que a descarga de adrenalina esgotou ele. Mas a reposição de fluidos vai ajudar, e após fazer os exames, você pode levá-lo para casa. _ Disse o médico, ignorando a presença de Noah._ Vou solicitar os exames.

Leah seguiu o médico e foi em direção ao quarto de emergência em que o filho estava.

_ Querido!

_ Mamãe, não chora, eu só caí.

_ Eu sei, querido. _ Leah fala limpando o rosto.

_ Eu fiz um gol, conta para ela, senhor Noah? Senhor Luck disse que foi um belo gol. _ Disse o menino, rindo.

_ Foi mesmo, garotão! _ Noah chegou perto do menino, os olhos marejados, o reconhecimento de ter um filho abriu um leque de novas expectativas.

_ Anderson? Liam Anderson? Eu sou do laboratório, preciso colher seu sangue, mas vai ser bem rápido, eu prometo. _ Disse a senhora de óculos entrando no quarto.

_ Sangue não, mamãe! Por favor, eu só caí, eu juro que eu estou bem, me ajuda. _ Liam começou a tremer e chorar.

_ Calma, vai ser rápido! Meu Deus, você está gelado! _ Noah disse quando pegou a mão dele olhando para Leah.

_ Ele tem feito exames regularmente há alguns meses. Ele gerou uma espécie de aicmofobia. _ Leah disse abraçando o filho e pegando-o no colo.

_ Minha mãe tinha uma técnica quando eu era pequeno, podemos tentar, o que acha, amigão? _ Liam arregalou os olhos molhados e olhou, Noah não resistiu e abaixou na altura do menino sentado no colo da mãe. _ Você fica assim e dá aquele braço para a tia tirar o sangue, e quero que olhe para mim. Ela se abaixava assim ao meu lado e me contava uma coisa que tinha acontecido com ela na infância, e eu forçava a prestar a atenção em tudo que ela falava. _ Enquanto Noah falava, a mulher garroteava o braço do menino e se posicionava para começar a coleta. A respiração dele acelerou e ele forçou o braço. _ Calma, relaxa o braço e preste atenção em mim, você sabia que me fez ficar endividado?

_ O que significa endividado?

_ Significa que estou em dívida. Eu devo algumas pizzas para aqueles meninos do parque. E tenho certeza que aquele grandão come uma pizza inteira. _ O menino riu da insinuação. _ Precisamos terminar aqui para comermos aquela pizza.

_ Como vamos juntar todo mundo? _ Liam pergunta com curiosidade.

_ Simples, quando te trouxemos para cá, o Luck foi lá e deixou meu número com uma das mães deles, e olha ali naquele canto, são seus livros. _ Ele disse, apontando para a mochila.

_ Eu me esqueci... _ Ele diz levando a mão na cabeça.

_ E esqueceu de mim também, olha eu já terminei. _ Disse a mulher mostrando os frascos com sangue.

_ Pronto? _ Ele disse relaxando. _ Dessa vez não doeu, obrigado senhor Noah.

_ Sempre que precisar amigo, eu vou estar aqui, não vou te deixar mais. _ Noah estava sendo sincero naquelas palavras e Leah percebeu aquilo suspirando.

_ Que bom que terminou, eu preciso levá-lo para fazer mais alguns exames. _ Disse um enfermeiro entrando na sala.

_ Carlos! _ O menino abriu um sorriso encantador em reconhecimento ao amigo da mãe. _ Não tem agulha? Não é?

_ Não, eu prometo. _ Disse o homem empurrando uma cadeira de roda. _ Você sabe que é obrigatório levar ele na cadeira, e que você não pode acompanhar. _ Disse ele olhando para Leah.

_ Eu sei, cuida dele para mim? _ Ela disse, tocando no braço do amigo, de um jeito que chamou a atenção de Noah.

_ Claro querida, como se ele fosse meu. _ Ele responde piscando para ela.

_ Mas, não é! _ Diz Noah, ríspido.

_ É melhor irmos, amigo. _ Carlos rodopia a cadeira e sai da sala, sem se importar com o comentário.

Leah não deixa passar despercebido e encara friamente Noah. Ela vira e sai da sala, seguindo para o lado oposto ao que o menino foi. Noah fica ali parado sozinho, perdido nos pensamentos. Sai da sala e resolve dar uma volta pelos corredores tentando acalmar os pensamentos, tantas informações em tão pouco tempo o deixaram perdido. Pois as mãos no bolso e começou a andar perdido. Sem se dar conta, acabou chegando a uma sala de espera para acompanhantes. Sentado ali, com a cabeça baixa, viu Nicholas.

_ Nicholas?

_ Noah? Desculpa te deixar esperando, eu mandei mensagem para o escritório, mas me disseram que você não estava lá. Como você me encontrou? _ Disse, levantando para cumprimentar o amigo.

_ O Filho da Leah passou mal, e eu o trouxe para cá.

_ Liam? Onde ele está? Eu falei para ela para fazer os exames dele, eu disse que pagaria...

_ Você disse isso. _ Nicholas era um homem bom ou devia estar encantado com Leah?

_ Claro, ele é fantástico, o pai dele deveria ter vergonha de abandonar um garoto brilhante daquele jeito.

_ O pai dele está aqui e vai pagar os custos do tratamento dele.

_ O pai dele? Mas ela nunca fala dele, eu queria ver a cara desse cretino.

_ Então, olha. _ Disse, apontando para o rosto.

_ Voc... Você e Leah? _ Nicholas começa sem saber como continuar.

_ Foi na última universidade em que cursei administração. Uma noite, música, festa, bebidas... E estamos aqui...

_ Por isso, você estava tão estranho? Mas você sabia de Liam?

_ Não, só percebi aqui no hospital quando peguei o prontuário dele, fiz os cálculos rápidos e, pela quantia de meses e dias, ele deveria ser meu filho. Quando questionei ela, ela não negou.

_ Faz sentido, você tem o QI mais alto que conheço, e ele... Bem, ele é um gênio. Ela nunca aceitou fazer o teste de QI nele, mas nem precisa. Ela diz que quer que ele tenha uma infância normal, e não rotular o filho. Algumas escolas grandes ofertaram entrevista para ele, mas ela quer o criar afastado de títulos.

_ Parece minha mãe...

_ Por isso faz tanto sentido, como não percebi isso?

_ Como você sabe tanto dela? _ Noah não queria ficar com suspeitas com o amigo.

_ Vai com calma, amigo! Todo mundo se conhece aqui. Quando ela chegou aqui grávida, começou a fazer parte da nossa igreja. Minha esposa ajudou-a nos primeiros meses de Liam, nosso garoto já estava grandinho. Eu tenho um carinho especial por ela. Mas ela nunca quis trabalhar para a empresa, queria ser independente. _ Nicholas ri.

_ Ela é especial...

_ Sim, e Liam é a parte mais incrível dela. Ela tem trabalhado duro nas últimas semanas para levantar dinheiro para o tratamento dele. O que me leva à pergunta do porquê ela não te procurou.

_ Quando tudo aconteceu, nós nos desencontramos, meus pais faleceram e eu não encontrei mais ela. Ela sumiu. O engraçado é que o nome dela era Miller, e agora é Anderson.

_ Quando a mãe dela faleceu, ela adotou o sobrenome de casado da mãe.

_ Ela não se casou? _ Pergunta com curiosidade.

_ Não, ela vive para o filho, e pelo que saiba, também não tem namorado. Se é que isso e do seu interesse. _ Disse piscando.

_ O que você está fazendo aqui, afinal? _ Noah muda de assunto.

_ É a Linda, minha esposa. Ela acabou de descobrir que está grávida. A irmã está com ela conversando, sai um pouco para dar um pouco de privacidade, por isso faltei ao nosso encontro hoje.

_ Parabéns! _ Noah diz apertando a mão do amigo.

_ Para você também, já que também se tornou oficialmente pai. _ Nicholas segura a mão do amigo. _ Você vai ser um pai incrível, cuida deles.

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