Leah organizou a bandeja, alinhou o uniforme no corpo, não que fosse necessário. Mas achou de bom tom passar ao visitante da empresa uma postura mais profissional. Pedia a Deus para que os planos do senhor Maple se concretizassem, ele ajudava tantos jovens. Quando chegou, até pensou em se candidatar para uma vaga, mas depois viu que seria inviável. Hoje sabia que era a decisão certa a ser tomada. Esses 3 dias que a senhora Herrera tinha conseguido para ela, eram muito bem vindos. Caminhou feliz pelos corredores, todos a cumprimentavam, já estavam acostumados a vê-la na cafeteria ou no hospital. Quando chegou na porta, viu um homem sentado de costas para a porta e foi atingida por um perfume, não qualquer perfume, era aquele perfume que a perseguia. O homem não se virou quando chegou ao lado da mesa, foi jogado num mar profundo em forma de olhos, aqueles olhos. Ela soltou a bandeja, derrubando todo conteúdo no chão. Ficou petrificada, sentiu borboletas no estômago e as pernas falharem quando foi contida por duas mãos firmes que prenderam seus pulsos, pensou que iria desfalecer.
_ Tudo bem, senhora. _ O homem disse.
_ Leah querida, você se sente bem? _ Um Nicholas preocupado a tirou do estado em que estava, tocando em seus ombros.
_ Me desculpe, senhor Harris. _ Disse, abaixando os olhos para a bagunça que fizera. Não era possível que aquilo estivesse acontecendo. Noah já tinha voltado para a posição em que estava anteriormente, sentado e alheio ao que ocorria ao seu redor.
_ Não se preocupe, querida, e não me chame de senhor Harris. _ Disse Nicholas, fazendo uma cara engraçada. _ Sou eu.
_ Eu já vou limpar tudo. _ Abaixou e começo a retirar as coisas do chão.
_ Deixe isso ai, peça outra pessoa para arrumar sua bagunça e traga-nos um café, e dessa vez eu prefiro que seja servido na xícara se não for pedir muito. _ Disse Noah com grosseria, fazendo de conta que não a tinha reconhecido.
_ Licença, senhor. _ Leah abaixou a cabeça e saiu a ponto de chorar, se sentia humilhada. Foi direto para a cozinha e pediu a amiga para limpar a sala. Quando se viu sozinha, deu vazão a tudo que por anos prendeu no peito. Chorou por alguns minutos, passava um filme em sua cabeça, das vezes que o procurou e o jeito que ele a deixou. Lembrou o jeito como as pessoas a tratavam na universidade, de como teve que recomeçar a vida. Jogou uma água no rosto, se ele achava que ela seria humilhada mais uma vez por causa dele, ele se enganara completamente. Começo a preparar sua vingança, se ele queria brincar. Esse era um jogo em que dois podiam jogar.
***
Noah remexeu nervosamente na cadeira, quando olhou no fundo dos olhos de Leah sentiu como se tivesse encontrado algo que há muito tinha perdido. E quando a tocara, um choque foi introduzido por todo seu corpo. Ele se sentiu tão acuado que só queria atacar aquela presa, mas estupidamente a tratara mal. Ele não passava de um infeliz. Quando a mulher da limpeza entrou, se sentiu o pior dos homens, ele a tratou como inferioridade, ele nunca fazia isso, mas aquela mulher conseguia mexer com a cabeça dele. Ficou tão confuso que, nos próximos minutos, não consegui ter um início de conversa decente, ao invés disso, preferiu ler uma pasta qualquer. Ainda estava irritado com Nicholas por tomar a liberdade de tocar ela. Afinal, ele era casado. Tudo bem, ela também. Mas ele era o patrão, o que ele pensava? Ele esperava que não fosse o mesmo que ele, não queria brigar com Nicholas.
_ Tudo bem, Noah? _ Nicholas perguntou.
_ Sim, só preciso repassar umas informações com você. _ Ele disse entre dentes.
_ A, sim, desse relatório aí na sua mão? _ Nicholas questiona.
_ Sim...
_ Bom... Mas eu acho melhor você virar ele. _ Disse apontando para a pasta, quando Noah o olhou confuso. _ Ele está de cabeça para baixo.
Noah teve um acesso de tosse, quando Leah entrou na sala. Ele pediu café, mas odiava café. Aquele nervoso entre ser descoberto mentindo a proximidade de Leah, virou o líquido na boca. Levou um susto e pulou.
_ Devagar, o café está quente? _ Nicholas pergunta.
_ Senhor, se quiser, posso trazer outro. _ Leah disse fingindo inocência, afinal aquilo não era café. Ela sabia do horror que ela tinha a café, ambos responderam a um questionário sobre gostos de um estudo social e, quando ela encontrou o dele, descobriu que ele gostava de leite com chocolate sem açúcar e com uma pitada de canela.
_ Eu preciso fazer uma ligação._ Noah disse, saindo.
Desceu pela escada de emergência, saiu do prédio, abaixou a cabeça apoiando as mãos no joelho, respirou fundo, contou até 10, tentou de trás para frente, mas nada adiantou. Caminhou até a praça onde alguns garotos jogavam. Foi surpreendido com uma bola no peito. Ele entrou na brincadeira, matou no peito e fez o drible com um, dois, três garotos e chutou para o gol. Uma parte do grupo gritou gol e outra reclamava.
_ Não valeu, tio, você é grande. _ Os meninos diziam.
_ Valeu, sim, ele está no nosso time.
_ Vamos tirar de novo.
_ Qual é, garotos? O tio está velho. Mas eu vou sentar e vou ver. _ Riu, esquecendo por um momento dos seus problemas.
Encaminhou para onde tinha alguns bancos e viu um garotinho sentado com as pernas cruzadas em cima do banco, e em volta dele alguns livros. Ficou curioso e se aproximou. Eram livros de francês. Ele conhecia alguns: Défi Livre de L'élève 1, 2 e 3. Dicionários, entre outros.
_ Oi, rapaz? Posso me sentar? _ Ele perguntou. O garoto deu de ombros, pegou um dos livros na mão. _ Comment parler français aux idiots? Você não se parece idiota.
_ Não sou senhor, por isso sei que não devo conversar com estranhos. _ O garoto respondeu.
_ Tudo bem, mas veja, eu me chamo Noah Walker. _ Disse estendendo a mão.
_ Meu nome é Liam. _ O menino disse desconfiado.
_ Seus pais devem estar felizes de ter um garotinho tão esperto. _ Noah disse com sinceridade.
_Eu não tenho papai.
_ Eu sinto muito garotão. Mas todo mundo tem papai, só que alguns papais são mais lentos. _ Noah fez uma careta engraçada, tirando uma risada do menino. _Eu aprendi francês muito cedo também.
_ O senhor fala francês? _ Perguntou o menino encantado.
_ Oui, je parle couramment le francais et 3 autres langues. _ Noah disse, gastando seu francês.
_ Nossa 3? _ Disse, espantado, o menino.
_ Sim, você não consegue falar, mas já vi que entende. _ Noah perguntou, curioso.
_ Sim, ainda tenho dificuldade para falar. _ Disse o menino olhando para os livros.
_ Você tem aulas?
_ Não, minha mãe não sabe, não posso pedir a ela para pagar aulas para mim. O menino suspira. _ Ela trabalha muito para me manter e nossa casa.
Noah sentiu um nó na garganta. Que tipo de homem abandona o filho?
_ Você é muito inteligente. Sua mãe deve estar muito orgulhosa. _ Noah diz.
_ Eu tenho QI acima da média das outras crianças, e para piorar, sou autodidata. Sou uma aberração.
Noah se solidarizou, também tinha sido tratado diferente das outras crianças.
_ Veja, eu estou trabalhando ali na Maple e posso te apresentar a umas pessoas e à sua mãe, talvez tenha um emprego melhor para ela ali.
_ Você trabalha para o senhor Nicholas?_ O menino fala entusiasmado.
_ Na verdade, é quase isso... _ Parecia que todos se conheciam nessa cidade, e Nicholas deveria ser prefeito.
_ Noah, eu estava te procurando. _ Disse um Luck esbaforido.
_ Onde você estava?
_ Corre, Liam, sua mãe está vindo. _ Um dos garotos gritou e o menino começou a guardar os livros dentro da mochila, tirou um dólarr do bolso e entregou para o menino mais velho e saiu correndo.
_ Cara, ela trabalha num hospital hoje à noite, ela é enfermeira. Mas não consegui achar a casa dela, nem informações sobre o marido, se esse existir. _ Luck senta ao lado do amigo.
_ Como assim?
_ Não tem um senhor Anderson aqui casado com uma Leah Anderson, ao menos eu não encontrei.
Noah se encaminha para onde as crianças jogavam. Quando todas param e acenam, lá longe, Noah vê-o sendo abraçado por uma mulher.
_ O que vocês estão fazendo? _ Questiona curioso.
_ O Liam é legal, mas não gosta de jogar. A mãe dele o obriga ele a ficar aqui fora jogando todo dia, para fazer amizade. _ Responde o menino.
Deixa eu adivinhar, o dinheiro era para vocês acenar para ele, fazendo a mamãe acreditar que ele está jogando? _ Noah ri, devia ter tentado isso quando era criança.
_ Ele nos dá o dinheiro do lanche, não precisa mais, ele insiste em pagar. _ Noah, olha triste, quem sabe amanhã ele consiga falar com a mãe do menino, porque agora eles estão muito longe e acabavam de entrar em um ônibus.
_ Vamos jogar? _Luck brinca.
_ Vocês são os capitães e podem escolher o time, olha, tio, eu sou o melhor. _ Diz um menino de uns 10 anos.
_ Quem sabe outra hora, preciso resolver algo. Ela está na empresa. Vamos. _ Noah diz, andando.
_ Não. É sério? Mas ela é enfermeira.
_ De noite e de dia faz extra, e dia sim, dia não, trabalha numa cafeteria, tem algo muito errado nessa mulher. Aparentemente, ela trabalha para ajudar o marido a participar de um concurso de robótica, por um sonho ridículo. Eu juro que vou dar uns bons socos nesse cara.
_ Não estou entendendo nada, como você sabe disso?
_ Vamos subir, eu te conto, não vou esperar mais, vou questionar ela e agora! _ Noah diz.
No caminho, conta a Luck tudo que aconteceu há pouco, que escuta tudo sem acreditar. Na verdade, ele queria dar uns socos nesse sujeito, e Noah queria sacudir ela. Procurou por ela, mas foi informado que ela já tinha saído. Ficou furioso por que mais uma vez ela desapareceu.
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Atualizado até capítulo 25
Comments
Euni Calixto Morbi
não entendi por que ele foi para o porquinho se ela estava na frente dele com o cafe
2024-10-28
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