Noah chegou na cozinha em silêncio e encostou no batente. Liam estava sentado com um livro na mão, mas no momento estava olhando fixamente para a mãe que cantava sem se dar conta da pequena plateia. Por um momento, ele viajou há um tempo, onde ele estava sentado admirando sua mãe cantar a mesma música.
And now my bitter hands Cradle broken glass Of what was everything All the pictures have All been washed in black Tattooed everything All the love gone bad Turned my world to black Tattooed all I see All that I am All that I'll be, yeah I know someday you'll have a beautiful life I know you'll be a star In somebody else's sky, but why? Why? Why Can't it be, oh, can't it be mine?
_ Pode parecer egoísmo da minha parte... _ Ele começa fazendo ela dar um pulo. _ Mas fico feliz por você não estar brilhando no céu de outro alguém. _ Ele olhou no fundo dos olhos dela. Aquele cabelo preso num rabo de cavalo bagunçado e as bochechas coradas. Aquele ambiente tão perturbadoramente domestico o deixou sem chão.
_ Noah, que bom que você voltou! _ Foi tirado do transe por Liam, que correu para seus braços.
_ Eu falei que voltaria, amigão, eu sempre cumpro o que prometo. E eu prometo que nunca mais vou te deixar. _ Ele disse olhando para Leah, que virou para secar as mãos.
_ Eu fico feliz em ouvir isso. A mamãe sempre canta essa música e eu a acho muito linda.
_ Engraçado, minha mãe também cantava ela, e eu ficava igual a você, hipnotizado. A música tem o dom de levar a gente para outros lugares. _ Ele olhou para Leah mais uma vez, que estava linda, corada daquele jeito. _ Obrigado. Você cria memórias nele e me levou de volta para as minhas.
_ Vocês estão me deixando sem graça. _ Ela disse, desviando o olhar.
_ Eu trouxe umas pessoas que queriam te ver. _ Apontou para Liam em seu colo. _ Espero que não se importe? _ Questionou a Leah.
Ela não gostava de receber visitas assim, caminhou atrás dele até a sala e deu de cara com um grupo animado de crianças barulhentas.
_ Liam!!!_ Todos gritaram correndo para o amigo. Que foi abraçado e derrubado por um grupo animado.
_ Devo interferir? _ Luck questiona.
_ Só mais um pouco... _ Noah riu da situação. _ Agora! _ Ambos começaram a levantar as crianças. Quando a farra tinha acabado e todos estavam de pé, um dos meninos maiores que descobriu chamar Jordan estava com os braços nos ombros de Liam.
_ Vejam as pizzas, se sentem no chão e vamos comer pizza. Será que você tem copos para todos? _ Noah perguntou para uma Leah que se divertia com a situação.
_ Temos copos descartáveis, eu pego. _ Disse Summer descendo as escadas em direção à cozinha.
Quando todas as crianças foram servidas, ele chegou próximo a Leah.
_ Nós precisamos conversar. _ Ele falou baixo. _ Tem algum lugar? Eles tomam conta das crianças. _ Disse apontando para um Luck e uma Summer que acenaram em confirmação.
_ Eu... _ Ela começou, onde ela poderia levá-lo, no quintal algum vizinho poderia ver, na cozinha não teria liberdade.
_ Agora, Leah. _ Ele disse.
_ Tudo bem. _ Ela caminhou para a escada e foi seguida por Noah, que olhou e viu um sinal positivo de Luck, que imediatamente levou uma cotovelada de uma Summer brava.
Eles caminharam em um corredor estreito que deu para o que parecia ser os quartos, ela caminhou pesadamente e abriu o último. Ele entrou e respirou fundo. Ela o levou para o quarto dela? Aquilo era sedutoramente errado, mas precisava focar na conversa que teriam. Mas inevitavelmente as lembranças dela deitada na cama preencheram seus pensamentos.
_ Azul? _ Disse ele apontando para a colcha que cobria a cama.
_ O que esperava? Rosa? - Ela debochou.
_ Não... Só não é como eu imaginei seu quarto. _ Ele falou, olhando para ela, pode ver a veia de seu pescoço pulsar.
_ O que você quer falar?
_ Eu te encontrei, e encontrei meu filho, e quero que ele me chame de pai. Eu não sou um qualquer que te deixou grávida. Eu não sabia. E quero contar para ele a verdade. _ Ele disparou.
_ É muita petulância sua chegar na minha casa e exigir alguma coisa de mim. Até então, eu criei ele sozinha. Você não tem o direito de entrar na minha vida e falar o que eu devo ou não fazer. Eu conto para ele e depois? _ Disse ela sentando pesadamente na cama. _ Quando você foi embora me quebrou em mil pedaços... Não posso deixar você fazer isso com ele. _ Ela abaixou a cabeça.
_ Eu quero fazer parte da vida do meu filho, eu tenho esse direito. _ Ele disse.
_ E quando você se cansar da vida de pai? Quem vai catar os cacos dele? _ Ela nem levantava a cabeça ao falar.
_ E esse seu medo? _ Ele perguntou, ela meneou a cabeça num sim silencioso, ele soltou o ar que nem percebeu que estava prendendo, ajoelhou em sua frente e segurou seu rosto. _ Olhe para mim. _ Ela fez força para abaixar o rosto. _ Por favor, olhe para mim. _ Ela levantou aos poucos os olhos marejados de lágrimas. _ Eu não vou magoar ele, eu juro.
_ Onde você esteve quando eu precisei de você? _ Ela não queria começar uma briga, mas precisava saber.
_ Naquele dia, você saiu e eu não te achei. Procurei o dia todo, quando localizei alguém que sabia do seu paradeiro, recebi a notícia da morte do meu pai. Ele teve um AVC fatal, minha mãe estava grávida e eu tive que tomar conta dela. Ela entrou em uma depressão profunda. Quando ela se recuperou um pouco, consegui marcar minha prova de avaliação para pegar minha certificação. Eu precisava dela para comprovar que eu poderia gerir a empresa do meu pai. Foi o dia em que você resolveu falar comigo na universidade. Quando Luck conseguiu me contar que você tinha me procurado, eu iria correndo te procurar...
_ E por que você não foi? Eu caí da escada e fui levada para o hospital, eu estava grávida e sozinha. _ Ela falou mais alto.
_ Naquele dia, minha mãe morreu no parto com meu irmão, eu fiquei sozinho. _ Ele fala abaixando a cabeça. _ Passei meses sofrendo, sozinho e ainda tinha que carregar uma empresa nas costas. Luck levou tempo para conseguir me contar o que tinha acontecido. Quando eu descobrir, eu tentei te achar, mas já era tarde demais, você tinha sumido, e eu achei que você já estaria vivendo sua vida, não quis te procurar e levar para meu mundo escuro. Eu estava no fundo do poço. _ Ela passava as mãos pelos cabelos dele.
_ Eu sinto muito. Eu imaginei que era só mais uma na sua vida, me senti insegura e fui embora. Minha mãe também estava doente e fiquei com ela até ela morrer. Depois me mudei para cá para criar Liam. Terminei a faculdade de enfermagem e consegui um bom trabalho no hospital.
_ Vários mal entendidos nos separam. Podia ter sido tudo diferente.
_ Não, não podia. Nós éramos muito jovens e imaturos. Aconteceu porque tinha que acontecer. _ Ela falou amarga. _ Eu estou feliz que você tenha aparecido, e não vou te proibir de fazer parte da vida do nosso filho, mas vai ser só isso. A única coisa que nos une é o Liam. _ Noah se levantou bruscamente, deixando-a com as mãos paradas no colo.
_ Você tem alguém? _ Ele questiona de costas para ela.
_ Isso não vem ao caso, você tem sua vida e eu não quero fazer parte dela.
_ Isso importa para mim. _ Ele diz, levantando-a, colocando o corpo dela ao seu. Falou num sussurro, o hálito tocando sua pele.
_ Você tem? _ Ela questiona, olhando para ele. _ Eu vi uma foto sua com aquela socialite. Eu e meu filho não vamos atrapalhar sua vida, eu quero que você fique longe da minha vida.
_ Cuidado, Leah, você chega a parecer com ciúmes... _ Ele diz, escorregando as mãos por seus braços, ficando excitado ao ver os pêlos do braço dela se arrepiarem. Ela não era imune ao seu toque, será que ela não tinha tido outro homem em sua vida?
_ Eu já disse... _ Ela tenta, sem passar certeza. A única coisa em que ela conseguia pensar era na proximidade dele e da cama ali tão próxima e convidativa. Ela estava carente, mas não queria que ele soubesse. Falhamente, os olhos dele demonstravam luxúria que ele com certeza sentia vindo dela.
_ Se você quer isso, eu vou te deixar. _ Ele diz soltando, mas não se afastando. Podia sentir que ela ansiava por suas mãos, ela ainda era quente.
_ Vamos esperar os exames dele ficarem prontos e nos contamos, exceto se você estiver presa para voltar para... Como é o nome dela?... Megan?
_ Vamos esperar então. _ Ele se afastou com raiva, porém feliz por saber que ela não tinha esquecido ele depois daqueles anos.
Ele sai do quarto e vai para a escada e lá embaixo um grupo de crianças se diverte na sala. Summer o olha com certa desconfiança, mas guarda seus comentários. Uma batida na porta chama a atenção, era a mãe de Jordan que veio buscar as crianças. Depois que os meninos se despediram, todos saíram, deixando Liam entretido jogando videogame com Luck, enquanto Summer tentava decifrar Noah. Leah passou para a cozinha e não olhou para ninguém. Foi até a geladeira, encheu uma taça de vinho e sentou-se na mesa, logo recebendo a companhia de Summer que não questionou o que tinha acontecido, por milagre.
_ Então... Liam já está bem, vamos aproveitar sua folga, hoje é a inauguração daquela boate, e você me prometeu ir comigo.
_ Não amiga, não estou no clima. _ Leah diz com sinceridade.
_ Você vai sim! Liam vem aqui na tia! _ Summer grita, o menino entra aos saltos na cozinha e entrelaça o pescoço dela._ Veja sua mãe e uma mentirosa, o que você acha disso?
_ Summer?
_ Mamãe, isso é verdade?
_ Não!
_ É sim, sua mãe prometeu me levar para sair na folga dela e agora não quer mais. _ Summer dispara.
_ Não é isso, só não quero deixar você com uma babá para passear. _ Leah diz, vendo Noah encostar no batente da cozinha.
_ Não preciso de babá, o Noah pode ficar comigo. Você fica comigo, Noah? _ O menino pula para o colo de Noah, que sorri.
_ Claro que fico, vocês vão ao shopping, o Luck pode levar vocês. _ Ele diz sem saber o que tinha feito.
_ Não, nós vamos a uma boate. E obrigado por ficar com Liam e nos oferecer seu motorista, eu aceito. _ Summer diz vitoriosa, olhando aqueles olhos azuis se arregalar.
_ Boate?
_ Sim. _ Diz Summer segurando o riso. _ É uma perda de tempo uma mulher tão linda dentro de casa na folga. Você não acha ela linda, Liam?
_Sim, mamãe, você é linda! _ O menino diz com sinceridade, sem perceber o tanto que aquela conversa afeta Noah.
_ Talvez ela deva arrumar um namorado, você não acha? _ Summer continua.
_ Um novo papai? Seria bom ter um papai. _ Liam diz abaixando os olhos.
_ Você tem um papai já, Liam. _ Noah diz, sem pensar, puto com aquela conversa.
_ Eu sei, Noah, todos os meninos têm pai, mas eu não. Acho que a mamãe deveria me arrumar um. Assim, eu poderia jogar com ele e conversar em francês. _ Liam diz, feliz com a ideia.
_ Ótimo, vamos nos arrumar, saímos às 9. E o tio Noah toma conta de você. Lindinho da tia. _ Summer aperta a bochecha de Liam, vendo um Noah vermelho de raiva.
_ Vamos nos arrumar então. _ Diz Leah saindo da sala antes que Noah exploda com sua amiga.
Elas sobem para o quarto correndo, onde ficam escondidas até a hora de sair. Leah questionou a amiga por que daquele comportamento, mas ela só deu de ombros quando começou a jogar as roupas em cima da cama. Quando elas saem, um Luck de banho tomado e perfumado as espera na porta, enquanto Liam e Noah assistem desenho. Os olhos de Noah a encontram cheios de luxúria e ódio, ela sentiu que ele poderia colocá-la nos ombros a qualquer momento. Ela sai apressadamente dando um beijo na testa do filho, dizendo que não demoraria. Os olhos dele a queimavam. Mesmo sem tocar, ela conseguia sentir. Saiu o mais rápido que pode, sem olhar para trás, teve medo do que poderia ver.
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Atualizado até capítulo 25
Comments
Euni Calixto Morbi
estranho. pq o noah de baba do filho?
2024-10-28
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