Frente a frente

Noah voltou para o hotel e resolveu treinar por algumas horas. Luck descobriu que Leah era enfermeira em um hospital local e que essa noite seria o plantão dela. Nada fazia sentido naquela mulher, um dia numa cafeteria de caminhoneiros, no outro, faxineira e em outro, enfermeira, nada fazia sentido. Socava com mais força o saco de pancadas que parecia nunca ter sido usado. Tinha que pensar num jeito de entrar no hospital sem precisar usar sua influência, tinha que passar como outro paciente, mas ele estava super saudável e como ele entraria? Ele parou de socar, retirou as luvas e jogou no chão, olhos os dedos vermelhos, e nesse momento uma ideia nada brilhante passou em sua cabeça.

_ Sério, para uma pessoa de QI tão alto, às vezes minha mente me prega peças, na verdade, desde que passei por aquela baixinha, acho que não estou raciocinando bem. Já estou até falando sozinho. Devo estar maluco. _ Começou a socar com toda fúria que podia usar, em poucos minutos estava com os punhos feridos. Ótimo, agora podia ir ao hospital.

Luck levou um susto ao ver Noah de banho tomado e com as mãos cheias de hematomas e inchadas, mas, passado o susto, caiu na gargalhada.

_ Cara, você é um imbecil, era só se apresentar que eles iriam te levar até um cirurgião. _ Luck falava entre gargalhadas.

_ Não seja infantil, nem foi tão serio assim. _ Noah rebateu.

_ Infatil? Eu? Tem certeza disso? Quem está indo ao hospital cuidar das mãozinhas. _ Luck não se aguentava.

_ Cala a boca e dirige!

_ Noah, para um gênio, às vezes você é meio lento. _ Luck perderia o amigo, mas não perdia a chance de zoar.

Luck estacionou e seguiu Noah até a recepção, lá fizeram um gesto, um para outro e seguiram em lados opostos, Noah daria entrada no atendimento e Luck descobriria onde Leah trabalhava. Ele fez o prontuário e foi encaminhado para atendimento médico.

_ Boa noite, senhor Walker, sou o doutor Lester, vejo que feriu suas mãos. _ Disse o médico olhando para as mãos de Noah. _ Posso perguntar como?

_ O de sempre, doutor, uma mulher..._ Disse Noah piscando marotamente.

_ Certo, espero que a garota em questão valha a pena, porque o estrago foi feio. Vou pedir um raio-x para descartar alguma fratura, depois vamos ver o que pode ser feito.

Noah foi direcionado para outro andar e, enquanto andava nos corredores, olhava para todos os lados tentando encontrar o motivo de toda sua loucura. Contra gosto, entrou na sala de raio-x, percebeu o olhar de sarcasmo do técnico. Ele devia ter a idade dele, devia achar ele fresco. Não ligou para o pensamento dos outros, mas alguém iria pagar, só tinha pensamentos para Leah.

***

Leah caminhava apressadamente, o senhor Alvarez tinha vomitado no seu jaleco, mal tinha tido tempo para se limpar, aquela noite estava sendo horrível. 3 bêbados, 4 idosos, 1 morador de rua que se recusava a tratar os pés, 2 irmãos com estomatite, 1 gestante no último trimestre, o senhor Alvarez vomitando tudo por estar sofrendo com pedras nos rins. E agora um riquinho qualquer exigia ser tratado pela enfermeira do plantão. Provavelmente isso não iria prestar, ela estava cansada e com fome, sem falar no sono que dominava. Pegou o prontuário, nem se deu o trabalho para olhar, quando chegou na baia do paciente, abriu a cortina olhando para as folhas buscando o nome do infeliz. Quando achou já era tarde demais para fechar.

_ Senhor Walker... Vejo que você solicitou a presença de uma enfermeira. _ Disse a pálida Leah.

_ Sim, não confiaria minhas mãos a ninguém mais. _ Disse um sorridente Noah.

_ Mas... Não tem necessidade, é só um simples curativo...

_ Só assim eu consigo sua atenção por alguns minutos, se tenho que fazer cena, eu aceito. _Noah disse.

_ Serio senhor Walker! Eu preciso desse trabalho para sobreviver. _ Leah disse impaciente abaixando o tom.

_ Esse aqui, por mais que não faça sentido, eu até entendo. _ Noah começou. _ Mas e como garçonete, ou faxineira da Maple S.A. fazendo mais extra?

_ Vai se ferrar, senhor Walker! Você não tem nada a ver com minha vida. _ Exasperou.

_Ok, eu comecei errado, me desculpa, não tenho que me meter na sua vida, na verdade, o doutor Lester pediu para aguardar aqui para fazer o curativo...

_ Senhor Walker? _ Disse uma mulher de óculos se aproximando. _ Precisamos colher seu sangue para alguns exames.

_ Não precisa! _ Noah disse.

_ Quem decide e o médico ou o senhor pode assinar sua alta e ir embora, sinceramente não me importo. _ A mulher disse bruscamente.

_ Não acredito que virou um covarde Walker? _ Leah disse, rindo.

_ Pode nos dar licença. _ Noah disse fechando a cortina para a mulher de óculos e acurralando Leah. _ Eu estou aqui por você, e vou ficar a noite toda, as meninas da recepção querem muito "me dar atenção". _ Falou se aproximando de Leah. E para o azar dela, ele viu as pupilas reagirem e os pelos invisíveis do braço se eriçarem.

_ Vo..Você não po... de, pode fazer isso aqui. _ Disse Leah tentando se manter firme. Aqueles olhos azuis estavam mandando sinais para lugares proibidos em seu corpo.

_ Eu faço qualquer coisa se você me der alguns minutos do seu tempo. _ Falava passando o dedo no pescoço dela. Ficou em êxtase quando ela suspirou de boca entreaberta, sentiu que poderia beijá-la que ela não se oporia.

_ Eu não posso...

_ Qual é Leah, eu sei que você tem uma pausa para jantar, deixa eu te pagar um jantar. _ Disse passando o dedo na carótida sentindo o coração dela naquela posição.

_ Eu não posso sair...

_ Na cantina, lá embaixo... _ Disse, provocando com a insinuação. Mas logo se afastou, não era forte o bastante.

_ Tu...Tudo bem... Você tem 30 minutos... E antes você vai tirar o sangue. _ Leah disse abrindo a cortina e saindo. _ Chris tira o sangue dele com a maior agulha que tiver no seu kit. _ Disse afastando. _ Eu te espero "lá embaixo" _ Disse em tom baixo.

Leah se afastou, andou até o corredor, quase correndo. Precisava de tempo para se recompor. Não sabia se estava preparado para encarar Noah. Mas quando mais corria, mais ele ia ficar atiçado em ir atrás dela, era melhor acabar com essa situação. Lavou o rosto e desceu para seu martírio.

***

Luck, como sempre fez a maioria do trabalho, mas a recompensa era ficar tirando sarro com a cara de Noah, ele às vezes esquecia quem era o patrão. Ao menos, ele descobriu o local que ela estava e que estava na hora do jantar. Agora, após ser tortura para tirar sangue, iria confrontar ela. Chegando no local, viu-a sentada de costas. Se aproximou devagar e tocou no ombro dela. Que deu um pulo.

_ Jesus!!!

_ Calma, você está nervosa. _ Disse a segurando.

_ Claro, um fantasma do passado veio puxar meu pé.

_ Eu não tinha pensado nisso... Mas a ideia me agrada. _ Disse sorrindo.

_ Você virou um piadista? Eu achei que era um CEO multimilionário? _ Disse se arrependendo.

_ Quer dizer que você sabe o que eu tenho feito na vida? Estou em desvantagem.

_ Não seja ridículo, suas fotos saem em várias revistas e estão nas redes de fofocas.

_ Não imaginei que você tinha tempo para essas revistas?

_ Talvez se passasse menos tempo lendo essas porcarias, não precisasse trabalhar tanto? _ Disse acidamente, confrontando.

_ Tudo bem, eu vim em paz. _ Levantou um guardanapo como uma bandeira branca. _ Vamos cuidar de você primeiro, parece mal-humorada, pode ser fome. O que quer comer?

_ Um sanduíche de atum. _ Disse, respirando profundamente. Leah, estava exausta, e essa trégua poderia apaziguar a situação.

_ Atum? _ Disse inquisidor, mas voltou com o olhar fuzilante de Leah. _ Então vai ser atum.

Levantou e encaminhou na lanchonete. Enquanto isso, Leah pode olhar com calma para ele, continuava lindo e muito sexy, mas do que aquele outro Noah. Mas maduro e todo feito em músculos e... Sexy... E lá vem ele com aquele olhar ferino, andando em sua direção com uma badeja cheia de coisas.

_ Nossa, eu nem tenho tempo para tudo isso. _ Leah disse

_ Então, coma somente. O importante é você se alimentar. _ Ele disse entregando um bombom.

_ Noah, você não pode voltar depois de tanto tempo e me confrontar desse jeito, eu tenho uma vida aqui, não quero que as pessoas do meu trabalho pensem mal de mim. Veja, você parece um cara legal, o que você quer de mim?

_ Eu quero, na verdade, eu preciso saber, o que houve?

_ Eu era só uma criança assustada, me senti perdida depois que tudo aconteceu e eu te procurei, mas fui barrada por sua secretária e isso me fez acordar. Segui minha vida e ponto.

_ Eu não sabia...

_ Engraçado e que você sumiu logo depois daquela noite. _ Ela disse, abaixando a cabeça.

_ Nisso eu preciso te contar... Eu tentei te achar naquele dia...

_ Não importa, nós seguimos caminhos separados.

_ Tudo bem. _ Engoliu a seco, não ia ficar se lamuriando para aquela mulher, já que ela já tinha tomado sua decisão. _ Me diga, foi por minha causa que você abandonou a universidade?

_ Não.

_ Você sabe que era a melhor aluna da sua turma?

_ Não gosto de pensar nisso. Eu escolhi minha vida.

_ E agora, o que você se tornou? Uma mulher que trata do marido? Você está se matando em 3 empregos, por causa de um homem? Eu quero pagar seus estudos, vou me sentir melhor... _ Foi cortado bruscamente por um tapa estalado.

_ Nem tudo tem a ver com seu dinheiro, Walker, me deixe em paz. _ Levantou derrubando a cadeira. _ E o que eu faço da minha vida e problema meu.

Virou as costas e deixou Noah ali sentado, tentando remendar a dignidade.

Ele respirou fundo, não que o tapa tivesse doido, mas, ao que ela estava se sujeitando, não parecia nada com aquela estudante doce. Voltou para sua baia e ficou esperando os resultados dos exames, não que ele precisasse, mas queria observar ela mais um pouco. Ela trabalhava em silêncio e às vezes parecia que ia chorar. Quis muitas vezes ir pedir desculpa e dizer que era um idiota, mas tinha muito orgulho para fazer isso. Se ela queria alimentar o marido se matando de trabalhar, o problema era dela. Com isso, acabou sendo grosseiro com o médico, que veio lhe dizer que os resultados estavam ótimos, e ele acabou respondendo que já sabia disso e fechou a cara. Depois, foi rude com a técnica que veio fazer seu curativo. E durante todo o processo, seus olhos seguiam-na. Por volta das 3 da madrugada, viu-a seguindo para a última baia e fechando. Quando terminou o curativo, seguiu até a baia em que ela entrou para pedir desculpa. Demorou a tomar coragem, mas tinha decidido sair de vez da sua vida. Chegou próximo e tossiu para ver se ela abria, mas nada, aquela hora o movimento era quase nulo. Abriu uma fresta e pode ver ela deitada ressonando. Se deu por vencido, era hora de deixá-la em paz. Fechou a cortina e decidiu ir embora.

Mais populares

Comments

Euni Calixto Morbi

Euni Calixto Morbi

chato, ele foi embora? e ela nem para tentar encontra-lo?

2024-10-28

1

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!