*** 3 meses depois. Leah já estava ficando louca, procurou vestígios de Noah em todos os lugares, os amigos dele até começaram a falar que ele tinha fugido dela, foda de uma noite só, e colocaram o apelido dele de pica de ouro, já que nos últimos meses ela tinha recusado todas as investidas. Ela nem se importava mais com nada, precisava ver ele e nada a impediria. Já tinha engolido todo seu orgulho para achar-ló. Ele simplesmente tinha desaparecido, ninguém sabia dele. Por fim, no auge da loucura, começo a procurar ele na internet, mas nada, nem um vestígio.
Em nada ela se parecia com a aluna que chegou há poucos meses ao campus, os olhos estavam marcados pelas noites mal dormidas em que acordava com febre e suando, perdida nas lembranças daqueles olhos azuis. Ele provavelmente estava enlouquecendo e nada podia fazer para cessar essa loucura. Na semana que se passou, tinha descoberto que um plano tinha sido estruturado para receber um ex-aluno para um teste, porém ninguém sabia que era ou do que se tratava o tal teste. Ela sentiu no fundo, que era ele, passou os dias tentando arrancar a informação de seu amigo Anton, porém ele estava mais preocupado com sua condição de saúde e com suas notas que despencaram nos últimos meses. Só restou esperar.
No dia marcado, uma ala toda da universidade foi fechada para receber o aluno misterioso. Leah se escondeu no banheiro dos professores no segundo andar para conseguir descobrir quem era. Era necessário, ela não tinha escolha, era sua última chance. Como se estivesse em um grande deserto e sua última fonte de água fosse Noah. Não importava se a água não fosse cristalina, ela ainda precisava dela.
Às 11:45, escutou o barulho de um helicóptero pousando no heliporto, e em alguns minutos uma pequena comitiva se aproximou da sala da reitoria, lugar onde aconteceria a tal prova. Não conseguiu ver quem era. Quando tudo se acalmou, ela foi até o corredor que dava acesso à sala do reitor, e de longe, conseguiu ver pelas vidraças o alvo dos seus tormentos. Noah estava sentado numa grande mesa de frente para uma plateia de professores.
_Noah! _ Ela disse num suspiro de alívio, sentiu seu coração falhar uma batida.
Ele estava sentado sozinho numa sala espelhada e conseguiu o reconhecer, não se importava se seria expulsa, não se importava o que os outros iriam pensar sobre ela, ele era sua única fonte de sobrevivência, sentia que se não chegasse até ele iria padecer, a única coisa que importava era chegar até ele. Ele parecia mais cansado, a barba por fazer e parecia ter envelhecido, sentiu que tinha algo errado com ele. Mas nada importava agora, o que importava era que ele estava aqui, a resposta de suas súplicas. Quando virou para ir para a porta, deu de cara com dois seguranças parados na porta, um rosto parecia conhecido, mas ela não conseguiu se lembrar.
_ Desculpa, senhores, eu preciso entrar. _ Disse com os olhos marejados.
_ Senhorita Leah, agora não é um bom momento. O senhor Walker está passando por um rigoroso teste. _ A segurava o segurança que parecia familiar, mas ela não lembrava de onde. Tal devaneio nem percebeu que ele a chamava pelo primeiro nome.
_ Eu preciso mesmo entrar aí. _ Ela retrucou com a voz embargada e uma lagrima traiçoeira. Vendo a movimentação, uma mulher saiu de dentro da sala, com o olhar de pouco amigável.
_ Senhor Tate? Algum problema? _ Pergunta à mulher com cara azeda.
_ Não senhorita, a senhorita Miller é estudante da universidade e precisa falar na reitoria. _ Responde Luck, tentando apaziguar a situação.
_ Desculpa, senhora, eu preciso falar com Noah. _ Responde já aos prantos, Leah.
_ E quem você pensa que é para chamar o senhor Walker pelo nome? _ Responde a mulher com uma pergunta, já arrastando Leah pelo corredor.
_ Eu só preciso falar com ele. Por favor. _ Suplica Leah já com o rosto banhado em lágrimas.
_ Menina, se recomponha, assim como você, outras do seu tipo já tentaram esse golpe com o senhor Walker em outras universidades.
_ Outras? _ Pergunta confusa.
_ Sim, o jovem senhor Walker já fez outras disciplinas antes de vir aqui, e Deus me livre querer entender a cabeça dele, mas o que importa é que ele não tem tempo para tipos como você. Espero que você entenda seu lugar. Ele tem uma empresa a gerir e não pode perder tempo com "garotas de uma noite". E pare de chorar, você não foi a primeira e certamente não será a última._ A mulher a empurra em direção às escadas.
Leah não consegue se mexer, as coisas parecem flutuar diante dos seus olhos. "Garota de uma noite só." É isso que ela se tornou, mais uma entre tantas. Tudo que se passou ali não fazia sentido algum dentro da sua cabeça. " Você não será a primeira e certamente não será a última." A cabeça de Leah girava e, num baque, caiu no chão sem sentidos. Estava tudo acabado, sem sonhos e nem expectativas, somente a dura realidade.
***
A cabeça de Noah doía muito, dentro do carro a caminho do aeroporto, já tinha decidido que, após a prova, iria voltar para o Texas e terminar de mexer na diretoria da Walker Enterprise. Aquela prova era para que não restassem dúvidas quanto à sua capacidade de gerir as empresas do falecido pai. Era triste imaginar que o pai, aos 50 anos, tinha partido, largando tanta responsabilidade sobre ele. Os pais trabalharam duro toda a vida para construir seu império, e agora, aos 44 anos, a mãe passava por uma gestação planejada com tanto amor junto ao marido e ele tinha partido daquela maneira. Na verdade, Cindy Walker em nada parecia com aquela outra hora, mulher cheia de garra. Ela era somente uma sobra do que fora. Aquela imagem da mãe deitada na cama no escuro ainda turvava a mente de Noah.
Talvez quando conseguisse estabelecer as coisas, conseguisse ir atrás de Leah, pensando isso, riu para si. Olhou para fora, vendo as pessoas passando, imaginou o que faria se Leah passasse lá fora. Provavelmente, sairia do carro correndo e a levantaria num abraço. Mas, com o passar do percurso, viu que isso não aconteceria. E para piorar, não podia ficar naquele momento. O carro parou em frente ao aeroporto, Luck desceu do carro, junto a seu outro segurança, abrindo a porta para sua assessora, Senhorita Person.
Desceu e caminhou em direção à área de embarque.
_ Senhor Tate, deveria buscar ajuda médica. _Fala secamente, Person após a enésimo espirro de Luck.
Somente aí percebeu o amigo com uma crise fingida de espirros.
_ Preciso ir ao banheiro. _ Noah fala se dirigindo a todos.
_ Aproveita e lava esse rosto vermelho, Luck. _ O espirro falso era o código quando precisava falar algo em particular. Viu o amigo puxar a gola da camisa, desesperado.
_ Ótimo, eu também preciso ir ao banheiro. Você acompanha o senhor Walker, senhor Tate e você, senhor Scott me acompanha até a porta do toalete feminino. _ Determinou a senhorita Person.
Quando Luck se afasta a caminho do banheiro, dá uma bronca no amigo.
_ Porra, achei que você nunca entenderia. _ Começa Luck no auge do estresse.
_ Eu estava aéreo. Me desculpa, cara. _ Fala sério, Noah.
_ Eu estou desde que você saiu de lá chamando sua atenção. Que droga! _ Fala exasperado, Luck.
_ Relaxa, cara, agora fala o que você precisava falar. _ Diz Noah sorrindo do amigo.
_ A garota.
_ Que garota...
_ Puxa, cara, você realmente está aereo.
_ Leah?... Noah olha perplexo para Luck que sorri. Logo e interrompido por Person que entra aflita no banheiro com o celular na mão.
_ Senhor? _ Diz ela, totalmente pálida, ao entrar no banheiro.
_ Senhorita Person, não te dou o direito de... _ Começa Noah.
_ E a sua mãe. Ela passou mal e foi levada às pressas para o hospital. Me ligaram antes, mas estava na sala e não vi as ligações, retornei agora e fui informada de que ela deu entrada na maternidade com quadro de hipertensão. O médico teve que fazer uma cesariana de emergência.
_ Não fode... _Fala exasperado, Noah. Nem notou que seu amigo estava no telefone.
_ O piloto conseguiu liberação, vamos partir agora. _ Luck diz apontando para a porta e todos se encaminham para a área reservada para embarque de voos particulares.
*** Meses depois.
Noah estava sentado sozinho no escritório de sua casa, como sempre, no escuro e com um copo de whisky nas mãos. Não sabia quando sua vida tinha se tornado aquele amontoado de lixo. Se sentia péssimo, não se lembrava qual a última vez que dormira. Estava esgotado mentalmente e fisicamente não estava melhor. Passava os dias enfurnado na empresa, fazendo todos reconhecerem que ele era capaz de gerir as empresas. Parte dos acionistas se retiraram da empresa e os lobos velhos que restaram, não acreditavam na sua capacidade. Ele pouco se importava, agora tinha 83% das ações, e em breve tomaria, mas alguma parte dessa porcentagem. Mas, no fundo, sua vida estava vazia, assim como sua alma.
_ Noah, cara, precisa sair desse buraco em que você se enfiou. _ Fala Luck ao entrar no escritorio. _ Isso aqui fede a bar espelunca.
_ Esse sou eu. _ Diz secamente Noah.
_ Cara, você precisa se erguer.
_ Para quê? Me dá um motivo. _ Diz com os olhos vermelhos e voz amarga. _ Nos últimos meses, perdi tudo que tinha meu pai... Minha mãe... e nem meu irmãozinho sobreviveu._ Reviveu todo o tormento dos últimos meses, sua mãe não suportou viver sem seu pai e se entregou para morte, levando junto a si seu bebê em seu útero. Noah tinha ficado sozinho. _ Todos me abandonaram... _ O queixo tremia com as lágrimas agarradas a seus olhos.
_ Cara, você não está sozinho, eu estou aqui, irmão. _ Diz Luck, sofrendo por não saber como agir.
_ Eu não sou tão forte como você. _ Diz Noah olhando para o copo na mão, tornando a encher.
_ Vamos, irmão, vou te dar um motivo para sair dessa cadeira. _ Diz Luck, tirando o copo das mãos dele.
_ Não ferra, Luck, me deixa em paz. _ Nesse instante, repara na postura de Luck e o olhar.
_ Eu tenho uma coisa para te contar, mas acho que você pode me odiar pelo que vou te contar. _ Diz Luck dando um passo para trás. _ Lembra há uns meses quando você foi fazer aquela prova? _ Começa Luck.
_ Claro que me lembro daquele dia infeliz. Se você quer me levantar dessa cadeira, começou mal. _ Fala secamente, já que o dia em questão foi o dia em que sua mãe morrerá.
_ Lembra que eu ia te contar uma coisa no aeroporto?
_ Seja mais específico, acho que o álcool retirou algumas lembranças. _ Quase riu do próprio infortuno.
_ A garota que te procurou na universidade foi a Leah.
_ Leah. _ Sentiu o coração falhar uma batida.
_ Ela estava muito desesperada, ela chorava, eu tentei a acalmar, aí a Person apareceu e arrastou-a pelo corredor. _ Luck falou atropelando as palavras.
_ Como assim ela chorava? _ Noah demorava a digerir toda a informação.
_ Ela queria muito falar com você, deu para perceber. _ Falou.
_ E por que você não me contou isso? _ Fala, alterando o tom de voz, Noah.
_ Eu tentei, várias vezes, mas depois, sua mãe... Eu não tive como falar nada. Mas acho que você deveria levantar dessa cova em que você se enterrou e ir atrás dela. _ Responde.
_ Por que ela não me procurou? _ Questionou como para si, Noah.
_ Não sei, mas algo me leva a crer que tem algo a ver com o que Person falou com ela.
_ Ligue para Person e diga que quero ela aqui dentro de meia hora. _ Sai apressadamente, Noah.
Subiu os degraus a cada dois até chegar a seu quarto. Começo a tirar a roupa antes mesmo de entrar no quarto. Precisava saber o que aquela víbora tinha falado para sua Leah. Somente de lembrar dela, o coração aqueceu e começo a ter esperanças quanto ao futuro.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 25
Comments
Euni Calixto Morbi
muito bom. o melhor é q ela estivesse gravida
2024-10-28
0
boing fortificado
Surpreendente 😲
2024-10-14
1