48 horas...

_ Noah olhava para fora da aeronave, perdido em seus próprios pensamentos. Como sempre, em sua mão um copo de whisky. E em sua cabeça, os pensamentos e cálculos matemáticos sem fim, sobre a possível aquisição de mais uma empresa de pequeno porte em uma cidadezinha, para que em cada canto dos Estados Unidos todos conhecessem o poder das empresas Walker. Um sobrenome grande que estava jurado a morrer com ele. Já tinha jurado para si que não colocaria ninguém no mundo para sofrer. Não tinha ambição de casar nem ter filhos, queria que todo aquele poder morresse com ele. Aquilo não era herança, era sim uma maldição. Desde que os perdeu toda a sua família, ele resolveu se afundar no trabalho. Teve um momento alguns anos atrás que ele sonhou em ter esperança, porém a vida lhe pregou uma peça que ele superou com mais trabalho. Hoje, as empresas Walker já eram conhecidas por seu tamanho império, nacional e internacionalmente, já que há poucos dias inaugurava mais uma de suas filiais, essa última em Madri, onde ele passou noites quentes nos braços de uma latina. Porém, não passou disso. Em sua cabeça, até cogitou a ideia de pedir em casamento uma de suas conquistas, Megan Williams, uma socialite que estava mais preocupada com os milhões que entravam na sua conta do que na vida sexual de Noah.

Quando reencontrou um amigo que fez a proposta da aquisição numa cidade próxima a Houston. A empresa era só um ponto estratégico para recrutar novos talentos, já que anualmente lançava futuros engenheiros tecnológicos que, quase na maioria das vezes, levavam a competição de robótica, assim ajudando esses jovens a se lançar no mercado com suas invenções tinha a oportunidade de torná-los pupilos da Walker Enterprise. Aquele encontro era uma ótima oportunidade para pensar no que fazer.

Por que não Megan afinal, ela era filha de um milionário do ramo do petróleo. Sabia se portar como uma dama, mas não o atraia para cama. Eles tinham feito sexo pouquíssimas vezes e ela parecia fria como a mesa de um necrófago. Mas seria uma mulher bonita para a capa de revista.

_ Você não podia enviar outra pessoa, no meu lugar? _ Diz Tessa pela enésima vez, voltando do banheiro. Ela tinha sido sua maior surpresa. Lembrou do dia em que ela chegou no seu scarpan de salto agulha que proporcionava uns 7 centímetros de altura, o que não ajudava, perto dos tubarões velhos que ela encarou. Porém, nada daquilo a intimidou e pediu para que cada um agilizasse seu balancete até o sol se pôr ou ela mesma iria fiscalizar cada um dos integrantes. Claro que na hora todos riram, porém, nos 3 dias seguintes, todos estavam na sua porta pedindo para tirar a garota do pé deles. Foi uma grande surpresa, que o deixou muito feliz.

_Tessa como pode você ainda passar mal após todos esses anos. Por que você não aceitou o remédio?_ Perguntou Noah segurando o riso.

_ Simples, porque ela acha que a essa altura da vida vai parar por um passe de mágica. _ Riu Luck duas poltronas à frente.

_ Cara, eu ainda não entendi por que você sentou tão longe? _ Perguntou rindo Noah.

_ Simples também, não quero te matar de inveja da minha promiscuidade. _ Luck respondeu.

_ Quem é a vítima da vez? _ Noah perguntou, fazendo Tessa revirar os olhos.

_ Eu acho melhor eu voltar para o banheiro. _ Tessa vez, gesto de vômito e caiu sentada do lado oposto. _ Mas, sério, por que você não mandou um dos funcionários?

_ Nicholas  Harris e meu amigo de longa data. E se ele me convidou, me conhecendo, ele não me chamaria para perder tempo. _ Respondeu Noah bebendo mais um gole de whisky. _ Acho que essa viagem vai ser boa para nós 3. Luck talvez olhe uma mulher de verdade e deixe as virtuais...

_ Essa virtual é a assistente da sua namoradinha, ela é bem safada, isso sim. E eu não resisto à mulher safada. _ Luck se defendeu.

_ Você descansa um pouco e para de agir o automático. Vovó Lin me fez prometer te colocar para andar descalço. E eu saio da loucura de Houston. Adoro Houston, mas de verdade estou cansado de passar as noites rodeado de pessoas chatas que se acham os donos do mundo, enquanto, na verdade, não têm 2 neurônios para trocar nem uma conversa decente. Preciso respirar um pouco. _ Noah fala, virando o resto do líquido de seu copo na boca.

_ Resumindo, maninha, ele está fugindo da Megan. _ Completou Luck, arrancando riso de todos, ninguém suportava a fresca da namorada dele.

_ Isso também. _ Noah completou.

_ Cara você devia achar uma garota legal e se amarrar nela, ter uns 3 filhos e se aposentar. _ Disse Luck sentando ao lado do amigo.

_ Sei não, cara, acho que isso não é para mim, nem tem intenção de ter filhos. _ Noah fala, enchendo o copo outra vez, para controlar os pensamentos.

_ Eu lembro de um cara que queria ter filhos, e tinham planos de se casar... _ Diz Luck, um tom mais baixo que o normal dele.

_ Você viu esse cara morrer. E me viu enterrar ele. _ Virou de uma vez o líquido do copo, depois da morte dos pais, tentou achar a garota que poderia ser sua salvação. Quando nem os detetives encontraram rastros dela, achou melhor achar que tudo aquilo era fruto da sua imaginação.

Luck encostou na poltrona como sempre fazia e ficou calado ao lado do amigo. Noah, por sua vez, voltou a encher o copo, ajudando-o a relaxar, já que a conversa não ajudou seu estado de espírito. Encostou e, sem perceber, pegou no sono, um sono profundo e quente. Nos seus sonhos, Leah estava deitada na manhã seguinte ao seu lado enquanto ele, de olhos fechados, sentiu sua mão o tocando intimamente.

_ Acorda, Noah. Eu estou aqui. _ Quando ele abre o olho, ela olha para ele mordendo os lábios.

_ Olha o que fiz? _ Disse, acariciando seu membro que pulsava loucamente. _ Eu vou te ajudar. _ Nisso, ela desce para baixo dos lençóis e começa a chupá-lo, primeiro devagar e aos poucos aumentando a velocidade. _ Noah, o cinto. _ Ela diz e olha para ele massageando seu membro. Mas ele não entende.

_ Senhor, o cinto. _ Ela continua sorrindo e aumentando a pressao. _ Senhor, o cinto...

_ Porra! Noah, coloca o cinto! _ Noah acorda perdido sem saber onde está, só se dá conta quando olha a comissária que olha com olhos famintos para sua ereção, escutando Luck reclamar do sono dos infernos que ele estava.

Se acomodou na poltrona e colocou o cinto. Estava se sentindo como um adolescente pego em flagrante.

Ao pousar, foram até os carros que já os aguardavam. Seu outro segurança Scott veio na frente para organizar sua chegada. Quando recebeu a mensagem de seu amigo Nicholas.

_ "Toda a equipe está à sua espera".

_ Scott? Quando tempo até a empresa? _ Perguntou Noah ao se sentar no carro.

_ 30 minutos cronometrados, senhor. _ Scott respondeu.

_ Ótimo. _ Digitou a mensagem e começaram o percurso. Quando estavam próximos, um ônibus de passageiros parou na frente, deixando Scott apreensivo, sabia o quanto Noah odiava atrasos. Viu uma mulher descer e ficar conversando com o motorista, ela estava encolhida devido ao tempo lá fora. Ficou irritado com a falta de senso da desconhecida e ia pedir para o motorista buzinar quando o ônibus arrancou. Para seu azar, o sinal no cruzamento fechou, impossibilitando a passagem. Olhou para a mulher folgada entrando em uma cafeteria. _ Perkins... Se seus funcionários trabalharem iguais a essa daí, não demora, você vai estar falido. _ resmungou Noah no banco de trás.

_Senhor?_ Scott.

_ Nada, pelo visto vamos nos atrasar?_ Noah questiona.

_ Não senhor. Cronometrei com uma base pequena para imprevistos. _ Após anos ao lado de Noah, Scott já entendi como funcionava a cabeça de Noah.

_ Esse seu amigo?... _ Começou Tessa, que desde que desceu do avião estava com a cara enfiada no tablet. _ Você explicou a regra das 48 horas. _ Ela pergunta sem desviar o olhar.

_ E qual seria a graça? _ Diz Noah, rindo. Essa brecha sempre fazia os executivos que queriam parceria tremerem. Ele chegava e, após ficar a par de todo o funcionamento da empresa, dava 48 para um relatório completo dos últimos 48 meses. Com base nesse relatório, ele conseguia estimular a média de ganho ou perda de cada investimento, decidindo assim em 12 horas se o negócio era viável ou não. A parte que ele gostava era que nem todas as empresas tinham relatório de um período tão longo, sendo mais fácil manipular os resultados dos últimos 12 meses. Mas o relatório mais longo mostrava o quanto a empresa tinha de receita entrando ou saindo, e fora que manter esses dados em dia era sinal de organização. Com isso, ele definia quais eram os locais em que realmente fazia sentido investir. Fora que a cara de desespero dos funcionários era impagável e rendia boas risadas.

_Então você vai aplicar a mesma estratégia, mesmo ele sendo seu amigo? Putz você é mal. _ Falou Tessa rindo.

_ Fique do meu lado mais uns anos e você vai ser melhor que eu. _ Disse Noah, não duvidando de suas palavras. Observou a cafeteria mais uma vez antes de o carro partir. Ele era bom, mas tinha um fraco por mulheres. Já Tessa era totalmente centrada no trabalho.

Chegando na Maple S.A. foi recepcionado por um sorridente Nicholas que veio de braços abertos para seu encontro. Levou-os até o prédio e apresentou cada espaço para Noah, que começou a ficar incomodado. Ele falava de tudo com tanto carinho, como se fosse um filho. Sabia até o nome da mulher da limpeza.

_ Oi dona Lurdes, amanhã não quero ver a senhora aqui, só volte depois que o médico ver seus exames. _ Falou cariosamente para uma das ajudantes.

_ Tudo bem, menino, são só 3 dias, mas já consegui uma moça ótima para me cobrir, ela só terá que sair mais cedo, mas pode deixar que ela é de total confiança.

_ Tudo bem, não se preocupe. Nossa preocupação é com sua saúde. Fique em paz. _ Ele cumprimenta com um forte aperto de mãos a senhora e continua a andar com Noah.

_ Nicholas, com todo respeito, essa senhora não devia voltar a trabalhar. _ Noah fala, preocupado com uma possível lesão, devido à idade da senhora.

_ Eu sei. Dona Lurdes Herrera era imigrante ilegal quando veio para Flint. Nós arrumamos empregos para seus filhos e conseguimos um visto de trabalho. Se tirar o trabalho dela, ela fica doente. O máximo que consigo é a cada 2 meses obrigar ela a fazer uma bateria de exames e tirar 3 dias consecutivos de folga, emendados sábado e domingo, 5 dias. E claro, sempre colocando uma amiga para fazer um extra, assim todo mundo sai ganhando. Mas não preocupe, o seguro saúde dela eu pago do meu bolso. _ Diz Nicholas, piscando.

Noah nunca se sentiu assim, acuado. Como podia um empresário ter tempo para seus funcionários e ainda se importar com suas necessidades? Não que Noah fosse um mau patrão, mas, na verdade, tirando Luck, Tessa, Scott e sua governanta Mercedes, não sabia da vida de seus funcionários. E a cada andar que passava só piorava, todo mundo o cumprimentava. As áreas de TI tinham equipamentos bons, alguns de ponta, outros não tanto, mas funcionais, tinham ainda 3 funcionárias fluentes em línguas diferentes, entre tantas outras coisas.

_ E aqui, por fim, nossa sala de reuniões, Nico e Hernadez são nossos chefes de TI, filhos da dona Lurdes que você conheceu há pouco. Lisandra, Cindy e Mayra são da área de telecomunicação, Jhey e Adrian da contabilidade. E estamos à sua disposição. Por onde você quer começar?

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