Pov's Aaliyah
17:00 PM.
Não parava de me movimentar de um lado pro outro; aguardava Diana vim até onde eu morava.
Ouvi o som da campainha e despertei, indo às pressas indo abrir a porta.
— Eu consegui distraí-los.— falou, adentrando.— Não posso demorar muito, tenho que buscar as minhas filhas — explicou, e na hora a encarei aflita.
— Por que não me avisou que eles estavam na América?
— Essa viagem foi de última hora, Aaliyah, não estava programada.
— O que será de mim agora?— soei com medo.
— Terá que não ir trabalhar. Ficará o máximo distante do apartamento, até eles irem embora. Ali Nejat prometeu que não irá demorar, ele odeia este país e Nadira ficou na Arábia Saudita, eles não vão querer deixar a velha sozinha por muito tempo.
— E como está Faruk?— a mirei, angustiada.
— Bem.
— Sou muito grata por você ter me ajudado a fugir, Diana.— mais uma vez a agradeci.— Não sei o que seria da minha vida, se eu tivesse permanecido lá.
— Não precisa agradecer Aaliyah, faria isso por qualquer pessoa, e por qualquer mulher que tivesse precisando de ajuda. Eu nasci num país onde as mulheres sempre tiveram voz.— abaixei a cabeça.— E você não era obrigada a entregar o seu filho, por conta de lei nenhuma.
— Shukran que pense assim.
— Está aqui dinheiro.— ela retirou da bolsa uma boa quantidade de dólares.— Será como um salário antecipado.— disse e assenti, pegando.
Guardei, e assim que ela estava prestes a se retirar, a interrompi com a minha voz carregada de preocupação:
— Queria falar sobre Muhammad, mas talvez não esteja com tanto tempo dona Diana.
— O que houve com ele?
— Meu filho vem sofrendo preconceito no colégio, por conta de ser diferente.
— Bullying, é o termo correto.— fez a correção.— Falaremos com o colégio e pediremos que tomem providências.
— E se não fizerem nada?
— O mudaremos de instituição.
Sorri em agradecimento e a própria disse que estava na hora de ir, senão se atrasaria para buscar as filhas.
Diana havia tido duas meninas. Julinha tinha três anos, era uma criança fofa e sapeca. Ela havia nascido com síndrome de down.
E Mel tinha 6 anos, ela não falava, odiava lugares com barulho. Havia sido diagnosticada com autismo logo no seu primeiro ano.
A vida da minha patroa, não era nada fácil, ela se dedicava o seu maior tempo em cuidar das crianças que precisavam de cuidados especiais.
E Ali Nejat havia até se casado de novo com uma muçulmana, para punir Diana de viver nos Estados Unidos, ao invés de morar na Arábia com ele.
Ambos não moravam mais juntos, apenas se viam casualmente.
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ALGUNS MINUTOS DEPOIS....
Pov's Khadija.
Adentrei no quarto e via habibi sentado no estofado, mexendo num chocalho de bebê. Ele sempre ficava grudado naquele brinquedo, toda vez que...
— Faruk, por que está com essa cara?— chamei a atenção, este que virou a cabeça, com semblante devastado.
—Tô lembrando do meu filho.
— Que filho, habibi?— o repreendi, indignada.
— Muhammad.— meu marido virou os olhos, ao pronunciar.
— O que você faz, é uma ofensa a mim e aos costumes. Como pode amar um bebê que nem era seu?
– Um amor não se compra, Khadija, se conquista.— o olhei de relance, furiosa.— Amei o meu filho desde da primeira vez que o segurei nos braços, jamais vou renega-ló ou esquecê-lo.
— Pare!— gritei.— O que você faz comigo, Faruk, é uma tortura psicológica. Chega! Basta!
— Eu vou sair.— ele pegou o casaco, colocando sobre si.
— Eu vou com você.
— La.— me impediu.— Irei sozinho.
— Você nem conhece essa cidade direito, habibi, você pode se perder.
Embora eu o quisesse o acompanhar, ele se recusou a me levar junto.
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Pov's Faruk.
Sai para espairecer um pouco a cabeça. Parei de frente a um park e fiquei observando as crianças brincando. Procurava nessas crianças, o meu filho.
Apertei o brinquedo que era dele em minhas mãos. Foi a única lembrança que havia sobrado.
Avistei distante uma muçulmana segurando na mão de um garotinho, fiquei atentamente olhando. A mulher estava de costas e veio em meus pensamentos Aaliyah.
Corri em buscar de alcançar-lós, poderia parecer um pouco louco da minha parte, mas a puxei pelo braço.
— Me desculpe.— engoli em seco, quando virou.... — Perdão!— ergui as mãos para cima, me afastando da desconhecida que me encarava com medo.
Passei a mão pelo rosto, eu estava enlouquecendo do juízo. Em todos os lugares, eu os buscava.
************************************************ Colégio.
Pov's Aaliyah.
A diretor havia me chamado até à diretoria do colégio e estava fazendo sérias acusações contra Muhammad.
— A senhora tá chamando o meu filho de terrorista?— indaguei, estando ofendida.
— Os outros pais estão com medo de deixarem os filhos, no mesmo ambiente que...— pausou o seu tom, com o olhar repleto de preconceito.— Esse menino da sua raça.
— Peraí, eu não entendi direito, pode repetir — subiu um negócio dentro de mim, ao ouvir aquilo.
— Para segurança das outras crianças, é melhor que ele não frequente às aulas. Não costumamos aceitar alunos imigrantes, faz parte do protocolo.
— Pode ficar tranquila.— aumentei a minha voz.— O meu filho não vai mais pisar os pés nesse colégio. E lave sua boca, para falar da minha cultura!— cuspi no chão, brava.
— É melhor que você se retire, muçulmana, antes que eu chame a polícia.— me ameaçou e dei as costas, segurando na mãozinha de Muhammad para irmos embora.
Eu estava com tanta raiva.
— Onde eu vou estudar agora, yáma?
— Nós vamos dar um jeito.— enxerguei o quanto estava tristinho.— Te prometo!
Fiquei de joelhos, mirando a sua expressão inocente.
— Por que está chorando, mamãe? Não chore.— pousou suas mãozinhas sobre o meu rosto, secando as minhas lágrimas delicadamente.
— Porque me sinto tão sozinha, filho, e você é tudo que eu tenho.— o abracei apertado.— Jamais vou deixar que ninguém te machuque.
— Yáma...
— Oi?
— Quem é o meu pai?— aquela era a primeira vez, que Muhammad me perguntava.
— Existem dois tipos de pai, filho; um que gera e outro que cria e dar amor.
— Onde ele está agora?
— Está bem aqui.— aquele tom familiar soou no fundo e olhei para trás assustada.
Reencontrá-lo de novo, causava um turbilhão de emoções. Era como se o destino tivesse novamente nos unindo.
— Faruk?
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O que acharam?
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Atualizado até capítulo 90
Comments
Claudia
não entendi pq ela deixou o Faruk, sei das ameaças, mas eles deveriam ficar juntos e lutar pelo amor
2025-02-19
1
Rita Machado
que eles tem que ficar juntos
2025-02-13
0
Ione barbosa
amei tbm
2024-12-20
1