Pov's Aaliyah.
EUA- Estados Unidos.
NOVA YORK, New York City.
Segunda-feira 08:00 AM.
A minha rotina era normal. Todas as manhãs deixava Muhammad no colégio e após seguia ao trabalho. Hoje era um dos dias que eu estava super apressada e tentava chegar a tempo, para que o meu garoto não perdesse o horário.
Assim que o deixei na porta de entrada, parei por alguns instantes.
— Está aqui sua mochila.— o entreguei, colocando sobre suas costas.
Em sequência, fiquei de joelhos e o abracei, dando um beijo em sua bochecha. Mais uma coisa me incomodou, fazendo-me ficar preocupada quando notei sua carinha triste.
—O que foi, Muhammad?— pousei as minhas mãos em volta do seu rostinho.
— Não quelo entrar, yáma.
— Por que não? Lá dentro você tem vários amiguinhos.
— Eles me chamam de árabe imundo.— seu tom inocente soltou aquilo, e senti um aperto no coração.
— Filho, talvez seja uma brincadeira.
— Não é não. Eles dizem que os muçulmanos são terroristas.
— La, de forma alguma. —neguei.— Muitos usam o alcorão distorcido, para gerar ódio e sofrimento as pessoas. Nós muçulmanos, assim como qualquer outra religião, lidamos com pessoas más. Mas não foi isso que o profeta deixou. Profeta quando escreveu o alcorão só escreveu mensagens boas.
Expliquei, retirando mecha da sua franjinha que cai sobre sua testa. Muhammad era uma criança tão doce.
— Por que você tem que andar com isso?— tocou em meu hijab, com o semblante confuso.
— Porque é um voto que fiz com Alláh. As mulheres muçulmanas não são obrigadas a usarem o hijab, filho, mas fazemos isso para nos resguardar.
— Resguardar de quê?
– É que devemos nos mostrar apenas para Alláh. E para o marido.
— Mas você não tem marido, yáma.— soou inocentemente, e abri um sorriso fraco.
— É, eu não tenho marido.
Aquela frase doía o meu coração. Apesar de estar tantos anos longe dele, era como se faltasse um pedaço de mim.
— Vou ter que entrar agora, yáma — meu filho avisou, quando os portões estavam se fechando. Era notável o quanto estava desanimado para ir a aula.
— Ei.— o parei, olhando bem no fundo dos seus olhinhos claros— Vou ligar para me patroa e irei pedir a ela, para procurar um outro colégio para te colocar.
— Ebaaaaa!!!— me abraçou e sorri emocionada, com sua reação fofa.— obrigado, mamãe.
Acenei um tchau, logo após que o vi entrar no colégio.
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Meu trabalho era perto de onde o meu filho estudava e eu costumava ir a pé até o condomínio.
Trabalhava como empregada doméstica.
Retirei às chaves para entrar, e acabei tendo a surpresa...
— Diana?— soei. — Salaam Aleikum.— a cumprimentei em árabe.
—O que você está fazendo aqui, Aaliyah?— a loira se desesperou, me empurrando.— Se esconda, rápido!
— Me esconder? — arregalei os olhos, sem entender o porquê de estar reagindo daquela forma.
— Ali Nejat está aqui— contou, e me apavorei— Não só ele, como Khadija e seu ex.
— Faruk também veio?— estremeci, sentindo as minhas pernas bambas.
— Sim.— confirmou, e esmoreci completamente — E se descobrem que fui eu que te ajudei a fugir, Aaliyah, eu tô ferrada.
— Cunhada, você nem acredita....— reconheci aquela voz que estava vindo entusiasmada, e às pressas corri para detrás da porta.— Consegui convencer a Faruk de temos um bebê, inshallah! — à primeira esposa dele relatou, sorrindo. — Teremos finalmente um filho!
Meu coração se partiu com aquela notícia. Senti as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, porque doía amar tanto uma pessoa e não poder ficar junto. E o pior, talvez ele nem mais lembrasse de mim.
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Atualizado até capítulo 90
Comments
Gil Vania
espero que não atrapalha a vida da menina do filho
2024-10-28
1
Erlete Rodrigues
ela devia mudar o jeito de se vestir pra se misturar com as pessoas não pra negar os ensinamentos, o filho dela sofre😢
2024-10-27
1
Sandra Morad
acho que sete anos sofrendo já e o suficiente o faruk merece ser feliz
2024-10-27
2