Pov's Aaliyah.
Arábia Saudita.
O toque para o horário da oração acabou nos interrompendo.
— Preciso ir. Vou a Mesquita, falamos sobre isso uma outra hora.
– Faruk.— o chamei, parando os seus passos .— Por favor, me deixe ir embora!— o supliquei, com os olhos cheios de lágrimas.
— Não é tão simples...— desvio a atenção para Muhammad — Eu já amo esse bebê. — admitiu baixinho, como se doesse em si mesmo.
Após, se retirou cabisbaixo.
Senti a lágrima caindo pelo meu rosto, com a hipótese de ter conviver no mesmo teto que Ali Nejat.
Meu coração estava apertado, porque eu sabia que teria que permanecer nesta casa.
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Sai do devaneio ao ouvir som de vozes vindo do andar de baixo. Resolvi espiar da brecha da porta; avistei Faruk cumprimentando a visita, eu não conseguia ver quem era, pois estava de costas.
Aquilo me gerou mais desespero com a possibilidade do Ali Nejat ter voltado antes do previsto. E talvez tivesse até trazido a sua namorada estrangeira.
— Aaliyah, venha cá!— sogra gritou por mim, super animada.— Khadija, vá chamá-la. Corra!
Me escondi, fechando a porta atrás de mim. Meu peito subia e descia, diante da tensão.
Escutei algumas batidas, e fui obrigada a abrir.
— Aaliyah, sogra está chamando. Desça!
— Eu não me sinto disposta.— menti, recebendo o seu olhar torto.
— Se sentirá melhor, quando ver quem chegou.— deu de ombros, se virando.
— Khadija.... por que fez aquilo comigo?— meu tom triste, a parou.
Ela me olhou com desgosto e disse:
— Fiz e faria de novo, eu não me arrependo.— seu tom soou frio, sem haver qualquer lamento. — Não há espaço para você aqui.
Nos afastamos com a presença da sogra no andar de cima.
— Coloque o hijab.— a muçulmana mais velha ordenou, encarando nós duas.— Tá fazendo o quê aí parada, hortaliça?— brigou.— Vá para cozinha. E você vem comigo.
A acompanhei, cobrindo-me com o véu. Levei o meu bebê junto. Conforme ia descendo a escada, notava que havia um outro muçulmano;
— Essa é a Aaliyah.— abaixei a cabeça envergonhada, quando o homem virou-se, me conhecendo pela primeira vez.
— Salamaleico!— o desconhecido me cumprimentou, gentilmente.
— Alaikum As-Salaam. — respondi, sem jeito.
— Esse é Ömer. Ele vai te levar para aldeia, Aaliyah.
Murchei completamente, ao ouvir as palavras.
— Como assim, sogra?— apertei mais o meu bebê entre meus braços, com medo — Eu não vou a lugar nenhum.
— Você não tem querer, tudo que causou já não é o suficiente?
Vi no fundo Khadija rindo, como se tivesse amando me vê sendo repreendida.
— Sogra, por favor.— a implorei.
— Meu filho Ali está voltando e eu não quero contenda dentro desta casa. —a mais velha ecoou, com autoridade.— Faruk vai te dar o divórcio.
— A senhora acha que o divórcio vai apagar tudo que seu outro filho me causou?
— Não vai. O alcorão condena esse tipo de prática, mas eu não quero ter que aturar os meus dois filhos brigando pela mesma mulher. É pecado.
— Faruk....— me direcionei a ele, que estava presente.— Você vai permitir que ela me separe do meu bebê?— fiz a pergunta, quase chorando; e não obtive uma resposta.
— Quem manda nessa casa, é sogra. Ela que é a dona, moramos aqui de favor.
— Der o divórcio, Faruk. Ande, o que está esperando — a mais velha mandou, e o seu filho entreolhou fixamente para mim, dividido.
— Eu não consigo, mama— o mesmo negou na frente de todos.
— Está se aconvardando, habibi? Você só casou com ela por pena, e ela te enganou. Ela não presta!— aos gritos, Khadija jogou aquilo indignada.
Porém, ele a ignorou, dando às costas e se retirando da sala.
— Entregue o bebê, Aaliyah.
— Eu não vou entregar, sogra.— me recusei.
— Você não tem querer, esse bebê pertence a minha família. Você não tem o direito de levar nada. Devolva!— exigiu.
Fui forçada a entregar o meu bebezinho nos braços daquela mulher, que havia feito a mesma coisa comigo na noite passada.
Comecei a chorar, me sentindo tão impotente, ao ouvir também o chorinho do meu bebê.
— Ömer vai cuidar de você como se fosse uma filha, na aldeia não vai lhe faltar nada.— para amenizar, a mais velha afirmou.
Sai da casa levando apenas algumas sacolas de roupas, e nada mais.
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Alguns minutos depois...
Peguei o ônibus. Sentei na poltrona e encostei minha cabeça na janela.
O choro continuava caindo.
Despertei ao reconhecer a voz quando veículo começou a se mover... Meu marido entrou rapidamente no ônibus e começou a procurar por mim.
E quando me viu:
— Eu não vou deixar você ir embora. —levantei de onde estava; e por mais que aquele ato fosse inadequado na nossa cultura; o abracei.
Sua mão começou a secar lágrimas do meu rosto, enquanto nossos olhos estavam direcionados um ao outro.
— Eu estou aqui.— assegurou.
— Shukran.
Descemos do ônibus e ele saiu levando as minhas coisas.
E quando retornamos para aquela casa, no portão da entrada, Faruk estendeu a mão para mim; e segurei.
Entramos juntos, de mãos dadas.
E as duas mulheres arregalaram os olhos, ao me vê chegando.
— Não quero mais nenhuma maltratando a minha esposa. Fui claro?— ouvi o tom rouco soando.— Aaliyah é minha esposa e merece respeito.
— Habibi o que pensa que está fazendo?
— Irmão, por acaso enlouqueceu do juízo?— aquela voz familiar soou no fundo e na hora, separamos as nossas mãos uma da outra.
Olhamos em direção à porta, e lá estava ele.
Ali Nejat.
O homem que havia machucado o meu coração e deixado em pedaços. Ele não havia vindo sozinho, estava acompanhado da namorada estrangeira.
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Atualizado até capítulo 90
Comments
Ana Paula Cardoso Pereira
desistiu da história autora tava tão boa
2024-10-20
2
Marcia 🌻
Oi Autora tudo bem 😊 já estou com saudades de ler o livro 😊😊🥰🥰 volta logo 🥰🥰
2024-10-19
1
Ana Paula Cardoso Pereira
mas capítulo autora
2024-10-19
1