O sábado chegara, e o ambiente em casa estava silencioso, quase estagnado. Luca, de pé em frente à tela em branco, segurava os pincéis com uma leve frustração crescendo dentro de si. Aquele bloqueio criativo o deixava inquieto. Fazia algum tempo desde que ele desenhara ou pintara algo novo, e isso começava a incomodá-lo profundamente. Suas ideias, antes naturais, agora pareciam aprisionadas em algum canto da sua mente.
"Por que nada vem?", ele se perguntava enquanto olhava fixamente para a tela.
Decidido a destravar essa sensação incômoda, Luca ligou o computador e abriu o Chrome, algo que raramente fazia para buscar inspiração. Ele navegou no Pinterest, procurando por referências de obras que pudessem acender uma faísca criativa. Uma atitude quase desesperada, já que sua arte sempre fora completamente original, nascida de suas próprias visões.
"Nunca pensei que teria que recorrer a isso", refletiu, enquanto rolava a página sem muito entusiasmo. Passaram-se minutos, e nada parecia suficiente.
Levantando-se da cadeira com um suspiro frustrado, Luca desligou seu tablet e saiu do quarto, usando seu headphone como um acessório inerte no pescoço. Ele vestia um short bege e uma blusa preta simples, os pés descalços ressoando no chão de madeira enquanto caminhava até a sala.
Keyth estava sentada no sofá, distraída com o celular em mãos e um pacote de salgadinhos no colo. O som leve do barulho do plástico sendo amassado preenchia o silêncio da sala.
- Cadê a mãe? – perguntou Luca, ao passar por ela.
- Saiu pra fazer compras – respondeu Keyth, sem tirar os olhos da tela do celular.
Luca assentiu, abrindo a geladeira e pegando uma garrafa d'água. Enquanto ele tomava alguns goles, Keyth levantou o olhar, curiosa.
- O que você estava fazendo? – perguntou ela.
- Tentando desenhar... mas nada sai – Luca respondeu, com uma ponta de desânimo.
Keyth sorriu com uma expressão levemente sugestiva e deu mais uma mordida no salgadinho antes de comentar.
- Por que não tira inspiração no maior artista da região? O Viewer.
Luca não pôde evitar dar uma risadinha interna. A menção ao Viewer, o artista anônimo cujas obras eram aclamadas na cidade, já não o surpreendia, mas dessa vez a sugestão de Keyth pareceu tão absurda que ele quase se engasgou com a água que bebia. Ele parou de tomar mais um gole e olhou para a irmã, ainda processando a ideia.
- Viewer? Sério? – perguntou, um pouco irônico.
- Sério! Sempre achei ele muito incrível. As obras dele são geniais, e ele consegue manter o anonimato por tanto tempo... como você não admira isso? – Keyth respondeu, com entusiasmo.
- Talvez ele prefira o anonimato porque é a forma mais autêntica de se expressar – Luca rebateu, colocando a garrafa de água na mesa de centro. – Pode ser que ele sinta que a arte fala melhor por ele do que palavras poderiam.
Keyth deu de ombros, aceitando o argumento sem muita contestação.
- Faz sentido. Ainda assim, dá pra ver que ele é um mestre. Você poderia se inspirar nele.
Luca se jogou no sofá ao lado da irmã, esparramando-se confortavelmente enquanto ainda tentava se desligar da frustração com a pintura. Keyth, sempre generosa, ofereceu-lhe o salgadinho, mas ele recusou com um simples aceno de cabeça.
- E por que você acha que está sem ideia? – Keyth voltou ao assunto da inspiração. – Você geralmente nunca tem problema com isso.
Luca suspirou, deixando os ombros caírem.
- Não sei, talvez seja tudo o que está acontecendo no colégio... Tem sido um mês meio agitado, pra ser sincero.
- Como você conseguiu arrumar uma vida tão corrida em menos de um mês? – ela perguntou, rindo, mas com curiosidade genuína nos olhos.
- Nem eu sei, Keyth. As coisas só... foram acontecendo – Luca respondeu, com um meio sorriso cansado. - Queria voltar à tranquilidade que eu vivia antes daquele novato então na escola
O peso do que tinha vivido na última semana, desde o conselho estudantil até a situação estranha com Connor, parecia estar acumulando na mente dele. O bloqueio criativo era apenas uma manifestação desse acúmulo. Ele olhou para o teto, tentando encontrar algum sinal de alívio nos padrões ondulados familiares do gesso.
O silêncio se instalou entre os dois, confortável, mas cheio de pensamentos soltos. A mente de Luca vagava, não apenas nas questões artísticas, mas também nas inúmeras perguntas que se formavam sobre Connor, Alissa Bryan, e tudo o que acontecera nos últimos dias.
Estaria sua mente tão cheia que não havia mais espaço para a arte?
Era algo que ele teria que descobrir com o tempo.
Era domingo de noite,mais especificamente 20:11, Luca ainda estaria avaliando as roupas novas que sua mãe comprou para ele no dia anterior.
Um moletom branco com vinhas pretas, um outro moletom marrom com uma xícara de café Branca desenhada no meio, uma calça jeans preta, uma camiseta vermelha com visor preto desenhado no meio, e três shorts iguais porém cada um com uma cor diferente ( branco, azul e vermelho )
" A Mãe comprou bastante coisa ", pensou ele, " qualquer dia desses eu irei honrar ela, e comprarei muitos presentes para ela "
Enquanto pensava nisso Luca Então se lembrou de que a reunião do conselho era depois de amanhã, e que ele deveria tomar uma decisão em relação a Connor e ao conselho, logo então todos os pensamentos que ele brevemente havia esquecido após passar um bom final de semana com a família, voltaram a sua mente, pesando quase que instantaneamente.
" Droga " pensou ele ao ver que tudo que ele havia brevemente esquecido voltou a mente.
Ele olhou para o relógio digital de mesa que ele tinha,20:24,então jogou as roupas em sua cama e saiu do quarto pegando a toalha atrás da porta,logo fechando ela.
O dia seguinte começou com o som irritante do despertador em seu celular. Luca, ainda na cama, desligou o alarme sem abrir os olhos, desejando que o dia não trouxesse embaraços ou complicações. Depois de alguns minutos de puro silêncio, ele finalmente se levantou e começou a se arrumar para a escola, sentindo o peso mental de sua indecisão ainda presente.
Já no intervalo, ele se encontrou sentado com Connor, Joshua e Emett em uma parte gramada do pátio da escola, sob a sombra de uma árvore frondosa. O sol das 10:40 estava forte, mas a sombra da árvore proporcionava uma leve brisa que tornava o ambiente mais confortável.
- Cara, nem tivemos tempo de te avisar – começou Emett, com um tom meio sem graça. – O acampamento que tínhamos planejado pro último fim de semana foi cancelado.
- Ah é? – Luca perguntou, levantando uma sobrancelha, curioso.
- Os pais do Joshua tiveram que sair de última hora, e ele ficou preso em casa, olhando os pets – explicou Emett. – Mas remarcamos pro próximo final de semana, então ainda tá de pé.
- Verdade – confirmou Joshua. – Eles estragaram o planejamento todo. Sabiam que eu tinha marcado isso com vocês, mas arranjaram compromisso de última hora.
Luca acenou com a cabeça, compreensivo. A verdade era que ele não estava com cabeça para o acampamento, mesmo se tivesse acontecido no último fim de semana.
- Tá tudo bem, sério. Acho que não teria conseguido me concentrar nesse fim de semana de qualquer forma – admitiu Luca, tentando dissipar qualquer sentimento de culpa que os amigos pudessem estar sentindo.
Joshua, sempre prático, mudou o assunto rapidamente.
- Ei, Luca, você devia passar seu número de WhatsApp pra gente. Assim fica mais fácil de te avisar das coisas.
- Claro – respondeu Luca, pegando o celular do bolso e abrindo o aplicativo. – Aqui, anotem.
Enquanto isso, Connor estava estranho. Seu olhar parecia perdido no horizonte, observando o céu pálido da manhã. Algo estava pesando em sua mente, e Emett foi o primeiro a notar.
- E aí, Connor, por que você tá tão no mundo da lua? – perguntou Emett, rindo levemente, sem malícia.
Connor, ainda encarando o horizonte, soltou:
- Engraçado como certos compromissos pesam, né? Sempre tem aquele momento em que você se pergunta o que vale mais: seguir as regras... ou quem tá do seu lado.
Joshua e Emett se entreolharam, confusos, claramente não entendendo o que ele quis dizer. Mas Luca sabia. Aquelas palavras eram uma indireta destinada a ele, sobre a situação envolvendo o conselho.
A tensão aumentou, e Luca se sentiu desconfortável, o peso da decisão crescendo dentro dele. Ele não falou nada, mas mentalmente, sua mente estava a mil. A troca silenciosa de olhares entre ele e Connor não passou despercebida. Connor sabia que Luca estava prestes a tomar uma decisão, e aquela era a forma dele pressionar ainda mais.
Joshua e Emett ficaram sem entender e deixaram isso claro com suas expressões.
- Vocês entenderam o que ele quis dizer? – perguntou Joshua, franzindo o cenho enquanto olhava para os amigos.
Luca balançou a cabeça, tentando disfarçar a própria inquietação.
- Acho que ele tá só... devaneando – respondeu, sem muita convicção.
Connor lançou mais um olhar sugestivo para Luca antes de se levantar.
- Vou ao banheiro – disse ele, simplesmente, sem olhar para trás.
Joshua e Emett o observaram se afastar, ainda confusos.
- Esse cara é uma incógnita – comentou Emett, balançando a cabeça.
Mas Luca mal prestava atenção. Seus pensamentos estavam focados em algo mais profundo. Connor tinha sido claro: Luca teria que escolher um lado, e dependendo de sua escolha, ele poderia perder a amizade deles.
O que ele faria?
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Atualizado até capítulo 21
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