Era sábado, e a luz do sol filtrava-se pelas cortinas do quarto de Luca, iluminando a bagunça artística que havia se acumulado ao longo da semana. O despertador tinha tocado cedo, mas, em vez de se sentir cansado, ele estava animado. Hoje, ele tinha um plano: um dia produtivo e, quem sabe, até divertido. Depois de um longo tempo, ele queria se socializar um pouco mais, especialmente com Connor, que, apesar das primeiras impressões, parecia ter um lado mais interessante.
A primeira tarefa do dia foi preparar um café da manhã digno de um chef — ou pelo menos algo que se parecesse com isso. Luca desceu para a cozinha e decidiu que faria panquecas. Enquanto a manteiga derretia na frigideira, ele começou a cantarolar uma música aleatória, completamente sem ritmo. Quando a primeira panqueca começou a desgrudar, ele se distraiu e, com um movimento brusco, deixou a espátula cair.
— Ai, que merda! — exclamou, enquanto se abaixava para pegar a espátula, mas em sua pressa, esbarrou na mesa e quase derrubou o leite.
— Isso é uma habilidade que eu definitivamente não tenho — Keyth, sua irmã mais velha, apareceu na cozinha, com os cabelos bagunçados e um olhar divertido. — Faria mais sentido você abrir um restaurante... de fast food!
— Muito engraçada, Keyth. Acha que pode fazer melhor? — desafiou Luca, pegando a próxima panqueca com cuidado.
— Ah, você sabe que eu sou mais especialista em arte do que em culinária. Panquecas não são exatamente minha praia — ela respondeu, cruzando os braços e dando uma olhada crítica nas panquecas queimadas.
Luca suspirou. Ele sabia que sua irmã tinha um dom para desenhar e criar, enquanto ele estava apenas tentando manter as coisas sob controle. Depois de algumas tentativas, finalmente conseguiu fazer uma pilha decente de panquecas e decidiu que merecia um prêmio. Ele as empilhou em um prato, cobriu com mel e frutas e, com um sorriso vitorioso, virou-se para Keyth.
— Panquecas!
— Elas até parecem... relativamente comestíveis. — Keyth fez uma cara de dúvida, mas acabou aceitando um pedaço.
Depois do café da manhã, Luca decidiu que era hora de se concentrar em seu próximo projeto de arte. Ele subiu para o quarto, pegou o tablet e começou a esboçar algumas ideias, mas rapidamente se distraiu com uma ideia brilhante. Ele se lembrou de que poderia fazer um desenho engraçado de Connor, representando-o como um super-herói com uma capa de “babá”.
Os traços começaram a fluir. A ideia era ter Connor voando, cercado por garotos do terceiro ano, que pareciam estar em um frenesi, enquanto ele, com um olhar decidido, tentava salvá-los de suas próprias trapalhadas. A risada de Luca ecoou em seu quarto enquanto ele se perdia na criatividade.
Com um sorriso satisfeito, Luca decidiu que precisava de uma pausa. Ele foi até a sala, onde Luísa estava assistindo a um programa de culinária e tentava imitar as receitas.
— O que você acha? — Luca perguntou, gesticulando para o desenho em seu tablet.
— O que exatamente eu estou olhando? — Luísa questionou, colocando a mão no queixo. — É uma nova série de heróis?
— Mais ou menos. É só uma ideia que tive sobre Connor, do colégio.
— Humm, eu não consigo ver muita diferença entre ele e o que os chefs fazem na TV. — Ela sorriu, piscando para o filho.
— É, talvez eu tenha que reavaliar meu talento em retratar pessoas! — Luca riu, percebendo que seu humor estava mais leve hoje.
— Você sabe, Luca, às vezes você só precisa se permitir ser você mesmo. O que está te segurando? — perguntou Luísa, com uma expressão suave, mas curiosa.
— Não sei, mãe. Tem tudo a ver com esse novo desafio que me deram no grêmio. — Luca hesitou, mas a expressão encorajadora da mãe o fez continuar. — E o Connor... ele é diferente do que eu pensei. E agora, parece que estou preso a ele de alguma forma.
— Que tal você começar a se divertir um pouco mais? Não leve tudo tão a sério. — Luísa sugeriu, enquanto mexia nas panelas. — Às vezes, a melhor maneira de conhecer alguém é através de risadas.
O dia continuou com Luca se envolvendo em mais atividades estranhas. Ele decidiu gravar um vídeo tentando imitar algumas das receitas do programa que sua mãe estava assistindo, resultando em uma série de falhas hilárias e gritos de frustração, e ele ficou rindo de si mesmo no processo.
Luca sentou-se em sua mesa, olhando pela janela e refletindo sobre o dia. Ele havia se sentido leve e divertido, algo que não experimentava há tempos, especialmente na escola. Por que era tão difícil ser assim em meio a tanta pressão? Era como se uma nuvem cinza o seguisse durante a semana, e ele estava tão cansado disso.
“Ah... me lembrei porque...” Ele fez uma cara de desânimo, lentamente abaixando a cabeça. Respirou fundo, soltando a respiração pesada, enquanto os pensamentos pesados voltavam a invadir sua mente. Sentado ali, ele se pôs de pé e caminhou até a janela, contemplando a noite que caía, perdido em um mar de reflexões.
O tempo passou, e quando já estava escuro lá fora, ele decidiu que precisava de um desabafo. Bateu à porta do quarto de Keyth, que estava sentada em sua cama, com uma fronha felpuda e branca.
— Entre! — ela disse, percebendo que era ele.
Luca entrou, sentando-se ao lado dela. Keyth olhou para ele com um sorriso, e ele sentiu que era o momento certo para abrir seu coração.
— Ei, Keyth... Posso te perguntar uma coisa? — ele começou, hesitante.
— Claro! O que aconteceu? — ela respondeu, dando-lhe toda a atenção.
— Eu estava pensando sobre amizades. Você já teve momentos em que se sentiu um pouco perdido, como se não soubesse como se conectar com as pessoas?
Keyth fez uma pausa, pensativa.
— Ah, você sabe, não é tão complicado assim. A vida é cheia de altos e baixos. Lembro que, na escola, eu também me sentia assim de vez em quando. Mas você só precisa ser você mesmo e se deixar levar.
Luca balançou a cabeça, encorajado pelas palavras dela.
— Você tinha amigos?
— Tinha, sim. Mas às vezes a gente só se divertia e não se importava muito com o que os outros pensavam. É por isso que eu costumava fazer palhaçadas. O segredo é não se levar tão a sério. A vida é curta demais para isso.
— Você é boa em fazer isso. Eu deveria tentar mais, mas é difícil na escola. As pessoas parecem tão... bem, como se estivessem sempre competindo.
Keyth sorriu, fazendo uma careta.
— Competindo? Por favor! Na verdade, eles estão mais preocupados com a própria aparência e o que vão postar nas redes sociais. No fundo, todos nós só queremos ser aceitos. E você é muito legal do seu jeito, Luca. Não precisa mudar nada por causa deles.
— É verdade... — Luca respondeu, pensando em Connor e em como ele tinha algo diferente que havia chamado sua atenção. — Mas às vezes é difícil.
— Eu sei. Mas se você se esforçar um pouco mais e deixar as coisas fluírem, vai ver que é bem mais fácil do que parece. Não se preocupe com o que pensam de você. O importante é como você se sente.
O clima ficou mais leve, e Luca começou a relaxar. Quando achou que a conversa tinha terminado, Keyth tocou em um assunto inesperado.
— Falando nisso, você viu como seu cabelo está? — Ela riu, puxando alguns fios rebeldes. — Ele está precisando de um pouco de amor e carinho, e esse corte... já faz uns sete meses que você não muda nada!
Luca fez uma careta, batendo levemente no braço dela. — Ah, não! Meu cabelo está ótimo. É só um estilo mais... conservador.
Keyth não deu brecha. Ela puxou Luca pela camiseta, puxando-o para mais perto.
— Venha cá, deixa eu cuidar disso. Não quero que você pareça um mop!
— Não, espera! — Luca protestou, tentando se afastar. Mas Keyth já tinha se levantado e estava indo em direção ao banheiro. — Eu não quero mudar nada!
— Ah, cala a boca! — Keyth respondeu, rindo enquanto entrava no banheiro. — Não se preocupe, vou deixar você tão incrível que até o Connor vai perceber!
Luca ficou paralisado por um momento. A ideia de Keyth mexendo em seu cabelo era cômica e aterradora ao mesmo tempo.
— Keyth! Não! - reclamou, até que algo mais perturbador veio à sua mente - ..E OUTRA,PORQUE EU IRIA QUERER QUE O CONNOR PERCEBESSE ALGO EM MIM?!!! - exclamou questionando
Mas ela não o ouviu, já havia fechado a porta do banheiro. E enquanto ele esperava, não pôde deixar de imaginar como seria ter um cabelo bem tratado.
— Eu só quero um dia de paz! — ele exclamou, olhando para a porta, mas sem conseguir conter o sorriso que brotava no rosto.
A risada de Keyth ecoou do banheiro, e Luca percebeu que, apesar de suas inseguranças, o apoio dela sempre seria uma constante em sua vida.
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Atualizado até capítulo 21
Comments
Felipee
Esse capítulo tem uma leveza envolvente, misturando bem humor e reflexões. O cotidiano de Luca e suas interações com Keyth trazem uma dinâmica familiar descontraída e verdadeira, destacando-se pela simplicidade nas atividades do dia a dia e pelas conversas que revelam camadas mais profundas dos personagens. A naturalidade no diálogo e a leve autodescoberta de Luca, equilibrada com suas inseguranças, dão um tom genuíno à narrativa.
muito, parabéns ao autor
2024-10-01
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