Nicollas Arnault
Assim que estamos seguros dentro do carro, Aurora devolve meus óculos escuros e eu os coloco de volta no topo de minha cabeça, lançando-lhe um sorriso leve.
“Vamos voltar pro escritório?” Aurora pergunta enquanto pega a pasta pra guardar o bloco de notas. Percebo que ela está feliz por estar de volta à sua zona de conforto.
“Ainda não. Tenho algumas coisas pra fazer e acho que poderíamos aproveitar esse tempo pra nos conhecermos melhor. A Margot concorda que é uma boa ideia.”
Olho pela janela enquanto nos afastamos do hotel, observando os fotógrafos recuarem com total desinteresse, com os vidros escuros nos escondendo completamente.
“Por que? Sou apenas a sua assistente.” Aurora está surpresa.
“E esse trabalho envolve muito mais do que digitar documentos, Aurora. Sei que você está acostumada a trabalhar com os executivos dos andares de baixo, mas tenho tarefas específicas para a minha equipe. É por isso que aceitei quando te recomendaram e não contratei alguma temporária.” Analiso seu rosto, sério.
“Tarefas? Além das de uma assistente?” ela pergunta com cuidado.
“Você vai me acompanhar em viagens de negócios, jantares e coisas assim. Às vezes prefiro levar a minha assistente do que uma acompanhante como se fosse um encontro. Um problema a menos. O fato de você ser solteira e não ter filhos, é parte do motivo da Margot ter te escolhido da lista. Ela percebeu que você é focada na sua carreira e gosta de ir além pelo seu trabalho.”
“Lista?” ela pergunta um tanto quanto surpresa.
“Tinha mais de trinta indicações pra essa vaga.” Ela fica pálida ao perceber a sorte que teve em ser escolhida.
Era obvio que tinha uma lista. Todas as mulheres de Paris gostariam de trabalhar pra mim.
“Logo você vai ficar cansada das viagens de avião e dos hotéis, Aurora. Vivo praticamente com uma mala.” Suspiro e começo a empurrar com a ponta do sapato, uma mania que tenho desde moleque.
“Eu vou?” a observo e vejo um misto de ansiedade e emoção em seu olhar.
“A Margot tem marido e uma família. Ela não pode ser a minha acompanhante sempre que eu precisar dela. Ela já perdeu muita coisa na vida dos filhos.” Me sinto culpado por ter privado Margot desses momentos. “O marido dela está se aposentando e acho que ela sente que é hora de reviver o casamento. Por isso ela aproveitou a oportunidade pra encontrar uma assistente que se encaixe melhor no perfil do trabalho. A Nathalia decidiu que realmente não vai voltar pro escritório depois da licença maternidade. Ela quer diminuir um pouco as suas responsabilidades pra se concentrar na família.”
Lanço pra ela um sorriso. “Não é todo mundo que consegue lidar com a intensidade desse trabalho, Aurora, ou com a carga horária. E quando você estiver pronta pra assumir o cargo da Margot, vamos encontrar outra pessoa pra você supervisionar.”
Paro de mexer os pés e foco minha atenção novamente na mulher ao meu lado.
“Espero não decepcionar. O meu objetivo é trabalhar duro”, ela diz com sinceridade e, quanto mais tempo passamos juntos, percebo que ela fica mais relaxada ao meu lado, menos intimidada.
“Tenho te observado nos últimos dias, tentando ver se somos compatíveis o suficiente pra ter o mesmo tipo de relação de trabalho que tenho com a Margot.”
“E?”
“Você ainda é minha assistente, não é?” Sorrio de forma calorosa e natural.
“Ainda é cedo, Sr. Arnault.” Ela sorri de volta, acompanhando a minha causalidade pela primeira vez e eu fico encantado.
"Ler as pessoas é um dom que eu tenho. Posso ver a capacidade nelas. Acho que quando você relaxar e se soltar um pouco vamos nos dar bem. Você tem as habilidades certas. Você segue ordens, mas também toma a iniciativa.” Ela fica atordoada, como se o meu elogio a deixasse chocada.
“A Margot quer que você seja a sucessora dela, em algum momento. quero que essa transição seja tranquila, pra que ela não tenha motivos pra desistir. A Margot merece se aposentar.” Não é segredo nenhum que tenho afeto pela Margot. Ao longo dos anos, criamos certo tipo de conexão.
“Tenho certeza de que não vou decepcioná-la.” Ela encolhe os ombros ligeiramente, olhando pra mim e um sorriso verdadeiro surge nos meus lábios.
“Você precisa aprender a relaxar perto de mim.”
“Se você está dizendo que eu deveria seguir a sua postura casual, então acho que a transição não vai ser tão tranquila quanto você espera”, ela diz com um toque de seriedade na voz.
Sorrio pra ela e volto a focar minha atenção para fora da janela.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 27
Comments