Nicollas Arnault
Sentados no banco de trás do carro, depois de tranquiliza-la um pouco, Aurora permanece olhando para a janela. Ela é uma mulher que eu não consigo decifrá-la, o que me deixa ainda mais interessado em conhece-la.
“Essa manina não combina com a imagem que você passa, sabe.” Puxo um assunto que eu sei que vai trazer a sua atenção pra mim.
Percebo que ela torce distraidamente uma mecha de cabelo entre os dedos, soltando-a e estabiliza as mãos em seu colo. Continuo observando sua reação até que ela me lança um sorriso tenso.
“Tique nervoso?” A pressiono.
“Não fico nervosa, Sr. Arnault,” ela me responde, sempre num tom frio e profissional.
“Eu te deixo nervosa, Srta. Cartier?” Sorrio. Estou confortavelmente recostado no banco do carro, com um braço no apoio da janela, naturalmente casual.
“Eu não diria isso, Sr. Arnault.” Sei que ela está mentindo. Sei que a deixo nervosa, até pelo fato de ela não conseguir manter meu olhar por mais de cinco segundos.
“Eu te intimido?” Continuo com o interrogatório, num tom de brincadeira.
“Eu só não te conheço bem o suficiente pra me sentir à vontade perto de você,” ela me responde e fico impressionado pela resposta diplomática, mesmo sob a pressão do meu olhar.
“Acho que nenhuma mulher disse que sou intimidante.” Meus olhos se tornam maliciosos e passo a olha-la com mais intensidade.
Parece que não consigo manter uma conversa formal com ela. Seu jeito misterioso de ser, estando sempre com as barreiras altas, atiça o meu desejo de encontrar uma brecha nessa muralha, de conhece-la melhor.
“Acho que eu não disse isso,” ela diz com um suspiro.
“Você não disse ‘não’.”
“Se foi isso que você quis ouvir.” Ela força um sorriso, o que me faz rir.
“Nunca conheci uma mulher que agisse como você age perto de mim!” provoco, tentando esticar um pouco mais a perna. Ela me olha com um olhar questionador. “As mulheres geralmente... flertam, deixando as suas intenções claras ou só chegam e perguntam.” Encolho os ombros, não me importando com o que acabei de falar.
“As mulheres te dizem abertamente que querem dormir com você, Sr. Arnault?” Ela pergunta, diretamente.
“Mais ou menos.” Sorrio com a minha sinceridade. Ela ainda me observa de perto, virando seu corpo ligeiramente pra mim.
“Deve ser legal.” Ela volta a olhar pra fora da janela, visivelmente desconfortável com o rumo que a nossa conversa está tomando.
“É cansativo. Gosto de ser intimidante; não tinha ouvido essa ainda.” Rio dela de novo, que tenta me ignorar.
“Em que sentido?” pergunto, depois de alguns minutos, e Aurora volta o seu olhar pra mim mais uma vez, de cara fechada.
“Em que sentido, o quê?” é notável a sua tensão e o quanto ela odeia se sentir assim. Ela olha pros seus dedos, como se quisesse garantir que eles não se mexam.
“Em que sentido eu te intimido?” Provoco-a mais uma vez, achando graça de toda essa nossa conversa.
“É mesmo necessário?” Ela arruma sua postura, tentando disfarçar o seu incômodo, mas por mais que ela se esforce, eu consigo notar. Na verdade, eu noto tudo nela.
“O que? Querer conhecer a minha assistente pessoal um pouco melhor? Acho que sim.” Aurora é tão fascinante que não consigo tirar meus olhos dela.
“Me investigando,” ela diz com a voz constante.
“Não acho que querer saber por que te deixo tão desconfortável é investigar. Vamos passar as próximas horas juntos; acho que é necessário. É uma coisa nova pra mim.”
“Eu nunca disse que estava desconfortável; você deduziu o que eu disse e concluiu o que você está procurando agora. Eu só disse que não te conheço bem.”
Aurora está ficando irritada, mas tenta manter o tom forme e sem emoção, mas a exasperação na sua voz não passa desapercebido por mim.
“Peço desculpa.” Rio, querendo desarmar as suas defesas. “Você é sempre tão defensiva?” pergunto, ainda insistindo.
“Você é sempre tão informal com os seus funcionários?” Ela responde de forma passivo-agressiva, agarrando a barra do próprio blazer, demonstrando o quanto está irritada.
“Aurora, os meus funcionários são pessoas que respeito, pessoas que tem habilidades que me beneficiam. Não vejo necessidade de eles pisarem em ovos comigo porque sou o chefe deles. Não sou o meu pai.”
Permaneço observando-a e ela continua me ignorando e agindo com indiferença.
“Você não é como ele. Eu o conheci e você não é em nada parecido com ele.”
“Bom. Não pretendo ser.” Me remexo no assento. “Podemos dizer que eu e ele não concordamos na maioria das coisas.”
Ela me olha com frieza, percebendo a minha tensão com o assunto. Sempre que meu pai se torna assunto das conversas, não consigo disfarçar o meu desconforto.
“Não está curiosa?” Olho intrigado pra ela.
“Curiosa sobre o que?”
“Sobre por que não me dou bem com ele? a maioria das mulheres ficam perguntando... querendo saber os detalhes.”
“Não. Não é da minha conta,” Aurora responde com firmeza.
Paramos em frente ao seu prédio. “Chegamos,” ela diz, apontando para um belo prédio marrom que se ergue acima de nós. Abro a porta e desço e, olhando pra Aurora por um momento, faço um gesto indicando que ela pode sair.
“Vou esperar aqui. Pode ir se trocar. Coloque alguma coisa feminina e suave, que você normalmente não usaria.” Digo, tentando disfarçar um sorriso debochado.
Ela passa por mim claramente irritada e adentra ao hall. Pego meu celular do bolso e fico conferindo os e-mails enquanto espero Aurora voltar. Depois do que pareceu uns trinta minutos, ergo meus olhos e a vejo saindo do elevador.
Meu Deus! Quem é essa mulher, que caminha na minha direção? Aurora usa um vestido bordô no meio da coxa, deixando suas pernas à mostra, o que me faz engolir em seco, sentindo um incômodo dentro da calça.
O decote do vestido é discreto, mas me dá uma boa ideia do tamanho dos seus seios, me fazendo imaginar eles dentro das minhas mãos. Será que são macios quanto parecem?
Não consigo tirar meus olhos dela. Meu coração está errando todas as batidas e minha mente está imaginando coisas não muito castas que eu gostaria de fazer com Aurora. Onde esse mulherão estava escondido?
Assim que ela se aproxima mais de mim, seu perfume vem de encontro com minhas narinas, me fazendo despi-la ainda mais com meus olhos que, graças aos céus, estão encobertos pelo Ray-Ban.
Pela primeira vez não sei o que fazer ou falar. Apenas abro a porta do carro e a ajudo entrar. Assim que me acomodo, digo ao motorista pra seguir até o hotel onde nos encontraremos com Daniel.
As pernas de Aurora estão ainda mais expostas. Percebo o seu desconforto quando fica puxando a barra do vestido para os joelhos, apertando-a com força contra o banco.
“Por que estamos fazendo tudo isso?” ela pergunta.
Eu não consigo parar de encará-la. Meus olhos já percorreram seu corpo duas vezes depois que ela se sentou ao meu lado. Estar tão perto dela e sentir o seu perfume está tirando toda a minha concentração. Me remexo no meu assento tentando disfarçar a minha excitação.
“O pai dele, assim como o meu, é o maior responsável pelo negócio. Dinheiro de família. Se algum deles souber o motivo do nosso encontro, eles vão barrar antes que eu possa colocar as coisas em ordem. Depois que eu colocar tudo no seu devido lugar, eles não têm como recusar.”
Me recosto e mantenho meus olhos para frente. Evito olhar pra Aurora, a fim de não cair na tentação e agarrá-la dentro do carro. Mas, para meu descontentamento, ela agora resolveu querer conversar.
“Então, você está fazendo isso pelas costas do seu pai?”
“Por enquanto, sim. Ele iria se recusar até mesmo a pensar sobre isso.” Dou de ombros.
“Por quê?”
Sem pensar, me aproximo dela, meus lábios quase tocando em sua orelha e respondo num sussurro, fazendo-a se arrepiar.
“O Hunter e o meu pai têm um passado. Eles já deixaram essa rixa atrapalhar os negócios.”
Ela vira os seus olhos para encontrar os meus. Estamos muito próximos e essa proximidade faz com que eu fique encarando seus lábios, enquanto ela fala, também, num sussurro.
“E você acha que uma fusão com alguém que o seu pai odeia é uma boa estratégia?”
Volto para o meu lugar, querendo recobrar meu juízo, tentando manter distância e não inalar seu cheiro doce, que está tão perto. O cheiro de Aurora é muito bom e faz com que eu perca o fio de raciocínio.
“Se eu fizer do jeito certo, sim. Podemos ganhar muito dinheiro.” Encolho os ombros e volto meu olhar para a paisagem que passa pela janela, me afastando novamente e soltando o ar, que eu nem sabia que havia prendido.
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Atualizado até capítulo 27
Comments
Lorrainecristinioliveira Oliveira
q lindos os dois juntos quem será q vai se render primeiro
2024-09-30
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