Capítulo 11

Nicollas Arnault

“Você está bonita hoje, Aurora.” Sorrio enquanto meus olhos percorrem minha assistente da cabeça aos pés, admirando-a mesmo por trás dos óculos escuros. Percebo que ela fica constrangida e um rubor toma conta de seu rosto.

“E você também, Margot.” Viro a cabeça na direção dela e ela sorri de volta.

“Não estou sempre?” Ela sorri e dá uma piscadela pra mim.

“Claro.” Sorrio de volto e levanto os óculos escuros até o topo da cabeça.

“Alguma ocasião especial?” Margot pergunta, me olhando de cima a baixo, com um olhar duvidoso. “É muito casual pro trabalho, até mesmo pra você.”

“Muito trabalho e nenhuma diversão podem deixar um menino muito triste.” Sorrio de volta pra ela, me sentindo de certa forma confiante. “Vamos ter um pouco de espionagem hoje, querida Margot.”

Pelo canto dos olhos vejo Aurora com os olhos fixos na tela do seu computador. Não vou negar que ela é linda. Quando retornei ao trabalho e a conheci, vi que a mulher era uma workaholic ainda mais do que eu. Não posso negar que todas as tarefas que lhe foram atribuídas foram impecavelmente realizadas.

De todas as assistentes recentes que tive, ela é a melhor: focada, pontual, organizada, educada, e tantos outros atributos que uma assistente deve possuir.

Mas, no dia em que o ar condicionado quebrou, quem retornou do almoço para trabalhar não foi a Aurora Cartier que estava trabalhando pra mim até então. Era uma mulher mais jovem, natural, com traços suaves, o que fez meu coração errar a batida.

Eu não conseguia tirar meus olhos dela: o jeito que ela enrolava os dedos nas mechas do cabeço a deixava ainda mais adorável. Aurora é dona de uma beleza que se encontra escondida atrás da postura severa e rígida que ela insiste em manter.

Hoje quando cheguei na empresa e a vi conversando com Margot e seu cabelo estava solto novamente, fiquei sem reação, apenas admirando-a de longe e, sem querer, acabei prestando atenção na conversa que elas estavam tendo.

“Precisa que eu vá com você?” Margot pergunta, me tirando dos meus devaneios.

“Na verdade, queria que a Aurora fosse comigo, se ela quiser, é claro.” Eu me viro pra ela e lanço um dos meus sorrisos de canto de boca, recebendo de volta um olhar puramente profissional.

“Faço qualquer tarefa que me for atribuída”, Aurora responde friamente, dentro do limite razoável. Sei que minha presença a incomoda de certa forma.

“Interessante.” Margot franze a testa pra mim, querendo entender o que eu estou planejando ao convidar Aurora ao invés dela pra ir comigo. “É a reunião com o Daniel Hunter? Achei que tínhamos agendado pra próxima semana, não?”

“Decidimos fazer hoje porque ele tem alguns dias livres. Na próxima semana ele vai pros Estados Unidos.” Margot acena com a cabeça, entendendo o que estou querendo dizer enquanto Aurora permanece atrás de sua mesa, mas com os olhos fixos em mim.

“Vamos até o meu escritório, Aurora, Margot, por favor,” digo e caminho à frente delas, que me seguem sem questionar.

Espero até que as duas entrem na minha sala e fecho a porta atrás delas. Margot vai direito para minha mesa e pega o notebook pra abrir alguns arquivos. Eu me viro pra Aurora e pergunto:

“Você tem alguma coisa menos... assistente pessoal pra vestir?” Ela hesita e vejo o rubor subindo pelo seu rosto, enquanto ela me olha e levanta uma sobrancelha questionadora.

“Sim, querida. Você vai acompanhar o Nicollas hoje, mas precisa parecer mais uma acompanhante do que uma assistente.” Margot explica pra Aurora enquanto caminha até a impressora pra pegar os documentos que mandou imprimir.

Mantenho meus olhos fixos em Aurora e vejo o quanto ela parece estar desconfortável com a minha pergunta, como se não soubesse como responder. Percebendo nosso silêncio, Margot continua:

“Você vai ser o braço direito dele hoje. Todo mundo sabe que sou assistente dele, mas você, minha querida, é sangue novo.” Margot sorri de forma encorajadora, mas parece que a deixou ainda mais nervosa.

Eu me mantenho calado, apenas observando as suas reações. Vejo que o pânico toma conta de Aurora.

“Vamos aprontar.” Sorrio pra ela, tentando fazer com que ela fique mais relaxada. Vejo que ela não está convencida de que estamos falando seriamente.

“Não tenho roupas aqui na empresa,” Aurora responde baixinho.

“Talvez possamos passar no seu apartamento pra você se trocar?” Olho pra Aurora atentamente. Ela franze a testa pra mim, confusa, ainda sem entender o que está acontecendo. Será que ela tem algum déficit de atenção?

“Me trocar?” Ela diz friamente.

“Sim.” Caminho em sua direção, olhando-a e imaginando-a com roupas menos informais. Coloco as mãos nos bolsos da minha calça. “Alguma coisa mais casual,” digo, mordendo o lábio inferior enquanto a encaro descaradamente.

Ela olha pras suas roupas. “O que? Alguma coisa tipo jeans?” Seu tom de voz demonstra o quanto ela está nervosa e o sarcasmo transborda por ele.

Queria entender qual a dificuldade em se descaracterizar dessa versão uniformizada. É perceptível o quanto ela é linda, dona de um corpo escultural, olhos que parecem duas esmeraldas, nos quais eu me perco todas as vezes que os encaro.

O que deve ter acontecido em sua jornada para que ela tenha tanto medo de relaxar? Ela simplesmente não consegue disfarçar o pânico em seu olhar com a possibilidade de sair do personagem.

“Estava pensando em algo mais... feminino. Um vestido, talvez?” Deixo um tom bem humorado na voz, o que acaba irritando-a.

“Se for mesmo necessário, então, sim, tenho como conseguir um vestido,” ela responde.

“Então, nossa primeira parada será em seu apartamento. Preciso que essa reunião pareça com um ‘café da manhã entre amigos’ e menos ‘reunião de negócios’.”

Me endireito e tiro a mão dos bolsos, cruzando-os sobre o peito. Mantenho meus olhos grudados em Aurora.

“Devo saber qual é a minha função nisso?” Ela pergunta de forma rígida. Ela direciona seu olhar pra mim e eu olho de volta.

“Vou me encontrar com Daniel Hunter. Ele é um dos responsáveis pelos negócios da Família Hunter.” Mantenho a voz baixa, mesmo estando dentro do meu escritório com as portas fechadas. “Não posso dizer o motivo até resolvermos alguns detalhes, mas graças ao seu término de relacionamento famoso, a mídia está em cima dele e ele não consegue se livrar deles pra termos uma reunião em particular.”

“Você será uma falsa acompanhante de Nicollas,” Margot me interrompe. “O Daniel também vai estar com uma moça, então vai parecer que quatro amigos estão tomando café da manhã juntos. Você precisa anotar tudo e se familiarizar com os detalhes da proposta, Aurora. É sua primeira grande responsabilidade.”

“Entendi.”

“Tudo o que você precisa fazer é sorrir e olhar pra mim com afeto até entrarmos na suíte de hotel onde o Daniel está hospedado.” Encolho os ombros; não vejo nenhum problema nesse plano, então não tem como dar errado.

“Quando vocês vão sair?” Margot pergunta, chamando minha atenção pra ela.

“Agora mesmo, já que Aurora precisa passar em casa primeiro. Onde você mora, Aurora?” Pergunto, encarando-a de novo e, mais uma vez, examinando suas roupas.

Ela me passa seu endereço e, ligo pro motorista na sequência, dizendo pra que nos encontre na parte detrás do estacionamento subterrâneo. Vejo, pela minha visão periférica, que Margot passa mais alguns detalhes pra Aurora de como proceder, o que levar e tentando acalmá-la em sua primeira ‘missão’ ao meu lado.

Assim que finalizo a ligação, caminho até o lado de Aurora e cravo meus olhos nela, abrindo um sorriso tranquilizador.

“Pronta?”

Assim que ela acena positivamente, caminho até a porta do escritório e sinalizo para que ela saia primeiro. Quando ela passa por mim, acompanho-a até o elevador com a mão em suas costas. Dou um ultimo olhar pra Margot, que abre um sorriso observando-nos à distância.

Descemos em silêncio até o estacionamento, onde meu motorista nos aguarda. Abro a porta de trás e sinalizo para que Aurora entre primeiro e, assim que ela se senta, eu a sigo e me acomodo ao seu lado.

Quando saímos pelas ruas de Paris, observo que Aurora está olhando pela janela e não consigo decifrar o que se passa em seus pensamentos. Seu perfume adocicado preenche o ar dentro do carro, me fazendo ficar inebriado.

“Tenho certeza de que você sairá muito bem, Aurora” chamo sua atenção, fazendo-a olhar pra mim. “É uma reunião inicial pra discutir a proposta, basta anotar tudo o que conseguir,” acalmo o seu nervosismo com um sorriso carinhoso.

“Sim, Nicollas” Ela responde, ainda sem expressão.

“Aurora?” Sem perceber, coloco uma mão na sua.

“Sim?” Encaro a mulher na minha frente com um olhar intenso.

“Apenas tente relaxar. Você será perfeita.” Sorrio pra ela e recebo um sorriso dela de volta, o que diminui a tensão que se acumula entre nós.

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