Aurora Cartier
Eu me sento e presto atenção enquanto comemos o buffet de café da manhã. A junção das empresas parece promissora e tomo notas sobre coisas que ele pode querer se lembrar depois.
Ouço atentamente enquanto eles discutem propostas e possibilidades com entusiasmo e vejo que esses homens são amigos de verdade. Eles têm um entrosamento que você só encontra entre pessoas que se conhecem bem. Sarcasmos e brincadeiras se intercalam com as negociações. O Nicollas é um dos caras quando está perto do Daniel.
Não posso deixar de notar que Daniel Hunter não esconde a sua análise sobre o meu corpo, seus olhos percorrendo as minhas pernas e braços de forma intrusiva enquanto Nicollas define alguns pontos do negócio.
Ele faz a minha pele arrepiar e estou fazendo o meu melhor pra ignorá-lo. Percebo Nicollas olhando na minha direção algumas vezes com uma expressão que não consigo entender antes de olhar de volta pro seu amigo.
Levanto os olhos das minhas anotações de vez em quando e fico intrigada com as diferenças entre eles. A amizade parece verdadeira, mas não vejo nada em comum entre eles, o que me deixa curiosa.
Nicollas tem uma maneira de ocupar os espaços, é dominante e tranquilo sem fazer esforço, ele sempre parece muito descontraído e confortável em todos os ambientes, até mesmo no trabalho.
Agora, ele está com os pés cruzados na altura dos tornozelos sobre a mesinha de centro. Ele está sentado na poltrona como um adolescente, com os antebraços apoiados nas laterais.
A cabeça dele está apoiada nas costas macias da poltrona, mas ele ainda tem um ar de capacidade e comando. Ele está muito à vontade. Acho que ele sempre se sentiu confortável sendo ele mesmo e provavelmente as garotas o adoravam desde muito cedo. Uma vida afortunada causou essa autoconfiança.
Daniel, por outro lado, é mais hiperativo e inquieto. Ele está sentado no sofá e inclinado pra frente, ele se move muito quando fala e demonstra muita energia quando alguma coisa é interessante pra ele.
Fico pensando se ele é um membro da cultura das drogas que existe entre os ricos e famosos. O uso de cocaína é comum; já vi muito nos banheiros femininos das festas e ventos glamourosos da Arnault.
Olho pro Nicollas, me perguntando se ele também usa, e sinto uma pontada de dor no peito. Espero que não. Sempre tive tolerância zero ao uso de drogas.
Quando terminamos, Nicollas se levanta e estica os braços pra cima, deixando exposta uma pequena parte do seu abdômen tonificado acima da calça jeans, e preciso de toda a minha força pra não inspirar profundamente.
Fico muito envergonhada com a minha reação, mas escondo bem. Já vi homens pelados antes, não sou virgem, mas estou brava comigo mesma pelas respostas estúpidas que tenho a presença dele. Ele faz com que eu tenha essas reações adolescentes.
“Vou resolver esses detalhes, Daniel, e nos encontramos de novo. Mais formal da próxima vez, para avançarmos as discussões.” Ele aperta a mão do Daniel e eles se abraçam com afeto de amigos.
“Cara, vamos sair pra beber quando eu voltar?”
“Precisa mesmo perguntar?” Nicollas brinca enquanto eles se afastam.
“É, acho que você precisa do seu amigo pra te ajudar a conseguir umas gatinhas. Você é inútil sozinho.” Daniel ri e empurra o Nicollas pelo braço de brincadeira.
“Nós dois sabemos que sou eu quem tem as melhores cantadas. As mulheres gostam do seu sorriso de garoto e da sua carteira gorda, princesa.” Nicollas aperta a bochecha do Daniel e recebe de volta um dedo do meio. O humor na voz deles é evidente.
Daniel se vira pra mim com um meio sorriso interesseiro e um brilho vulgar no olhar. Me esforço pra não revirar os olhos e permaneço indiferente enquanto ele me analisa, me levanto devagar e puxo a minha bolsa pro lado, tentando permanecer invisível.
“Aurora, foi muito bom te conhecer; tenho certeza de que o Nicollas vai me deixar te levar pra jantar.” Ele sorri pra mim e a minha pele se arrepia.
“Não vou deixar você chegar perto dela, Daniel! Conheço o seu jogo, lembra?” Nicollas interrompe de forma suave e rápida, me salvando de ter que rejeitar. O tom dele é leve.
“Cara?” Daniel franze a testa fugindo espanto, colocando a mão no peito como se estivesse profundamente magoado.
“Pode esquecer. Não vou deixar isso acontecer.” Nicollas ainda está rindo, mas tem um leve tom de limite na sua voz agora. Ele está falando sério.
“Esqueci que você não mexe com a sua equipe.” Daniel ri de forma presunçosa. Não consigo ver qualquer olhar que esteja acontecendo entre eles porque o Nicollas está na minha frente.
“Não mexo com garotas boas. Ponto final.” O Nicollas se vira e me lança uma piscadela arrogante e o meu coração erra uma batida. Ele acha que sou uma garota boa? O que isso quer dizer?
“Amém!” Daniel interrompe e os dois homens batem as mãos numa demonstração de amizade masculina. Não reprimo a vontade de revirar os olhos dessa vez e vejo o Nicollas sorrindo pra mim.
Sinto uma onda de alívio quando ele se vira e coloca a mão nas minhas costas pra me guiar pra fora sinalizando que a reunião terminou. É a primeira vez que o contato físico entre nós é aceitável.
Ele me leva pra fora do quarto e pelo corredor até os elevadores dourados, deixando o Daniel no quarto pra fazer o que quer que seja com a sua acompanhante.
“Desculpa por ter respondido por você”, Nicollas diz, olhando pra mim dentro do elevador. Uma das suas sobrancelhas está curvada num pedido de desculpas, o que é meio fofo. “Só acho que não teria nada de bom em sair com o Daniel Hunter. Conheço ele bem demais.”
Seu olhar sincero de convicção é encantador.
“Não quero sair com o Daniel Hunter.” Dou um sorriso tenso, me sentindo quente e um pouco claustrofóbica, mas também extremamente séria. O Daniel é um canalha. Por que o Nicollas tem esse dom de me tirar do eixo? Não gosto disso.
“Ele é um problema pras mulheres.” Ele franze a testa pra mim, me observando de perto, e tenho que desviar o olhar por um segundo pra impedir que o calor que cresce dentro de mim transpareça no meu rosto.
“Mais ou menos como você, então?” Dou um sorriso presunçoso e vejo aquele enorme sorriso de cair o queixo dele com o canto do olho. É inesperado e me faz sorrir também.
“Não sou um problema pras mulheres. Sei como devo trata-las, mas o Daniel não sabe. Ele é um típico playboy. Ele não se importa se ferir os sentimentos de alguém.”
Ele desliza um braço em volta de mim e me puxa contra ele, me protegendo ao sairmos do elevador em meio a mais flashes e cliques. Dessa vez eu já estava esperando e fico mais tranquila com o contato.
Mantenho meus olhos no chão e tento não reagir a ele, o que é difícil, considerando que ele me pressiona com firmeza contra o seu corpo musculoso, e não é nada desagradável. Ele me passa segurança.
Do lado de fora, olho pra cima e pisco enquanto o sol brilha sobre nós, levantando a mão pra proteger os olhos. Nicollas desliza seus óculos escuros da sua cabeça pro meu rosto num movimento tão fluido que sou pega de surpresa e não reajo.
Sua expressão não muda, ele só me guia até o carro que está parando na nossa frente e me coloca no banco de trás antes de me seguir. De repente, tenho um palpite de que é assim que as mulheres com quem ele sai devem se sentir.
Ele é atencioso e dominante, além de extremamente educado. Ele é um cavalheiro. É bem surpreendente para um cara com tanto amor próprio.
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Atualizado até capítulo 27
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