Volume 1 — Capítulo 12 — O Fardo da Esperança

A carroça finalmente parou diante do majestoso Palácio Real Élfico. As portas imponentes brilhavam sob a luz do sol, refletindo um esplendor quase intimidador. Assim que Astharoth desceu da carruagem, ainda segurando Riyon em seus braços e acompanhada por Nerissa, foi recebida pelos guardas do palácio. Eles, com uma precisão quase cerimonial, abriram os portões para ela, seus movimentos sincronizados como se estivessem ensaiando aquele momento durante horas.

Astharoth fez uma breve reverência de agradecimento, tentando não parecer muito impressionada — afinal, era a Rainha dos Demi-Humanos, acostumada com pompa, mas nem sempre com a disciplina dos elfos. Com os portões abertos à sua frente, ela começou a caminhar pelo longo corredor que levava ao salão real. Seus passos ressoavam pelo chão de mármore, misturando-se com os ecos dos próprios pensamentos. Mesmo sendo uma rainha, estar ali, naquele imponente e quase assombroso palácio élfico, trazia à tona uma antiga sensação de nervosismo.

No entanto, não havia sinal de Nienna no salão à frente. Astharoth franziu o cenho, imaginando onde sua antiga amiga estaria. Ela tinha certeza de que Nienna estaria ali para recebê-la. Enquanto seguia pelo corredor com seus pensamentos se entrelaçando, subitamente, o eco de outros passos se aproximando fez com que Astharoth parasse. E então, quase como se fosse um sinal do destino, a figura de Nienna apareceu ao longe, caminhando apressadamente pelo corredor em sua direção.

Nienna, visivelmente aflita, congelou ao ver Astharoth parada à sua frente, ainda segurando Riyon. O alívio estampou-se no rosto da Rainha Élfica. As duas amigas ficaram imóveis por um segundo, a surpresa e o alívio misturados numa troca de olhares. Finalmente, depois de alguns instantes, Nienna quebrou o silêncio.

"Astharoth!" exclamou Nienna, quase sem fôlego. "Você está bem! Eu estava a caminho do salão, achando que teria que te buscar entre as ruínas de alguma batalha! Estou tão aliviada."

Astharoth piscou algumas vezes, surpresa, mas logo deu uma risada. "Nienna! Eu... também não esperava te ver no corredor. E, sinceramente, estou surpresa que você ainda esteja correndo por aí com essa energia toda! Achei que essa parte da sua vida tinha acabado quando nos formamos."

Nienna riu, finalmente relaxando. "Ah, minha querida, com duas princesinhas em casa, correr virou a minha especialidade. Mas e você? Está bem mesmo? Nenhum arranhão, nenhum dente quebrado? Ou preciso dar uma bronca em alguém?"

Astharoth ajustou Riyon em seus braços e soltou uma risada suave. "Estou inteira, graças aos deuses. E, pelo visto, você continua com o mesmo espírito mandão de sempre."

Nienna fingiu uma expressão severa, mas logo abriu um sorriso travesso. "Mandona? Vamos chamar isso de 'liderança nata'. Eu sempre disse que ser professora de jovens rebeldes era mais difícil que governar qualquer reino."

Astharoth revirou os olhos com uma expressão de fingida exaustão. "Sim, sim... eu era a jovem rebelde, lembra? A que te deu mais dores de cabeça que qualquer outra. Mas olha só, sobrevivi à escola, sobrevivi à realeza... talvez eu devesse escrever um livro sobre isso."

Nienna riu tanto que quase se apoiou em uma das colunas ao lado. "Ah, se você escrever um livro, eu exijo que seja em tom de comédia! Porque honestamente, Astharoth, suas aventuras sempre me faziam rir... quando eu não estava querendo te amarrar numa cadeira para estudar."

As duas amigas riram juntas, o som ecoando pelo grande corredor, enquanto os guardas mantinham suas expressões solenes, claramente acostumados a encontros extravagantes e incomuns.

Finalmente, Nienna olhou para Riyon com ternura, que observava toda a interação com aquela calma suspeita de alguém que, por dentro, estava tendo uma crise existencial. "Este é o pequeno Riyon, não é? O futuro dos Demi-Humanos?"

Riyon, ainda quieto, pensava consigo mesmo: "Sim, é isso aí... olá... o garoto que vai ter que lidar com um monte de problemas reais enquanto mal aprendeu a andar."

"Sim," respondeu Astharoth, lançando um olhar amoroso para o filho. "Ele ainda está se adaptando, mas tenho certeza de que crescerá e se tornará alguém muito importante."

Nienna sorriu para o pequeno. "Espero que ele tenha menos inclinação para fugir das responsabilidades do que a mãe."

Riyon levantou os olhos e, por dentro, pensou: "Responsabilidades? Ah, mal posso esperar..."

Enquanto isso, as duas rainhas seguiam pelo corredor, rindo e recordando dos tempos antigos, enquanto Riyon, mentalmente, se preparava para sobreviver a mais um dia naquele teatro de intrigas e piadas reais.

Nesse momento, Nienna acenou para suas servas, que se aproximaram com suas duas filhas, Elara e Thalia, gêmeas de poucos meses. As duas olhavam curiosas para o bebê Riyon, esticando suas pequenas mãozinhas em direção ao recém-chegado, fazendo barulhinhos encantadores.

"Essas são minhas filhas, Elara e Thalia," apresentou Nienna, sorrindo ao ver as meninas tentando tocar em Riyon. "Acho que seria maravilhoso se eles crescessem juntos, não acha? Assim como nós crescemos. Quem sabe eles também não criam laços fortes... ou, com sorte, talvez evitem implicâncias como as nossas."

Astharoth riu, um som sincero e nostálgico. "Ah, Nienna, você sempre otimista. Mas quem sabe? Eles podem até brigar como nós, mas no final, vão acabar inseparáveis. Espero que a amizade deles seja tão especial quanto a nossa."

Enquanto as rainhas se envolviam em suas lembranças, Riyon olhou para as duas princesas, ainda tentando processar a nova reviravolta de sua já complicada vida. "Crescer junto com mais duas? Eu só espero que isso não vire mais um teatro real de intrigas. Só estou tentando sobreviver a essa segunda rodada da vida... Agora com menos privacidade, mais fraldas e... ugh, mais problemas reais."

Riyon suspirou mentalmente, enquanto as princesinhas o observavam com interesse. Isso era só o começo.

Riyon observou as princesinhas com mais atenção, seus olhos brilhantes e curiosos fixos nele enquanto esticavam as mãozinhas com pequenos barulhos encantadores. Por um momento, o peso de sua vida passada, as responsabilidades, as expectativas — tudo parecia se dissolver diante da inocência delas. Ele suspirou internamente mais uma vez, mas dessa vez com um tom de aceitação.

"Certo," pensou ele, sentindo um pequeno sorriso surgir nos lábios. "Elas são fofas... Eu posso lidar com isso. Parece que serei o irmão mais velho dessas duas. Vamos fazer isso funcionar."

E assim, Riyon, ainda carregando o fardo de uma vida anterior e uma nova cheia de desafios, aceitou crescer junto com as gêmeas, abraçando sua nova posição como o irmão mais velho — pelo menos por enquanto, era algo em que ele podia encontrar um certo alívio.

Nienna, após observar o breve momento de ternura entre Riyon e suas filhas, voltou sua atenção para Astharoth. Seu semblante, embora suave, agora trazia uma gravidade profunda, refletindo o peso das circunstâncias.

"Astharoth," começou ela, sua voz firme, mas imbuída de compaixão, "todos já estão reunidos na cúpula. Sei que você está exausta, especialmente depois de tudo o que passou, mas é crucial que vá até lá. Eles precisam ver você, ouvir suas palavras e, mais do que tudo, conhecer Riyon."

Astharoth suspirou, sentindo o cansaço cravar-se em seus ossos. Sabia que sua presença era indispensável, mas o fardo das responsabilidades parecia esmagador. Antes que pudesse responder, Nienna prosseguiu, sua voz assumindo um tom sombrio, como se invocasse sombras do passado.

"Desde a morte de Seraphiel," disse Nienna, com um suspiro pesaroso, "que era a esperança para todas as raças não humanas, a maioria está à beira do pânico, apavorada com o que está por vir. Os humanos de Valoria... estão se fortalecendo, e muitos acreditam que é apenas questão de tempo até tentarem avançar sobre nossos territórios. As raças não humanas estão com medo, Astharoth. Não querem voltar à era de trevas. Não querem ser caçados, escravizados, usados como cobaias ou mutilados pelos humanos."

As palavras ressoaram profundamente em Riyon, que franziu a testa. Isso parece absurdo, não é? Afinal, foram os demônios que trouxeram as eras de trevas. Como Seraphiel poderia ter sido a esperança de todos? Ele olhou para o pequeno grupo ao seu redor, começando a questionar tudo o que sabia até aquele momento. Mas... e tudo o que eu vi? As coisas que me contaram não correspondem ao que estou vendo e ouvindo agora. Será que há algo que ainda não entendo?

Alheia à confusão de Riyon, Nienna prosseguiu, o olhar tenso. "Riyon... ele é a nova esperança, Astharoth. Todos precisam ver que, mesmo após a queda de Seraphiel, ainda há uma luz. Eles precisam acreditar que existe um futuro, que não serão forçados a reviver aquele pesadelo. Mostrá-lo agora pode acender uma fagulha de esperança que se espalhará por todas as raças."

Astharoth sentiu o peso dessas palavras enquanto olhava para o pequeno Riyon em seus braços. Ele era a última centelha de uma chama quase extinta. Ao mesmo tempo, o temor de expor seu filho a tantos olhares ansiosos e desesperados a corroía por dentro.

"Você tem razão," ela murmurou finalmente, lançando um olhar a Nienna, uma mistura de apreensão e determinação em seus olhos. "Riyon... ele pode ser a esperança que todos precisam. Só espero estar à altura disso."

Nienna apertou a mão da amiga com firmeza, seu rosto suavizando em um sorriso encorajador. "Você é mais forte do que imagina, Astharoth. Sua presença e a de Riyon podem trazer algum alívio para essas almas desesperadas. Ninguém quer voltar às sombras."

Astharoth respirou fundo, absorvendo a magnitude da situação. Assentiu lentamente, sabendo que, apesar de seu cansaço, o que estava em jogo era maior do que ela. "Vamos à cúpula, então," disse, erguendo a cabeça com renovada determinação. "É hora de enfrentar isso... juntos."

Enquanto caminhavam pelo corredor em direção à cúpula, Riyon lutava para entender o novo mundo que se revelava diante dele. Sabia que as histórias sobre as eras de trevas e os demônios não coincidiam com a realidade que estava vivendo. Preparava-se para o encontro, mas uma parte dele estava repleta de dúvidas e perguntas sem respostas.

Era chegada a hora de acender uma nova chama de esperança e descobrir, afinal, quem estava certo sobre o passado... e o futuro.

Capítulos
1 Volume 1 — Prólogo (1/2)
2 Volume 1 — Prólogo (2/2)
3 Volume 1 — Capítulo 2 — O Crepúsculo da Esperança
4 Volume 1 — Capítulo 3 — Luz e Sombra (1/2)
5 Volume 1 — Capítulo 3 — Luz e Sombra (2/2)
6 Volume 1 — Capítulo 4 — O Eco Das Sombras E Chamas 
7 Volume 1 — Capítulo 5 — O Amanhecer Sombrio
8 Volume 1 — Capítulo 6 — O Renascimento (1/2)
9 Volume 1 — Capítulo 6 — O Renascimento (2/2)
10 Volume 1 — Capítulo 7 — Ventos da Mudança — Parte 1
11 Volume 1 — Capítulo 8 — Ventos da Mudança — Parte 2 (1/2)
12 Volume 1 — Capítulo 8 — Ventos da Mudança — Parte 2 (2/2)
13 Volume 1 — Capítulo 9 — Ascensão Entre Luz e Trevas
14 Volume 1 — Capítulo 10 — O Preço da Salvação (1/2)
15 Volume 1 — Capítulo 10 — O Preço da Salvação (2/2)
16 Volume 1 — Capítulo 11 — De Herói à Principe
17 Volume 1 — Capítulo 12 — O Fardo da Esperança
18 Volume 1 — Epílogo
19 Volume 1 — Prelúdio (Bônus 1)
20 Volume 2 — Prólogo (1/2)
21 Volume 2 — Prólogo (2/2)
22 Volume 2 — Capítulo 15 — Da Glória às Fraldas
23 Volume 2 — Capítulo 16 — Os Fundamentos Básicos (1/2)
24 Volume 2 — Capítulo 16 — Os Fundamentos Básicos (2/2)
25 Volume 2 — Capítulo 17 — A Travessura (1/2)
26 Volume 2 — Capítulo 17 — A Travessura (2/2)
27 Volume 2 — Capítulo 18 — Uma Aventura na Cidade (1/2)
28 Volume 2 — Capítulo 18 — Uma Aventura na Cidade (2/2)
29 Volume 2 — Capítulo 19 — Descobrindo a Vila (1/2)
30 Volume 2 — Capítulo 19 — Descobrindo a Vila (2/2)
31 Volume 2 — Capítulo 20 — O Festival da Yggdrasil (1/2)
32 Volume 2 — Capítulo 20 — O Festival da Yggdrasil (2/2)
33 Volume 2 — Capítulo 21 — Ano do Fogo (1/2)
34 Volume 2 — Capítulo 21 — Ano do Fogo (2/2)
35 Volume 2 — Capítulo 22 — O Mistério do Fantasma
36 Volume 2 — Capítulo 23 — Sombras e Intrigas
37 Volume 2 — 24 — A Masmorra do Esgoto — Parte 1
38 Volume 2 — 25 — A Masmorra do Esgoto — Parte 2
39 Volume 2 — Capítulo 26 — O Enigma Sob o Luar (1/2)
40 Volume 2 — Capítulo 26 — O Enigma Sob o Luar (2/2)
41 Volume 2 — Capítulo 27 — Entre Baratas e Fedor (1/2)
42 Volume 2 — Capítulo 27 — Entre Baratas e Fedor (2/2)
43 Volume 2 — Capítulo 28 — O Último Rugido (1/2)
44 Volume 2 — Capítulo 28 — O Último Rugido (2/2)
45 Volume 2 — Epílogo (1/2)
46 Volume 2 — Epílogo (2/2)
47 Volume 2 — Prelúdio — Bônus 2
Capítulos

Atualizado até capítulo 47

1
Volume 1 — Prólogo (1/2)
2
Volume 1 — Prólogo (2/2)
3
Volume 1 — Capítulo 2 — O Crepúsculo da Esperança
4
Volume 1 — Capítulo 3 — Luz e Sombra (1/2)
5
Volume 1 — Capítulo 3 — Luz e Sombra (2/2)
6
Volume 1 — Capítulo 4 — O Eco Das Sombras E Chamas 
7
Volume 1 — Capítulo 5 — O Amanhecer Sombrio
8
Volume 1 — Capítulo 6 — O Renascimento (1/2)
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Volume 1 — Capítulo 6 — O Renascimento (2/2)
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Volume 1 — Capítulo 7 — Ventos da Mudança — Parte 1
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Volume 1 — Capítulo 12 — O Fardo da Esperança
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Volume 1 — Epílogo
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Volume 2 — Prólogo (1/2)
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Volume 2 — Prólogo (2/2)
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Volume 2 — 25 — A Masmorra do Esgoto — Parte 2
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Volume 2 — Capítulo 27 — Entre Baratas e Fedor (1/2)
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