O mar vasto e indomável se estendia diante do navio que carregava a rainha Astharoth e seu grupo. A embarcação avançava lentamente em direção ao noroeste, seu destino final sendo o misterioso continente dos elfos, uma ilha colossal cercada por perigos antigos. Feras marinhas mágicas espreitavam nas profundezas, enquanto corais luminosos e embarcações naufragadas testemunhavam as tentativas fracassadas daqueles que ousaram navegar por essas águas traiçoeiras.
Astharoth, com o manto negro balançando ao sabor do vento, segurava com firmeza um pingente em formato de galho, um artefato feito da lendária árvore Yggdrasil, a árvore da vida e da alma. Este pingente, entregue pela própria rainha dos elfos, Nienna, era a chave para a travessia segura pelos mares protegidos. Era um símbolo de confiança e um farol que guiaria a embarcação pela segurança das águas ameaçadoras.
Aproximando-se das águas perigosas, o mar começou a se agitar. Feras marinhas começaram a surgir das profundezas, seus olhos brilhando como faróis no meio do oceano sombrio. Astharoth olhou com firmeza para o horizonte, sentindo o peso de seu pingente começar a aumentar. Uma luz suave e quente emanava do artefato, e logo o brilho cresceu, iluminando a proa do navio.
"Os monstros estão se aproximando," murmurou Nerissa, ao lado da rainha, seus olhos arregalados com a visão das criaturas gigantescas que cercavam a embarcação.
"Confie no pingente," respondeu Astharoth com tranquilidade, embora seu coração estivesse acelerado. "Ele nos guiará em segurança."
Assim que o brilho do pingente aumentou, os monstros recuaram, quase como se estivessem repelidos pela luz sagrada que ele emanava. As águas, antes turbulentas, começaram a se acalmar, e o navio foi guiado por um caminho seguro, traçado pela própria luz do artefato. Era como se a própria Yggdrasil, através do pingente, estivesse abrindo caminho pelo mar.
Conforme navegavam, as formações de corais se afastavam, criando um corredor estreito e seguro, longe das criaturas que rondavam ao redor. O silêncio predominava, exceto pelo som suave do mar contra o casco do navio. Todos a bordo mantinham um olhar atento, temendo que o menor erro pudesse desencadear um desastre.
Horas depois, a ilha dos elfos apareceu no horizonte. Uma terra verdejante e majestosa, rodeada por montanhas altas e árvores gigantescas. Ao se aproximarem da costa, podiam ver soldados élficos, suas armaduras brilhando sob o sol, alinhados nas margens.
O navio ancorou lentamente, e Astharoth, com sua postura imponente, foi a primeira a desembarcar. Ao pisar na terra firme, foi imediatamente cercada pelos soldados élficos. Seus olhares eram curiosos, mas firmes, e sussurros corriam entre eles enquanto observavam a mulher diante deles.
"Sou Astharoth Angellos D'Luciferros, rainha do reino caído de Sant Celestine," anunciou ela, sua voz ecoando com autoridade. "Estou aqui para pedir asilo à rainha Nienna."
Os soldados se entreolharam com burburinhos, surpresos com a presença de uma figura tão importante. Um deles, com uma postura mais elevada, aproximou-se e fez uma reverência respeitosa.
"Rainha Astharoth," disse ele, a voz baixa e respeitosa. "Sua chegada é inesperada. Vou imediatamente notificar a rainha Nienna de sua presença. Enquanto isso, meus homens a guiarão até a capital."
Astharoth assentiu em agradecimento, observando enquanto alguns dos soldados corriam em direção às florestas, presumivelmente para avisar sua rainha. Os outros começaram a ajudar os tripulantes a desembarcar e se organizar para a viagem até a capital élfica.
Os cavaleiros e servos que acompanharam Astharoth permaneceram no litoral, ocupados organizando os suprimentos e preparando o terreno para o que estava por vir. Enquanto ela seguia pela estrada serena que levava ao coração da ilha, Astharoth lançou um olhar para Riyon, o príncipe bebê que repousava em seus braços, observando a nova terra com olhos grandes e curiosos. Ela sabia que o verdadeiro desafio ainda estava por vir. Haviam chegado ao refúgio dos elfos, mas agora precisavam garantir sua sobrevivência em um mundo onde a paz ainda parecia distante.
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Riyon olhava a paisagem passar pela janela da carroça, seus olhos de bebê capturando as árvores gigantes do reino élfico e os soldados que cavalgavam com tanta elegância que parecia até que flutuavam. "É, isso de novo. Já vivi esse filme, mas da última vez eu era um órfão em um lugar barulhento e fedorento. Agora sou um príncipe... o que significa que vai ser muito, muito pior."
No colo de Nerissa, ele estava quieto, mas sua mente estava longe de calma. Ela balançava ele levemente, tentando arrancar uma risada. Nerissa era uma mulher fera, uma Selgeriana, com uma aparência humana, mas com traços animais notáveis. Seu nariz era semelhante ao de um animal, e ela possuía orelhas e cauda de cachorro. A pelagem dourada de suas orelhas contrastava com a pelagem branca e dourada da sua cauda. Seus olhos castanhos e sua estatura esbelta, de quase 1,70 metros, davam a impressão de que não tinha mais do que 20 anos.
"Se ela soubesse... Se ela soubesse que eu não sou só um bebê. Eu já fui Grand, herói de um mundo, e já tive que passar por isso. Só que, na época, eu estava em um orfanato. E vamos ser sinceros, ser um órfão era ruim, mas ser um príncipe bebê pode ser uma tortura ainda maior."
Nerissa começou com aquele tom fofinho que era típico de quem lida com bebês. "Quem é o bebê mais fofinho de todos? É você, meu querido Riyon! Sim, você mesmo!" Ela fazia cócegas na barriguinha dele.
Riyon revirou os olhos mentalmente. "De novo isso... Não basta ter passado minha infância como órfão, agora sou a ‘atração real’. Mais cócegas, mais babás cantando músicas irritantes, e um exército de adultos me tratando como se eu fosse a coisa mais fofa do universo. Maravilha."
Apesar de todo seu esforço para manter a dignidade, o corpo de bebê não colaborava. As cócegas de Nerissa arrancaram uma risadinha incontrolável. "Ahhh, eu sabia! Ele riu! Viu, minha rainha? Ele está se divertindo!", disse Nerissa, com um brilho no olhar.
"Se divertindo? Isso é o que chamam de diversão? A vida de órfão pelo menos era mais tranquila... sem tantos adultos me chamando de fofinho e beliscando minhas bochechas o tempo todo!" Riyon pensava, tentando conter a vergonha.
Ele olhou para sua mãe, Astharoth, que estava apagada no canto da carroça, roncando baixinho. "Olha só, até minha mãe tirou o dia para roncar, enquanto eu sou tratado como um ursinho de pelúcia ambulante. Pelo menos no orfanato eu tinha paz e podia ser só mais uma criança entre muitas. Agora, sendo o príncipe da raça demoníaca, isso vai ser dez vezes pior."
Nerissa continuava sua rotina incansável de brincadeiras. "Quem é o bebê mais fofinho? Quem é? É o Riyon, claro que é!" Ela disse, fazendo uma voz ainda mais aguda.
Riyon olhou para ela, desejando que sua alma adulta pudesse se manifestar em um grito de socorro. "Por favor, me dá um tempo. Isso não foi fácil nem na minha vida passada, mas pelo menos lá eu tinha um pouco de anonimato. Agora, toda a corte vai estar em cima de mim. Ser órfão era difícil, mas ser um bebê da realeza vai ser uma prisão de fofura!"
Então, claro, veio a parte que ele mais temia. Aquela sensação inconfundível de desconforto físico tomou conta de seu pequeno corpo. "Ah, não... Agora isso de novo? Sério? Por que esse destino cruel insiste em me lembrar de que eu não tenho controle nenhum?"
Nerissa, percebendo a careta dele, já sabia o que estava acontecendo. "Ohh, parece que alguém precisa de uma troca de fraldas!", disse ela, com aquele entusiasmo exagerado. Ela já estava pegando os utensílios com a eficiência de uma profissional de fraldas.
"Não, não, não! Eu já passei por isso uma vez! Uma coisa era ser um órfão largado no meio de outras crianças, mas agora tenho uma equipe inteira pronta para resolver meu 'problema' como se fosse a coisa mais fofa do mundo!" Riyon se lamentava mentalmente, enquanto Nerissa começava o processo.
A babá ria, alheia ao drama interno de seu pequeno príncipe. "Você vai ser um grande líder um dia, Riyon. Assim como sua mãe, tão forte e destemido!" disse ela, como se estivesse conversando com um adulto.
"Grande líder? Não consigo nem... bem, resolver meus próprios problemas no banheiro sem ajuda. Grande líder, pois sim...", ele pensava, enquanto fazia uma careta, tentando processar a humilhação.
Assim que a operação fralda terminou, Riyon se deitou, tentando recuperar um pouco de sua dignidade perdida. "Orfanato ou realeza, a humilhação é a mesma. Só que aqui tem mais olhos me vigiando. Que maravilha."
Antes que ele pudesse aproveitar o momento de paz, um dos guardas elfos se aproximou da carroça. "Senhora Rainha, chegamos à capital. A Rainha Nienna está à sua espera."
Astharoth, que estava tão apagada que até roncava, acordou num salto, quase caindo da carroça. "Oh, já chegamos? Claro, claro, eu estava apenas... meditando!", ela disse, tentando disfarçar enquanto ajeitava a coroa.
"É, mãe, estava meditando tão profundamente que dava para ouvir até do lado de fora da carroça", Riyon pensou com sarcasmo, olhando para ela com seus olhos inocentes de bebê.
Astharoth sorriu para ele, ainda confusa. "Estamos quase lá, meu príncipe! Logo, você vai conhecer a Rainha Nienna e talvez alguns novos amiguinhos!"
"Amiguinhos? Ótimo, mais crianças para me apertar e me tratar como um brinquedo fofinho. Mal posso esperar", ele pensou, enquanto soltava um "Guuu..." frustrado que Nerissa, claro, interpretou como uma empolgação.
"Ah, ele está animado! Vai ser tão divertido, não é, Riyon?", disse Nerissa, rindo.
"Divertido? Você não faz ideia... Se a vida de órfão já foi difícil, a vida de príncipe bebê vai ser um pesadelo de fofura sem fim!"
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Atualizado até capítulo 47
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