Com um movimento fluido e quase imperceptível, Seraphiel convocou as sombras à sua volta. Elas se contorceram e se moldaram até tomarem a forma de clones de si mesmo, cópias sombrias que se lançaram ferozmente contra Grand e seus companheiros. O ar ao redor parecia vibrar com a energia sombria que ele emanava.
Baltazard foi o primeiro a reagir, erguendo seu escudo pesado com um grito de guerra. "Aos meus lados!" Sua voz ecoou pelo salão. O metal reluziu enquanto ele se preparava para a investida. Os clones sombrios investiam como lobos, mas o escudo de Baltazard foi como uma muralha impenetrável, absorvendo o impacto inicial.
Mira, ao lado dele, estava imersa em uma dança mágica. Suas mãos brilhavam em um tom violeta, enquanto símbolos arcanos giravam ao seu redor. "Tempus Arcanum!" gritou ela, liberando uma onda de magia que serpenteava pelo campo de batalha, buscando os clones de sombras e dispersando alguns deles em uma explosão de energia luminosa. Seus olhos estavam fixos em Seraphiel, concentrada em prever seu próximo movimento.
Do outro lado, Sophia hesitou por um breve instante, seu coração pesado com suas crenças conflitantes. Mas, vendo seus companheiros lutando com tudo que tinham, ela não pôde evitar. "Lux Divina," murmurou ela, levantando seu cajado. Uma luz intensa, pura e radiante, explodiu do chão, iluminando todo o salão e enfraquecendo as sombras que Seraphiel invocava.
“Agora, Sophia!” gritou Mira, seus olhos cintilando com determinação.
“Eu estou com vocês,” respondeu Sophia com mais convicção, a luz que ela conjurava envolvia seus aliados, fortalecendo-os e criando uma aura protetora.
Nesse momento, Grand, com sua espada em punho, avançou como uma força da natureza. Ele se lançou diretamente contra Seraphiel, o aço de sua lâmina cortando o ar com uma precisão mortal. O primeiro choque entre eles ecoou como um trovão, as forças colidindo em uma tempestade de poder. O impacto gerou uma onda de choque que sacudiu o chão do castelo.
Seraphiel manteve sua postura arrogante, mas seus olhos brilharam de fúria e prazer. Com um gesto, ele convocou um círculo flamejante ao seu redor, o fogo girando como um vórtice de destruição. Sem hesitar, ele o lançou contra Grand, que desviou no último segundo, sentindo o calor abrasador passar a centímetros de sua pele.
"Por Valoria! Por Illysia! Pelo mundo que amamos!" gritou Grand, seu corpo inteiro imbuído de poder enquanto desferia um golpe direto contra Seraphiel. O ataque forçou o Lorde Demônio a recuar um passo. O sorriso de Seraphiel se desfez por um breve momento, substituído por uma expressão de pura fúria.
“Vocês são tolos se pensam que podem alterar o destino,” rosnou Seraphiel, sua forma começando a se distorcer e se fundir nas sombras ao seu redor. De repente, ele desapareceu, apenas para reaparecer do outro lado da sala, invocando raios de suas mãos que cortaram o ar como lâminas de pura eletricidade. Um trovão explodiu atrás dele, reverberando por todo o castelo.
Baltazard bloqueou o primeiro relâmpago com seu escudo, mas o impacto o fez recuar alguns passos. "Fiquem juntos!" gritou ele, os músculos tremendo sob a força do ataque.
Mira lançou um feitiço de proteção ao redor de Grand, ao mesmo tempo em que criava um selo de contenção em torno de Seraphiel, tentando diminuir seus movimentos. "Concentrem-se nos clones!" ela ordenou, sua mente trabalhando rapidamente para combater a magia imprevisível de Seraphiel.
Enquanto isso, Sophia invocava orações sagradas, e a luz que emanava dela cortava através das sombras, forçando Seraphiel a mudar de tática. Ele estalou os dedos e, imediatamente, o ar ao redor se congelou, cristais de gelo afiados surgindo das paredes e do chão. Ele comandou que essas lâminas de gelo avançassem contra seus inimigos, mas Sophia, firme, criou uma barreira de luz, protegendo a todos.
Grand se lançou novamente contra Seraphiel, sem medo das armadilhas de gelo ao seu redor. Ele desferiu uma série de golpes rápidos, forçando Seraphiel a desviar repetidamente. Mas o Lorde Demônio não era apenas um mestre das sombras; com um movimento fluido, ele invocou uma corrente de fogo que se entrelaçou com o gelo ao seu redor, criando um turbilhão de fogo e gelo que circulou ao redor de Grand.
Grand viu uma abertura e desferiu um golpe poderoso, atingindo Seraphiel no peito. O impacto fez o Lorde Demônio cambalear para trás, mas antes que Grand pudesse seguir com outro ataque, Seraphiel desapareceu em uma nuvem de sombras, reaparecendo atrás de Grand, golpeando-o com uma explosão de eletricidade.
Grand caiu de joelhos, seus músculos contraídos pela eletricidade, mas sua força de vontade era inabalável. “Talvez sejamos tolos, Seraphiel,” murmurou ele, levantando-se devagar, “Mas às vezes, uma faísca é tudo o que precisamos para acender uma chama que queime através das trevas.”
O salão vibrava com o choque de poderes elementais e a força de vontades opostas. A batalha final estava em pleno curso, e o destino de todo o mundo estava por um fio.
Grand sentiu a pressão do combate aumentando. O corpo estava cansado, mas sua determinação era mais forte do que qualquer dor. Ele sabia que não poderia falhar, não agora. Com um grito primitivo, ele chamou o poder dentro de si, invocando sua técnica mais devastadora.
"Quebra de Limite!" bradou Grand, e de repente, uma aura azul intensa envolveu seu corpo. Sua força se multiplicou, sua velocidade aumentou drasticamente, e o poder de seus golpes atingiu níveis além do que qualquer um poderia imaginar.
Seraphiel, percebendo a mudança, cerrou os dentes e ajustou sua postura. Mesmo cercado por suas sombras, ele sabia que estava lidando com uma força imensa. Grand se movia como um borrão azul, seus ataques agora impossíveis de prever. Cada golpe de sua espada rasgava o ar com tal violência que o som de metal contra carne e sombra ecoava pelo salão.
Mesmo assim, Seraphiel era um adversário à altura. Ele se movia com a mesma rapidez, suas sombras e magia elemental combinando-se em um turbilhão de ataques. Fogo, gelo e eletricidade dançavam ao seu redor enquanto ele bloqueava e contra-atacava os golpes de Grand, suas lâminas de sombra cortando o ar em retaliação.
Os dois guerreiros avançavam e recuavam, como uma tempestade em fúria. As paredes do castelo tremiam a cada impacto. O chão rachava sob os pés deles, e o ar era preenchido com o som de aço se chocando contra magia.
Mas, apesar de suas habilidades extraordinárias, ambos estavam começando a sofrer os danos. Grand sentia suas costelas queimarem onde um raio de Seraphiel o havia atingido, e o sangue escorria de cortes profundos em seus braços. Mas ele continuava avançando, sua aura azul brilhando com uma intensidade quase cegante.
Seraphiel, embora escondesse bem sua dor, também sentia os efeitos da batalha. O gelo em sua pele estava rachado, o fogo em seus olhos ofuscado por momentos de exaustão, e suas sombras estavam se dispersando aos poucos. Ele sabia que esse confronto não duraria muito mais.
Os dois se encararam, respirando com dificuldade, suas auras colidindo no ar ao redor deles. Ambos sabiam que o próximo golpe seria decisivo.
Com um grito de pura vontade, Grand e Seraphiel correram um em direção ao outro, suas espadas erguendo-se para o golpe final. O tempo parecia desacelerar enquanto eles avançavam. A sala inteira parecia segurar o fôlego.
E então, em um flash de movimento, o impacto final veio.
Seraphiel soltou uma risada amarga, aproximando-se de Grand com um olhar cansado. Seraphiel, ensanguentado e à beira da morte, cambaleou, mas em um gesto inesperado, abraçou Grand com força. Seus braços trêmulos envolviam o herói, e ele aproximou seu rosto do ouvido de Grand. A voz de Seraphiel era baixa e rouca, quase falhando completamente, sufocada pelo sangue.
“Cu... cuidado... com quem... acredita... ser... bo-bons... Gr... Grand...”, gorgolejou Seraphiel, sua respiração cada vez mais fraca. As palavras se perdiam no ar, cortadas pela dor. Ele tentou continuar, mas só conseguiu emitir sons entrecortados. “Eles... não... são... o que... par...”
Uma tosse violenta interrompeu sua fala, o sangue encharcando seus lábios. A última frase veio num sussurro quase inaudível:
“A... guerra... não... acabou... E-e-ela... só... e-esse... o começo...”
O corpo de Seraphiel perdeu a força, seu peso desabando contra Grand, enquanto seu olhar se apagava lentamente. O silêncio que seguiu parecia sufocar o ambiente, e Grand sabia que, apesar de sua vitória, o aviso de Seraphiel ressoaria em sua mente.
Com toda a força de seu "Quebra de Limite", Grand cravou sua espada no peito de Seraphiel. A lâmina penetrou profundamente, rasgando carne e ossos. Seraphiel congelou, seus olhos flamejantes encontrando os de Grand. Um silêncio mortal caiu sobre o campo de batalha, enquanto os ecos do confronto se dissipavam no ar.
O sangue escuro escorreu dos lábios de Seraphiel, que lutava para formar palavras, mas só conseguia emitir um som gorgolejante. Mesmo à beira da morte, ele mantinha o olhar fixo em Grand, como se ainda houvesse algo a dizer, mas as palavras se perdiam na agonia.
Ofegante, Grand observou Seraphiel. Seus braços tremiam de exaustão, e a espada, ainda cravada no corpo do Lorde Demônio, parecia pesar mais do que nunca. "O fim... chegou," murmurou Grand, com a voz rouca e os olhos determinados.
Seraphiel não respondeu. O brilho de seus olhos foi lentamente se apagando, enquanto sua forma, envolta em sombras, começava a se desintegrar, como se estivesse se dissolvendo no vazio.
O grande salão ficou em silêncio, quebrado apenas pela respiração pesada de Grand e o gotejar do sangue que pingava no chão.
A batalha havia terminado.
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Atualizado até capítulo 47
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