"Majestade, por favor, apresse-se!" implorou Nerissa, uma criada de cabelos escuros e olhos de um azul profundo, a respiração ofegante enquanto ajudava a rainha a subir por uma trilha íngreme e escorregadia. Astharoth, outrora uma das demônias mais poderosas do reino, agora estava enfraquecida pela exaustão e pelo peso de seu ventre. A criança em seu útero parecia absorver as últimas reservas de sua energia.
"Eu... estou bem, Nerissa," respondeu Astharoth com a voz trêmula, lutando para manter um semblante calmo apesar do cansaço que dominava seu corpo. Ela apertava instintivamente a barriga, sentindo os chutes de seu filho. Cada passo era uma prova de sua força de vontade, mas a ameaça de serem capturados impulsionava seus movimentos vacilantes. "Precisamos alcançar a caverna... antes que seja tarde demais."
Os sons de cascos distantes ecoavam pelos arredores, e o coração de Nerissa disparou. "Eles estão se aproximando, majestade! Por favor, deixe-me ajudá-la a se mover mais rápido!" Sua voz tremia com o terror crescente, enquanto seus olhos varriam os arredores em busca de qualquer sinal dos inimigos.
Astharoth assentiu, sem forças para resistir à oferta. Seu corpo estava no limite, e ela sabia que, se não aceitasse ajuda, não chegariam a tempo. Ferox, o último dos guardiões reais, aproximou-se rapidamente. Um gigante entre os demônios, ele era o guerreiro mais leal ao Rei Demônio e estava determinado a proteger a rainha a qualquer custo. "Majestade, permitam-me," disse com um tom grave, sua mão estendida.
Sem mais opções, Astharoth deixou que Ferox a carregasse em seus braços fortes. Ao seu redor, os soldados formavam uma barreira defensiva, seus rostos determinados enquanto avançavam. A cada passo, podiam ouvir o som de batalhas à distância, onde outros servos sacrificavam suas vidas para ganhar tempo para a fuga da rainha.
"Estamos ficando sem tempo," murmurou Ferox, seu olhar sombrio enquanto sentia o peso da responsabilidade. "Eles não estão longe."
Nerissa, que corria ao lado do grupo, lançou um olhar preocupado para o horizonte. O vento rugia, uivando entre as árvores, carregando consigo o cheiro de fumaça e sangue. Ela sabia que, se não chegassem logo à caverna, seriam capturados. O terror estava estampado em seu rosto, mas ela se recusava a abandonar sua rainha.
Finalmente, após o que pareceram horas intermináveis de fuga, chegaram a uma caverna oculta nas montanhas. A entrada era estreita, praticamente invisível em meio à vegetação densa e às rochas escarpadas. O grupo entrou rapidamente, ofegantes, enquanto o som da perseguição continuava a se aproximar.
"Tragam mantas e aqueçam a água!" gritou Nerissa, seus dedos trêmulos enquanto tentava organizar os outros servos para cuidar da rainha. Astharoth foi colocada cuidadosamente sobre um leito improvisado de peles e mantas, mas antes que pudesse relaxar, uma dor aguda atravessou seu corpo, fazendo-a gemer.
"O bebê..." sussurrou a rainha, agarrando a mão de Nerissa. "Está... está vindo."
Nerissa arregalou os olhos de medo, mas rapidamente assumiu o controle da situação. "Preparem tudo! Rápido!" sua voz ecoava nas paredes da caverna enquanto os servos corriam para improvisar o que podiam. As condições eram precárias, e cada segundo parecia um passo mais perto do fim.
Astharoth fechou os olhos, sentindo as contrações ficarem mais intensas. Cada nova onda de dor era como uma lâmina cortando seu corpo, mas ela se mantinha firme. "Ele... ele deve sobreviver," murmurou entre respirações pesadas, as lágrimas misturando-se ao suor em seu rosto pálido. A lembrança de seu marido e de tudo o que perderam pesava sobre ela como uma sombra.
"Majestade, concentre-se," sussurrou Nerissa, segurando a mão da rainha com força. "Estamos aqui com você. Não desista."
Do lado de fora, a tempestade intensificava-se, os ventos uivando como se refletissem o lamento dos demônios caídos. Dentro da caverna, a atmosfera era sufocante; o medo e a incerteza dominavam cada alma presente. O silêncio era cortado apenas pelos sons abafados dos movimentos frenéticos dos servos e pelo estalar distante dos galhos, que pareciam anunciar a chegada dos caçadores.
Após horas de luta intensa, o choro agudo de um recém-nascido ecoou pela caverna. Nerissa, com lágrimas escorrendo por seu rosto, segurou o bebê nos braços e o entregou à rainha. "É um menino, majestade... Ele está vivo."
Astharoth, exausta além do limite, olhou para o rosto de seu filho. Suas mãos trêmulas acariciaram o pequeno bebê, e por um breve instante, sentiu-se em paz. "Riyon Santy D'Lucifferos... esse será o seu nome," sussurrou com um sorriso cansado, sua voz cheia de esperança. "Você será o futuro de nosso povo."
Embora o alívio momentâneo tenha acalmado o grupo, a realidade cruel logo os atingiu novamente. O som distante de passos se aproximando lembrou a todos que o perigo ainda estava presente. O mundo lá fora continuava implacável, e o futuro de Riyon dependeria não apenas da força da rainha, mas de cada um deles.
"Ferox... Nerissa... todos vocês," começou Astharoth com uma voz enfraquecida, mas decidida, "prometam-me que o protegerão. Não importa o que aconteça."
"Prometemos, majestade," responderam todos em uníssono, suas expressões resolutas. Sabiam que o sacrifício estava longe de terminar. A tempestade ainda rugia lá fora, mas dentro da caverna, uma pequena chama de esperança começava a brilhar, fraca, mas persistente. O herdeiro do Rei Demônio havia nascido, e com ele, um novo capítulo se desenrolaria no destino dos demônios.
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Atualizado até capítulo 47
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