Com o coração pesado, Astharoth subiu no barco, Nerissa e Riyon logo atrás. A embarcação começou a se afastar da costa, enquanto Ferox e os outros guardas davam suas últimas batalhas na praia, defendendo a fuga da rainha.
Enquanto a batalha na praia se intensificava, Ferox e os poucos soldados restantes lutavam bravamente, mas estavam à beira de serem superados pelas tropas humanas. O som do aço ecoava pela costa, misturado ao estrondo das ondas e dos gritos de guerra. O sangue escorria de cortes profundos no corpo de Ferox, mas ele continuava a lutar, sua espada um borrão de aço enquanto bloqueava golpes de todos os lados.
Então, como se surgisse das sombras, o som de cascos de cavalos cortou o ar. Do alto de uma colina, Baltazard, um imponente cavaleiro montado em um corcel negro, surgiu com um grupo de cem guerreiros "demônios" a seu comando. Ele ergueu sua lança, e o brilho em seus olhos vermelhos refletia a fúria de um guerreiro destemido.
"Avancem!" rugiu Baltazard, sua voz ecoando pela praia. "Não deixem que os humanos vivam para contar sobre isso!"
Os guerreiros "demônios" avançaram em massa, suas lâminas cintilando sob a luz pálida da tempestade. Com a força de uma tempestade própria, eles caíram sobre as tropas humanas. As espadas dos soldados de Valoria, já desgastadas pela luta contra Ferox e seus homens, não foram páreo para o ímpeto da cavalaria de Baltazard.
Um soldado de Valoria tentou erguer seu escudo, mas foi atravessado pela lança de um dos cavaleiros, caindo morto no chão encharcado de sangue e água. Baltazard, cavalgando com a destreza de um líder veterano, abriu caminho com facilidade entre os inimigos, derrubando soldados humanos como se fossem folhas ao vento.
Ferox, já ofegante e ensanguentado, derrubou seu último oponente humano antes de desmoronar de joelhos. Ele olhou para cima, vendo os cavaleiros "demônios" dizimando os soldados de Valoria com eficiência brutal. Baltazard, em meio ao caos, desceu do cavalo e correu até Ferox.
"Levante-se, Ferox," disse Baltazard, estendendo a mão para ele. "Ainda há uma luta pela frente."
Ferox, surpreso, pegou a mão do cavaleiro. "Baltazard... você chegou na hora certa."
"Não podemos perder nossa rainha e o jovem príncipe," respondeu Baltazard, puxando Ferox de volta em pé. "Agora, venha. Devemos alcançar o navio."
Com o campo de batalha livre de inimigos, Baltazard olhou para seus homens. "Rápido! Ao navio!" Ele então virou-se para um dos seus companheiros, um mago com olhos dourados e marcas místicas espalhadas pelos braços. "Raddoc, crie uma estrada para nós!"
Raddoc assentiu, suas mãos começando a brilhar com uma energia sobrenatural. Ele ergueu os braços para o céu, e o chão abaixo deles começou a tremer. Com um grito, ele lançou a energia ao chão, e uma rampa sólida, feita de pedra e terra, começou a se formar, conectando a praia ao navio que já começava a se afastar da costa.
"Agora!" Baltazard gritou, montando novamente em seu cavalo. "Corram!"
Sem hesitar, Baltazard, Ferox, e seus guerreiros restantes galoparam pela rampa. As patas dos cavalos batiam contra a superfície recém-criada, enquanto eles corriam contra o tempo para alcançar o navio antes que fosse tarde demais. A rampa se estendia sobre as águas agitadas, formando uma ponte mágica para a salvação.
Os homens de Baltazard, junto com Ferox, saltaram das montarias no último segundo, pulando diretamente para o convés do navio, enquanto a rampa começava a desmoronar atrás deles. Ferox rolou no convés, ofegante, mas vivo. Baltazard aterrissou com graça ao seu lado, sua lança ainda em mãos, enquanto o navio finalmente se afastava da costa, deixando a praia destruída e os corpos dos inimigos para trás.
Astharoth, que havia observado a cena de longe, sentiu o alívio percorrer seu corpo ao ver Baltazard e Ferox a bordo. Ela caminhou até eles, ainda segurando o pequeno Riyon em seus braços. Seus olhos vermelhos brilharam com gratidão.
"Você veio, Baltazard," disse Astharoth, com um raro sorriso no rosto. "Mais uma vez, você nos salvou."
Baltazard, ainda montado em seu cavalo que havia saltado com ele para o convés, desceu e ajoelhou-se diante dela. "Minha rainha, jurei protegê-la e ao príncipe. Nunca deixaria vocês para trás."
Ferox, ainda se recuperando da luta, aproximou-se. "Eu não teria conseguido sem você, meu amigo," disse ele, com gratidão na voz. "Os humanos teriam nos massacrado."
"Todos nós estamos lutando pela mesma causa, Ferox," respondeu Baltazard, com um sorriso calmo. "Mas agora não é o momento de descansarmos. Essa foi apenas uma batalha. A verdadeira guerra ainda está por vir."
Astharoth assentiu, sua expressão voltando ao tom sério de sempre. "Sim... mas pelo menos por agora, estamos vivos. Riyon está seguro, e devemos continuar nossa jornada para a ilha dos elfos."
Baltazard, Ferox e o restante dos guerreiros "demônios" sabiam que aquilo era apenas um momento de respiro em meio a um caos muito maior. Mas, naquele instante, a rainha estava viva, e o príncipe Riyon estava a salvo. Isso era o suficiente para manter a chama da esperança acesa.
O mar estava furioso, mas Astharoth sabia que o verdadeiro sacrifício havia sido feito em terra firme. Diversos grupos leais a ela deram suas vidas para garantir sua fuga e a proteção de Riyon. Enquanto as ondas ameaçavam o navio, ela segurava o príncipe com força, sabendo que tudo o que foi perdido só teria sentido se ele sobrevivesse.
Após mais de um mês enfrentando tempestades e provações no mar, o navio finalmente avistou o continente dos elfos. Ao desembarcar, Astharoth sentiu o peso de sua missão: a paz que buscavam ainda estava distante, e a verdadeira batalha de Riyon estava apenas começando.
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Atualizado até capítulo 47
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