Muriel despertou repousando sobre o peito de Renato, que apresentava um físico bem definido e ainda dormia com uma expressão de tranquilidade. Seus cabelos vermelhos estavam soltos e desordenados. Muriel, por sua vez, tinha os cabelos brancos espalhados pela cama e seu corpo pálido e esguio estava parcialmente coberto. Ele então se dirigiu até as cortinas vermelhas, abrindo-as para permitir que a luz do sol iluminasse o quarto, incidindo sobre os lençóis brancos emaranhados, com Renato completamente nu na cama. Muriel acariciou os cabelos do companheiro, apanhou uma camisa que estava no chão e vestiu-a sobre seu corpo antes de ir ao banheiro para se lavar. Após alguns minutos, ele retornou ao quarto.
Renato já estava espreguiçando-se na cama, sentado e com o rosto ainda sonolento. Ele falou em um tom suave, enquanto afastava os cabelos de sua face:
— Bom dia, floco de neve.
Muriel esboçou um leve sorriso e caminhou lentamente até a cama descalço sobre o chão frio, posicionando-se na beira dela e perguntando:
— Como vamos proceder a partir de agora? — Ele suspirou ao olhar pela janela — Na verdade, ainda estou confuso quanto aos meus sentimentos.
Renato aproximou-se pelas costas de Muriel, passando as mãos suavemente por seus ombros e arrumando seu cabelo para frente. Ele falou com ternura enquanto encostava a cabeça nas costas dele:
— Muriel, desde que o vi aprisionado naquela gaiola tenho carinho por você; entendo que se sinta confuso — ele passou a língua suavemente nas costas de Muriel, provocando-lhe um arrepio por todo o corpo — mas posso fazer isso dar certo porque desejo vê-lo feliz acima de tudo. Portanto, podemos considerar ter um relacionamento a três se Louis também estiver disposto.
Após o diálogo entre Muriel e Renato, ele passou a perceber uma nova perspectiva, tanto do lado demoníaco quanto do vampírico. Enquanto se preparava para explorar além dos limites do reino, refletia sobre as palavras de Renato, que mencionou que um acordo de paz se tornaria relevante naquele dia. Uma paz que, embora tenha sido constantemente atacada e lutando para se afirmar, finalmente conquistou uma guerra que perdurou por um século, onde o sacrifício monumental de muitos foi evidente. Eles iriam se encontrar com um dos líderes remanescentes e adentrar o território de Mirage. Renato explicou a Muriel que seu verdadeiro nome permanecia desconhecido, exceto por esse título, e que sua entrega foi fundamental para a edificação de uma nação que, à época, fez todos reconsiderarem suas crenças e escolhas.
Muriel contempla seu reflexo no espelho, trajando uma vestimenta azul clara que acentuava sua silhueta esguia. Sua pele de tom alabastrino contrastava com o cabelo preso em um rabo de cavalo, com duas mechas caindo suavemente sobre o rosto delicado e afilado. Ele ajusta os óculos que Louis confeccionou—finos, arredondados e discretos. Os olhos de Muriel começam a adquirir novamente um tom dourado, sinalizando o retorno de seus poderes. Assim, ele opta por vestir outras roupas, um traje leve adornado com babados no pescoço, complementado por uma pedra azul escura que emite um brilho intenso.
Muriel deixa o quarto e avista Renato, que atravessava o corredor imerso na leitura de documentos importantes, relacionados aos acordos que foram firmados. Com passos cautelosos e um semblante sério, Muriel se aproxima dele, um pouco nervoso e desajeitado, quase em um sussurro, diz a Renato:
— Portanto, estamos realmente... indo.
Renato ergue a cabeça, esboçando um leve sorriso, e responde com lentidão, mas evidenciando sua imponência e o caráter real de sua presença:
— De fato, partiremos agora. Estarei aguardando o Louis, que, como não se expõe à luz do dia, mencionou que optará por algo mais discreto para acompanhá-lo. O contrato também irá facilitar sua participação.
Surpreendido, Muriel fixa o olhar em Renato, esboçando um sorriso suave, e questiona de maneira leve:
— Por que estão dispostos a aceitar o acordo de paz?
Renato cruza os braços e, desta vez com um semblante sério e quase perspícito, responde como um aviso solene:
— Provenho de uma das famílias mais proeminentes e é meu dever supervisionar os acordos. Ademais, esta será a primeira região a firmar um pacto conosco, os demônios, permitindo-nos emergir das sombras.
A irmã de Renato surgiu no corredor iluminado, onde as cortinas vermelhas, elegantemente adornadas com tons dourados, revelavam a grandiosidade do ambiente. Dirigindo-se ao Renato, ela o puxou pelo braço, abordando o assunto de forma direta e afastando-o de Muriel. Com passos suaves, a rainha, esposa de Renato, adentrou o espaço, vestindo um deslumbrante vestido vermelho que acentuava sua esbelta silhueta. Seus cabelos escuros e olhos de um vermelho claro reluziam sob uma maquiagem suave, enquanto pequenos brincos emolduravam seu rosto. Um colar delicado adornava seu pescoço, repousando sobre seus seios, que eram realçados pelo espartilho bem ajustado, conferindo-lhes uma postura imponente.
A rainha se aproxima de Muriel; seus olhos, embora vermelhos, eram claros, belos e reluzentes. Com um sorriso encantador em seu rosto, ela diz:
— Veja quem eu encontro, o amor de Renato, sua obsessão.
Muriel, confuso com a implicação, responde de maneira leve:
— Não compreendo, por que seria uma obsessão por mim? Ele parece realmente me amar.
A rainha mantém seu sorriso e, com um gesto delicado, afasta uma mecha de cabelo, deixando transparecer seu poder através do olhar. Ela prossegue:
— Você é o que ele sempre desejou. Ele te observava naquela gaiola e ansiava por libertá-lo, talvez movido por amor ou pela curiosidade de descobrir a pureza de sua inocência. — Desvia o olhar e esboça um sorriso sutil. — Não pense que eu não aprecio você; pelo contrário, fico contente em saber que ele encontrou felicidade, pois eu também tenho alguém que amo. Contudo, a obrigação e o dever prevalecem, infelizmente.
Seus olhos deslumbrantes e seu sorriso transparecem uma falsidade, enquanto a melancolia a envolve. Apesar disso, ela esforça-se para manter a postura, como se nada a afetasse. No entanto, seus olhos brilhantes revelam uma tristeza profunda, como se esconder a verdade fosse uma dor insuportável. Talvez tudo isso a estivesse ferindo, especialmente considerando que ambos haviam gerado filhos, mas o amor verdadeiro nunca se instaurou; tudo se baseou em dever e obrigação.
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Enquanto todos se dirigiam ao outro reino, Muriel observou a devastação que a guerra de cem anos havia deixado. O cenário era sombrio, envolto em tons de cinza, como se a vida tivesse sido exterminada. Manchas de sangue e marcas do massacre ainda estavam presentes, cada canto demonstrando a destruição que ali se perpetuara. Os habitantes da cidade caminhavam com os olhos vazios, despidos de esperança, mesmo diante da assinatura de um contrato de paz. As lágrimas escorriam por seus rostos, enquanto os locais eram tingidos de cinzas, como se a morte tivesse deixado suas sombras a vagar pelo ar.
Ao chegarmos a uma área mais restrita, um espaço bem estruturado, diversas tonalidades escuras revelavam-se no centro da cidade. Ao entrarmos, encontramos pessoas sentadas, bebendo e murmurando em voz baixa, a melancolia pairando sobre o ambiente. Todos exibiam um semblante fatigado, marcado pelo sofrimento. À sua frente, um homem descia as escadas; sua vestimenta, toda em preto, ostentava um broche familiar no ombro esquerdo, indicando sua linhagem. Seu cabelo, levemente grisalho, contrastava com os fios escuros, e seu olhar, cansado, era emoldurado por uma barba bem cuidada. O lado esquerdo de seu rosto exibia uma cicatriz notável, enquanto seus olhos verdes esmeralda pareciam ter perdido um pouco do seu brilho, como se uma sombra o envolvesse. Ao se aproximar, falou com voz pausada, desprovida de emoção.
— É impressionante. Eu havia imaginado que os demônios não deixariam seu território, mas fico honrado em vê-los aqui. Peço desculpas pela falta de animação; infelizmente, uma guerra deixa cicatrizes profundas, e a perda de nossa líder é dolorosa... — fez uma pausa, fechou os olhos e suspirou, reabrindo-os ainda profundos, como se sua alma estivesse distante. — Especialmente para mim, que perdi minha amada esposa; ela foi extraordinária até o fim.
Renato, com seu sorriso de orgulho, exprime-se de maneira cordial, compreendendo a dor do homem que, após uma série de provações, se encontra em um estado de profunda tristeza; no entanto, eles estão se reerguendo de alguma forma.
— De fato, é imprescindível que nos unamos em tempos sombrios; em momentos desafiadores, a união é essencial. Ser reconhecido por vossa senhoria, Senhor Ragnar Delmont, é uma honra, e lamento profundamente pela perda de sua esposa. Que ela encontre a paz eterna.
Ragnar esboça um leve sorriso, olhando para baixo, seus olhos ainda refletindo a tristeza, mas mantendo a formalidade em sua resposta.
— Não é necessário tanto formalismo. Conhecia seu pai; pode me chamar apenas de Ragnar. Não pretendo prolongar essa situação, pois a ausência de minha esposa é insuportável. Contudo, ela agora está entre os anjos, e rezo para que tenha partido em paz.
Louis, com os braços cruzados nas costas, assume uma postura ereta e fala com seriedade, sempre mantendo seu tom sedutor.
— Sua esposa era uma mulher extraordinária e dedicou-se intensamente ao seu povo. Ela teria orgulho de vê-lo continuar a luta pelo que tanto trabalhou para conquistar.
Ragnar sorri, enquanto arruma uma mecha de cabelo branco que lhe caíra, utilizando sua voz grave de forma séria e formal.
— Agradeço, Louis. Sua ajuda sempre foi inestimável, e por isso sou eternamente grato. Contudo, convoquei vocês aqui para formalizar um acordo entre todas as partes envolvidas, visando construir um mundo melhor, pautado pelo respeito mútuo, fazendo dos Senhores das Armas o centro de nossas ações.
Continua...(ʘᴗʘ✿)
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Atualizado até capítulo 24
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