Naquela noite fria e enluarada, Muriel não conseguia afastar os pensamentos inquietantes sobre o encontro na biblioteca com Rafael. A frieza dele a deixou intrigado, uma mistura de curiosidade e confusão crescendo em seu coração. Enquanto caminhava pelos corredores do castelo, os ecos de suas próprias escolhas ressoavam em sua mente, e a dúvida sobre o que realmente sentia por Rafael a perseguiu. Ele se lembrava da maneira como ele se afastou, como se uma barreira invisível os separasse, mesmo que estivessem tão próximos.
Enquanto isso, uma silhueta imponente apareceu nas sombras do corredor. Era um homem de cabelos longos e alaranjados que parecia irradiar uma presença poderosa. Sua aparência nobre, adornada por roupas elegantes, contrastava com a aura estranha e fria que o cercava. Seus olhos vermelhos brilhavam intensamente, e, quando ele encarou Muriel, um arrepio percorreu sua espinha. Era como se ele pudesse ver diretamente dentro dele, desnudando seus medos e anseios mais profundos.
A sensação que esse homem emanava era um misto de ameaça e atração, desorientando Muriel. Cada passo que ela dava parecia levá-la a um lugar mais profundo na confusão emocional que sentia. Com o coração acelerado, ela apressou o passo em direção ao seu quarto, tentando esquecer a presença avassaladora e o que acabara de testemunhar. A luta interna que se formou em sua mente tornava-se um dilema entre sua segurança e a irresistível curiosidade sobre aqueles que cruzavam seu caminho.
Muriel finalmente chegou ao seu quarto, onde as paredes antigas pareciam absorver os ecos de sua angústia. Em um canto, a luz da lua filtrava-se pela janela, iluminando objetos que pareciam tão familiares, mas que agora pareciam estranhamente distantes. Mesmo ali, sozinho, a presença do homem enigmático e a frieza de Rafael não a deixavam em paz. Era como se o castelo em si estivesse conectado a esses encontros, guardando segredos que apenas estavam começando a ser revelados.
Conforme Muriel se sentou na beira da cama, a confusão em seu coração persistia. Sua mente se debatendo entre sonhos e realidades, ele percebeu que havia algo mais profundo em jogo. O castelo não era apenas uma estrutura majestosa; era um labirinto de emoções, onde cada corredor tinha sua própria história, e ele estava apenas começando a desvendá-las. Nesse momento, ele sabia que precisava descobrir a verdade por trás desses homens misteriosos e qual papel eles poderiam desempenhar em sua vida.
Com a determinação crescendo dentro de si, Muriel decidiu que se aventuraria mais além dos limites conhecidos. Um novo capítulo estava prestes a começar, repleto de mistérios e descobertas. O que ele encontraria nos corredores do castelo e nas sombras de seus encontros? Somente o tempo diria, mas uma coisa era certa: seu coração já tinha escolhido o caminho da aventura.
Na escuridão envolvente do castelo, Muriel admirava as sombras que dançavam nas paredes. A noite trazia consigo um mistério palpável, e cada passo reverberava em seu coração como um eco distante. Enquanto explorava os corredores iluminados pela luz da lua, uma presença inusitada chamou sua atenção: o mesmo homem de antes de longos cabelos alaranjados e olhos vermelhos que brilhavam como chamas. Ele conversava em voz baixa e formal com Elisabeth, a irmã de Rafael, e Muriel não pôde deixar de se perguntar sobre a origem daquela figura enigmática.
Assim que Elisabeth se afastou, o homem desapareceu em um instante. Muriel se virou, e para sua surpresa, ele estava bem atrás dele, sua aura emitindo uma mistura de encanto e perigo. "O que uma raridade angelical faz em uma cidade de demônios?" ele indagou, sua voz profunda e sedutora. Muriel deu um passo para trás, seu coração acelerando, e ele continuou, "Sinto que seus batimentos estão acelerados, mas não precisa ter medo de mim. Sou um vampiro muito respeitoso e seu sangue me faria muito mal."
Intrigado, Muriel olhou nos olhos de Louis e perguntou com curiosidade: "Por que meu sangue te faria mal? É por eu ser um anjo?" O vampiro sorriu de maneira que parecia sensual e, com um tom leve, explicou: "Sou um ser da noite, acorrentado por uma maldição feita das sombras. Você é perigoso para mim; seu sangue é como água benta." A revelação deixou Muriel perplexo, enquanto sua curiosidade se acendia ainda mais. Por que um príncipe das trevas temeria a pureza de um anjo?
"Estou aqui em uma missão", Louis revelou calmamente. "Sou Lorde Louis Delmont, e preciso fechar um contrato com o rei. Por ser vampiro, não posso fazer isso durante o dia." Muriel ouviu atentamente, sua mente cheia de perguntas. A tensão entre os dois aumentava, e a atração era palpável, como um fio invisível que os ligava no breu da noite.
Enquanto ele ponderava sobre o perigo que sua própria natureza representava, as dinâmicas entre anjos e vampiros se desdobravam diante dele. Seria possível atravessar a barreira que separava seus mundos, mesmo em meio a tais embates? À medida que conversavam, Muriel percebeu que o medo poderia ser apenas um componente de algo muito maior, algo que os unia de maneiras que ele ainda não compreendia.
Muriel observava Louis com um misto de curiosidade e temor. Ele era um vampiro imponente, com uma presença que parecia transgredir todas as regras da lógica. As lendas sobre seres da noite sempre a assombraram, mas havia algo na aura de Louis que atraía sua atenção. Seus olhos, brilhantes como estrelas, refletiam uma sabedoria antiga, e Muriel se perguntava como um ser tão enigmático poderia existir. A noite era densa e o luar filtrava-se através do castelo, criando um cenário que parecia ter saído de um conto de fadas sombrio.
Com um sorriso enigmático, Louis confessou: "Sou um ser da noite, mas não tenho medo de um anjo, ainda mais quando não me ameaça." Suas palavras, ditas com uma voz suave e sedutora, reverberaram no coração de Muriel. Ele sentiu seu coração acelerar, uma mistura estranha de atração e nervosismo. O vampiro estava tão próximo, e a sensação de seu olhar fixo nela era ao mesmo tempo intimidante e fascinante. Muriel se perguntava se aquilo que sentia era um simples fascínio ou algo mais profundo, algo que a fazia sentir-se viva como nunca antes.
Percebendo a aceleração dos batimentos de Muriel, Louis o provocou, desafiando-o a entender seu próprio desejo. "O anjo está interessado em um vampiro ou só está assim por eu ser muito bonito?" As palavras de Louis dançavam no ar como um feitiço. Muriel, atordoado, viu-se lutando contra os próprios sentimentos, um turbilhão dentro de si. Não conseguia determinar se era atração, medo ou uma combinação dos dois, mas a conexão entre eles parecia palpável, quase elétrica.
Com um tom hesitante, Muriel tentou explicar sua confusão. "Eu não sei o que estou sentindo agora, mas é diferente. É como se..." A frase ficou suspensa no ar, mas Louis, percebendo a fragilidade de seu estado emocional, a interrompeu. "Parece que está atraído pela minha presença, pelo que sou ou pela minha beleza." A certeza em suas palavras fez Muriel dar um passo atrás, seus olhos desviando-se para o lado. Era difícil ignorar os desejos que a consumiam, especialmente com Louis tão perto, exalando um magnetismo que desafiava qualquer lógica.
A presença sedutora de Louis envolveu Muriel como uma névoa, provocando sentimentos ocultos que ele nunca soubera que existiam. Ele não era apenas um vampiro; ele era a personificação do desejo e do perigo, como um sonho encantado e sombrio ao mesmo tempo. As sombras da noite pareciam dançar ao seu redor, expondo os anseios secretos de um coração que se debatía entre a luz e a escuridão. Muriel percebeu que precisava desvendar o segredo por trás daquela atração insaciável, mesmo que isso significasse abraçar o desconhecido.
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Atualizado até capítulo 24
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