Muriel estava à janela, o olhar perdido na vastidão do reino abaixo. A vista era estonteante, com castelos majestosos e campos que se estendiam até onde a vista alcançava. Ele estava começando a compreender que a realidade daqueles reinos era muito mais rica do que as narrativas contadas aos cidadãos e anjos sobre a vida dos demônios. Sentir-se tão pequeno em meio a toda aquela grandiosidade o fazia refletir sobre a verdadeira essência do mundo que habitava.
Neste momento de contemplação, Renato entrou no quarto, silencioso como uma brisa suave. Ele observou Muriel por um instante e percebeu a distração profunda em seu rosto. Aproximando-se com delicadeza, colocou a mão no ombro de Muriel. O olhar de Muriel se iluminou ao encontrá-lo, um sorriso tímido e encantador brotando em seu rosto e fazendo o coração de Renato disparar de forma inesperada.
Distanciando-se um pouco, Renato mencionou que precisava que Muriel o acompanhasse até o médico. Muriel, preocupado com sua aparência, respondeu que precisava apenas passar água pelo corpo para se sentir apresentável. Renato compreendeu a necessidade e disse que o aguardaria do lado de fora, mas quando Muriel se aproximou novamente, acariciou seu cabelo, provocando um leve rubor nas bochechas de Renato.
Após um breve momento de carinho, Renato suspirou e confessou que estava excessivamente estressado e que temia ferir Muriel com suas preocupações. Muriel, curiosamente, indagou como Renato não havia percebido sua verdadeira natureza. O demônio explicou que, embora fosse um dos mais poderosos, tinha aprendido a esconder sua essência para proteger seus segredos, mantendo seus olhos normais por conta de sua condição especial.
Depois de se lavar e vestir uma roupa mais apropriada, Muriel saiu do cômodo e Renato o observou, admirando sua beleza. Renato comentou que Muriel parecia ainda mais lindo do que antes, e ao tocar sua bochecha, declarou: “Você é realmente maravilhoso; é como se eu tivesse encontrado um tesouro escondido entre meus pecados.” Ambos seguiram até o médico, onde Muriel passaria por um exame para verificar sua visão, esperando ansiosamente por um novo par de óculos.
Após os testes, o médico alertou que levaria uma semana para que os óculos estivessem prontos, recomendando que Muriel evitasse o esforço visual. Renato, com discernimento, orientou Muriel a desfrutar da companhia da irmã dele, pois suas responsabilidades como rei o aguardavam. Muriel então se dirigiu a Elisabeth, irmã de Renato, que estava observando o jardim e, ao se aproximar, notou uma fragilidade em seu semblante.
Conversando com Elisabeth, Muriel aprendeu que ela tinha um modo peculiar de demonstrar suas emoções. Ao questionar sobre a relação dela com Renato, Elisabeth explicou que ele sempre buscava ouvir aqueles que não tinham voz e que estava implementando mudanças significativas no reino, especialmente em tempos de dificuldades. Curioso e atento, Muriel continuou a explorar a dinâmica familiar de Renato, bem ciente das pressões o Renato enfrentava.
Com a determinação de conhecer o reino de perto, Muriel expressou o desejo de caminhar e descobrir a verdadeira face do lugar. Elisabeth sorriu, reconhecendo que a realidade do reino era muito diferente das histórias contadas. Enquanto caminhavam, Muriel refletia sobre o equilíbrio necessário entre as forças opostas presentes na vida de Renato, considerando a importância de compreender as nuances nessa jornada de descobertas e aprendizados.
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Atualizado até capítulo 24
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