Depois que a festa perdeu um pouco do seu brilho, Muriel decidiu se retirar. Ao passar pela porta entreaberta do quarto do rei, avistou Renato se vestindo, e a cena o deixou atordoado. O corpo do rei, definido e levemente suado, combinado com os cabelos soltos que caíam sobre seus ombros, era uma visão de tirar o fôlego. Muriel, imediatamente corado, afastou-se rapidamente da porta, tentando processar a imagem intrigante que lhe apareceu.
Ao chegar em seu quarto, Muriel trocou suas roupas formais por algo mais confortável, mas a imagem de Renato não saía de sua mente. Enquanto se perdia em pensamentos, uma batida na sua porta o interrompeu. Ao abrir, para sua surpresa, encontrou Renato ali, trajando um manto simples e com um sorriso intrigante nos lábios.
“Alguém estava espiando pela fresta da porta e eu pude perceber você”, disse Renato, com um brilho travesso nos olhos. Muriel, agora envergonhado, se desculpou, explicando que não era sua intenção testemunhar a intimidade do rei com a rainha. Mas Renato apenas riu. “Venha comigo; desejo conduzi-lo a um local onde não seremos perturbados”.
Muriel hesitou, mas a confiança e um toque misterioso na voz de Renato o convenceram. Conforme os dois se dirigiam para o magnífico jardim do castelo, a tensão crescente entre eles se tornava palpável. Muriel sentia seu coração acelerar, enquanto uma mistura de medo e excitação tomava conta dele. O jardim, com suas flores brilhantes sob a luz da lua, prometia um encontro secreto que mudaria tudo entre eles.
Em um encantador jardim, repleto de flores coloridas e fragrâncias inesperadas, Muriel se sentia fascinada. Curiosa, ela olhou ao redor, admirando a beleza que a cercava. “Por que estamos aqui a esta hora, Renato?” ela perguntou, arrancando Renato de seus pensamentos. Com um sorriso suave, Renato respondeu, “Eu te trouxe aqui para que pudéssemos conversar; antes disso, nossa comunicação foi breve e limitada enquanto você estava confinado na gaiola.” As palavras soaram como um convite a um diálogo mais profundo e significativo.
Muriel, aproximando-se das flores, corou levemente e confessou: “Eu não conseguia me expressar anteriormente porque minha voz não saía. Desejava observar você de uma forma mais clara, sem necessidade de estar tão próximo.” A sinceridade em seus olhos fez o coração de Renato acelerar, lembrando-o da dor que havia sentido durante seus encontros anteriores. Ele não podia ignorar a tristeza que a uma vez ser um demônio lhe impusera, mas também se sentia atraído pela pureza de Muriel.
Com um suspiro pesado, Renato se abriu sobre seu passado. “Meu pai era extremamente cruel e sempre buscava troféus como forma de validação. Mesmo sendo um demônio, ainda mantenho meus princípios e desaprovo essa conduta.” Muriel, intrigada, perguntou: “Por que você não tomou uma atitude? Ou disse a ele que estava errado?” Renato, com a cabeça inclinada para o céu, declarou, “Não é tão simples quando você está impossibilitado de se opor ao meu pai. Sempre estivemos sujeitos a regras rígidas, e como herdeiro, era meu dever cumpri-las.”
Muriel refletiu sobre suas próprias lutas. “Eu seguia cegamente todas as normas de pureza angelical na busca pela perfeição como anjo. Contudo, até mesmo aqueles mais bem treinados podem sentir-se desprovidos de emoções.” A conversa fluía como a brisa suave que passava pelas árvores. Renato olhou para ela e sorriu, “Vocês se prendem a conceitos equivocados; afinal, pureza e devoção podem ser enganosas.” Ele prosseguiu, “Até mesmo vocês, anjos, não estão imunes às tentações e desejos; mesmo com extensos treinamentos para serem seres de luz, até a luz pode ser distorcida ou corrompida.”
Num momento de vulnerabilidade, Muriel olhou para as estrelas que brilhavam no céu e questionou: “Como um demônio pode ter conhecimento sobre nós, seres de pura luz?” Renato, aproximando-se dela, afastou os cabelos de Muriel atrás da orelha enquanto respondia suavemente: “Estudei por muitos anos para compreender melhor vocês. Quando soube que você era um anjo, busquei aprender mais sobre sua essência.” Enquanto as palavras flutuavam no ar, a tensão entre eles se intensificava, e Muriel sentiu algo novo dentro de si — uma mistura de nervosismo e excitação.
Renato acariciou o rosto de Muriel, observando seu semblante corado. Ele se aproximou lentamente, compartilhando um momento de expectativa palpável. Com os corações acelerados, eles se entregaram ao calor de um beijo intenso e ardente. Era uma conexão que transcendia as barreiras de suas origens — um beijo que falava de desejos ocultos e de sentimentos guardados. Cada toque, cada movimento, revelava a profundidade de suas emoções e o deslumbramento que ambos sentiam por aquele instante mágico.
Quando finalmente separaram os lábios, seus olhares se encontraram, cheios de ternura e promessas. O mundo ao redor parecia desvanecer enquanto eles respiravam pesadamente, absorvendo a magnitude do que acabara de acontecer. Renato acariciou o rosto de Muriel e deslizou os dedos em seus cabelos, passando suavemente. Aquela conexão era palpável, e naquele momento, as palavras se tornaram desnecessárias — a comunicação entre eles transcendia a verbalização, unindo suas almas em uma dança de afeto e entendimento.
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Atualizado até capítulo 24
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