Naquele instante de vulnerabilidade, Muriel acariciou suavemente o rosto de Renato, cheio de confusão. “Peço desculpas, preciso retornar ao meu quarto”, disse ele, sua voz trêmula. Renato, perplexo, não compreendia a razão de sua partida e, tomado por um impulso, segurou sua mão. “Não vá, eu fui longe demais”, ele implorou, como se aquele toque pudesse manter a verdade entre eles. Mas Muriel se desvinculou e começou a se afastar, deixando Renato imerso em uma onda de emoções nunca sentidas antes.
Enquanto Renato observava Muriel se afastar, seu coração se perguntava sobre o que havia acontecido naquele beijo. Era uma mistura de saudade e desejo, e ele estava confuso, sem compreender completamente o que sentia. No entanto, a imagem de Muriel parecia dançar em sua mente, provocando uma batalha interna: ele desejava correr até ela e puxá-lo para um abraço caloroso, mas sabia que precisava dar espaço. Muriel, por sua vez, entrou em seu quarto, todo ofegante, refletindo sobre a dualidade de seus desejos e a correção de suas ações.
Em meio aos devaneios, Muriel se viu presa em um mar de pensamentos, lembrando-se intensamente do beijo que trocara com Renato. Sua respiração acelerou ao imaginar aqueles lábios outra vez, enquanto suas mãos, sem perceber, começaram a explorar seu próprio corpo. O que antes era uma inocência pura agora se tornava um labirinto de desejos. Sem perceber, a porta se abriu, revelando Renato, que, por curiosidade, entrou e testemunhou o momento íntimo, alterando o curso de seus pensamentos e desejos.
Depois de deixar o quarto, Renato se dirigiu ao banheiro, onde a água fria não conseguiu apagar a chama de seu desejo. Ele se lembrava da intensidade do olhar de Muriel e de como se sentira ao ver sua fragilidade. Ao amanhecer as conversas que seguiram entre Renato e Elisabeth revelaram profundezas inesperadas em seus sentimentos. Em um momento sincero, Renato compartilhou que o beijo não foi apenas um ato, mas sim o despertar de algo maior.
Elisabeth, sua confidente, observou com um misto de surpresa e compreensão. “Você sempre foi tão cordial, Renato”, disse ela, mergulhando em seus pensamentos. As palavras trocadas entre eles revelaram a complexidade dos sentimentos, como se Renato estivesse finalmente disposto a romper as barreiras de seu passado. Com um sorriso malicioso, ele admitiu que desejava ver Muriel em uma nova luz, ou talvez, ver sua inocência se contorcer sob a pressão do amor. A conversa deixou ambos reflexivos, prontos para enfrentar o valioso e delicado jogo da paixão.
Em um elegante salão adornado com tapeçarias e lustres reluzentes, Renato e sua irmã Elisabeth estavam engajados em uma conversa profunda. O olhar de Renato estava fixo na janela, onde o panorama do seu reino se estendia diante dele, uma visão majestosa que não conseguia mais apreciar como antes. Por trás dessa beleza, no entanto, havia um tumulto em seu coração, uma agitação que crescia a cada dia: Muriel, o anjo que havia capturado sua alma. A conexão entre eles era intensa, quase palpável, e Renato sabia que o que sentia por Muriel era mais do que um simples desejo; era um amor fervente que desafiava todas as regras.
Ele se sentia dividido entre seu dever como rei e os sentimentos avassaladores que nutria por Muriel. Enquanto olhava pela janela, sua mente vagueava para momentos passados, onde sonhava em unir-se a Muriel de maneira plena, algo que, por sua própria natureza, deveria ser impossível. Mesmo tendo uma rainha com quem se dava bem e com quem havia construído uma família, a verdadeira conexão que experimentava era com o anjo. A convivência harmoniosa com sua rainha tornou-se apenas uma máscara para a dor que sentia em seu coração, por mais que tentasse ignorá-la.
Elisabeth, percebendo a confusão no olhar do irmão, perguntou sobre a relação com sua rainha e rapidamente Renato respondeu que eles aprenderam a conviver juntos por causa dos filhos. Em seu íntimo, no entanto, desejava desesperadamente Muriel, imaginando o rosto angelical gemendo seu nome e emanando prazer, um desejo que não conseguia conter. Mas Elisabeth, sempre cautelosa, alertou seu irmão sobre os perigos que envolviam um amor como o dele, enfatizando que, mesmo possuindo o sangue demoníaco, Muriel poderia feri-lo com seus poderes angelicais.
Apesar do aviso de Elisabeth, Renato estava irremediavelmente obcecado por Muriel. Ele sabia que sofrer as consequências não poderia ser pior do que uma vida de infelicidade, presa em um compromisso que não preenchia seu coração. Enquanto os séculos passavam, ele se tornava cada vez mais impaciente, desejando ardentemente um momento que nunca viu como um pecado, mas sim como um destino. Seu amor por Muriel não era apenas um desejo, era sua verdadeira finalidade nesta vida, um chamado que ele não podia ignorar.
Com o coração acelerado, Renato decidiu que era hora de agir, de enfrentar seus medos e desejos. Ele não conseguiria continuar vivendo essa mentira, preso em uma rotina sem amor verdadeiro. A espera por Muriel havia se estendido por tempo demais, e ele estava pronto para arriscar tudo, mesmo que isso significasse desafiar as normas de seu reino e as consequências que um amor proibido poderia trazer. Afinal, o que era um rei sem amor, senão um título vazio em um castelo isolado?
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Atualizado até capítulo 24
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