Muriel e Louis caminhavam sob uma leve chuva, que dançava ao redor como uma sinfonia suave, molhando suas vestes e instigando-os a acelerar os passos. Ao se aproximarem do majestoso castelo de Louis, foram recebidos por um espetáculo de beleza: rosas vermelhas, exuberantes e perfeitamente cuidadas, adornavam o extenso jardim, como se cada flor estivesse ali para celebrar o amor que permeava aquele lugar encantado.
Enquanto se dirigiam ao castelo, Muriel deixava seu olhar vagar por cada detalhe do jardim, absorvendo a elegância das rosas que pareciam murmurar segredos de romance. Louis, por sua vez, não conseguia desviar os olhos da expressão fascinada de Muriel. O brilho que emanava de seus olhos, acentuado pelos delicados óculos que emolduravam seu rosto pequeno e gracioso, tornava aquele momento ainda mais mágico. A suavidade de sua pele clara e os longos cabelos brancos que caíam sobre os ombros criavam um contraste encantador com suas vestes formais e os acessórios prateados que reluziam suavemente sob a luz.
Finalmente, ao chegarem à imponente porta do castelo, Louis, com a mais refinada delicadeza, a abriu, convidando Muriel a atravessar o limiar daquele mundo deslumbrante. Assim que adentraram o hall, Muriel se viu envolto em uma atmosfera de elegância sublime. As cores vermelhas e brancas, em um jogo harmonioso, dançavam ao redor, criando um ambiente que evocava tanto sofisticação quanto calor.
Porém, o que realmente capturou sua atenção foi um magnífico quadro que adornava a parede. Nele, uma mulher de cabelos cacheados e alaranjados, com olhos verdes como esmeraldas, parecia observá-los com um olhar penetrante e enigmático. A imagem emanava uma aura de mistério e beleza, como se a própria essência do castelo estivesse refletida naquela obra-prima, convidando Muriel a desbravar os segredos que ali se escondiam.
Muriel, com os olhos reluzentes e fixos no retrato de uma mulher enigmática, começou a perceber uma semelhança intrigante entre ela e Louis. O cuidado que ele demonstrava por aquele quadro, conservando-o como um sagrado relicário de memórias, despertou em Muriel a curiosidade sobre o profundo vínculo que unia ambos. Neste momento de revelação, Louis, com uma suavidade quase etérea, repousou suas mãos nos ombros de Muriel e, com uma voz carinhosa, compartilhou um fragmento de sua história:
— Ela era minha mãe. Deixei o castelo repleto de recordações e de tudo que ela amava, pois isso me proporciona um conforto inigualável.
Muriel sentiu o toque frio de Louis atravessar a camada de suas vestes, um arrepio sutil percorreu sua espinha, fazendo seu coração acelerar em um ritmo inesperado. Com um sorriso tímido, ele comentou:
— Ela é verdadeiramente deslumbrante. Seus olhos são hipnotizantes, mas, curiosamente, você não herdou essa beleza.
Louis retirou suas mãos dos ombros de Muriel, e uma sombra de dor cruzou seu semblante enquanto suas palavras ecoavam com um peso inconfundível:
— Isso ocorre porque sou um vampiro. Meus olhos, agora vermelhos, são um símbolo de nossa maldição, um lembrete constante de um ser que anseia por sangue, condenado a vagar nas trevas e a suportar o fardo da imortalidade, que é, de fato, uma carga insuportável.
Muriel, em um gesto de empatia, esboçou um leve sorriso e respondeu:
— A vida, de fato, não é fácil, e a realidade pode ser cruel.
Louis olhou para o alto, uma expressão de resignação suavizando seu rosto, e, com um sorriso que desafiava a dor, ponderou:
— Não diria que é uma questão de facilidade. É a dor que nos acompanha, a consciência de que somos seres destinados a ver aqueles que amamos partir, enquanto nos vemos privados da paz que a morte traz.
Muriel, com um leve sorriso iluminando seu rosto, aproxima-se de Louis e, com delicadeza, passa as mãos sobre a pele fria dele, como se quisesse aquecer aquela essência etérea. Com um tom de voz suave e envolvente, ele pergunta, repleto de carinho e empatia:
— Louis, você sente falta da humanidade que trazia a serenidade da morte?
Louis, ao ouvir essas palavras, esboça um sorriso singelo e, em um gesto terno, acaricia o rosto de Muriel. Ele sente a temperatura quente da pele do anjo, que contrasta intensamente com a sua, e responde:
— Pequeno lírio, anseio por me reunir com aqueles que perdi, com aqueles que feri, com todos os seres cuja vida se extinguiu em meio à minha sede insaciável de sangue. Apenas desejaria ter mais uma oportunidade de sorrir e amar.
Muriel, por um momento, desvia o olhar para o piso liso e meticulosamente detalhado, suspirando em um tom melancólico. Em seguida, ele fala:
— E se eu puder conceder a você essa vontade? Poderia ser por um longo ou curto período... Apenas permita-me cuidar de você.
Louis, fechando os olhos, toma as mãos de Muriel e as desliza suavemente sobre seu rosto gelado, questionando:
— Você seria capaz de amar alguém que não pode aquecer seu coração, que mal percebe as sutilezas da vida?
Muriel, fixando seu olhar profundo nos olhos de Louis, responde com uma empatia genuína:
— Eu posso amar e ter o cuidado necessário para não ferir seus sentimentos, pois todos merecem experimentar o amor e ter alguém ao seu lado.
E assim, em meio à fragilidade do momento, a conexão entre eles se torna um laço inquebrantável, onde a esperança e a compreensão se entrelaçam, tecendo um novo significado para a palavra "amor".
Louis e Muriel se entreolham, mergulhando em um silêncio que fala mais do que mil palavras poderiam expressar. A conexão entre eles transcende a comunicação verbal; é um entendimento profundo, quase palpável. Com um toque delicado, Louis desliza a mão pelo braço de Muriel, um gesto suave que provoca um arrepio e acende uma chama de calor dentro dele. Muriel fecha os olhos, suspirando suavemente, permitindo que a intensidade do momento o envolva.
Num movimento audacioso, Louis leva suas mãos até os cabelos de Muriel, aproximando-se de seus lábios. As respirações se entrelaçam, criando uma atmosfera repleta de expectativa e desejo. Louis, embora lutando para manter o controle, sente-se atraído pela intensidade do momento. Muriel, por sua vez, envolve os braços ao redor do pescoço de Louis, puxando-o para perto e selando a proximidade com um beijo suave e afetuoso.
O beijo, inicialmente lento, ganha em temperatura, à medida que as línguas de ambos se encontram, dançando em uma sinfonia de toques e suspiros. Sutilmente, Louis acaricia o rosto de Muriel, enquanto Muriel explora os braços de Louis, apertando levemente a roupa dele, como se quisesse gravar aquele instante em sua memória. A cena se transforma em um balé de emoções, onde cada gesto e cada toque revelam a profundidade do que sentem um pelo outro, fazendo com que o mundo ao redor desapareça, deixando apenas a chama do desejo e da conexão entre eles.
Louis ergue Muriel em seus braços, levantando-o com uma suavidade quase etérea. Muriel, como se fosse parte de uma dança apaixonada, entrelaça suas pernas na cintura de Louis. Quando seus lábios se separam, ambos ofegantes, seus olhares se encontram, profundos e cheios de significados não ditos. Muriel, com um toque delicado, acaricia o rosto de Louis, seus dedos deslizando pela textura sedosa de seus cabelos. Louis, em um gesto de vulnerabilidade, inclina a cabeça em direção à mão que o toca, e, em um sussurro sedutor, pronuncia:
— Lírio, desejo que você seja meu, mas a verdade é que já existe alguém que anseia por você.
Em resposta, Muriel pressiona suavemente seus lábios contra os de Louis e diz com sinceridade:
— Não quero ter que escolher entre você e ele. Sinto algo especial por ambos e anseio por ter os dois ao meu lado, mesmo sabendo que essa ambição é considerada egoísta para um ser angelical como eu.
Louis solta uma risada rouca, mantendo Muriel em seus braços enquanto ele murmura contra seu pescoço:
— Este seu lado egoísta me fascina e, de certa forma, me excita. No entanto, só poderei me entregar a nós dois quando eu tiver certeza de que você está seguro e que Renato não fará do meu mundo um verdadeiro inferno.
Muriel, um tanto desanimado, replica:
— Pensei que você não temesse a presença dele.
Louis, com um olhar provocante, coloca Muriel delicadamente no chão e responde:
— Não temo, mas tenho princípios que ainda sigo, mesmo não sendo mais um ser de pura luz. Apesar de não ter a carne quente, sou um ser vivo, e isso ainda conta.
Muriel, agora acomodado no sofá, observa suas roupas e, tomado pela curiosidade, pergunta:
— Por que você me chama de lírio?
Louis volta seu olhar para um quadro de sua mãe, a ternura em seu olhar evidente:
— Ela contava uma história que, de alguma forma, se encaixa em você. Naquela época, não compreendia, mas hoje percebo que você é esse lírio em minha vida.
Com um sorriso suave, Muriel pergunta:
— Conte-me essa história. O que um ser com séculos de vida pode me ensinar?
Louis fecha os olhos, deixando as memórias de sua mãe aquecerem seu coração enquanto fala com carinho:
— Em um vasto mar de rubro intenso, onde as cores se entrelaçam em um espetáculo vibrante, surge uma delicada joia da natureza: um pequeno lírio. Esta esplêndida flor, de um branco puro e imaculado, ergue-se com graça, desafiando a homogeneidade do vermelho que a cerca. Como um símbolo de esperança e renovação, o lírio se destaca, não apenas pela sua beleza singular, mas também pela resiliência que representa. Em meio ao calor das paixões ardentes, ele oferece um sopro de serenidade, convidando-nos a contemplar a harmonia que pode existir entre contrastes tão marcantes. Assim, nesse cenário, o lírio se torna um poderoso lembrete de que, mesmo nas circunstâncias mais intensas, a suavidade e a beleza podem encontrar seu espaço para brilhar.
Muriel, encantado, observa Louis abrir os olhos, agora brilhando com uma intensidade vermelha, e exclama:
— Isso é extraordinário! Sua mãe parecia ser uma mulher de beleza ímpar e uma mãe admirável.
Louis, acariciando seus cabelos com ternura, responde:
— Ela era tudo o que eu desejava ter ao meu lado, mas optou por ser humana, recusando a transformação em um vampiro, um ser noturno, pois isso nunca foi seu verdadeiro desejo.
Mirael se aconchegou no sofá de Louis, um luxuoso exemplar em um tom vermelho vibrante, adornado por almofadas de incomparável suavidade. Seus cabelos brancos se espalhavam pelo travesseiro, criando um contraste marcante com sua pele clara, o que fez Louis lançar um olhar carregado de desejo, embora rapidamente desviasse o olhar, cruzando as pernas e observando o ambiente ao seu redor. Com um tom de vulnerabilidade, ele confidenciou:
— Eu temo ser um ser demasiado imperfeito para reconhecer meus erros.
Mirael, com um sorriso sereno, afastou algumas mechas de cabelo que lhe ocultavam o rosto e respondeu:
— Ninguém é perfeito, Louis. Culpar-se não é o caminho correto. A vida é complexa, muito mais do que se imagina. Até mesmo aquele que se encontra na escuridão pode encontrar sua redenção.
Louis inclinou-se sobre Mirael, seus cabelos alaranjados caindo suavemente sobre o rosto do companheiro. Os dois permaneceram assim, trocando olhares intensos, até que Louis se deitou sobre o peito de Mirael, sussurrando com um tom suave:
— Passe a noite comigo. Prometo que não farei nada que você não deseje. Fui ensinado a buscar as coisas de uma forma que também te agrade.
Mirael, sentindo a sinceridade nas palavras de Louis, ofereceu um sorriso genuíno e respondeu:
— Ficarei com você esta noite, mas apenas para cuidar de ti. Estarei aqui até que você se sinta plenamente confortável.
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Atualizado até capítulo 24
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