Ainda me interrogo se nós, anjos, somos uma bênção

Muriel, reclinado no sofá de Louis, ergue-se de onde estivera repousando no peito do anfitrião após momentos de intenso deleite e toques sutis. Permanece sentado, a observar Louis, cujos cabelos alaranjados se espalham pelo sofá, enquanto seu corpo, pálido e semi-nu, revela uma beleza esculpida, assemelhando-se a uma obra-prima em mármore. Muriel levanta-se do sofá e começa a explorar o castelo de Louis, onde os tons de branco e vermelho contrastam harmoniosamente. Diversos quartos pertencem à família de Louis, e um deles retrata Louis com olhos, em vez de rubis, agora resplandecendo em um tom verde como esmeraldas, e seus cabelos, ainda mais curtos, ostentam um laranja radiante, sugerindo que não ultrapassava os dezoito anos no retrato. Enquanto Muriel contempla a obra, Louis surge por trás dele, falando de maneira elegante e com sua voz suave:

— Eu era verdadeiramente encantador com os olhos verdes, mas ao me tornar um vampiro, perdi essas esmeraldas que eram semelhantes aos de minha mãe.

Muriel, surpreso, coloca a mão sobre o peito, suspirando para se recompor, indaga:

— É realmente você? Como pode parecer de uma era tão remota?

Louis solta uma leve risada e responde com suavidade:

— Na verdade, não sou tão jovem quanto aparento. Possuo milênios de existência e pertenço a uma época longínqua.

Muriel observa o quadro por mais um instante, sua voz carregada de curiosidade e melancolia ao perguntar:

— Então, é verdade que os vampiros carregam uma espécie de maldição que os priva de sua humanidade?

Louis, deslizando suas unhas pela parede, responde com seriedade e uma ponta de frustração:

— Nós, vampiros, perdemos a alma; na verdade, não sentimos quase nada. O sono nos elude, a fome de alimento se torna irrelevante, pois não experimentamos o sabor de um bom vinho. Tudo se torna insípido. — Ele interrompe o movimento das unhas, fecha os olhos e prossegue: — Meu coração não pulsa com vigor; sou frio e não percebo o sangue percorrendo minhas veias. Vivo mais do que aqueles que amo, e isso é o mais doloroso, mas aprendi a conviver com essa realidade.

Muriel se aproxima de Louis, acariciando seu rosto que exibia tristeza e frustração, e indaga:

— É uma dor imensa para se carregar em solidão. Por que, então, não busca a morte da maneira que lhe é possível?

Louis esboça um leve sorriso, ainda que tingido de tristeza, e responde:

— Porque não desejo me suicidar, mas também não anseio pela solidão, que me acompanha há séculos, essa maldita solidão.

Louis dirige seu olhar para o chão, abre os olhos e não consegue derramar lágrimas; a frustração permanece contida, deixando-o cabisbaixo. Muriel, com um toque suave, acaricia o cabelo solto de Louis, um leve sorriso nos lábios enquanto diz:

— Você é mais forte do que imagina, Louis. Estarei ao seu lado, meu querido. Sou um anjo que caminha entre nós há muito tempo e não o abandonarei por um longo período.

Louis, então, ergue a cabeça e descansa seu rosto sobre a mão de Muriel, expressando:

— Não me importo em compartilhar sua companhia com outro; anseio apenas por dias menos solitários e mais repletos de felicidade.

Muriel, com delicadeza, acaricia o rosto de Louis, oferece-lhe um suave beijo nos lábios e, com ternura, aproxima-se ainda mais, fazendo com que ele perceba sua respiração quente tocar sua pele fria:

— Louis, estarei aqui para auxiliá-lo e cuidar de você. Quero que saiba que jamais o deixarei só; nunca sentirá a solidão, tampouco lhe faltará amor e carinho, dissipando assim sua solidão.

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Renato, no castelo, já se encontrava sem paciência em seu escritório, que era apenas suavemente iluminado pela luz que entrava pela janela. Embora fosse ampla, a janela mal deixava passar a luz, e ele estava sentado em sua cadeira, cercado por livros e papéis, refletindo sobre o motivo pelo qual Muriel ainda não havia retornado ao castelo. Irritado, levantou-se de sua cadeira e saiu do escritório, um pouco aborrecido, pois sua irmã já havia voltado, mas Muriel ainda não. Diversos pensamentos cruzavam sua mente enquanto caminhava pelos corredores do castelo, que eram banhados pela luz do sol que entrava lá de fora, realçando ainda mais as cores sombrias do ambiente. Os pensamentos de Renato estavam a mil, especulando que Muriel poderia estar com Louis e que eles poderiam estar se tornando muito próximos, o que o deixava inquieto, pois temia perder Muriel, algo que ele não desejava, afinal, havia se esforçado bastante para se aproximar dele.

Então, quando Renato avista Muriel se dirigindo para seu quarto, nota em sua pele clara as marcas visíveis de chupões e mordidas em seu pescoço. Ele tenta entrar no quarto, mas antes que Muriel consiga fechar a porta, Renato se aproxima rapidamente, puxa-o pelo braço e observa as marcas em seu pescoço, transbordando de ciúmes e indignação.

— Você esteve com o Louis, não esteve? — questiona, com a voz carregada de emoção.

Muriel desvia o olhar para Renato, um misto de vergonha lhe invade enquanto passa as mãos pelo pescoço e fixa os olhos no chão, hesitante, ponderando sobre o que responder.

— Eu estive com... Louis, sim... mas a gente só conversou...

Renato o interrompe, sua voz se torna mais grave, e seus olhos, antes azuis, agora parecem ardentes igual brasa. Com um tom sério e controlando a raiva, ele diz:

— Você acha que eu nasci ontem, Muriel? Você se deitou e teve uma noite de prazer com ele, sem nem se dar ao trabalho de considerar se eu me importaria!

Muriel, ainda um tanto apreensivo com o timbre de voz de Renato e os olhos que reluziam em um tom rubi, transbordando raiva, deixava transparecer como ele era possessivo. Com a voz suave, Muriel se pronuncia:

— Desculpe, Renato, não pretendo escolher entre vocês dois; admiro ambos, e suas particularidades me seduzem.

Renato desvia o olhar para o canto do quarto, onde estão as roupas de Muriel. Fecha os olhos, lutando contra o impulso de surtar, respira fundo e seus olhos recuperam um leve brilho azul, embora a ira e o ciúme ainda o dominem. Após alguns minutos, enquanto Muriel ainda ofegava, Renato se manifesta:

— Às vezes, eu me esqueço de que você é inexperiente nessa situação, mas não sei como esconder o que desejo; eu já reivindiquei você antes dele.

***continua***.......(⁠。⁠•̀⁠ᴗ⁠-⁠)⁠✧

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