Muriel encontra-se em um estado de confusão, mas o que lhe é claro é a sua afeição por Renato. Este é uma pessoa elegante e cordial, e agora Muriel passa a perceber um aspecto possessivo e ciumento de sua personalidade. Em contrapartida, Louis se revela um enigma; ele é sedutor, sofisticado, misterioso e vive isolado, porém essa solidão não parece afetá-lo profundamente. Muriel dirige seu olhar para Renato com seriedade, aproximando-se lentamente dele cujos olhos azuis ainda apresentavam vestígios de vermelho devido à influência de seu lado demoníaco. Nesse instante, coloca a mão no rosto de Renato e adota um tom calmo e suave para tranquilizá-lo.
— Renato, sou um anjo e vocês dois representam algo perigoso para mim. Já estar aqui configura uma transgressão, mas almejo permanecer neste lugar após testemunhar as condições da Terra pós-guerra — diz Muriel enquanto seus olhos contemplam o chão, expressando tristeza e melancolia. — Como ente celestial, estou adoecido pelos seres desta terra; contudo, o que realmente me intriga são o amor, o afeto e os anseios humanos. Desejo experimentar a condição humana e ter lembranças significativas.
Renato sorri ainda carregando traços de fúria em seu olhar; no entanto, é possível notar uma gradual serenidade emergir dele. Ele solta um suspiro profundo antes de fechar os olhos e responder:
— Compreendo que tudo isso seja novo para você e que observar as consequências ocorridas na Terra seja aterrador; a realidade que vivenciamos ainda está em caos após a guerra dos anjos. — Ao abrir os olhos novamente, sente as mãos de Muriel sobre seu rosto; seus olhos se iluminam com uma tonalidade azul clara, reminiscentes do mar. — Vou compreender você, Muriel; concederei espaço para suas reflexões. Quero que esteja ciente ao decidir entre mim ou Louis, pois eu não sou um demônio sanguessuga como ele.
Muriel direcionou seu olhar a Renato, suspirando enquanto pensava mais uma vez em Louis. Este era um vampiro, podendo ser considerado uma sanguessuga devido à sua necessidade de drenar sangue para sua sobrevivência. Entretanto, por que a crítica se dirigia ao que era noturno? Ele era, por essência, um ser da noite. Ao voltar a atenção para Renato, Muriel acariciou o rosto dele, sorrindo e falando com uma voz calma que refletia sua preocupação não apenas em relação a Louis, mas também a ele. Sua entonação era suave, porém carregada de apreensão.
— Renato, por que você não aceita que eu gosto dos dois? Você é intrigante e gentil comigo; salvou-me do inferno nesta terra como um anjo e sou eternamente grato a você — disse ele, olhando para o chão e percebendo suas mãos trêmulas e suando frio do momento. Erguendo novamente o olhar até os olhos de Renato, continuou — Contudo, há nele um doce desejo que não consigo identificar; você também representa um desejo proibido e ele ainda mais proibido por serem ambos demônios enquanto eu sou um anjo, uma entidade divina que nunca deveria desejar isso. Desejo ser consumido pelo seu afeto e experimentar o calor de ser tocado pelas suas mãos sem ter que escolher entre seu sorriso ou os olhos dele.
Renato esboçou um leve sorriso; embora ainda fosse visível seu estado tenso e magoado, havia agora uma compreensão de quão forte era o querer do Muriel por elel – esse demônio majestoso – assim como pelo enigma que representava o vampiro. Muriel sempre buscou entender esses dois seres distintos. Como anjo tuas emoções permaneciam confusas acerca da entrega total ou da paixão: Muriel havia oferecido seu corpo e alma por aquele demoníaco encanto.
Dentro daquele bela família interligada nas profundezas da mente onde pouca luz penetrava até aquele instante sob as estrelas de uma noite passada onde ela se entregou a um vampiro com sua pele gélida– esta revelando seu desespero interior; seus lábios eram fascinantes e provocavam em Muriel arrepios intensos por todo o corpo aquecido pela primeira vez diante de duas entidades dispostas a ajudá-lo – fazendo-a sentir-se especial e desejado.
Mesmo sendo um ser divino, muitas dúvidas ainda habitavam em seu íntimo; muitos desejos ansiavam para serem compreendidos. Já presenciara as consequências devastadoras da guerra entre anjos e demônios na destruição do mundo: tudo desmoronara em ruínas sombrias; árvores perderam grande parte de sua vitalidade. No entanto, cidadãos demoníacos como vampiros e ninfas persistiam na luta diária pela existência mesmo diante das calamidades impostas às criaturas - inclusive bruxas - buscando reerguer-se novamente num cenário completamente arruinado.
Muriel tenta articular algumas palavras, abre a boca, mas, em um movimento ágil, Renato a puxa pela cintura e coloca a mão em sua nuca, segurando seus cabelos brancos com certa brutalidade. Ele inicia um beijo apressado, entrelaçando suas línguas de forma ardente e intensa. Era impossível perceber as mãos de Renato explorando o corpo do Muriel, acariciando seus cabelos e braços enquanto suas línguas dançavam de maneira feroz, entregues ao desejo mútuo. Mesmo demonstrando raiva e uma certa agressividade durante o beijo, ele ainda desejava e ansiava por ele.
O ambiente do quarto não se mostrava tão gelado quando ele envolveu Muriel pela cintura; aquele corpo era aquecido por uma conexão intensa entre ambos. A entrega mútua ao desejo era evidente, enquanto seus braços já se movimentavam um ao redor do outro, iniciando com os braços e explorando as extremidades deixando rastros quentes. As mãos de Renato emergiam sobre Muriel, provocando a cada toque um arrepio que acentuava o desejo entre os lábios de Renato. Muriel emitiu um gemido abafado, mas permanecia totalmente rendido. Ele começou a deslizar suas mãos pelo corpo de Renato, puxando suas roupas para removê-las e sentindo seus braços fortes e musculosos. Embora Renato interrompesse os beijos em Muriel, não proferiu palavra alguma; simplesmente sua boca desceu em direção ao pescoço dele, oferecendo beijos e mordidas delicadas na pele que exibia uma suavidade semelhante à seda. Sua língua acariciou o pescoço de Muriel, fazendo-o soltar gemidos cada vez mais intensos e ecoantes, provocando tremores conforme o tempo avançava. O mundo ao redor parecia suspenso, enquanto a temperatura entre eles tornava-se cada vez mais elevada.
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Renato e Muriel, perdidos em um momento intenso, encontravam-se encostados na parede fria, enquanto uma corda os unia. Ambos estavam imersos em uma atmosfera envolvente e quente. O gelo que existia entre eles se transformava em fogo a cada beijo e mordida. As mãos deslizavam pelas extremidades do corpo um do outro, criando uma conexão única. A cada toque nos lábios, gemidos escapavam de seus corpos; Renato chamava por Muriel enquanto ela emitia sons de prazer.
Ainda encostados na parede, exploravam os contornos do corpo um do outro, puxando as roupas de forma sensual, até que finalmente se despediram com mais beijos apressados. De maneira ardente, deitaram-se na cama, entregando-se completamente um ao outro. O tempo parecia ter estagnado naquele cenário íntimo. A cama macia, antes arrumada com lençóis impecáveis, gradualmente tornava-se uma bagunça à medida que se aproximavam cada vez mais.
Entre carícias quentes e mordidas suaves, partilhavam gemidos que revelavam seu desejo ardente. A luz do sol começava a se dissipar pela janela do quarto amplo, dando passagem à noite. E assim permaneciam, devorando olhares frenéticos com a única certeza de pertencerem um ao outro.
Renato beija Muriel com alegria, deslizando a mão pelo seu pescoço e tocando a nuca, sentindo os cabelos lisos entre os dedos. As línguas se entrelaçam à medida que Renato avança para o meio das pernas de Muriel, passando uma das mãos na coxa do Muriel e pressionando a pele macia, deixando marcas avermelhadas onde sua grande mão faz contato. Os toques provocam arrepios em Muriel, que deseja cada vez mais as carícias de Renato. Ele raspa levemente os dentes no lábio inferior de Muriel e diz com suavidade: "Deixe-me deixá-lo ainda mais louco do que já está. Você é meu anjo." Muriel solta um suspiro ao inclinar a cabeça para trás, enquanto os beijos e toques intensificam-se ao longo da noite. Eles se entregam ao corpo um do outro, fazendo com que o quarto gelado se torne progressivamente mais quente. Gemidos ecoam e reverberam por todo o corpo à medida que seus corpos se encontram em um ritmo intenso. Cada gemido acompanha o som úmido dos corpos colidindo, repleto de desejo e vontade de mais beijos e mordidas. "Eu quero mais", Muriel suplica; "Mais profundo, me dê mais." Renato obedece, concedendo-lhe cada vez mais do que deseja enquanto passam a noite inteira imersos no deleite mútuo, entregues ao corpo um do outro e ao desejo avassalador que os consome.
continua...(ʘᴗʘ✿)
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Atualizado até capítulo 24
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