capítulo 5

Tenho muitas coisas para resolver hoje, mas quero ter um tempo a sós com ela, e por isso a trouxe para o shopping.

- por que todos esses homens estão atrás da gente? - ela veio fazendo algumas perguntas durante o caminho.

Principalmente para onde estávamos indo.

- são meus seguranças - entrei em uma loja, e olhei para ela - precisa de roupas novas, pode pegar o que quiser - olhei para o relógio no meu pulso, e logo depois para ela novamente.

- não precisa, eu tenho algumas roupas na casa do meu pai e podemos pegar elas lá - ela negou e eu revirei os olhos.

- não vamos pegar nada na casa do seu pai, aliás, ele nem deve estar mais lá - me sentei na poltrona que tinha à nossa frente, e logo uma atendente se aproximou - por favor, leve ela para escolher as melhores roupas da loja.

- tem algum gosto específico? - ela olhou para a garota que negou, e a levou para escolher as roupas.

Mexi em algumas coisas no meu celular, fiz algumas ligações importantes, falei com o Sebastian e depois fui vê-la.

- então? - olhei para suas mãos que estão vazias - onde estão as roupas?

- já viu o preço dessas roupas? - ela sussurrou como se estivesse me contando um segredo - não precisa se preocupar comigo, não quero dar trabalho.

Por que essa voz tão meiga e esse olhar inocente?

- Jaiane, não quero que se importe com os preços, apenas peguei as roupas - ordenei de modo autoritário.

Eu tive que ficar em cima para ela escolher as peças, e foram muitas, se fosse por ela comprava apenas uma e olhe lá.

Pude perceber que aos poucos ela foi se soltando e ficando empolgada, compramos sapatos, sandálias e alguns acessórios.

Foram muitas sacolas, e por último paramos em um restaurante.

Alguns dos seguranças levaram as compras para casa, e restou apenas um aqui com a gente.

- o que vai querer?

- por que tudo é tão caro aqui? - ela colocou o cardápio na mesa, e eu acabei escolhendo os pratos.

- o que você gosta de fazer? - quero saber mais sobre a vida dela, sobre os seus gostos, sobre o que gosta de fazer.

- eu não sei - ela deu de ombros - eu queria cursar administração, mas depois que o meu pai me trancou em casa, eu perdi a vontade de fazer muitas coisas - seu olhar ficou distante e depois ela sorriu sem graça.

Ela tem um sorriso lindo e encantador.

- vamos sair hoje a noite, quero te levar a um lugar - o garçom encheu nossas taças com um pouco de vinho e eu agradeci.

- eu nunca experimentei bebida alcoólica - ela deu um gole no vinho e depois tossiu - nossa, tem um gosto estranho - ela franziu o cenho e olhou para dentro do copo.

Sorri com o seu jeito de falar, e disse que ela não deveria beber por causa dos medicamentos que está tomando.

- eu acho que só um pouquinho não vai me fazer mal - ela deu de ombros e voltou a beber.

Vi que ela fez cara feia uma vez ou outra, e mesmo assim continuou bebendo.

Ela não quis comer muito, mas acabou secando uma garrafa inteira de vinho.

Foi uma tarde divertida, conversamos sobre muitas coisas, e eu confesso que fazia muito tempo que não me sentia tão leve assim.

Eu a levei para casa, e eu posso dizer que está um pouquinho alterada por causa do álcool.

Chamei Cecília, e não obtive resposta.

Subi com ela para o quarto, e a coloquei na cama.

- acho melhor descansar um pouquinho, você bebeu demais - tirei suas sandália, e a cobri com o lençol.

- por quê está fazendo tudo isso? - ela segurou minha mão me impedindo de sair.

- eu também não sei - voltei a sentar na cama, onde ela agora está sentada.

Eu a olhei por alguns segundos, e o olhar penetrante dela me prendeu.

Suas mãos foram subindo para o meu braço, e logo estavam no meu rosto.

São tão macias quanto as penas de um passarinho, eu fiz o mesmo com as minhas mãos, e ela logo fechou os olhos parecendo gostar do carinho, aproximei o meu rosto do dela e a beijei.

Eu senti que ela ficou assustada e não sabia o que fazer, mas eu fui a guiando e logo ela já estava no meu colo.

Tão pequena e frágil nos meus braços.

Minha língua adentrou a sua boca, e minhas mãos apertaram a sua cintura.

Desci os beijos para o seu pescoço onde soltou um pequeno gemido, e minha mão direita foi entrando pelo seu vestido.

Voltei a beijá-la e agora estou com a mão por dentro do seu cabelo.

- eu acho melhor você descansar - eu lutei contra o meu eu interior para dizer tais palavras, ela está sob o efeito do álcool, e eu não quero me aproveitar disso.

Seus olhos eram claros, agora estavam escuros, e os seus lábios vermelhos.

Ela saiu do meu colo e deitou na cama sem falar nada, minutos depois estava dormindo.

Eu fiquei observando ela dormir por alguns minutos, e depois sair do quarto.

Falei com a Júlia que havia acabado de chegar, que eu iria resolver alguns assuntos importantes e depois voltava.

Entrei no meu carro e fui direto para a empresa, é lá que resolvo todos os meus problemas.

***

Estamos tendo uma queda bem significativa no lucro das boates e isso é preocupante.

Por isso estou em reunião com alguns sócios para entrarmos em um acordo e saber o que vamos fazer para mudar isso.

- acho que devemos mudar as bebidas, nossos clientes precisam de algo melhor - Sebastian colocou alguns papéis na mesa.

- eu acho que a qualidade das drogas que estamos oferecendo decaiu muito nos últimos dias - um dos homens presentes, colocou uma caixinha na mesa e abriu revelado o pó branco - está merda está misturada, vamos mudar isso, o fornecedor leva uma grana muito boa todo mês para nós entregar uma coisa que não presta?

- e você, tio? O que acha disso tudo?

- eu acho que os nossos clientes estão cansados de treparem sempre com a mesma mulher, eles vão para os bordéis atrás de diversidades, se não fosse por isso, transariam com as suas esposas todos os dias! - ele pousou a mão na mesa e olhou diretamente para mim - já pensou quando não dariam por uma virgem? Poderíamos fazer um leilão, e quem pagasse mais, levaria a garota para cama.

- é uma ótima ideia! Poderíamos colocar uma em cada boate, e em apenas uma noite recuperariamos tudo que perdemos nos últimos dias - Artur, o cara do pó, nos olhou com expectativa e eu olhei para o meu tio.

- e onde vamos encontrar essa garota? - Matteo nos olhou curioso - sabem o quanto é difícil encontrar uma garota virgem hoje em dia? Imagina umas trinta de uma vez?

- eu sei onde tem uma.

- tio, por favor - Sebastian olhou para ele e negou.

- William comprou uma garota ontem de manhã do próprio pai, é muito bonita e nunca esteve com nenhum homem.

- cala a porra da sua boca! - disse entre dentes.

- que porra é essa, William? Estamos passando por problemas e você quer guardar a putinha apenas para você? Se for assim, pelo menos reparta com a gente.

- Cala a porra da sua boca! - dei um soco no rosto de Matteo o fazendo cair no chão junto com a cadeira, e apontei a minha arma para Luiz, dando um tiro de raspão no seu braço - eu já disse que ela é minha, vocês entenderam bem?

- está ficando maluco? - ele me olhou assustado - vai me matar por causa de uma garota?

- eu não quero que se meta na minha vida particular, e se você se esqueceu, tudo que tem hoje é graças a mim e ao meu pai!

- calma, William! - Sebastian segurou meu braço.

- se qualquer um de vocês tentarem se meter com ela, vão se arrepender do dia em que nasceu.

- só foi uma brincadeira, cara, não precisava ficar assim - Matteo levantou do chão com a mão na boca.

- vocês tem filhas, que são muito bonitas por sinal - guardei minha arma - já pensou elas em uma dessas boates sendo tratadas como o pior pedaço de carne que possa existir nesse mundo? Então, é isso que vai acontecer se voltarem a tocar nesse assunto - me aproximei de Luiz que está caído no chão - não quero que volte a por os pés na minha casa e que muito menos olhe para ela, nossos assuntos são inteiramente profissionais, e trate de encontrar as meninas para as boates ainda essa noite.

Cuspi no chão e sai da sala com o Sebastian atrás de mim.

- William, o que deu em você?

- oque deu em mim? - olhei para ele sem acreditar em sua pergunta - você viu o estado em que ela vivia? E eu a comprei para mim, Sebastian, não vou colocá-la em um bordel e não quero que  ninguém, ouviu bem? Que ninguém toque um dedo nela, eu vou matar quem quer que seja que se atreva a fazer isso, ela é minha!

- tudo bem, eu já entendi - ele fechou os olhos e respirou fundo - você se apaixonou por ela?

- eu não sei, senti algo estranho quando a vi ontem, sabe que nunca me apaixonei antes e não sei ao certo o que estou sentindo, mas eu sei que devo protegê-la de quem quer que seja.

- tudo bem, não se preocupe, ninguém vai encostar em um fio de cabelo dela.

Tio Luiz

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Comments

Sonia Oliveira

Sonia Oliveira

também acho e não posso mal

2025-01-04

0

Auxiliadora Silva

Auxiliadora Silva

muito estranho essa história

2025-02-04

0

Emanoel Ferreira

Emanoel Ferreira

foi a vitamina

2024-12-14

0

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