Meu pai voltou para casa ainda na madrugada, eu não consegui dormir com medo de algo me acontecer ou ele acabar voltando com aquele homem, eu não sei se conseguiriam me proteger outra vez.
Ouvi os passos dele pelo corredor, e ouvi também ele falar alguma coisa no telefone.
Quando foi de manhã, ele entrou no quarto empurrando a porta com força, eu voltei a pegar o prego, e mesmo que fosse o meu pai, eu não iria excitar em mim proteger. Ele não teve pena de mim, e nem amor o suficiente para me manter longe das coisas e pessoas ruins do mundo, ao contrário, ele me mantém trancada nesse quarto, doente, sem conseguir ver a luz do sol, sem comer e completamente fraca.
- pai, por quê não me deixa ir embora daqui? - estou no canto do quarto, encostada na parede e sem forças para lutar - ou deixa eu sair um pouco? Eu posso te ajudar nas contas, posso arrumar um emprego.
Ele está com uma garrafa de bebida na mão, consigo sentir o cheiro forte do Álcool e cigarro.
- você deixou o cara cego, e agora ele vai acabar comigo! - ele jogou a garrafa no chão - tem noção do que fez? Aquele dinheiro era para comprar comida e pagar a merda do aluguel! - ele veio até mim, e com força me pegou pelo cabelo e me tirou do quarto.
Ele me arrastou pelo corredor até que estivéssemos na sala.
Faz tanto tempo que não venho até essa parte da casa que chega a ser estranho.
- o que é isso, pai? - tem três homens na sala, estavam sentados no sofá até chegarmos, eu os olhei assustada, com a visão turva e um pouco fraca, mas pude vê-los perfeitamente.
- o significa isso, Maximiliano? - um dos homens olhou para o meu pai parecendo não entender o que estava acontecendo.
Ele é bonito, forte, parece ter lá para os seus trinta anos, cabelos pretos e perfeitamente jogados para trás, um olhar marcante, está bem vestido, barba bem feita e uma pela de dar inveja a qualquer um.
- ela tem vinte anos, e é um enorme sacrifício o que estou fazendo, mas eu não tenho muito o que fazer - ele me soltou e me jogou para cima do homem, eu cambiei um pouco, mas os seus braços fortes me seguraram.
Ele me olhou de forma estranha, tirou uma mecha de cabelo do meu rosto, enquanto a sua outra mão segurava a minha cintura.
- está vendendo a sua filha? - ele olhou para o meu pai, e me jogou para cima dos outros homens.
- ela nunca esteve com nenhum homem, tem bons modos, parou de estudar no ensino médio para me ajudar em casa, e eu também preferi mantê-la afastada dos males do mundo - ele está completamente embriagado, as palavras nem sequer saem direito da sua boca.
- e pelo visto cuidou muito bem da sua filha, olha só o estado deplorável que ela está! - ele alterou o tom de voz - eu deveria te matar aqui mesmo, sabia? - ele deu um passo para frente, e tirou uma arma da cintura fazendo meu pai cambalear para trás - quanto você quer por ela?
- quinhentos mil, é quanto ela vale? - ele disse decidido - não aceito menos que isso, é uma menina jovem, e sabe que posso achar outras ofertas, é pegar ou largar.
- está maluco? - o homem apontou a arma para o meu pai, e deu um soco no rosto dele - está casa é minha, Maximiliano! Você está me devendo quase seis meses de aluguel, e agora está querendo me vender a sua filha ao invés de pagar a merda da dívida? - o homem está bem alterado, nunca tinha o visto antes e não sabia que era dono dessa casa.
- não faça nada com ele, por favor! - tentei me soltar dos braços do homem que me segurava, mas as minhas pernas fraquejaram - eu posso arrumar um emprego e pagar o aluguel.
Ele me olhou de relance, e depois voltou a atenção para o meu pai.
- eu deveria te matar, é um verme! - ele cuspiu no chão.
- essa garota só me trouxe problemas! Ela deixou o delegado cego, e ele prometeu se vingar de mim! - meu pai me olhou com raiva e fúria, enquanto eu implorava para ele não deixar esse homem me levar embora, mas eu acho que dessa vez não tenho muito o que fazer, já estou sem forças para lutar.
- você fez isso? - o homem veio em minha direção com curiosidade no rosto.
- eu só fiz isso para me defender, o meu pai, ele queria que eu me deitasse com aquele homem por dinheiro! - soltei um soluço de choro - por favor, não faça nada comigo, eu juro que vou tentar arrumar um emprego...
- Você acha que está em condições de fazer alguma coisa? Olha só para você? Está horrível! - ele fechou os punhos, e pediu para que me colocasse sentada no sofá - vamos lá, me conta o que está acontecendo aqui.
Eu olhei para o meu pai, e ele desviou o olhar do meu, e eu pensei bem, e se talvez eu contar tudo que aconteceu comigo nos últimos anos, ele possa ter pena e me deixe ir embora.
- o meu pai me manteve trancada aqui durante alguns anos, ele me tirou da escola, e me trancou no quarto - olhei para os outros homens atrás de mim, enquanto buscava forças para falar, minha garganta está seca e os lábios ressecados - eu ja não me alimento há muitos dias, e é sempre assim - passei minhas mãos no rosto - eu já não aguento mais! Eu tomo banho quase um vez na vida! Eu não bebo água, não saio, não vejo a luz do dia por que o quarto tem grades por dentro e por fora me impedindo de abrir as janelas, o meu estômago dói de fome e eu não sinto vontade de viver, e me faria um grande favor se acabasse logo com o meu sofrimento - minha voz está fraca, minha visão turva, e eu acho que chegou a minha hora, ou está bem próximo de eu partir dessa para melhor.
- eu vou comprar você do seu pai, e a partir de hoje, você é minha! - ele levantou do sofá, enquanto eu negava.
- pai, não faz isso, por favor! - tentei levantar do sofá, mas cair no chão - por favor, não faça isso comigo! - eu estou implorando por misericórdia ao homem que me deu a vida, céus! O que eu fiz de tão ruim para merecer isso? Prefiro ficar trancada no quarto ao ser vendida para um homem que eu nunca vi na vida, apesar de bonito, continua sendo um completo estranho.
- eu vou te dar duzentos mil, e se contente com isso! - ele segurou meu pai pela gola da camisa - não te quero mais na minha casa, saia daqui o quanto antes e não a procure, ouviu bem?
Eu queria protestar, queria poder ter forças para sair correndo daqui e fugir de tudo isso, mas a escuridão tomou conta de mim.
E eu pedi a Deus que me levasse de uma vez.
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Atualizado até capítulo 30
Comments
Cristiane Oliveira
que sofrimento muito triste a vida dela
2024-11-21
0
Fernanda Nunes
🥺🥺
2024-08-24
2
Fernanda Nunes
já gostei do livro 👏🏻👏🏻
2024-08-24
0