Eu pensei que nunca iria me livrar daquele pesadelo, e estar longe daquela casa me trouxe um alívio inexplicável.
Suspirei pesado e me olhei no espelho, estou deplorável! Nem mesmo me reconheço direito.
Voltei a deitar na cama e fechei os olhos, minha barriga está doendo de fome como sempre, e eu estou esperando ansiosa pela minha comida.
Os lençóis são quentes, o quarto gelado e muito confortável.
E aquele homem, quem ele é? Com certeza é alguém importante da máfia.
Não sei, eu me senti segura perto dele, deveria sentir medo, ou incerteza do que viesse acontecer comigo nos próximos dias, mas não, sinto que ao lado dele estou segura.
Quem eu estou querendo enganar? Senti um frio na barriga quando vi ele parado na minha frente, meu coração acelerou de uma forma brusca.
Teve duas batidas na porta e eu fiquei em silêncio, logo depois uma mulher entrou acompanhada de uma outra pessoa.
Cecília, a governada que foi muito gentil e amável comigo, e Julia, ela disse que é a irmã daquele homem, é um pouquinho mais velha que eu, e disse estar feliz por me ter aqui.
- a gente pode sair quando se sentir melhor para fazer compras - ela me entregou o copo com água e eu agradeci.
Olhando ela tão feliz assim, me fez lembrar do meu pai e das poucas vezes que ele me fez sorrir.
Como ele teve coragem de me vender para um completo estranho sem se importar com o que ele faria comigo?
Como pode fazer isso com a sua própria filha?
Senti meus olhos arderem e respirei fundo tentando afastar os pensamentos ruins.
- você está bem? - ela tomou o copo agora vazio e segurou a minha mão.
- o que o seu irmão vai fazer comigo? O meu pai me vendeu para ele.
- ele não vai fazer nada, não se preocupe com isso - ela afagou as minhas mãos e suspirou pesado - William nunca trouxe ninguém para casa, eu digo no sentindo mulher, e se você está aqui, é por algum motivo muito especial - ela levantou da cama e pegou o prato com sopa - agora come, está fraca e precisa se alimentar.
Eu comi toda a sopa a pulso, apesar da fome, o meu estômago doeu muito quando a comida bateu lá e eu acabei vomitando todo o lençol. Eu queria levantar da cama e correr para o banheiro, só que não deu tempo.
- desculpa, é que estou a muito tempo sem comer - limpei minha boca com as mãos e levantei da cama - não se preocupe, eu vou limpar todo o quarto.
- não precisa se preocupar, temos pessoas para fazer isso - ela segurou meu braço - vai tomar banho que eu chamo alguém para tirar toda essa bagunça.
- não, eu vou limpar - funguei e comecei a tirar os lençóis da cama.
Não quero que tenham preocupação ou problemas comigo, tenho medo de me mandarem embora ou que me devolvam para o meu pai, prefiro ficar aqui, com eles que até então se preocuparam bem mais comigo em poucas horas, do que o meu próprio pai durante os anos que estivemos juntos.
***
O relógio na parede mostra que já são duas da madrugada, eu não comi mais nada, apenas bebi um suco e bastante água, tenho medo de sentir outra dor e acabar vomitando novamente.
Eu tomei um banho e coloquei uma roupa para dormir, o soro que estava ligado ao meu braço eu acabei tirando.
Tomei alguns remédios que a Cecília me trouxe ainda cedo, e arrumei o meu cabelo da maneira que deu.
Suspirei pesado e sair do quarto, está tudo escuro, já devem está todos dormindo e eu vou aproveitar para ver se não tem algo que eu possa fazer.
Me bati em um móvel, e olhei para o lado seguindo para um outro cômodo.
E bingo! Era a cozinha, e eu fiquei feliz em ter achando, essa casa é enorme! É um verdadeiro palácio e eu facilmente me perderia aqui.
Abri a geladeira sem fazer muito barulho, e tirei algumas coisas para preparar o café da manhã, depois fui até os armários e bufei ao ver que só tinha vasilhas, copos, xícaras e um monte de coisa, menos os ingredientes necessários para fazer o café da manhã.
- você deveria estar dormindo e descansando - dei um pulo ao ouvir a voz dele atrás de mim.
Virei para o outro lado e lá estava ele.
Encostando no balcão da cozinha, sem camisa e com o cabelo bagunçado, pude reparar que ele tem muitas tatuagens pelo corpo, e também pelas mãos.
- eu vou preparar o café da manhã - desviei meu olhar do seu.
- a essa hora? São quase três da madrugada - ele se desencostou do balcão e veio até mim - por que tirou o soro? Você está doente, precisa de cuidados - ele segurou o meu braço fazendo um frio percorrer a minha espinha.
- eu já me sinto melhor e só queria ajudar a fazer as coisas, não foi por isso que me trouxe aqui? - andei para trás até me encostar em algum cômodo.
- na verdade, nem eu mesmo sei por que te trouxe aqui - consigo sentir o cheiro do seu hálito, também sinto o calor do seu corpo e o quanto está perfumado - essa história de que você é virgem é verdade?
- por que quer saber? Isso é importante para alguém?- virei meu rosto para o lado.
- não é que importe, mas hoje em dia é raro uma garota da sua idade nunca ter ficado com ninguém - seus dedos tocaram os meus lábios, e eu senti meu coração acelerar.
- eu nunca estive com nenhum homem, nem sequer beijei ninguém - nunca tive ninguém para me explicar sobre essas coisas.
Não sei como beija, e nem o que são essas borboletas na minha barriga quando o vejo, até hoje de manhã eu não o conhecia, e ainda sim não o conheço, é um estranho que me tirou das garras do meu pai, e agora estou sentindo todas essas coisas que não sei explicar o que são.
Sua mão desceu para a minha cintura, e apertou um pouco.
A sua outra mão saiu dos meus lábios, e acariciou o meu rosto.
- por que estou sentindo todas essas coisas por você? Eu nem te conheço, é apenas uma menina - ele roçou os seus lábios nos meus e depois se afastou - uma enfermeira vai cuidar de você amanhã.
- não precisa, eu já me sinto melhor - tossi um pouco tentando me recompor, eu queria sair correndo e me trancar no quarto novamente, ao mesmo tempo que sinto algo bom vir dele, também sinto algo ruim, talvez seja medo, não sei.
- então amanhã bem cedo vamos sair, e não se preocupe com nada, não te trouxe até aqui para ser uma empregada e muito menos para servir ninguém.
Ele saiu da cozinha sem olhar para trás, e eu soltei todo o ar preso em meus pulmões.
Guardei as coisas que tirei da geladeira e subi as escadas devagar, estou um pouco tonta e o coração um tanto acelerado, sentei nos últimos degraus e respirei fundo tentando me controlar.
- você está bem? - um homem sentou-se ao meu lado, e eu disse que só estava descansando um pouco.
Lembro dele, esteve na minha casa hoje de manhã junto com os outros.
- eu sou Sebastian, irmão do William - ele entendeu a mão para mim, e eu apertei.
- eu sou, Jaiane, é um nome diferente, mas eu gosto - sorri de lado e soltei sua mão.
- você está pálida, tem certeza que está bem? - sua voz mudou para preocupação e fechei os olhos.
- estou com fome, mas o meu estômago não segurou nada além de suco e água.
- eu posso preparar uma vitamina para você se quiser - ele me olhou preocupado e eu neguei.
- não precisa se preocupar, eu estou bem - ele me ajudou a levantar da escada e eu agradeci - eu vou para o quarto, obrigada mais uma vez pela preocupação.
Fui para o quarto e fechei a porta.
Espero que o dia amanhã seja bom e agradável, e espero que esse lugar que ele vai me levar, não seja igual ao pesadelo da casa do meu pai.
***
Eu acho que passei da hora de acordar, já são dez da manhã, e eu nunca dormi tão confortável quanto hoje.
Tomei um banho e fiz minha higiene, tinha um vestido em cima da poltrona e uma sandália rasteirinha, vesti e passei um perfume que estava no banheiro ainda dentro da embalagem.
Me olhei no espelho e sorri para o que vi, apesar de eu estar bem magra, consegui pela primeira vez em muito tempo me senti bonita.
Desci as escadas e logo pude ver muitas pessoas na sala.
Eles me olharam, alguns surpresos e curiosos, e eu só queria fugir daqui ou voltar para o quarto.
- bom dia! - engoli em seco e logo uma mulher se aproximou.
- Sebastian, ela tem um rostinho de neném - ela me puxou para um abraço de forma inesperada e eu correspondi - sinto muito por tudo que passou com o seu pai, e acredite que agora você tem uma família.
Eu me senti acolhida com seu abraço e por suas palavras, e eu deixei algumas lágrimas caírem pelo meu rosto.
Eu senti tanto falta disso, de acolhimento e alguém para dizer que tudo ficaria bem.
- eu me chamo, Amanda.
- obrigada, Amanda - é uma mulher muito bonita e super bem vestida, loira, olhos azuis como os meus.
Também tem outro homem, ele ficou me olhando estranho, mas eu fingir que não estava vendo.
Cecília chegou e me levou para cozinha.
Ela não é uma mulher velha, pelo contrário, parece ter lá os seus quarenta anos, é bonita, cabelo cacheado, pele escura e muito agradável.
- soube que vomitou toda a sopa ontem a noite, precisa tentar comer novamente - ela me entregou um copo bem cheio de vitamina e eu neguei.
- eu não quero vomitar outra vez - coloquei o copo na mesa.
- se não comer, vai acabar ficando ainda mais fraca e vai acabar morrendo, é isso que você quer? - ela me ofereceu o copo novamente e eu peguei.
Mesmo contra gosto, tomei toda vitamina, e fechei os olhos tentando fazer ela não voltar, e como esperado, o meu estômago doeu bastante, mas eu consegui ficar bem minutos depois.
- vamos? - William entrou na cozinha devidamente arrumado, Cecília sorriu para mim e eu agradeci pela vitamina.
- para onde vamos? - segui atrás dele e logo chegamos na sala.
- Sebastian, vá até o escritório e resolva aqueles assuntos pendentes - ele entregou uma pasta para o irmão, e depois olhou para o homem que estava me encarando hoje cedo - tio, você já sabe o que fazer, não sabe?
- não se preocupe, os problemas vão ser resolvidos ainda hoje.
Vestido que ela estava usando ❤️
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Atualizado até capítulo 30
Comments
Sonia Oliveira
espero que ela não sofra muito
2025-01-04
0
Vilma Alice
Tomara que ele seja bom pra ela. O tio dele só pensa em levá-la para o bordel.FDP.
2024-11-15
0
Ana Regina Fernandes Raposo
VIXI QUERO MAIS.
2024-08-03
3