Ana Paula…
Após o almoço, vou para o ginásio com o meu assistente.
Entramos na quadra e eles estão jogando, conversando e rindo.
— Boa tarde, pessoal! — diz Julius, mas o ignoram. — Boa tarde! — grita ele.
Os rapazes param o jogo, me olham de cima em baixo e posso notar a malícia. Alguns deles até assobiam e isso me incomoda muito.
— Rapazes, como sabem, o técnico foi demitido, mas a Universidade já contratou outro! Essa é Ana Paula Bennett…
— Vai dizer que você será o técnico e trouxe essa gostosa para ser a sua assistente? — pergunta um deles zombando.
— Ótimo incentivo para nós! — zomba o outro.
Cruzo os braços e semicerro os olhos irritada com a postura deles.
— Na verdade, Ana Paula é a nova técnica de vocês!
Eles gargalham e francamente aquilo fez o meu sangue ferver.
— Ana Paula é destaque internacional do time de basquete, jogou na WNBA, recordista em cestas e rebotes da liga feminina!
Eles continuam zombando.
— Julius já fez as apresentações e...
Eles não me deixam falar, viram as costas e fingem não me ouvir.
Irritada, sopro o apito com muita força fazendo ecoar por todo o ginásio.
— Agora podem me ouvir!
— Estamos te ouvindo gatinha, só não estamos a fim de te ver chorar quando quebrar uma unha… ou…
— Assim como você chorou com aquele arremesso péssimo no jogo de ontem? Ou naquela briga sem sentido, afirmando que o outro time havia marcado falta?
Ele se aproxima.
— Qual é a sua gata?
Ele tenta tocar meu rosto, num movimento rápido dou-lhe uma rasteira, fazendo cair de costas no chão e todos riem.
— Sou a nova técnica do time de basquete, vocês gostando ou não! Quem quiser continuar no time para vencer de verdade permanece, os que não quiserem, podem se retirar! Não estou aqui para brincadeiras, são um bando de derrotados, mas eu posso mudar isso, se vocês quiserem e me derem uma oportunidade!
— Eu tô fora! — diz o capitão do time.
— O quê? Está com medo?
— Não tenho medo de nada! — responde entre os dentes.
— Então prove, sendo um capitão de verdade! Eu não estou aqui para brincar, nem para ser vítima de preconceito de um bando de perdedores, que não sabem nem fazer um jogo descente em quadra! Se fui escolhida para tal cargo, é porque tenho capacidade! E então, quem vai permanecer?
Três jogadores jogam seus uniformes no chão e vão embora.
— Alguém mais?
Todos abaixam a cabeça.
— Foi o que pensei! Temos muito trabalho até o próximo jogo, então eu não vou tolerar atrasos, quero todos no horário aqui e mais uma coisa, analisei os boletins e quem quiser ficar no time vai ter que melhorar as notas! Não quero vencedores apenas na quadra, mas também nas salas de aula!
— Que palhaçada!
— O que disse? — pergunto irritada.
— Nada não!
— Precisamos melhorar o condicionamento físico de vocês! Ontem no jogo estavam arremessando muito bem, porém, chegando atrasados do outro lado da quadra! Outra coisa, o basquete é um jogo coletivo, não é cada um por si, um querendo se destacar mais do que os outros! Vamos começar, todos para a linha de fundo! — digo e eles não se movem. — Estão surdos? Eu mandei irem para a linha de fundo! — digo alto e apito.
Desanimados seguem para a linha de fundo?
— Já ouviram falar de suicídio?
— Sim!
— Quero 500 suicídios agora!
— Por que tudo isso?
— Estão achando muito? Quero 1000 suicídios agora!
Apito e eles iniciam a sequência.
O suicídio é uma corrida de 143,4 metros com sucessivas mudanças de direção. O exercício é iniciado parado na linha de fundo da quadra e, ao sinal, percorre-se a primeira distância até a marca localizada na linha de lance livre.
Logo que terminaram os suicídios, sentam-se no meio da quadra.
— Eu não mandei ninguém sentar! — digo asperamente. — Agora quero 1000 flexões…
— O quê?
Murmuram entre eles e de imediato apito.
— Se ouvir uma reclamação aumento para 1500!
Ligeiramente se colocam na posição e fazem o que mandei. Divido em duas equipes e os deixo jogar, sem dar palpites. Hoje quero apenas ver o que sabem fazer de verdade.
— Hoje estão dispensados, mas amanhã tem treino e não vou tolerar atrasos!
Assim que todos saem, solto todo o ar que prendia em meus pulmões.
Sozinha ali, penso em como será daqui para frente, levo um susto quando alguém bate palmas. Olho em direção da arquibancada e quem está lá é Pablo.
— Está me seguindo? — pergunto, guardando as minhas coisas.
— Vim ver se não iria precisar de ajuda!
— Ajuda? Pensei que não jogasse mais basquete!
— E não jogo! — diz sério. — Se caso algum deles te tocasse, teria que partir para cima, mas pelo que vi, sabe muito bem se defender!
— Sei, sim, mas obrigada pela preocupação!
Mais uma vez se aproxima e fico tensa.
— Então era jogadora profissional? O que aconteceu?
— Vai me dizer o motivo de não jogar mais basquete?
— É complicado!
— A minha história também é! Não responde às minhas perguntas, por que eu responderia às suas?
— Tuchê!
Sorrio.
— Entra no time, Pablo! Tem muito talento…
Sua expressão muda e ele saí do ginásio sem dizer nada.
Não consigo entender esse rapaz.
Volto para casa de carona com meu pai, ele apenas me perguntou como foi o meu dia e depois pareceu muito distante.
— Está tudo bem, pai?
— Tudo, sim, filha. Por que a pergunta?
— Está distante! Problemas na faculdade?
— Não! Só que eu me enganei com algo…
— Com o que?
— Não se preocupe comigo, minha abelhinha! Coisas de trabalho!
Voltamos para casa.
Jantei na companhia do meu pai e da minha mãe. Hora ou outra, os pegava numa intensa troca de olhar, mas a minha mãe foge toda vez.
Após o jantar, vou para o meu quarto, estudar um pouco mais sobre as melhores táticas de jogos e para melhorar o condicionamento físico dos meus jogadores.
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Atualizado até capítulo 130
Comments
Josigg Gomes Galdino
Não se enganou não Nicholas, ela não vai resistir por muito tempo e nem você, não pode desistir
2025-04-01
1
Rosangela Martins
acho que o pai de Ana vai ajudar Pablo descobrir que o tio dele, acho que o tio que matou o irmão e ameaça o pai dele também pra não ficar com a família 🤔
2024-10-26
6
Ilana Barros
tô amando essa história, n consigo parar de ler 📚🥰
2024-09-02
2