Pablo...
Passei o dia todo em casa, brinquei um pouco com Anabele e depois fiquei estudando. Eu e minha mãe, mal nos falamos, continua muito chateada comigo.
Notei que ela está com uma tosse frequente, perguntei para minha irmã e disse que ela está assim há alguns dias.
Na hora do jantar, nos acomodamos na mesa.
— Como está a faculdade? — pergunta ela, servindo-me com purê e arroz.
— Bem! Me dei bem em todas as matérias!
— Assim não perde a bolsa…
Engulo em seco, por estar mentindo para a minha mãe.
— Não está mentindo para mim, Pablo, não é mesmo?
— Por qual motivo eu mentiria? — pergunto seco.
— Está jogando?
— Já disse que nunca mais, quero jogar basquete!
— Filho, isso…
— Não, mãe! Esse sonho acabou, agora quero me formar e trabalhar com o tio!
— Nem pense numa coisa dessas! Se quer trabalhar para alguém, que seja em alguma empresa decente!
— Por que pensa tão mal do tio? Sabe de algo que eu não sei, ou essa implicância é devido ele ter sido contra o seu casamento com o canalha do meu pai!
— O quê? De onde tirou essa bobagem? Seu pai nunca foi um canalha! Ele só não esteve presente em suas vidas, porque não deixaram! Já o seu tio, ele nunca me inspirou confiança, esse trabalho misterioso dele que trouxe riqueza repentina, me deixa com um pé atrás! Até quando vai afastar o seu pai? Não percebe que ele também sofre a perda do seu irmão? Seu pai precisa de você…
— Ele já tem a família dele!
— Não interessa, continua sendo filho dele! Ele te ama…
Para não discutirmos, opto por ficar em silêncio.
— Pablo, me ensina a jogar basquete? — indaga, quebrando o clima pesado.
— Por que isso agora? — pergunto, com uma das sobrancelhas arqueada.
— Já que não quer ser um jogador profissional, eu vou ser! Vou tirar a mamãe dessa vida…
— Filha, esse esporte é apenas para homens!
— Já vi mulheres jogarem, mamãe! Do mesmo jeito que tem a NBA, também tem a WNBA, para a liga feminina! — afirma a pequena, logo à minha frente.
Mamãe a olha com curiosidade.
— Que foi? Eu estudei sobre isso na escola! — afirma, dando de ombros.
— Essa minha irmã é muito esperta! — digo orgulhoso. — Ainda existe preconceito contra o basquete feminino, as pessoas cobriram os olhos para essa modalidade, deixando em destaque, apenas o basquete masculino, ou até mesmo o futebol!
— Se esse for o seu sonho, eu apoio, minha filha! Mesmo assim tem que estudar muito!
— Eu sei! — afirma, com um largo sorriso.
— Pensei que seu sonho, era ser médica!
— Eu ainda sou criança, não decidi o que realmente quero! — diz ela nos fazendo rir.
Após o jantar, saio para o lado de fora da casa e vou para a pequena quadra que tem ali e fico pensativo. Estou preocupado com a minha mãe, mesmo dizendo ser apenas um resfriado, está muito abatida.
Logo a frente, vejo o carro do meu tio estacionando do outro lado da rua. Olho em direção a minha casa e como não tem ninguém na rua, vou até o carro dele.
Um dos seus seguranças, abre a porta de trás para eu entrar.
Sento-me ao seu lado e nos cumprimentamos com um abraço rápido.
— Como está, meu sobrinho querido?
— Levando, tio!
— Soube que está indo muito bem na faculdade! Primeiro aluno da sala…
— Estou me esforçando!
— É assim que eu gosto! — diz ele.
— O que faz por aqui? Sabe que, se a mamãe souber que está por aqui…
— Serei breve! Preciso que faça um trabalho para mim!
— Trabalho?
— Daqui a alguns dias, chegará uma carga importante e quero que vá até o meu galpão fazer a contagem! Estou desconfiado de que meu contador está tentando dar o golpe!
— Que carga é essa? Do que se trata?
— Não se preocupe, sobrinho! Não é nada ilegal, sou um homem muito honesto! Quando a carga chegar um dos meus homens vai te buscar!
Apenas assenti com a cabeça, ele retira um bolo de dinheiro do bolso.
— Pagarei adiantado!
— Não vou aceitar isso! Já está pagando a minha faculdade, isso é o bastante! E já deixei claro que quando estiver trabalhando te pagarei cada centavo!
— Somos, família…
— Mas não tem nenhuma obrigação de me dar dinheiro!
— Pare de ser orgulhoso! — insiste ele, colocando o dinheiro no bolso da minha jaqueta.
Retiro o dinheiro do bolso e insisto para pegar de volta, mas não aceita.
— Fiquei sabendo que seu pai te procurou! Espero que não se deixe enganar, depois de tudo o que ele fez!
— Não vou esquecer! Sempre terei o senhor para me lembrar! — digo amargamente.
— A morte do seu irmão foi culpa do seu pai também… se não tivesse abandonado vocês e...
— Se já resolveu o que veio tratar, agora vou entrar em casa, antes que minha mãe saia de casa e nos veja juntos! — digo asperamente o interrompendo.
Falar do meu pai é muito difícil para mim, me recordo de tantos momentos em que precisei dele e não esteve ao meu lado. O único que sempre esteve, foi meu irmão querido e amado.
— Não leve o seu tio a mal… só queria…
— Eu já sei tudo o que preciso saber!
Saio do carro deixando o bolo de dinheiro, em cima do banco.
Entro em casa, deixo um beijo no alto da cabeça da minha mãe que guardava as louças e pego Anabele no colo. Ela acabou dormindo, enquanto assistia seu desenho favorito.
Deito ela na cama da minha mãe e vou para o meu quarto.
A casa é bem pequena, sala e cozinha juntos, dois quartos e um banheiro. Eu dividia o quarto com meu irmão e Anabele com minha mãe.
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Atualizado até capítulo 130
Comments
Josigg Gomes Galdino
Como pode o Pablo ser tão burro e otário,o tio é bandido,foi o culpado pela morte do irmão dele, fala mal do pai dele, (enquanto a mãe dele falou bem) vai se meter em uma enrascada, não duvido que o tio dele, esteja armando contra o sobrinho, para deixá-lo preso a ele para sempre, com chantagens e ameaças, será que a polícia vai aparecer
2025-04-01
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Josigg Gomes Galdino
Com certeza é outro idiota,e burro,o tio é um bandido e ele não percebeu ainda, e tenho certeza que o irmão dele, morreu por culpa dele, desse trabalho sujo , e ainda envenenou os filhos contra o pai, falando mentiras e impedindo que ele se aproximasse dos dois filhos
2025-04-01
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Josigg Gomes Galdino
A mãe dele,confirmou a história do pai dele, ele está tão amargurado e com ódio, que não quer perceber e aceitar a verdade, e que o pai dele, nunca os abandonou
2025-04-01
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