Ana Paula...
Meu pai decidiu ir imediatamente até a Universidade. Não sei o motivo, mas Gislene insistiu para eu acompanhá-los.
Se não a conhecesse, diria que está com medo de estar perto do meu pai.
Durante o caminho todo, não trocamos nem duas palavras. Ela analisa o meu pai, falando ao telefone que não escondia sua expressão séria a observando.
Eu e Dionnes, nos entre olhamos, pois percebemos que pela primeira vez na vida, nosso pai estava olhando uma mulher que não é a nossa mãe de um jeito diferente. No entanto, fiquei preocupada, pois Gislene, disse que não gosta de homens mais velhos.
Deixamos os dois a sós, para focarem no trabalho e fomos caminhar pela faculdade.
— Notou os olhares do papai e da Gi? — pergunta animada.
— Sim!
— Se os dois ficassem juntos, eu apoiaria, mesmo com a diferença de idade! Nosso pai é incrível, assim como a Gi…
— Não acredita que ele e a nossa mãe ainda se amam?
— Sim, mas a mamãe já está em outra! Não é justo o papai ficar a vida toda esperando ela se decidir!
— Concordo! Nosso pai merece reconstruir a vida dele, gostaria que fosse com a Gi, mas ela me disse que não gosta de homens mais velhos do que ela!
— Sempre tem a primeira vez! — diz divertida.
Continuamos o nosso passeio.
Fiz a minha faculdade em outra Universidade, por não querer me destacar num lugar que é da minha família. As pessoas podem ser muito maldosas em seus comentários e preferi evitar, assim como Dionnes.
Confesso que essa faculdade me lembra muito a vovó. Cada detalhe nos faz lembrar dela, todo amor e carinho com que cuidava de tudo por aqui.
Sua morte, nos impactou muito e logo após a seu falecimento, vovô também foi ficando doente e logo faleceu também.
— Eu amo esse lugar! Cada vez que estou aqui, pareço sentir o cheiro da vovó! — diz Dionnes.
— Eu também, mana! Me lembro de todas às vezes em que vínhamos com ela aqui!
No corredor, havia alguns alunos que nos observavam. Em determinado lugar, sinto meu corpo queimar, como se estivesse nua. Não compreendo tal sensação, mas não olho para ninguém.
Gislene, havia comentado sobre o jogo então fomos para o ginásio. Estava repleto de pessoas nas arquibancadas, porém, poucos estavam aqui torcendo para o nosso time.
Dão início ao jogo e o time perde de 37×101. Foi uma verdadeira vergonha, um time com jogadores capazes, de potencial, mas sem foco, comunicação, trabalho em equipe, condicionamento físico e um bom treinador.
Assim que o jogo termina, saímos do ginásio e seguimos conversando sobre a vergonha do time, quando esbarro em alguém.
— Me desculpe…
Ao olhar para a pessoa, paraliso, é um rapaz muito lindo, com um olhar penetrante.
— Tudo bem! — responde ele e rapidamente se afasta.
Observo ele indo pelo corredor e ele olha a todo momento para trás.
— O que foi isso? — pergunta Dionnes com um sorriso de canto.
— Foi o que?
— Essa troca de olhar!
— Pare de falar bobagem, vamos! — digo a puxando e ela sorri.
Seguimos para a direção de braços dados conversando.
Ao chegarmos, Gislene estava em sua mesa, meu pai e dois homens saem de sua sala, nos cumprimentamos e um deles diz:
— Seja muito bem-vinda a equipe senhorita Ana Paula! — diz o homem, assim que aperta a minha mão se despedindo.
Eu e Dionnes nos entre olhamos, confusas. Apenas sorrio e o homem vai embora.
Olho para o meu pai procurando respostas e ele dá de ombros, arqueando as sobrancelhas, com um sorriso.
— Que história é essa, pai?
— Você é a nova técnica do time masculino de basquete!
— Oi?
Dionnes bate palmas comemorando.
— Filha, eu te indiquei para ser a nova técnica do time, não conheço ninguém mais capaz do que você para fazer o nome da nossa Universidade novamente!
— Não, não! Pai, eu não posso fazer isso! É muita responsabilidade…
— Eu sei que pode, caso contrário não teria te indicado, minha abelhinha!
— Concordo com o seu pai, Ana! Não existe ninguém melhor para ocupar esse cargo, se não fosse por sua ajuda, Renato não teria chegado onde chegou e sabe muito bem disso!
— Isso é verdade! — concorda Dionnes. — Por que não aceita, mana?
Fico pensativa, pois isso não é nada que sonhei em ser, no entanto, assim estarei novamente na ativa.
— Tente, minha abelhinha! É muito capaz, uma mulher forte, disciplinada e muito focada! Pode fazer a diferença na vida desses jovens, lhes ensinando que o basquete é muito mais do que um simples jogo!
Eu mais do que ninguém sei o quanto o basquete vai além de um esporte, ele é uma ferramenta de transformação social e já presenciei muitos jogadores saindo das ruas, do mundo do crime para serem grandes jogadores. Digo isso por mim também, pois cresci sendo mimada pela minha mãe, e estando ali em quadra aprendi muitas coisas, uma delas a humildade.
— Pense na diferença que pode fazer na vida desses rapazes! — comenta, papai.
— Além de tudo, pode voltar a fazer da Universidade a melhor, trazendo títulos novamente para ela! Faça isso pela vovó, ela sempre deu a vida por tudo isso aqui! — completa Dionnes.
Respiro fundo e solto o ar me dando por vencida.
— Está bem, eu aceito!
Dionnes e Gislene comemoram com um pulinho, em seguida, se aproximam e me abraçam fortemente.
— Tenho certeza de que vai arrasar!
Sorrio fraco, meu pai se aproxima e também me abraça.
— E se eu falhar? — pergunto em seu ouvido.
— Vai recomeçar! Assim como todas as manhãs, o sol nasce e um novo dia se forma, tem a oportunidade de fazer tudo diferente!
— Eu te amo, pai!
— Eu te amo, minha abelhinha! — diz após deixar um beijo no alto da minha cabeça.
— Vou só resolver mais alguns assuntos e vamos para a casa!
Concordamos e nos sentamos nas cadeiras logo à frente de Gislene.
— E então, Gi, pode me passar as fichas dos alunos que fazem parte do time de basquete?
— Claro! Vou te passar a senha que o técnico usava para acessar as fichas e boletins dos alunos! Assim, terá acesso a todas as anotações e observações que fez deles!
— Aqui é tudo comandado pela tecnologia, Gi? — pergunta Dionnes.
— Ainda trabalham com papel, mas estamos todos adaptando à nova tecnologia que a empresa do seu pai trouxe e todos têm se adaptado muito bem!
— Acredito que daqui a algum tempo tudo será feito através da tecnologia! — comenta Dionnes.
— Concordo!
Ficamos conversando e, assim que o nosso pai saiu de sua sala, na chama para ir.
Ele mais uma vez agradece Gislene e, quando apertam as mãos, a química entre eles é palpável. Minha amiga disfarça, parece que os seus gostos mudaram de uma hora para outra.
E para a nossa surpresa, durante o caminho, papai diz que vai ficar à frente da Universidade por um tempo, até encontrar alguém de confiança.
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Atualizado até capítulo 130
Comments
Martinha
Esse trecho me fez lembrar de um filme sobre o que significa o basquete (Coach Carter - Treino para a Vida )
2024-07-01
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Rosailda Muniz
Já sim, desde quando seus olhos viram aquela parede de músculos na piscina kkkkk
2025-01-02
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Cida Sousa
Não gostava 🥰🥰🥰
2024-12-12
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