É verão no continente de Yulan. Esse continente é imenso, está
localizado acima da linha do Equador, se puder usar isso como uma
referência. Jinhai ocupa boa parte do continente, que faz fronteira
com dois reinos, Ametista e Ikar. Os dois reinos não cederam ao
convite de se unir a Jinhai, portanto, continuam soberanos.
Ametista é um reino muito rico, com suas minas de ouro e cobre, algo que
interessa muito a Jinhai, mas o rei de Ametista não vai ceder, sabe
de seu poder monetário e do poder de seu exército, mesmo em menor
número do que o de Jinhai, entretanto, o dinheiro deu a ele o poder
de equipar seu exército com as melhores armas e uma pequena frota de
navios. O rei de Ametista se sente seguro tendo como vizinho um
poderoso império.
Já Ikar é um pequeno reino, com muitas dificuldades, mas sobrevive a
pressão de Jinhai como pode, seu rei é ambicioso, tem boas idéias
para acumular riquezas usando navios mercantes e se associando aos
piratas, que vendem para ele o fruto dos seus roubos e este revende
alegando serem produzidos no reino. Um homem que não se importa com
o povo, povo este que vive basicamente da agricultura e sua
comercialização.
Depois dos dois reinos, existe um canal que divide o continente em duas
partes. O Canal do Comércio ou, como também é conhecido, O Grande
Canal, que serve como passagem para os navios mercantes de outros
reinos e para os reinos de além-mar, a passagem é livre. Para
atravessar o canal, os reinos de Yulan se reuniram e construíram uma
ponte, uma obra gigantesca que levou anos para ficar pronta, mas
facilitou a vida de muitas pessoas. A ponte é grande o suficiente
para carroças, gado e tudo mais que deve ser enviado para outros
lugares.
Yulan é um continente de reinos diversificados, com histórias, culinárias
diferentes que vivem em relativa harmonia. A única coisa que
compartilham é o idioma.
A expansão de Jinhai parou em Ametista e Ikar, o motivo é a soberania
dos dois reinos e a idéia que um confronto poderia levar a anos de
guerra e de perdas de milhares de vidas.
Os conselheiros do imperador insistiram por muito tempo que o domínio
sobre aquela parte do continente deveria continuar. O primeiro
conselheiro Yan é o defensor mais forte dessa idéia, para ele o
valor de Ametista, assim como outros três reinos, onde a mineração
de pedras preciosas, aço e cobre podem ser de alta importância,
para a grandiosidade que Jinhai merece ter. O imperador perguntou ao
conselheiro do Tesouro quanto custaria uma guerra a longo prazo.
Todos ficam em silêncio e o imperador explica que Ametista é um
reino com um exército menor, mas muito bem equipado e que possuiu
uma linha de canhões na fronteira que pode destruir metade dos
exércitos que tentarem invadir e que sua frota é mais poderosa do
que a Jinhai, reformulada a pouco tempo, mas que a falta de
experiência de seus capitães não ajudaria muito. O imperador
perguntou qual o valor do novo imposto que deveria cobrar de toda a
população para financiar esta guerra. Novamente silêncio. O
imperador sabe que muitos de seus conselheiros são homens de
negócios e aumento de impostos significa menos dinheiro para eles. O
imperador olha para seus conselheiros que, em sua maioria, são todos
homens ambiciosos e gananciosos, esperavam dividir entre eles as
minas de ouro e cobre de Ametista, mas nenhum deles pensou na dor, na
morte e na destruição que uma guerra pode causar e mesmo que saiam
vitoriosos, o custo para reconstruir um reino que se rendeu é muito
grande. O imperador não quer uma guerra, ele acredita que seu poder
de persuasão pode convencer os reis desses dois reinos e aumentar
mais um pouco o domínio de Jinhai. O conselho ficou calado e assim,
o imperador Guang GangGuang permanece com seu império em paz.
Estamos em um novo ano nesse planeta sem nome. Diferente dos calendários
conhecidos, Yulan tem uma contagem de dias e anos diferentes. Esse
novo ano é o Ano do Dragão. Os astrólogos do continente, a muitos
anos concordaram em unificar o conhecimento que tinham sobre a
passagem dos dias e formalizaram um calendário único. Os meses não
têm nomes, são chamados pelo número, mas são doze, agora o ano
têm nomes diferentes, cada ano foi batizado com o nome de uma
estrela, sendo o Dragão a última estrela descoberta e para não
ficar confuso, cada ano tem seu nome e um número, exemplo disso é o
próprio ano que se inicia, que é chamado de o Décimo quarto Ano do
Dragão.
Os astrólogos fizeram uma lista de todas as qualidades das estrelas
antes de nomear cada ano e esse Ano do Dragão é considerado um bom ano, pois o dragão, para
eles, reflete a imagem de todas as qualidades que almejamos ter,
como a sabedoria, coragem, nobreza, força e beleza. Portanto,
para toda a família que tem como símbolo o dragão, esse é um ano
de boa sorte e de muita prosperidade.
É verão em Yulan, o ano anterior foi o Ano da Fênix Dourada e agora é
o Ano do Dragão. Para os astrólogos, esses dois anos são os anos
em que o império Jinhai mais brilha em poder, prosperidade e mais
poder. Astrólogos afirmam que quando o primeiro imperador começou
sua jornada para unificar o continente, o ano era o Ano do Dragão e
é por isso que Jinhai é grandioso.
Jinhai é um país que é noventa por cento banhado pelo mar, a exceção é
a parte que faz fronteira com Ametista e Ikar. A Província do Sol,
onde fica a capital, Cidade do Sol, não tem esse nome à toa,
enquanto o restante do país tem um verão com temperaturas entre
vinte e cinco e vinte e sete graus, mas com um inverno intenso, a
Província do Sol, a maior de todo o império, tem verões com
temperatura acima dos vinte e sete graus e um inverno menos intenso.
É verão em Jinhai e as pessoas se refrescam como podem, menos os
moradores do palácio imperial. Algo acontece no palácio e o fervor
das conversas não é sobre o forte calor desse ano que se inicia.
A fofoca é uma coisa engraçada e ao mesmo tempo que não
tem graça nenhuma. Uma fofoca geralmente surge quando alguém
transmite alguma informação, que geralmente não
têm certeza se é verdade ou não, como se fosse uma coisa verídica.
Normalmente, essa informação é usada de forma maldosa, com
objetivo de denegrir a imagem de alguém, que geralmente é próximo
da pessoa que espalha essa fofoca.
No caso do palácio, duas servas conversavam e uma terceira ouviu e fez
sua própria interpretação e para ganhar pontos com sua senhora,
contou a sua versão e esta senhora aumentou a versão e comentou com
uma terceira pessoa e a terceira para a quarta e assim o palácio
todo sabia que o imperador talvez não consiga engravidar mulher
alguma.
O imperador foi o último a saber dessa história e é lógico, não gostou nada.
Mandou investigar quem espalhou isso, mas o criador de uma fofoca é
difícil de ser identificado, todo mundo sabe disso.
Muitos pratos forma arremessados nas paredes. Muitas mesas viradas e uma
frustração encheu o coração do imperador.
A intenção da fofoca parece bem clara, que é desmoralizar o
imperador, que para muitos não tem pulso firme, assim como o pai.
Desmoralizar? Talvez o objetivo não foi alcançado, agora se era
para desestabilizar, o objetivo foi alcançado com sucesso.
O imperador discutiu com a bisavó, com o conselheiro Yan, com sua
imperatriz e com as concubinas, só poupou sua concubina favorita,
Lin Ehuang.
Com toda essa conversa, muitos questionavam a atitude do imperador de
escolher só uma como sua favorita, ousavam essas pessoas, claro que
longe dos ouvidos do imperador, dizerem
que o imperador deveria se deitar com todas e assim ter mais chances
de ter um herdeiro. Isso, é lógico, é um pensamento de alguém que
não tem o que fazer, dos invejosos, dos que apostam no afastamento
da concubina favorita ou na queda do imperador.
Lin Ehuang está no balanço que o imperador mandou instalar na varanda
de seus aposentos, já que sua amada concubina gosta desse brinquedo
infantil. Ehuang está chorando, a imperatriz Guang Li Hua acaba de
sair e a ofendeu demais.
Sua garota tola! Veja o que está fazendo com o imperador! Todos
agora duvidam de sua masculinidade e sabe por quê? Por que você,
sua estúpida, não consegue engravidar!
Por cinco minutos, a imperatriz falou o que queria e Ehuang apenas ouve
em silêncio. Quando a imperatriz ergue a mão para esbofetear
Ehuang, ela se lembra que, mesmo sendo a imperatriz, é passível de
punição, por tocar em algo que pertence ao imperador e se ele
quiser, estando apaixonado como está, pode fazer algo ruim acontecer
a ela, se continuar com a agressão.
Faça algo útil dessa sua vida e engravide! Honre a bondade do imperador!
A imperatriz Guang Li Hua, sai dos aposentos do marido, lugar que muitas poucas
vezes entrou e caminha firme em direção a seu pavilhão.
Pare de afrontar aquela concubina. Fique em seu pavilhão, se afaste
dessa lama toda.
Ora, meu pai, fui fazer o que uma esposa zelosa pelo império deve
fazer, que é cobrar das concubinas uma atitude honrada. - explica a
imperatriz com um sorriso maldoso.
Que esta seja a primeira e última vez que fala com aquela mulher.
Fique longe.
Sim, pai.
O conselheiro Yan tem um bom plano, que já está todo pronto para
quando o imperador anunciar a chegada do herdeiro do trono e será
concretizado totalmente, quando esse bebê nascer, mas a filha está
atrapalhando, a inveja dela pode por tudo a perder se não for
contida e o conselheiro sabe como controlar a filha. O conselheiro
Yan está confiante, olhando para a beleza que é o palácio, sabe
que em algum momento será o único a morar nesse palácio e a
governar o império.
Lin Ehuang continua no balanço, que está parado. Ehuang ainda consegue
ouvir as frases intimidadoras da imperatriz, mas em seu coração,
essas palavras não deixaram rastros, está confiante que em breve
será mãe. Ângela nunca sonhou com tal coisa, muito menos em ser
amada algum dia por alguém, entretanto, as memórias de Ehuang estão
cheias dessa vontade de ter uma família, de amar e ser amada e
mostrar a si mesma que pode ter uma família diferente da sua
própria.
Ao se harmonizar com as memórias de Ehuang, Ângela sente a falta de
algo na sua vida. Algo material, como uma família de verdade, com um
amor de verdade. Os sonhos de Ehuang são frutos de uma vida infeliz
e solitária, Ângela nunca se atreveu a sonhar, sempre encarou a
realidade como sendo a única coisa existente, nada de sonhos.
Não se preocupe com as palavras da imperatriz, minha menina. - a
imperatriz-mãe tenta consolar.
Na verdade, imperatriz-mãe, não me preocupo com isso. Sei que o que
está acontecendo é normal.
Muito bem. Essa corte consegue abalar qualquer um, mesmo o imperador.
- explica a imperatriz-mãe. - Ele foi grosseiro\, alguma vez?
Não, não foi. - se apressa em dizer Ehuang. - Ao contrário disso,
ele tem sido muito gentil.
Meu bisneto sabe que a pressão para que ele tenha um herdeiro está
passando dos limites e isso pode afetar vocês, como casal.
Não deixo que ele fique nervoso, quando está comigo, mas sei que
longe, ele ouve tudo o que não precisa. Disse a ele que devemos
apenas esquecer os cometários maldosos e vivermos em paz.
__ Isso mesmo, minha jovem, isso mesmo.
A imperatriz-mãe trouxe seu chá favorito e alguns biscoitos, ela
gosta muito de conversar com a concubina favorita do bisneto, que
parece ser mais madura que sua aparência ou idade.
O imperador está aborrecido com toda essa conversa, que chegou a um
ponto insuportável e para isso convoca uma reunião com seus
conselheiros.
Os tolos que continuam aumentando a fofoca a cada vez que é contada!
- explode o imperador. - Se esqueceram que a imperatriz sofreu quatro
abortos? Ou será que imaginam que a imperatriz é uma adúltera?
Vossa majestade, os súditos de bom senso, não acreditam nessa
loucura, creia-me. - fala o conselheiro Yan.
Não me preocupo com os súditos, não agora, mas sim com os nobres
da corte, porque foi daqui que essa conversa saiu e se espalhou.
Sabemos bem, que uma corte pode prejudicar um soberano, se eles
quiserem.
Todos os conselheiros, rapidamente, dizem ao imperador que não é isso,
todos menos o conselheiro Yan.
Vossa majestade deveria acolher outra concubina, quem sabe …
Não! - grita o imperador. - Esse imperador não vai se submeter as
fofocas e fazer o que não quero!
Vossa majestade, isso é para o bem do império. - reforça o
conselheiro Yan.
O imperador olha para fora, pela janela de vitrais coloridos, sabe que
o conselheiro tem certa razão em suas palavras. Ao imperador cabe
fazer o império florescer, se tornar temido pelos outros,
insuperável e poderoso. Ao imperador cabe ainda trazer ao mundo o
futuro, em forma de uma criança, para ser seu herdeiro, nunca
disseram que cabia ao imperador amar e ser feliz, disseram que se
possível, dentro de suas obrigações, se isso acontecer, seria uma
sorte muito grande.
__ Vou pensar com mais calma sobre isso. - o imperador tem suas
obrigações, ele sabe disso, mas não gostaria de abrir mão de seu
grande amor. - Para ter certeza do que eu tenho que fazer, vou até a
Montanha da Peregrinação, após o aniversário das bodas de meu
irmão. Voltarei com uma resposta certa.
Os conselheiros estão satisfeitos, alguns deles, não são todos que
seguem o conselheiro Yan e um deles é o conselheiro Yang, que sabe
que o que está atrasando a gravidez da concubina, é essa conversa
toda, se ela se acalmar e o imperador também, um futuro herdeiro
virá.
A reunião é encerrada e como sempre, o conselheiro Yan impôs sua
vontade ao imperador. Quase todos estão satisfeitos.
Para acalmar a mente e o coração, o imperador caminha pelo jardim,
lembra que o pai amava passear pelos jardins do palácio e quase
sempre o convidava. Os passeios eram uma desculpa para falar a sós
com o filho e ensiná-lo a como sobreviver na corte. Em uma dessas
conversas, o pai comentou algo sobre as fofocas e do poder que elas
têm, deu como exemplo sua própria vida e como desistiu de seu
grande amor. O imperador Guang GangGuang entendeu a mensagem nessa
lembrança e entendeu o que o pai quis dizer na época, mas vai
pensar mais sobre o assunto na Montanha da Peregrinação e quando
voltar, terá sua ordem como o imperador, afinal ele é o imperador
de direito e digno de seu posto.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 48
Comments