A terceira construção no terreno do palácio, é o lar das
concubinas, chamada de Casa das Flores. É uma construção muito
bonita e ampla. Com dez quartos e uma grande sala, onde as concubinas
fazem suas refeições, bordam, desenham, tocam algum instrumento ou
recebem visitas. Muitos quartos? Pois é, o primeiro imperador,
quando Jinhai mudou de reino para império, construiu esse pavilhão
e ele tinha treze concubinas, que acomodou na Casa das Flores. Já o
bisavô do atual imperador, decidiu que era um exagero tantas
concubinas e fez um decreto onde dizia que todos os homens da família
imperial, deveriam ter no máximo três concubinas, disse ainda no
decreto uma grande verdade.
Se algum homem da família imperial quiser ter mais de três
concubinas, que ele tenha consciência que está agindo por sua conta
e risco.
Um homem inteligente, esse bisavô do atual imperador.
Na Casa das Flores moram as concubinas Xu Ai Wen, Lin Jia Sui e Lin
Ehuang. Todas se simpatizaram umas com as outras, no momento em que
se conheceram. Xu Ai Wen é a filha mais velha de um antigo ministro
de um reino anexado a Jinhai e oferecida como concubina pelo pai para
acalmar a ira do príncipe herdeiro, na época, Guang GangGuang, que
oferecia uma união pacifica, entretanto o rei declarou guerra, que
durou semanas, o velho rei se suicidou e a família real fugiu com o
tesouro do reino, deixando para trás os súditos para responderem
pela guerra. Mesma situação de Lin Jia Sui, filha do comandante dos
exércitos daquele reino. Chorou muito quando o pai contou da decisão
que tomou, mas a jovem não o questionou e já está na casa a quatro
anos, o mesmo tempo de Xu Ai Wen. As duas vivem bem, raramente
recebem a atenção do imperador e já era assim quando Guang
GangGuang era o príncipe herdeiro. Para elas isso é bom, pois
desvia delas os olhares mortais da imperatriz.
Quando Lin Ehuang chegou, não foi para que o príncipe herdeiro cumprisse a
lei, mas sim desmoralizar o casamento do segundo príncipe. O
imperador Guang GangGuang não tem ressentimentos contra seu irmão,
o marechal Zhang Huizong, mas o primeiro conselheiro tem e ele foi
encarregado, pelo falecido imperador, de encontrar boas moças para
serem as concubinas imperiais e quando o conselheiro Yan Cong soube
que o falecido imperador procurava por uma esposa para o segundo
príncipe e que queria que a moça fosse de uma família de
mercadores com certa representatividade no império, ele teve a idéia
de arranjar para o príncipe uma garota da pior família de
mercadores do império, assim alguns poderiam achar que a escolha do
segundo príncipe, sob a tutela do falecido imperador, foi no mínimo
fraca. A insinuação da fraqueza na escolha, era para mostrar que as
filhas de mercadores só serviam para serem concubinas e nunca
princesas do império, mas o tiro saiu pela culatra para o primeiro
conselheiro, que viu a engenhosidade do falecido imperador, que
escolheu a jovem de uma das famílias mais bem posicionadas na lista
de Mercadores do Império e ainda trouxe a aprovação dessa classe,
que se sentiram valorizados com os dois atos.
Lin Ehuang não se sentiu feliz com a decisão da mãe, mas aceitou mesmo
assim. Algumas vezes pedia permissão ao eunuco que cuidava da casa,
para que os irmãos menores a visitassem e assim eles podiam se
divertir no belo jardim e comer uma boa comida, que Lin Ehuang sabia
que eles não tinham. Lin Ehuang viveu sem ser notada ou tocada, por
pouco mais de um ano, até o dia da coroação do príncipe herdeiro,
quando aceitou a ideia de Xu Ai Wen, de cantar uma música sobre um
nobre guerreiro, para o imperador. Nesse dia o brilho no olhar do
imperador aqueceu seu coração, mas logo ela se lembrou que é
alguém descartável e voltou para a sombra. Quando Zhang Jingfei
pediu ao imperador para voltar as províncias Jade, se ofereceu na
hora para acompanhá-la, tinha um pressentimento ruim a respeito dos
irmãos menores e queria ver com os próprios olhos como eles
estavam.
No entardecer daquele dia, um encontro no jardim, onde um não dizia
nada e o outro falava coisa nenhuma, fez o coração de Lin Ehuang
bater muito rápido e de novo o bom senso a avisou que ela não é
alguém de importância para um imperador.
Agora ela está deitada em uma cama com macios cobertores, um acolchoado
cheiroso no estrado da cama, que deixa o corpo confortável, faz com
que ela imagine o motivo de tanta atenção.
Está acordada, finalmente!
Vossa majestade. - Lin Ehuang tenta se levantar, mas cai de volta na
cama, sua cabeça pareceu explodir por instantes.
Não se levante! Acabou de acordar, depois de cinco dias desacordada.
Tenha cuidado, por favor.
Um imperador sendo gentil e pedindo um favor a uma concubina? Lin Ehuang
está confusa.
Cinco dias? - pergunta a adorável concubina.
Sim, mas o médico Gu-in disse que seu corpo fez isso para sua
completa recuperação. - responde com um sorriso tímido o
imperador.
Vossa majestade, me perdoe por toda a preocupação que estou
causando, mas acho que já posso voltar para a Casa das Flores.
Que tolice! Tudo que está sendo feito aqui, por você, é um
agradecimento por sua bravura, para nos trazer importantes
informações sobre os acontecimentos nas províncias de Jade.
Esta concubina agradece humildemente, sua generosidade, vossa
majestade.
Um silêncio, igual aquele dia no jardim.
O médico Gun-in disse que você é muito frágil e que deve se
alimentar bem. Está com fome?
Um pouco, vossa majestade.
Qual seu nome, serva?
Xiuying, vossa majestade.
Providencie uma sopa medicinal, como o médico indicou, para sua
senhora.
Sim, vossa majestade.
Novo silêncio. O imperador não desvia o olhar, está encantado com a
beleza delicada de sua concubina.
Você merece a Casa das Flores. - diz ele sorrindo, mas Lin Ehuang
abaixo o olhar, ficou triste com a observação desastrosa, mas a
tempo o imperador percebe sua gafe. - Não, não quis dizer nada que
a desmereça, é só que você lembra uma flor delicada, como as
flores do jardim. Foi isso que eu quis dizer.
O imperador está tentando ser mais confiante na conversa, mas nunca se
sentiu tão indefeso diante de uma mulher antes. Lin Ehuang não é
uma mulher de uma beleza estonteante, mas existe nela algo que faz o
coração do imperador acelerar o ritmo.
Agradeço seu elogio, vossa majestade. - nesse momento, Lin Ehuang
sorri, um sorriso tímido, apenas para demonstrar sua gratidão e
nesse momento o coração do imperador acelerou o batimento mais uma
vez.
A … amanhã volto para ver como está. - o imperador que comanda
mais de um milhão de soldados, um império que domina quase todo o
continente, se sentiu abalado e preferiu fugir.
Na porta do quarto, ele sorri de pura alegria, não sabe bem o motivo,
mas o sol brilha mais ainda nessa manhã.
A imperatriz anda pelo palácio, na expectativa de encontrar por acaso
o imperador, está cansada de solicitar sua presença e ouvir as
desculpas prontas que ele oferece. Nessa manhã, a imperatriz está
resolvida a conversar seriamente com o marido, explicar a ele o que
fez e pedir que a perdoe por querer muito ser a mãe do herdeiro do
império, mas o que vê a desanima por completo. Ali no corredor da
ala sul, onde ficam os quartos dos hóspedes e onde está a concubina
recém-chegada, a imperatriz Guang Li Hua vê o marido sorrindo como
um bobo, como um adolescente apaixonado, sim, apaixonado é o que
quer dizer aquele brilho no olhar, saindo do quarto onde está a
concubina Lin Ehuang.
A culpa disso é sua, garota estúpida! - diz o primeiro conselheiro
a sua filha. - E agora sua situação fica pior a cada instante, já
que matou seu corpo por dentro.
Eu apenas queria ter um filho, pai.
Agora você, não tem nada e ainda por cima tem uma concubina idiota
que conquistou o coração de seu marido.
O que vamos fazer?
Vamos? - o primeiro conselheiro sorri com essa frase. - Sim, o que
vamos fazer? Por que afinal de contas, sou eu que tem as idéias o
tempo todo.
Pai e filha se olham. A filha admira o pai e sua capacidade de criar
planos incríveis. O pai se pergunta como conseguiu ter três filhos
idiotas.
Vamos usar a lei a seu favor. - responde seco a própria pergunta.
A meu favor? Como?
Assim que a concubina der a luz, vou informar ao imperador sobre a
lei que diz que quando a imperatriz, por qualquer motivo, não puder
ter filhos e as concubinas sim, a imperatriz adotará esses filhos e
os criará como seus …
Eu não quero criar filhos de concubinas!
Garota tola! Serão os filhos do imperador! Essa concubina pode dar a
luz o herdeiro do trono e você vai criar essa criança, vai se fazer
ser amada por ela e assim nosso plano continua existindo. Você
entendeu?
Sim, pai.
Ótimo! Volte para seu pavilhão e pare de andar atrás do imperador.
Deixe tudo comigo. No final, nós seremos os vencedores.
__ Sim, pai.
O conselheiro Yan Cong se afasta tranquilo. Nunca perdeu uma batalha,
talvez uma ou duas, mas não tinham importância, agora, a verdadeira
guerra, essa ele tem certeza da vitória. Sua filha fica parada no
mesmo lugar, olha com ódio para a porta dos aposentos da concubina
Lin Ehuang, pensa que terá que criar o filho daquela mulher e isso a
enche de nojo. Com um volteio furioso, dá as costas para aquela
porta e volta para seu pavilhão. Precisa se acalmar para quando o
momento chegar e ajudar o pai a dominar o império.
Em todos os lares nobres da capital, tem um espião e não seria
diferente no palácio, que é a residência mais importante da cidade
e um desses espiões ouviu essa conversa interessante e vai contar a
sua senhora.
Por três dias, o imperador Guang GangGuang, manteve-se afastado dos
aposentos de sua concubina. Está com medo. Medo de ceder a uma
sensação de tranquilidade e paz, quando olha nos olhos brilhantes
de Lin Ehuang. Uma sensação boa, aquela que nunca sentiu quando
olha para sua imperatriz. O imperador tenta também calar a voz, que
repete o tempo todo, que estar ao lado de sua concubina é o melhor a
fazer. O imperador não quer favorecer essa ou aquela pessoa, conhece
sua corte e seus conselheiros, mas aquela garota o atrai, quer seja
sorrindo, quer seja apenas existindo. Ele não sabe explicar. Na
verdade, o governante do Império Jinhai sabe que é covarde, que não
quer um confronto direto com seus conselheiros ou sua corte e
acredita seriamente que o protagonista, como imperador, deveria ser
seu irmão Zhang Huizong.
O imperador caminha pela varanda que circunda todo o segundo andar do
palácio e todo esse segundo andar, é seu aposento. Nele existe um
grande quarto, uma biblioteca particular, uma sala de meditação e
para seus exercícios nas técnicas marciais, uma sala para suas
refeições e um pequeno quarto onde dormem seus servos. A varanda é
um verdadeiro jardim suspenso, idéia do pai, apaixonado por plantas
e jardins. As flores enchem o ar com um perfume delicado na primavera
e no outono, outras flores fazem o mesmo, só com um perfume mais
forte. O imperador Gang GangGuang gosta de caminhar por ali, descansa
sua alma e tranquiliza seu coração. Daquela altura, ele pode ver
toda a cidade e é uma visão particularmente bonita. Quando pensou
em seu irmão, estava olhando para o quartel-general do Exército do
Oeste, onde o irmão passa a maior parte do tempo. Nunca questionou a
lealdade do irmão e depois do episódio da emboscada bárbara,
passou a confiar mais ainda.
O quartel-general é uma construção magnífica, se a capital é
chamada de cidade fortaleza, o quartel-general é a fortaleza dentro
da fortaleza. Lá estão os alojamentos, para aqueles que não tem
família ou a família mora longe, tem as salas de armas, os
estábulos, a área de treino, o refeitório, as salas de reuniões
de generais e dos capitães. Tudo em uma área cercada por muralhas
altas, tal qual aquela que envolve a cidade. O imperador suspira
aliviado, sabe o que o irmão jamais tentará um golpe contra ele,
coisa que tentaram fazê-lo acreditar, não Zhang Huizong, aquele
homem é honrado demais, agora os demais membros da corte, o
imperador nunca confiou.
Vossa majestade. - interrompe um servo, os pensamentos do imperador.
Sim.
A concubina Lin Ehuang saiu dos aposentos sozinha e sua serva está
procurando por ela.
Sozinha? Ela ainda precisa de cuidados!
Apenas com o pensamento que sua querida concubina está sem condições de
caminhar sozinha por aí, o imperador desce as escadas correndo,
seguido de seu servo, em direção aos aposentos de Lin Ehuang.
Como permitiu a saída da concubina Lin? - pergunta irritado o
imperador.
Vossa majestade, minha senhora diz que quer sentir o ar fresco e que
já está bem. Não pude impedir. - responde Xiuying. - Vou levar
esse manto para ela, a noite se aproxima e ficará mais frio.
Me dê isso! Eu levo para ela.
Até pouco tempo, o imperador estava ouvindo a voz do bom senso, que dizia
para se afastar de sua concubina, mas tudo foi para o espaço quando
soube da aventura dela.
O jardim do palácio, é a obra-prima do falecido imperador, que desde
a adolescência plantou, reformou, remodelou, construiu e arquitetou
uma maravilha de cores, formas e perfumes, todos se completam dentro
de uma perfeição imaginada pelo falecido imperador. Nada destoa a
imagem de beleza que o jardim tem, muito menos a figura solitária ao
lado do lago artificial. A mulher de vestes brancas e o cabelo solto,
que flutuam pela brisa fria, mais parece uma figura mistica do que a
concubina do imperador.
O que faz do lado de fora? Você ainda não está bem!
Vossa majestade.
Não se ajoelhe! - o imperador fala firme. - Trouxe uma manta, já
está bastante frio. - o imperador entrega a manta, mas com certo
arrependimento, afinal ela está linda.
O que faz do lado de fora? - pergunta de novo o imperador.
Respirar ar puro, vossa majestade.
O ar do palácio a incomoda?
Não, não foi isso que quis dizer! - se explica a concubina Lin. - É
apenas que o ar no quarto está abafado e fiquei tempo demais
deitada. Queria ver o céu e sentir o perfume das flores.
Sim, eu entendo. As vezes também caminho por aqui para me
tranquilizar.
Na verdade, tive outra intenção.
Qual?
Ver as Carpas Excêntricas que minha mãe vendeu ao falecido
imperador.
O imperador fez uma expressão de total ignorância sobre o assunto.
Minha mãe ouviu dizer que o imperador queria carpas diferentes para
seu lago e ela sabia onde encontrar as Carpas Excêntricas e depois
as vendeu a seu pai.
Elas estão no lago ainda? - pergunta interessado o imperador,
olhando para o lago.
Só vi duas delas. Ali perto das folhagens de flores brancas. Está
vendo? - Lin Ehuang aponta na direção de dois peixes azuis.
O que há de diferente nelas?
A maioria das carpas, tem cores suaves e claras, mas essas carpas têm
cores fortes. Veja essas duas, são azuis e esse tom é bem forte,
assim como o branco no dorso. Elas são raras, vossa majestade!
É certo que são, meu pai mandou trazer muitas plantas diferentes e
de diferentes lugares, para fazer esse jardim. - um pequeno silêncio
para que o imperador afastasse as vozes chatas de sua cabeça. - Quer
ver mais do jardim?
Vossa majestade deve estar ocupado …
Bobagem, tudo o que tinha que fazer, eu já fiz. Posso passear pelo
jardim também.
Lin Ehuang não fala mais nada, apenas sorri e isso ilumina mais ainda o
dia, para o imperador.
Lin Ehuang gosta do jardim, ele é calmo e o canto dos pássaros e o
perfume, fazem com que ela se sinta muito bem, somente a presença do
imperador é a única coisa que faz seu coração acelerar. Por meia
hora, os dois passeiam pelos caminhos floridos do jardim. Conversam
sobre as plantas raras, sobre os pequenos esquilos que veem, sobre os
pássaros, sobre as borboletas que ainda teimam em voar, mesmo o
inverno chegando. Em certo momento, Lin Ehuang cambaleou e o
imperador a segurou nos braços.
Senhora! - exclama Xiuying que caminha a certa distância dos dois.
Estou bem.
Você está bem, mas é o primeiro dia fora da cama, então deve
tomar cuidado. Vamos voltar, talvez amanhã você possa continuar o
passeio.
Sim, vossa majestade.
Para evitar que a concubina ficasse com tontura de novo, o imperador
oferece seu braço como apoio e assim atravessam a pequena ponte de
pedras em direção a entrada do palácio.
Esse foi o primeiro passeio do imperador com sua concubina. É a primeira
vez que fica feliz em conversar com alguém, de ter a companhia de
alguém. É a primeira vez que não se sente incomodado em olhar para
um rosto e ter de controlar seus sentimentos ou suas palavras. O
imperador Gang GangGuang está muito feliz e seus olhos dizem isso.
Lin Ehuang está de volta a seu aposento. Xiuying prepara seu banho,
enquanto isso, ela olha para a janela e vê as nuvens no céu. Ela
está sorrindo, foi a primeira vez que conversou com o imperador,
antes ele mal a olhava. É a primeira vez que gostou de conversar com
alguém, antes eram apenas os homens de negócios ou a mãe gritando
sobre as mercadorias. Alguém deu atenção as suas falas, sorriu de
seus comentários e concordou com eles. Mesmo Ângela, em sua vida
vazia passada, não tinha encontrado alguém para estar a seu lado e
ela gostou disso, da companhia.
__ Não seja tola. Não se apegue a um sonho infantil, você é
descartável. - sussurra seu bom senso, mas o sorriso não foi
embora, Lin Ehuang apenas balança a cabeça e abafa a voz, ela
também quer ser feliz.
Quando o casal atravessava a ponte, um homem observava. Ele sorri e pensa
que essa ligação dos dois será benéfica para ele, o resultado
dela trará para suas mãos o herdeiro do trono. O conselheiro Yan
Cong sorri mais um pouco.
Depois de quinze dias, a vida volta ao normal no palácio, mas não de tudo,
algo novo acontece agora. O imperador tem uma nova rotina, que é
convidar a concubina Lin Ehuang três vezes na semana para conversar
com ele. Depois passou a convidá-la todos os dias.
Uma vez a convida para conhecer sua biblioteca. Uma sala enorme com
prateleiras nas quatro paredes, do teto ao piso, repleta de livros e
pergaminhos. Até conseguiram construir prateleiras que se encaixavam
perfeitamente com a porta. Isso tudo era para aproveitar cada espaço
da sala.
Todos esses livros foram trazidos por meus ancestrais. Alguns são
produto de pilhagem de reinos anexados, outros foram doados e a
maioria foi comprado. - explica o imperador.
Lin Ehuang descobre entre eles, alguns que já tinha lido na biblioteca
da capital da província e o imperador fica encantado ao descobrir
que ela sabe ler e escrever.
Pode levar qualquer livro, se quiser.
Obrigada, vossa majestade.
De outra vez a leva ao jardim para mostrar o ninho de pássaros pretos e
ver os filhotinhos gritando de fome. A diversão dos dois para subir
em um tronco caído para conseguir ver o ninho, trouxe boas risadas.
Os dois se divertiram muito nesse dia.
Depois que as visitas se tornaram diárias, o imperador sempre a convida
para comparecer a tarde e assim aproveita para ter a companhia dela
no jantar e sempre têm assuntos a conversar. Depois do jantar, a
leva até a metade do caminho da Casa das Flores.
Certa ocasião, já faz dois meses que estão nesses encontros, Lin Ehuang
está na varanda esperando o imperador e observa a cidade ao longe.
É uma vista incrível, não é?
Vossa majestade, eu não o vi chegar!
Se assustou? Desculpe.
Ele sempre faz isso, pedir desculpas para ela por qualquer coisa que ele
julgue que foi desagradável. Uma observação, um gesto, tudo que
ele percebe que a deixa constrangida.
Não foi nada, estava distraída olhando a cidade e é sim uma visão
incrível.
Daqui podemos ver toda a cidade. Os quatro cantos da cidade e mais
além. Vê a montanha Marfim Dourado? Está bem distante, mas é
possível ver a construção da Escola Oficial de Cultivo e Ações
Militares e Técnicas Marciais.
Um nome longo. - observa Lin Ehuang.
Sim, mas ali é o lugar onde são treinados aqueles que tem um
poderoso Ki.
Vossa majestade tem um Ki poderoso?
Não muito, mas me esforcei para chegar ao nível seis.
Isso é bom? Eu não quis ofender, vossa majestade. - percebe Lin
Ehuang que foi inconveniente a observação.
Não me ofendeu. Não são todos da família real que têm um Ki
poderoso, eu não tenho, mas meu irmão Zhang Huizong tem, por isso
meu pai concedeu a ele o comando de todo o exército.
Eu perguntei as outras concubinas, mas elas não puderam responder.
Posso perguntar ao senhor?
Pergunte.
Sabe se a senhora Zhang está bem?
Sim, ela está bem. Curou-se antes de você e pelo que eu soube está
dando ao marechal alguns momentos, digamos, diferentes.
Diferentes?
Meu irmão nunca teve alguém que o questionasse ou não o
obedecesse, mas a senhora Zhang está fazendo tudo isso e isso é
diferente. - explica o imperador sorrindo.
Nesses dois meses que se encontra com o imperador, Lin Ehuang faz o possível
para ter uma expressão calma no rosto. Mesmo que acidentalmente um
toque entre as mãos dos dois aconteça, ela fica tranquila ou quando
o imperador oferece o braço para uma caminhada pelo jardim, ela está
serena por fora, porque dentro do peito, seu coração está
acerelado. Tão acelerado como está agora. Não é a primeira vez
que vê o imperador sorrir, mas é a primeira vez que o sorriso é
tão cristalino, tão puro. Lin Ehuang está encantada e olha sem
piscar para aquele sorriso.
O imperador percebe o olhar fixo em seu rosto e aquele olhar tem um
brilho diferente. O imperador já pensou que era indiferente a sua
concubina, mas agora tem uma pequena luz de esperança crescendo em
seu peito. Ele aproxima o rosto, um beijo pode ser possível, mas Lin
Ehuang afasta o rosto.
Desculpe.
Não, vossa majestade! Sou eu que tenho que pedir desculpas, afinal é
para isso que estou aqui.
Uma dor, como o de uma facada, atingiu o peito do imperador.
Você não é obrigada a aceitar nada que não queira! Não tenho
escravas na minha cama!
Mas, eu sou uma concubina e isso é o que tenho que fazer.
Já disse que não é obrigada a nada que não queira! - o imperador
respira fundo para se acalmar e olha bem dentro dos olhos de sua
concubina favorita. - Eu quero beijar você a muito tempo, mas se não
quer, eu não vou obrigar.
Posso explicar?
Pode.
Eu me assustei, nunca beijei ninguém e achei que faria alguma coisa
que o desagradasse.
O coração do imperador já estava derretido por essa mulher a muito
tempo, mas agora ele sabe que seu coração pertence a ela.
Sua boba, nada do que fizer me desagradará.
Então está disposto a tentar de novo? - ousa a concubina Lin
Ehuang.
É o que quer?
Sim.
Uma garota que sempre viveu trabalhando para a mãe. Que carregava
mercadorias como um homem, que cuidava da casa e dos irmãos nas
horas vagas, que nunca pensou em rapazes ou casamento, agora está
nos braços do imperador e se deixando levar pelos lábios dele como
em uma viagem tranquila pelas águas calmas do mar.
O gosto dos lábios do imperador é o mesmo do licor de uva e o cheiro
de seu corpo é bom, tão bom que a deixa tonta. Ele a aproxima mais
e mais, até que o corpo dos dois parecem um e Lin Ehuang percebe que
o imperador é forte, que tem um corpo musculoso e para confirmar
isso, envolve suas mãos na cintura dele. Lin Ehuang flutua, sua
mente flutua, é a sensação mais maravilhosa que já sentiu na
vida, não tem como não admitir mais.
__ Eu estou apaixonada por ele. - o bom senso não disse isso para ela,
foi seu coração.
O jantar transcorreu um pouco silencioso. O imperador faz as perguntas
e recebe como resposta apenas um balançar de cabeça ou um sim ou
não.
A comida não está de seu gosto? - pergunta o imperador preocupado.
Está gostosa.
Fiz algo que a aborreceu?
Não.
Nós sempre temos um jantar animado, com muita conversa. O que
aconteceu? O beijo a incomodou?
Vossa majestade! - exclama a concubina envergonhada.
O que foi? Se você não me falar, vou pensar que aquilo foi um erro
…
Não, vossa majestade, isso não!
Então?
É difícil falar, vossa majestade.
Tente. Comece dizendo, por que é difícil olhar para mim. Não tenho
mais seu carinho?
Não é isso, vossa majestade. É que … é que … tenho vergonha.
- fala baixo Lin Ehuang.
Vergonha? Do quê?
Vossa majestade, por favor! Nunca beijei ninguém antes e se o senhor
achou que não foi bom ou que foi desagradável?
Eu disse algo sobre isso?
Não.
O que posso fazer ou dizer para acalmar seu coração? Talvez um
outro beijo? - o imperador se sente mais seguro agora, o beijo
retribuído deu a ele o incentivo para ousar mais. - Quer outro
beijo?
Sim. - responde Lin Ehuang erguendo o olhar para ver o rosto feliz do
imperador.
O jantar foi deixado de lado. O casal está na varanda novamente, não
mais para contemplar a lua e as estrelas, agora os dois olham um no
olhar do outro e se encantam com o brilho de uma paixão que achavam
que não existia. São muitos beijos, abraços, toques sutis aqui e
ali, mas não passa disso, o imperador não quer assustar seu pássaro
angelical, em uma outra ocasião talvez.
A outra ocasião veio dois dias depois. Uma Lin Ehuang está trêmula
nos braços de seu amado imperador. Sente as mãos fortes percorrerem
seu corpo seminu, a vergonha ainda existe, mas o prazer de estar nos
braços do homem que ama é maior. A primeira vez foi dolorida, mas
prazerosa ao mesmo tempo, o imperador foi gentil e amoroso, não a
deixou sozinha no prazer, estimulou-a a se entregar aos sentimentos
do momento e assim os dois se conheceram e se entregaram um ao outro.
Foi sem dúvida a noite mais maravilhoso para ambos e quando
amanhece, não querem sair da cama, ficam lá, abraçados, sorrindo
um para o outro.
Por um mês inteiro, Lin Ehuang fica nos aposentos do imperador, sua
serva traz o que precisa e ela se sente feliz a cada novo dia.
__ Isso é ser feliz? É assim que as pessoas se sentem, quando estão
amando? - são as perguntas da concubina Lin Ehuang faz a sim mesma,
mas ela não tem resposta. Ângela nunca foi feliz e nas lembranças
de Ehuang, também não existe esse momento. As duas devem aprender a
viver com a felicidade, enquanto ela está próxima.
Durante todo o mês, a imperatriz Guang Li Hua, vê o movimento dos servos no
aposento do imperador, sabe, por meio de outras servas, que o
imperador já escolheu sua concubina preferida. A imperatriz Guang Li
Hua estremece de raiva quando vê o casal passeando no jardim, algo
que o imperador nunca fez com ela, assim como nunca sorriu daquele
jeito em sua presença ou tocou seu rosto com carinho. Tudo isso
enfurece a imperatriz, mas rápido ela lembra que o pai vai cuidar
dessa concubina e do provável filho que ela tiver.
__ Aproveite enquanto pode. Esse sorriso vai murchar em breve. -
determina a imperatriz.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 48
Comments
Ronny Caldeira
cala a boca 🐍🐍🐍🐍
2024-05-30
0