Capítulo 15 Uma concubina preferida

A terceira construção no terreno do palácio, é o lar das

concubinas, chamada de Casa das Flores. É uma construção muito

bonita e ampla. Com dez quartos e uma grande sala, onde as concubinas

fazem suas refeições, bordam, desenham, tocam algum instrumento ou

recebem visitas. Muitos quartos? Pois é, o primeiro imperador,

quando Jinhai mudou de reino para império, construiu esse pavilhão

e ele tinha treze concubinas, que acomodou na Casa das Flores. Já o

bisavô do atual imperador, decidiu que era um exagero tantas

concubinas e fez um decreto onde dizia que todos os homens da família

imperial, deveriam ter no máximo três concubinas, disse ainda no

decreto uma grande verdade.

 Se algum homem da família imperial quiser ter mais de três

concubinas, que ele tenha consciência que está agindo por sua conta

e risco.

Um homem inteligente, esse bisavô do atual imperador.

Na Casa das Flores moram as concubinas Xu Ai Wen, Lin Jia Sui e Lin

Ehuang. Todas se simpatizaram umas com as outras, no momento em que

se conheceram. Xu Ai Wen é a filha mais velha de um antigo ministro

de um reino anexado a Jinhai e oferecida como concubina pelo pai para

acalmar a ira do príncipe herdeiro, na época, Guang GangGuang, que

oferecia uma união pacifica, entretanto o rei declarou guerra, que

durou semanas, o velho rei se suicidou e a família real fugiu com o

tesouro do reino, deixando para trás os súditos para responderem

pela guerra. Mesma situação de Lin Jia Sui, filha do comandante dos

exércitos daquele reino. Chorou muito quando o pai contou da decisão

que tomou, mas a jovem não o questionou e já está na casa a quatro

anos, o mesmo tempo de Xu Ai Wen. As duas vivem bem, raramente

recebem a atenção do imperador e já era assim quando Guang

GangGuang era o príncipe herdeiro. Para elas isso é bom, pois

desvia delas os olhares mortais da imperatriz.

Quando Lin Ehuang chegou, não foi para que o príncipe herdeiro cumprisse a

lei, mas sim desmoralizar o casamento do segundo príncipe. O

imperador Guang GangGuang não tem ressentimentos contra seu irmão,

o marechal Zhang Huizong, mas o primeiro conselheiro tem e ele foi

encarregado, pelo falecido imperador, de encontrar boas moças para

serem as concubinas imperiais e quando o conselheiro Yan Cong soube

que o falecido imperador procurava por uma esposa para o segundo

príncipe e que queria que a moça fosse de uma família de

mercadores com certa representatividade no império, ele teve a idéia

de arranjar para o príncipe uma garota da pior família de

mercadores do império, assim alguns poderiam achar que a escolha do

segundo príncipe, sob a tutela do falecido imperador, foi no mínimo

fraca. A insinuação da fraqueza na escolha, era para mostrar que as

filhas de mercadores só serviam para serem concubinas e nunca

princesas do império, mas o tiro saiu pela culatra para o primeiro

conselheiro, que viu a engenhosidade do falecido imperador, que

escolheu a jovem de uma das famílias mais bem posicionadas na lista

de Mercadores do Império e ainda trouxe a aprovação dessa classe,

que se sentiram valorizados com os dois atos.

Lin Ehuang não se sentiu feliz com a decisão da mãe, mas aceitou mesmo

assim. Algumas vezes pedia permissão ao eunuco que cuidava da casa,

para que os irmãos menores a visitassem e assim eles podiam se

divertir no belo jardim e comer uma boa comida, que Lin Ehuang sabia

que eles não tinham. Lin Ehuang viveu sem ser notada ou tocada, por

pouco mais de um ano, até o dia da coroação do príncipe herdeiro,

quando aceitou a ideia de Xu Ai Wen, de cantar uma música sobre um

nobre guerreiro, para o imperador. Nesse dia o brilho no olhar do

imperador aqueceu seu coração, mas logo ela se lembrou que é

alguém descartável e voltou para a sombra. Quando Zhang Jingfei

pediu ao imperador para voltar as províncias Jade, se ofereceu na

hora para acompanhá-la, tinha um pressentimento ruim a respeito dos

irmãos menores e queria ver com os próprios olhos como eles

estavam.

No entardecer daquele dia, um encontro no jardim, onde um não dizia

nada e o outro falava coisa nenhuma, fez o coração de Lin Ehuang

bater muito rápido e de novo o bom senso a avisou que ela não é

alguém de importância para um imperador.

Agora ela está deitada em uma cama com macios cobertores, um acolchoado

cheiroso no estrado da cama, que deixa o corpo confortável, faz com

que ela imagine o motivo de tanta atenção.

 Está acordada, finalmente!

 Vossa majestade. - Lin Ehuang tenta se levantar, mas cai de volta na

cama, sua cabeça pareceu explodir por instantes.

 Não se levante! Acabou de acordar, depois de cinco dias desacordada.

Tenha cuidado, por favor.

Um imperador sendo gentil e pedindo um favor a uma concubina? Lin Ehuang

está confusa.

 Cinco dias? - pergunta a adorável concubina.

 Sim, mas o médico Gu-in disse que seu corpo fez isso para sua

completa recuperação. - responde com um sorriso tímido o

imperador.

 Vossa majestade, me perdoe por toda a preocupação que estou

causando, mas acho que já posso voltar para a Casa das Flores.

 Que tolice! Tudo que está sendo feito aqui, por você, é um

agradecimento por sua bravura, para nos trazer importantes

informações sobre os acontecimentos nas províncias de Jade.

 Esta concubina agradece humildemente, sua generosidade, vossa

majestade.

Um silêncio, igual aquele dia no jardim.

 O médico Gun-in disse que você é muito frágil e que deve se

alimentar bem. Está com fome?

 Um pouco, vossa majestade.

 Qual seu nome, serva?

 Xiuying, vossa majestade.

 Providencie uma sopa medicinal, como o médico indicou, para sua

senhora.

 Sim, vossa majestade.

Novo silêncio. O imperador não desvia o olhar, está encantado com a

beleza delicada de sua concubina.

 Você merece a Casa das Flores. - diz ele sorrindo, mas Lin Ehuang

abaixo o olhar, ficou triste com a observação desastrosa, mas a

tempo o imperador percebe sua gafe. - Não, não quis dizer nada que

a desmereça, é só que você lembra uma flor delicada, como as

flores do jardim. Foi isso que eu quis dizer.

O imperador está tentando ser mais confiante na conversa, mas nunca se

sentiu tão indefeso diante de uma mulher antes. Lin Ehuang não é

uma mulher de uma beleza estonteante, mas existe nela algo que faz o

coração do imperador acelerar o ritmo.

 Agradeço seu elogio, vossa majestade. - nesse momento, Lin Ehuang

sorri, um sorriso tímido, apenas para demonstrar sua gratidão e

nesse momento o coração do imperador acelerou o batimento mais uma

vez.

 A … amanhã volto para ver como está. - o imperador que comanda

mais de um milhão de soldados, um império que domina quase todo o

continente, se sentiu abalado e preferiu fugir.

Na porta do quarto, ele sorri de pura alegria, não sabe bem o motivo,

mas o sol brilha mais ainda nessa manhã.

A imperatriz anda pelo palácio, na expectativa de encontrar por acaso

o imperador, está cansada de solicitar sua presença e ouvir as

desculpas prontas que ele oferece. Nessa manhã, a imperatriz está

resolvida a conversar seriamente com o marido, explicar a ele o que

fez e pedir que a perdoe por querer muito ser a mãe do herdeiro do

império, mas o que vê a desanima por completo. Ali no corredor da

ala sul, onde ficam os quartos dos hóspedes e onde está a concubina

recém-chegada, a imperatriz Guang Li Hua vê o marido sorrindo como

um bobo, como um adolescente apaixonado, sim, apaixonado é o que

quer dizer aquele brilho no olhar, saindo do quarto onde está a

concubina Lin Ehuang.

 A culpa disso é sua, garota estúpida! - diz o primeiro conselheiro

a sua filha. - E agora sua situação fica pior a cada instante, já

que matou seu corpo por dentro.

 Eu apenas queria ter um filho, pai.

 Agora você, não tem nada e ainda por cima tem uma concubina idiota

que conquistou o coração de seu marido.

 O que vamos fazer?

 Vamos? - o primeiro conselheiro sorri com essa frase. - Sim, o que

vamos fazer? Por que afinal de contas, sou eu que tem as idéias o

tempo todo.

Pai e filha se olham. A filha admira o pai e sua capacidade de criar

planos incríveis. O pai se pergunta como conseguiu ter três filhos

idiotas.

 Vamos usar a lei a seu favor. - responde seco a própria pergunta.

 A meu favor? Como?

 Assim que a concubina der a luz, vou informar ao imperador sobre a

lei que diz que quando a imperatriz, por qualquer motivo, não puder

ter filhos e as concubinas sim, a imperatriz adotará esses filhos e

os criará como seus …

 Eu não quero criar filhos de concubinas!

 Garota tola! Serão os filhos do imperador! Essa concubina pode dar a

luz o herdeiro do trono e você vai criar essa criança, vai se fazer

ser amada por ela e assim nosso plano continua existindo. Você

entendeu?

 Sim, pai.

 Ótimo! Volte para seu pavilhão e pare de andar atrás do imperador.

Deixe tudo comigo. No final, nós seremos os vencedores.

__ Sim, pai.

O conselheiro Yan Cong se afasta tranquilo. Nunca perdeu uma batalha,

talvez uma ou duas, mas não tinham importância, agora, a verdadeira

guerra, essa ele tem certeza da vitória. Sua filha fica parada no

mesmo lugar, olha com ódio para a porta dos aposentos da concubina

Lin Ehuang, pensa que terá que criar o filho daquela mulher e isso a

enche de nojo. Com um volteio furioso, dá as costas para aquela

porta e volta para seu pavilhão. Precisa se acalmar para quando o

momento chegar e ajudar o pai a dominar o império.

Em todos os lares nobres da capital, tem um espião e não seria

diferente no palácio, que é a residência mais importante da cidade

e um desses espiões ouviu essa conversa interessante e vai contar a

sua senhora.

Por três dias, o imperador Guang GangGuang, manteve-se afastado dos

aposentos de sua concubina. Está com medo. Medo de ceder a uma

sensação de tranquilidade e paz, quando olha nos olhos brilhantes

de Lin Ehuang. Uma sensação boa, aquela que nunca sentiu quando

olha para sua imperatriz. O imperador tenta também calar a voz, que

repete o tempo todo, que estar ao lado de sua concubina é o melhor a

fazer. O imperador não quer favorecer essa ou aquela pessoa, conhece

sua corte e seus conselheiros, mas aquela garota o atrai, quer seja

sorrindo, quer seja apenas existindo. Ele não sabe explicar. Na

verdade, o governante do Império Jinhai sabe que é covarde, que não

quer um confronto direto com seus conselheiros ou sua corte e

acredita seriamente que o protagonista, como imperador, deveria ser

seu irmão Zhang Huizong.

O imperador caminha pela varanda que circunda todo o segundo andar do

palácio e todo esse segundo andar, é seu aposento. Nele existe um

grande quarto, uma biblioteca particular, uma sala de meditação e

para seus exercícios nas técnicas marciais, uma sala para suas

refeições e um pequeno quarto onde dormem seus servos. A varanda é

um verdadeiro jardim suspenso, idéia do pai, apaixonado por plantas

e jardins. As flores enchem o ar com um perfume delicado na primavera

e no outono, outras flores fazem o mesmo, só com um perfume mais

forte. O imperador Gang GangGuang gosta de caminhar por ali, descansa

sua alma e tranquiliza seu coração. Daquela altura, ele pode ver

toda a cidade e é uma visão particularmente bonita. Quando pensou

em seu irmão, estava olhando para o quartel-general do Exército do

Oeste, onde o irmão passa a maior parte do tempo. Nunca questionou a

lealdade do irmão e depois do episódio da emboscada bárbara,

passou a confiar mais ainda.

O quartel-general é uma construção magnífica, se a capital é

chamada de cidade fortaleza, o quartel-general é a fortaleza dentro

da fortaleza. Lá estão os alojamentos, para aqueles que não tem

família ou a família mora longe, tem as salas de armas, os

estábulos, a área de treino, o refeitório, as salas de reuniões

de generais e dos capitães. Tudo em uma área cercada por muralhas

altas, tal qual aquela que envolve a cidade. O imperador suspira

aliviado, sabe o que o irmão jamais tentará um golpe contra ele,

coisa que tentaram fazê-lo acreditar, não Zhang Huizong, aquele

homem é honrado demais, agora os demais membros da corte, o

imperador nunca confiou.

 Vossa majestade. - interrompe um servo, os pensamentos do imperador.

 Sim.

 A concubina Lin Ehuang saiu dos aposentos sozinha e sua serva está

procurando por ela.

 Sozinha? Ela ainda precisa de cuidados!

Apenas com o pensamento que sua querida concubina está sem condições de

caminhar sozinha por aí, o imperador desce as escadas correndo,

seguido de seu servo, em direção aos aposentos de Lin Ehuang.

 Como permitiu a saída da concubina Lin? - pergunta irritado o

imperador.

 Vossa majestade, minha senhora diz que quer sentir o ar fresco e que

já está bem. Não pude impedir. - responde Xiuying. - Vou levar

esse manto para ela, a noite se aproxima e ficará mais frio.

 Me dê isso! Eu levo para ela.

Até pouco tempo, o imperador estava ouvindo a voz do bom senso, que dizia

para se afastar de sua concubina, mas tudo foi para o espaço quando

soube da aventura dela.

O jardim do palácio, é a obra-prima do falecido imperador, que desde

a adolescência plantou, reformou, remodelou, construiu e arquitetou

uma maravilha de cores, formas e perfumes, todos se completam dentro

de uma perfeição imaginada pelo falecido imperador. Nada destoa a

imagem de beleza que o jardim tem, muito menos a figura solitária ao

lado do lago artificial. A mulher de vestes brancas e o cabelo solto,

que flutuam pela brisa fria, mais parece uma figura mistica do que a

concubina do imperador.

 O que faz do lado de fora? Você ainda não está bem!

 Vossa majestade.

 Não se ajoelhe! - o imperador fala firme. - Trouxe uma manta, já

está bastante frio. - o imperador entrega a manta, mas com certo

arrependimento, afinal ela está linda.

 O que faz do lado de fora? - pergunta de novo o imperador.

 Respirar ar puro, vossa majestade.

 O ar do palácio a incomoda?

 Não, não foi isso que quis dizer! - se explica a concubina Lin. - É

apenas que o ar no quarto está abafado e fiquei tempo demais

deitada. Queria ver o céu e sentir o perfume das flores.

 Sim, eu entendo. As vezes também caminho por aqui para me

tranquilizar.

 Na verdade, tive outra intenção.

 Qual?

 Ver as Carpas Excêntricas que minha mãe vendeu ao falecido

imperador.

O imperador fez uma expressão de total ignorância sobre o assunto.

 Minha mãe ouviu dizer que o imperador queria carpas diferentes para

seu lago e ela sabia onde encontrar as Carpas Excêntricas e depois

as vendeu a seu pai.

 Elas estão no lago ainda? - pergunta interessado o imperador,

olhando para o lago.

 Só vi duas delas. Ali perto das folhagens de flores brancas. Está

vendo? - Lin Ehuang aponta na direção de dois peixes azuis.

 O que há de diferente nelas?

 A maioria das carpas, tem cores suaves e claras, mas essas carpas têm

cores fortes. Veja essas duas, são azuis e esse tom é bem forte,

assim como o branco no dorso. Elas são raras, vossa majestade!

 É certo que são, meu pai mandou trazer muitas plantas diferentes e

de diferentes lugares, para fazer esse jardim. - um pequeno silêncio

para que o imperador afastasse as vozes chatas de sua cabeça. - Quer

ver mais do jardim?

 Vossa majestade deve estar ocupado …

 Bobagem, tudo o que tinha que fazer, eu já fiz. Posso passear pelo

jardim também.

Lin Ehuang não fala mais nada, apenas sorri e isso ilumina mais ainda o

dia, para o imperador.

Lin Ehuang gosta do jardim, ele é calmo e o canto dos pássaros e o

perfume, fazem com que ela se sinta muito bem, somente a presença do

imperador é a única coisa que faz seu coração acelerar. Por meia

hora, os dois passeiam pelos caminhos floridos do jardim. Conversam

sobre as plantas raras, sobre os pequenos esquilos que veem, sobre os

pássaros, sobre as borboletas que ainda teimam em voar, mesmo o

inverno chegando. Em certo momento, Lin Ehuang cambaleou e o

imperador a segurou nos braços.

 Senhora! - exclama Xiuying que caminha a certa distância dos dois.

 Estou bem.

 Você está bem, mas é o primeiro dia fora da cama, então deve

tomar cuidado. Vamos voltar, talvez amanhã você possa continuar o

passeio.

 Sim, vossa majestade.

Para evitar que a concubina ficasse com tontura de novo, o imperador

oferece seu braço como apoio e assim atravessam a pequena ponte de

pedras em direção a entrada do palácio.

Esse foi o primeiro passeio do imperador com sua concubina. É a primeira

vez que fica feliz em conversar com alguém, de ter a companhia de

alguém. É a primeira vez que não se sente incomodado em olhar para

um rosto e ter de controlar seus sentimentos ou suas palavras. O

imperador Gang GangGuang está muito feliz e seus olhos dizem isso.

Lin Ehuang está de volta a seu aposento. Xiuying prepara seu banho,

enquanto isso, ela olha para a janela e vê as nuvens no céu. Ela

está sorrindo, foi a primeira vez que conversou com o imperador,

antes ele mal a olhava. É a primeira vez que gostou de conversar com

alguém, antes eram apenas os homens de negócios ou a mãe gritando

sobre as mercadorias. Alguém deu atenção as suas falas, sorriu de

seus comentários e concordou com eles. Mesmo Ângela, em sua vida

vazia passada, não tinha encontrado alguém para estar a seu lado e

ela gostou disso, da companhia.

__ Não seja tola. Não se apegue a um sonho infantil, você é

descartável. - sussurra seu bom senso, mas o sorriso não foi

embora, Lin Ehuang apenas balança a cabeça e abafa a voz, ela

também quer ser feliz.

Quando o casal atravessava a ponte, um homem observava. Ele sorri e pensa

que essa ligação dos dois será benéfica para ele, o resultado

dela trará para suas mãos o herdeiro do trono. O conselheiro Yan

Cong sorri mais um pouco.

Depois de quinze dias, a vida volta ao normal no palácio, mas não de tudo,

algo novo acontece agora. O imperador tem uma nova rotina, que é

convidar a concubina Lin Ehuang três vezes na semana para conversar

com ele. Depois passou a convidá-la todos os dias.

Uma vez a convida para conhecer sua biblioteca. Uma sala enorme com

prateleiras nas quatro paredes, do teto ao piso, repleta de livros e

pergaminhos. Até conseguiram construir prateleiras que se encaixavam

perfeitamente com a porta. Isso tudo era para aproveitar cada espaço

da sala.

 Todos esses livros foram trazidos por meus ancestrais. Alguns são

produto de pilhagem de reinos anexados, outros foram doados e a

maioria foi comprado. - explica o imperador.

Lin Ehuang descobre entre eles, alguns que já tinha lido na biblioteca

da capital da província e o imperador fica encantado ao descobrir

que ela sabe ler e escrever.

 Pode levar qualquer livro, se quiser.

 Obrigada, vossa majestade.

De outra vez a leva ao jardim para mostrar o ninho de pássaros pretos e

ver os filhotinhos gritando de fome. A diversão dos dois para subir

em um tronco caído para conseguir ver o ninho, trouxe boas risadas.

Os dois se divertiram muito nesse dia.

Depois que as visitas se tornaram diárias, o imperador sempre a convida

para comparecer a tarde e assim aproveita para ter a companhia dela

no jantar e sempre têm assuntos a conversar. Depois do jantar, a

leva até a metade do caminho da Casa das Flores.

Certa ocasião, já faz dois meses que estão nesses encontros, Lin Ehuang

está na varanda esperando o imperador e observa a cidade ao longe.

 É uma vista incrível, não é?

 Vossa majestade, eu não o vi chegar!

 Se assustou? Desculpe.

Ele sempre faz isso, pedir desculpas para ela por qualquer coisa que ele

julgue que foi desagradável. Uma observação, um gesto, tudo que

ele percebe que a deixa constrangida.

 Não foi nada, estava distraída olhando a cidade e é sim uma visão

incrível.

 Daqui podemos ver toda a cidade. Os quatro cantos da cidade e mais

além. Vê a montanha Marfim Dourado? Está bem distante, mas é

possível ver a construção da Escola Oficial de Cultivo e Ações

Militares e Técnicas Marciais.

 Um nome longo. - observa Lin Ehuang.

 Sim, mas ali é o lugar onde são treinados aqueles que tem um

poderoso Ki.

 Vossa majestade tem um Ki poderoso?

 Não muito, mas me esforcei para chegar ao nível seis.

 Isso é bom? Eu não quis ofender, vossa majestade. - percebe Lin

Ehuang que foi inconveniente a observação.

 Não me ofendeu. Não são todos da família real que têm um Ki

poderoso, eu não tenho, mas meu irmão Zhang Huizong tem, por isso

meu pai concedeu a ele o comando de todo o exército.

 Eu perguntei as outras concubinas, mas elas não puderam responder.

Posso perguntar ao senhor?

 Pergunte.

 Sabe se a senhora Zhang está bem?

 Sim, ela está bem. Curou-se antes de você e pelo que eu soube está

dando ao marechal alguns momentos, digamos, diferentes.

 Diferentes?

 Meu irmão nunca teve alguém que o questionasse ou não o

obedecesse, mas a senhora Zhang está fazendo tudo isso e isso é

diferente. - explica o imperador sorrindo.

Nesses dois meses que se encontra com o imperador, Lin Ehuang faz o possível

para ter uma expressão calma no rosto. Mesmo que acidentalmente um

toque entre as mãos dos dois aconteça, ela fica tranquila ou quando

o imperador oferece o braço para uma caminhada pelo jardim, ela está

serena por fora, porque dentro do peito, seu coração está

acerelado. Tão acelerado como está agora. Não é a primeira vez

que vê o imperador sorrir, mas é a primeira vez que o sorriso é

tão cristalino, tão puro. Lin Ehuang está encantada e olha sem

piscar para aquele sorriso.

O imperador percebe o olhar fixo em seu rosto e aquele olhar tem um

brilho diferente. O imperador já pensou que era indiferente a sua

concubina, mas agora tem uma pequena luz de esperança crescendo em

seu peito. Ele aproxima o rosto, um beijo pode ser possível, mas Lin

Ehuang afasta o rosto.

 Desculpe.

 Não, vossa majestade! Sou eu que tenho que pedir desculpas, afinal é

para isso que estou aqui.

Uma dor, como o de uma facada, atingiu o peito do imperador.

 Você não é obrigada a aceitar nada que não queira! Não tenho

escravas na minha cama!

 Mas, eu sou uma concubina e isso é o que tenho que fazer.

 Já disse que não é obrigada a nada que não queira! - o imperador

respira fundo para se acalmar e olha bem dentro dos olhos de sua

concubina favorita. - Eu quero beijar você a muito tempo, mas se não

quer, eu não vou obrigar.

 Posso explicar?

 Pode.

 Eu me assustei, nunca beijei ninguém e achei que faria alguma coisa

que o desagradasse.

O coração do imperador já estava derretido por essa mulher a muito

tempo, mas agora ele sabe que seu coração pertence a ela.

 Sua boba, nada do que fizer me desagradará.

 Então está disposto a tentar de novo? - ousa a concubina Lin

Ehuang.

 É o que quer?

 Sim.

Uma garota que sempre viveu trabalhando para a mãe. Que carregava

mercadorias como um homem, que cuidava da casa e dos irmãos nas

horas vagas, que nunca pensou em rapazes ou casamento, agora está

nos braços do imperador e se deixando levar pelos lábios dele como

em uma viagem tranquila pelas águas calmas do mar.

O gosto dos lábios do imperador é o mesmo do licor de uva e o cheiro

de seu corpo é bom, tão bom que a deixa tonta. Ele a aproxima mais

e mais, até que o corpo dos dois parecem um e Lin Ehuang percebe que

o imperador é forte, que tem um corpo musculoso e para confirmar

isso, envolve suas mãos na cintura dele. Lin Ehuang flutua, sua

mente flutua, é a sensação mais maravilhosa que já sentiu na

vida, não tem como não admitir mais.

__ Eu estou apaixonada por ele. - o bom senso não disse isso para ela,

foi seu coração.

O jantar transcorreu um pouco silencioso. O imperador faz as perguntas

e recebe como resposta apenas um balançar de cabeça ou um sim ou

não.

 A comida não está de seu gosto? - pergunta o imperador preocupado.

 Está gostosa.

 Fiz algo que a aborreceu?

 Não.

 Nós sempre temos um jantar animado, com muita conversa. O que

aconteceu? O beijo a incomodou?

 Vossa majestade! - exclama a concubina envergonhada.

 O que foi? Se você não me falar, vou pensar que aquilo foi um erro

 Não, vossa majestade, isso não!

 Então?

 É difícil falar, vossa majestade.

 Tente. Comece dizendo, por que é difícil olhar para mim. Não tenho

mais seu carinho?

 Não é isso, vossa majestade. É que … é que … tenho vergonha.

- fala baixo Lin Ehuang.

 Vergonha? Do quê?

 Vossa majestade, por favor! Nunca beijei ninguém antes e se o senhor

achou que não foi bom ou que foi desagradável?

 Eu disse algo sobre isso?

 Não.

 O que posso fazer ou dizer para acalmar seu coração? Talvez um

outro beijo? - o imperador se sente mais seguro agora, o beijo

retribuído deu a ele o incentivo para ousar mais. - Quer outro

beijo?

 Sim. - responde Lin Ehuang erguendo o olhar para ver o rosto feliz do

imperador.

O jantar foi deixado de lado. O casal está na varanda novamente, não

mais para contemplar a lua e as estrelas, agora os dois olham um no

olhar do outro e se encantam com o brilho de uma paixão que achavam

que não existia. São muitos beijos, abraços, toques sutis aqui e

ali, mas não passa disso, o imperador não quer assustar seu pássaro

angelical, em uma outra ocasião talvez.

A outra ocasião veio dois dias depois. Uma Lin Ehuang está trêmula

nos braços de seu amado imperador. Sente as mãos fortes percorrerem

seu corpo seminu, a vergonha ainda existe, mas o prazer de estar nos

braços do homem que ama é maior. A primeira vez foi dolorida, mas

prazerosa ao mesmo tempo, o imperador foi gentil e amoroso, não a

deixou sozinha no prazer, estimulou-a a se entregar aos sentimentos

do momento e assim os dois se conheceram e se entregaram um ao outro.

Foi sem dúvida a noite mais maravilhoso para ambos e quando

amanhece, não querem sair da cama, ficam lá, abraçados, sorrindo

um para o outro.

Por um mês inteiro, Lin Ehuang fica nos aposentos do imperador, sua

serva traz o que precisa e ela se sente feliz a cada novo dia.

__ Isso é ser feliz? É assim que as pessoas se sentem, quando estão

amando? - são as perguntas da concubina Lin Ehuang faz a sim mesma,

mas ela não tem resposta. Ângela nunca foi feliz e nas lembranças

de Ehuang, também não existe esse momento. As duas devem aprender a

viver com a felicidade, enquanto ela está próxima.

Durante todo o mês, a imperatriz Guang Li Hua, vê o movimento dos servos no

aposento do imperador, sabe, por meio de outras servas, que o

imperador já escolheu sua concubina preferida. A imperatriz Guang Li

Hua estremece de raiva quando vê o casal passeando no jardim, algo

que o imperador nunca fez com ela, assim como nunca sorriu daquele

jeito em sua presença ou tocou seu rosto com carinho. Tudo isso

enfurece a imperatriz, mas rápido ela lembra que o pai vai cuidar

dessa concubina e do provável filho que ela tiver.

__ Aproveite enquanto pode. Esse sorriso vai murchar em breve. -

determina a imperatriz.

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Ronny Caldeira

Ronny Caldeira

cala a boca 🐍🐍🐍🐍

2024-05-30

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Capítulos
1 Capítulo 1 - O Reino das Águas
2 Capítulo 2 Um tiro perfeito, na direção errada
3 Capítulo 3 A Sala de Espera
4 Capítulo 4 O Caminho é longo
5 Capítulo 5 A festa de casamento
6 Capítulo 6 A nova casa
7 Capítulo 7 O jantar em família
8 Capítulo 8 O Imperador está morto! Viva o novo Imperador!
9 Capítulo 9 O futuro imperador
10 Capítulo 10 A Coroação
11 Capítulo 11 O retorno a cidade natal
12 Capítulo 12 Estamos de volta!
13 Capítulo 13 Momentos complicados
14 Capítulo 14 O palácio imperial
15 Capítulo 15 Uma concubina preferida
16 Capítulo 16 De volta a mansão Zhang
17 Capítulo 17 Um jantar para diversão dos convidados.
18 Capítulo 18 A convivência do casal dragão
19 Capítulo 19 As maravilhas de um bom relacionamento
20 Capítulo 20 O rumor
21 Capítulo 21 O aniversário de casamento
22 Capítulo 22 A Peregrinação
23 Capítulo 23 A terra treme
24 Capítulo 24 A terra treme e o palácio sangra
25 Capítulo 25 - Parte 1 - A terra treme, mas a esperança é sem fim
26 Capítulo 25.I – Parte 2 A terra treme, mas a esperança é sem fim
27 Capítulo 25.II – Parte 3 A terra treme, mas a esperança é sem fim
28 Uma vida e um sonho
29 O imperador e sua amada
30 A Sabedoria de Lin Ehuang
31 Um jantar muito divertido
32 Um corte no tempo – Os irmãos Tian
33 Um corte no tempo e um lugar para os irmãos Tian
34 Um corte no tempo e o alimento de Tian Long
35 As dificuldades de se governar
36 Conhecendo um ao outro e um convite
37 De volta a Jade Azul
38 Muitas aventuras do casal dragão
39 Um corte no tempo para os sonhos
40 Os Bárbaros
41 O Ataque
42 Os Bárbaros e a coragem
43 A volta para casa
44 O Festival do Fim do Outono
45 A despedida
46 Um continente desunido
47 Observações: Fim do primeiro Livro
48 Observações 2ª Parte
Capítulos

Atualizado até capítulo 48

1
Capítulo 1 - O Reino das Águas
2
Capítulo 2 Um tiro perfeito, na direção errada
3
Capítulo 3 A Sala de Espera
4
Capítulo 4 O Caminho é longo
5
Capítulo 5 A festa de casamento
6
Capítulo 6 A nova casa
7
Capítulo 7 O jantar em família
8
Capítulo 8 O Imperador está morto! Viva o novo Imperador!
9
Capítulo 9 O futuro imperador
10
Capítulo 10 A Coroação
11
Capítulo 11 O retorno a cidade natal
12
Capítulo 12 Estamos de volta!
13
Capítulo 13 Momentos complicados
14
Capítulo 14 O palácio imperial
15
Capítulo 15 Uma concubina preferida
16
Capítulo 16 De volta a mansão Zhang
17
Capítulo 17 Um jantar para diversão dos convidados.
18
Capítulo 18 A convivência do casal dragão
19
Capítulo 19 As maravilhas de um bom relacionamento
20
Capítulo 20 O rumor
21
Capítulo 21 O aniversário de casamento
22
Capítulo 22 A Peregrinação
23
Capítulo 23 A terra treme
24
Capítulo 24 A terra treme e o palácio sangra
25
Capítulo 25 - Parte 1 - A terra treme, mas a esperança é sem fim
26
Capítulo 25.I – Parte 2 A terra treme, mas a esperança é sem fim
27
Capítulo 25.II – Parte 3 A terra treme, mas a esperança é sem fim
28
Uma vida e um sonho
29
O imperador e sua amada
30
A Sabedoria de Lin Ehuang
31
Um jantar muito divertido
32
Um corte no tempo – Os irmãos Tian
33
Um corte no tempo e um lugar para os irmãos Tian
34
Um corte no tempo e o alimento de Tian Long
35
As dificuldades de se governar
36
Conhecendo um ao outro e um convite
37
De volta a Jade Azul
38
Muitas aventuras do casal dragão
39
Um corte no tempo para os sonhos
40
Os Bárbaros
41
O Ataque
42
Os Bárbaros e a coragem
43
A volta para casa
44
O Festival do Fim do Outono
45
A despedida
46
Um continente desunido
47
Observações: Fim do primeiro Livro
48
Observações 2ª Parte

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