Quinze dias antes, atravessava os portões da capital, a capitã Wang Li Jie
e o que sobrou da guarnição que comandava. As rodas das carroças
gemiam, parecendo adivinhar que uma parte de sua carga sentia dor e a
outra parte não sentia mais dor e muito menos tinha vida.
A notícia do retorno da capitã chegou aos ouvidos do conselheiro Yan
Cong e do imperador, nessa ordem e o conselheiro convenceu o imperador de
ouvir as explicações da capitã naquele mesmo instante, para que os
detalhes não se perdessem na memória.
O primeiro marechal Zhang Huizong também soube do retorno da capitã e
também quer saber o que aconteceu, mas não chegou a tempo de
levá-la, e a seus soldados, para seu quartel-general, a capitã foi
interceptada no caminho e levada até o palácio e para lá o
marechal seguiu.
Na grande sala do trono, estão os conselheiros, os dois marechais e o
imperador.
Capitã Wang Li Jie, se não tem condições, deve ir até o médico
do exército. - fala o imperador.
Vossa majestade, me desculpe por interromper, mas a capitã é um
soldado e, com certeza, sabe de suas obrigações perante o império
e do perigo que vossa majestade correu e depois, a capitã não
parece estar muito ferida, tenho certeza que ela pode responder as
suas perguntas. - encerra o conselheiro Yan Cong com seu rosto
sereno.
Seremos breves com sua capitã, primeiro marechal.
Agradeço, vossa majestade.
Gostaria de lembrar, primeiro marechal, que as informações de sua
capitã são importantes, já que a guarnição do segundo marechal
ainda não retornou. - novamente o conselheiro Yan Cong aparenta
serenidade no rosto.
Um silêncio paira no ar, parece ser obvio a todos que o conselheiro Yan
Cong repreendeu os dois marechais e até o próprio imperador. Os
conselheiros que apoiam o conselheiro Yan Cong, vibram de satisfação
por dentro e aqueles do outro lado, que são minoria, amargam mais
uma demonstração de poder do conselheiro Yan Cong.
Capitã Wang, conte-nos o que aconteceu e onde estão o conselheiro
Yang, a concubina Lin e a senhora Zhang.
Vossa majestade, é certo que meus ferimentos são profundos, mas não
são fatais, posso informar os acontecimentos e responder as suas
perguntas.
Então, capitã Wang, informe ao imperador dos acontecimentos, como
ele pediu. - sugere conselheiro Yan Cong.
Conforme o ordenado, saímos aos doze toques do congo. No portão
leste, as duas senhoras já nos esperavam e pouco depois chegou o
conselheiro Yang. - uma pausa para respirar. Capitã Wang recusou um
assento, vai ficar em pé como qualquer soldado faria. - O caminho
até a cidade Mar Azul foi tranquilo e rápido, não encontramos
ninguém na estrada, o que é muito estranho, pois o movimento de
cargas para o porto e para as cidades ao redor da capital e para a
própria capital é intenso o dia todo. Na cidade Mar Azul, chegamos
ao amanhecer e deparamos com uma cena de absoluto horror. Havia por
todos os lados, corpos e mais corpos de velhos. Todos foram degolados
ou atravessados por lanças ou facas. As casas, algumas estavam em
chamas e outras destruídas por dentro, nas casas dos mais ricos, os
proprietários, em sua maioria os mais velhos da família, estavam
enforcados nas entradas das casas. As duas senhoras foram atrás de
seus familiares e o conselheiro começou a coletar informações. A
cidade parecia deserta, a não ser pelos mortos. Ordenei que se
formassem quatro grupos para vasculhar a cidade e eu fui em um deles,
mas não havia sinais que pudessem identificar os agressores daquelas
pessoas. Voltamos a formação na praça principal. Confirmei a morte
de toda a família do governador, pelo menos dos mais velhos. Não
tivemos tempo de apagar os incêndios …
Era o que devia ter feito! Muitas casas pertenciam aos nobres da
corte e muitos mercadores de alto nível! - fala o conselheiro Yan
Cong.
Suas observações ingênuas de um civil, não condizem com a atitude
de um soldado. Minha capitã procurava por sobreviventes e possíveis
invasores que talvez ainda estivessem na cidade. O incêndio podia
ser controlado mais tarde, se houvesse necessidade. - observa o
primeiro marechal Zhang.
De certo que sim. Desculpe a ingenuidade desse conselheiro e desculpe
a interrupção. - responde o conselheiro Yan Cong com um sorriso de
deboche que poucos viram.
Depois de averiguar que a cidade estava mesmo deserta, com exceção
das pessoas mais velhas mortas nas ruas e em suas casas, voltamos
para a praça central e encontramos o conselheiro Yang correndo por
uma das ruas e atrás dele e de seu auxiliar, estava uma multidão …
Mas a senhora não acabou de dizer que a cidade estava vazia?
Sim, vossa majestade, entretanto de algum lugar aquelas pessoas
apareceram e todas armadas com lanças, martelos, facas, facões e
qualquer coisa que podia matar. O ataque foi rápido, mal conseguimos
nos organizar. Eles eram ferozes e por mais que eram feridos, as
pessoas em transe continuavam avançado …
Em transe? - perguntam várias vozes.
Sim, foi isso que observei. Assim como aquelas pessoas das comitivas
das províncias, os moradores da cidade estavam em transe e atacavam
sem parar, nada os detinha, mesmo os ataques com nossos poderes, que
feriam de maneira bruta, as pessoas se levantavam ou se arrastavam em
nossa direção. Foi assim que dezessete de meus homens morreram
naquela praça. - uma pausa para o pesar da capitã por seus
valorosos soldados. - De algum lugar surgiu as duas senhoras e suas
servas, a senhora Lin teve a ideia de usar a água para deter as
pessoas. Um jato muito forte, vindo de uma bomba de água, afastava
um pouco as pessoas, mas não era o suficiente, porque elas
continuavam a atacar. Fui ferida nas costas e em uma perna, alguns
dos soldados estavam no seu limite com muitos ferimentos, quando
ouvimos uma explosão …
Explosão? - novamente várias vozes perguntam.
Que tipo de explosão? - pergunta o imperador.
Uma explosão, um som parecido com os dos canhões dos navios de
guerra imperiais.
Quem era?
O conselheiro Yang, vossa majestade. Ele trouxe uma espécie de
garrafinha com pólvora e as fazia explodir entre as pessoas em
transe …
Matou cidadãos de Jinhai? - pergunta furioso o conselheiro Yan Cong.
O que preferiria, conselheiro? Que todos estivessem mortos e nenhuma
informação viesse até nós? E depois, os cidadãos não estavam em
seu juízo perfeito, alguém os estava controlando, é isso capitã?
- o primeiro marechal parte em defesa de seus soldados.
Novamente, desculpe minha ingenuidade, mas os cidadãos de Jinhai são
muito importantes para mim.
São para todos nós, conselheiro Yan Cong, mas a situação naquele
momento era desesperadora e como disse o primeiro marechal, a
guarnição estava cumprindo ordens e precisavam sobreviver para
contar o que viram. - finaliza o imperador. - Continue capitã Wang.
Sim, vossa majestade. Apesar das explosões terem matado alguns, os
que estavam vivos continuavam a avançar e o jato de água não
estava mais surtindo efeito e o conselheiro parou de jogar as
garrafinhas, a situação parecia se encaminhar para o nosso fim
naquele momento. Quando ouvimos uma trombeta tocar duas vezes e as
pessoas em transe apenas pararam de se mover. Elas soltaram as armas
e começaram a andar em direção aos limites da cidade. Todas
aquelas pessoas estavam no limite leste da cidade e de lá surgiu uma
coluna de fumaça, que a concubina Lin logo percebeu ser o lugar onde
estavam as crianças.
Como ela percebeu? - perguntou o imperador.
Através dos gritos, vossa majestade. Gritos altos e desesperados …
Espere um momento, capitã. Quer dizer que não havia crianças na
cidade?
Não, vossa majestade, não vimos nenhuma. A concubina Lin correu até
onde o som dos gritos estava vindo, mas quando chegou, já era tarde
demais. Os poucos gritos foram se silenciando até não se ouvir mais
nada. O galpão queimou rápido e totalmente.
Crianças?
Sim, vossa majestade. Não foi possível ver antes, porque parece que
as pessoas em transe reuniram as crianças fora da cidade e somente
naquele momento vimos as várias colunas de fogo e fumaça …
Quem poderia mandar fazer tal coisa? - pergunta o imperador.
Os Bárbaros com certeza! - grita um conselheiro.
Invasores estrangeiros vindos do mar! - grita outro.
Viu alguma coisa que possa identificar quem é o responsável?
Não, vossa majestade, mas a senhora Zhang deve ter visto …
Senhora Zhang?
Vossa Majestade, a senhora Zhang reconheceu no meio da multidão a
irmã e foi atrás, seguindo aquelas pessoas em transe, que parecia
ter perdido o interesse em nos matar, pois a senhora Zhang foi até a
casa do governador junto deles e não foi atacada.
O que ela viu?
Não sei, vossa majestade, mas a pessoa próxima a irmã da senhora
Zhang, jogou um pote nela e na concubina Lin, fez alguns gestos e a
trombeta tocou novamente e todas as pessoas em transe começaram a
caminhar novamente.
E as duas?
Elas saíram do meio da multidão e voltaram para a praça central,
onde o conselheiro Yang identificou que o que o homem jogou nas duas
era um veneno …
Veneno? - falam novamente várias vozes.
Sim, um veneno peculiar, como disse o conselheiro, que mata em poucas
horas, mas a senhora Zhang conhecia o antídoto e foi buscar na casa
do pai e dividiu com a concubina Lin.
Por que não voltaram?
Vossa majestade, eu não tinha condições físicas ou mental para
discutir com a senhora Zhang, portanto, quando o conselheiro partiu
em direção de Jade Verde, as duas senhoras foram junto.
Vossa majestade, a senhora Zhang e a concubina Lin, desobedeceram
suas ordens! - fala agitado o conselheiro Yan Cong.
Se me permite continuar, vossa majestade, talvez eu consiga
esclarecer o motivo das duas acompanharem o conselheiro Yang.
Continue.
Vossa majestade, um soldado acompanhou as duas e muito do que falei é
o que esse soldado me contou. A irmã da senhora Zhang estava na
companhia desse homem que coordenava a saída das pessoas e a
concubina Lin informou que crianças maiores estavam vivas, pois
algumas foram vistas na multidão que caminhava para fora da cidade.
A intenção das duas é confirmar que as crianças estavam vivas e
até onde a multidão vai caminhar.
Obedecendo às ordens que esse imperador deu. Muito bem, vamos
aguardar o retorno delas e da guarnição do leste, para formamos um
plano de defesa. Marechal Zhang, quero um relatório minucioso de
todos os sobreviventes e marechal Guang, quando sua guarnição
retornar traga-a até esse imperador imediatamente. É só.
Sim, vossa majestade.
A capitã está exausta, uma pequena poça de sangue se formou no lugar
em que estava, mas ela se manteve firme, só desmaiando nos braços
do capitão Cheng Yan, quando atravessaram os portões do
quartel-general.
__ Firme como uma rocha. - sussurra orgulhoso o capitão Cheng.
O retorno de Jingfei e da concubina Lin, não preocupa ninguém,
aparentemente não. O primeiro marechal não se incomoda, afinal é
uma esposa que foi obrigado a aceitar, se ela não voltar, será o
destino, agora o imperador esconde sua preocupação, ele gosta da
voz aveludada de sua concubina e da simpatia com que ela o trata.
Vinte dias se passaram, é hora de alguém ficar preocupado.
Primeiro marechal Zhang? Não há notícias das duas senhoras e do
conselheiro Yang?
Vossa majestade, ninguém ainda retornou, mesmo a guarnição do
segundo marechal, também não retornou.
Esse é mais um dia de reunião com os conselheiros e seus marechais e
como em todas as reuniões, o primeiro conselheiro já atualizou a
todos sobre os assuntos pendentes e só aguardam o imperador dar sua
palavra final. Isso é tão comum, que quase todos no império
preferem falar com o conselheiro Yan do que com o imperador, até
parece que quem manda é o conselheiro.
A capital, na verdade, é uma enorme fortaleza e sendo assim, tem
quatro grandes portões. O portão leste e oeste, são normalmente
usados para a entrada de mercadorias e dos soldados, o portão sul
está sempre fechado, é a rota de saída do imperador e o portão
norte é por onde as pessoas entram. Todas as pessoas que vão a
capital, para qualquer atividade, tem que portar um passe e os
soldados do portão verificam um por um e depois do atentado contra o
imperador, esses passes são minuciosamente verificados.
Sete pessoas, montadas em cavalos cansados e elas mesmas com a aparência
cansada, se aproximam do portão norte e param em frente aos soldados
para anunciarem quem são. O conselheiro Yan deu ordens de ser
informado imediatamente quando um grupo de pessoas como aquele,
chegasse ao portão e o soldado responsável fez o que foi ordenado
por seu capitão, enviou um mensageiro ao primeiro marechal e um
outro ao conselheiro. Os soldados que protegem os portões e a
capital, são fiéis ao imperador e ao primeiro marechal, nenhum
soldado nunca questionou isso.
A reunião está quase terminando e é sempre a mesma coisa, o
conselheiro Yan fala, os outros conselheiros apoiam e o imperador
concorda, nunca muda. Um alvoroço na ante sala perturba aquele
ambiente monótono.
O que está acontecendo? - pergunta o imperador.
Um soldado se aproxima do general Chen Shoi Ming e sussurra algo em seu
ouvido e o general se aproxima do primeiro marechal para retransmitir
a informação.
Traga-os aqui imediatamente! Não deixe que ninguém os acolha
primeiro, entendeu?
O general entendeu e olha de lado para o primeiro conselheiro que
presta muita atenção na conversa, mas o general não se assusta com
cara feia. A ordem foi dada e será cumprida.
Por minutos, o outro soldado chega com a noticia ao conselheiro, que não
se importa muito, vai dar ao primeiro marechal esse pequeno gosto de
uma vitória em uma guerra não declarada.
A capitã Wang Li Jie ouviu a informação e pede ao general para
escoltar o grupo.
Com discrição, capitã. O marechal quer vê-los primeiro, entendeu?
Sim, general.
Do lado de dentro, aquelas sete pessoas cansadas esperam por uma
escolta, foram avisados que devem se dirigir ao palácio primeiro.
Estamos cansados. Todos nós! Isso não pode esperar, talvez amanhã!
- reclama Jingfei.
São as ordens do imperador. - responde o soldado.
Logo se aproxima a capitã, acompanhada de seis soldados.
Senhoras, que bom vê-las a salvo! Ao senhor também, conselheiro.
Isso precisa ser agora, capitã? - pergunta Jingfei de novo.
__ Infelizmente não podemos esperar. As notícias que eu trouxe só
poderão ser completas com as informações que as senhoras e o
conselheiro trazem.
Enquanto caminham pela rua em direção ao palacio, um homem observa o grupo,
ele é um dos vários olhos que o conselheiro Yan Cong tem na
capital.
Na ante sala, o primeiro marechal olha o grupo a sua frente. Sua esposa
está mais magra e com olhos fundos, os demais estão cansados e isso
é visível também.
Quando falarem com o imperador, sejam precisos e não omitam nada,
entenderam?
Omitir o quê? - resmunga Jingfei.
O grupo entra na sala do trono e todos se curvam, com o rosto no solo.
Levantem. Que bom que estão todos bem. - o imperador saúda o grupo
e seus olhos passeiam tristes pelo rosto cansado de sua concubina. -
Trazem alguma novidade?
Vossa majestade, queira me perdoar, mas deveríamos ouvir somente o
conselheiro, afinal ele é um membro oficial e coube a ele coletar
informações precisas sobre as províncias.
Se vossa majestade me permite, acho que foi o próprio conselheiro
Yan que disse que um olhar diferente do habitual, seria de grande
ajuda para esclarecer os acontecimentos tristes que vossa majestade
passou e nós vimos muitas coisas interessantes que podem ser de
grande ajuda. - replica Zhang Jingfei.
Isso é verdade, mas vamos ouvir primeiro o conselheiro e depois esse
imperador gostaria muito de ouvir o que as duas viram. - finaliza o
imperador.
Vossa majestade, como eu acho que a capitã já deve ter lhe dito
qual era a situação da sede da província de Mar de Jade Azul, vou
falar sobre o que vi e minha opinião sobre isso.
É o que todos esperamos, conselheiro Yang. - fala o conselheiro Yan
Cong.
Os corpos, vossa majestade, espalhados por toda a cidade foram
brutalmente assassinados. Alguns foram enforcados e muitos morreram
por golpes de facas ou espadas. Aparentemente os mortos tinham mais
de sessenta e cinco anos …
Como sabe disso? - pergunta o conselheiro Yan Cong.
Uma das pessoas em transe era um mestre da escola de cultivo do
império e ele tem sessenta anos, logo a dedução lógica é que
somente os muito velhos foram mortos.
Por quê?
Vossa majestade, essa pergunta vai ficar sem resposta, eu sinto
muito. Não vimos em Mar Azul nenhuma figura diferente …
A capitã Wang disse que havia um homem diferente por lá.
Pois é, conselheiro Yan Cong, se o senhor me deixar continuar, posso
aos poucos esclarecer isso.
Talvez o conselheiro Yang não tenha o mesmo poder do primeiro conselheiro,
mas de vez em quando ele mostra suas garras, apenas para que o
primeiro conselheiro saiba que nem todos são carneirinhos em sua
fazenda.
Continuando, vossa majestade e antes de chegar nessa figura estranha,
eu vi que as pessoas em transe, em um determinado momento, param por
nada. Pelo que percebi, eles receberam ordens de matar qualquer
estranho na cidade e assim o fizeram, mas antes de perceberem nossa
presença, todos estavam recolhidos nos enormes celeiros, casas ou
mesmo parados nas ruas mais distantes do centro da cidade. Outra
observação que fiz é que todos os que morreram, digo daqueles em
transe, a fumaça que sai da boca deles, sai com maior rapidez,
diferente daqueles que atacaram vossa majestade. - o conselheiro Yang
não para de falar, respira com calma e fala com calma. - Os corpos
que observei não tem marca nenhuma, com isso é possível dizer que
não foram drogados ou marcados com algum objeto de cultivo proibido.
Outra observação é a morte das crianças, que foram queimadas
vivas nos celeiros nos limites da cidade. As crianças eram todas
menores de cinco anos e as mais velhas seguiam os adultos em transe.
Também não sabe o porquê de matar as crianças?
Não, vossa majestade, infelizmente não. O que eu tenho é uma
teoria de que as crianças jovens precisam de cuidados constantes,
assim como os mais velhos e essa pessoa ou grupo de pessoas, não
querem cuidar deles, sendo assim eliminam os mais fracos. Outra
observação, é que as pessoas em transe obedecem ao som de uma
trombeta e os toques são específicos, parece ser uma melodia
cortada, fragmentada, algo como se cada parte dessa música fosse um
comando a ser obedecido. A senhora Zhang fez algumas observações
interessantes que merecem ser ouvidas.
Jingfei olha para o conselheiro Yang e vê um leve sorriso e um olhar de
simpatia. Parece que o conselheiro se arrependeu de sua atitude
grosseira, no caminho de volta.
Então, senhora Zhang, o que viu de interessante?
Vossa majestade, não sei se o que vi foi tão importante quanto o
que viu o conselheiro Yang, mas talvez por que eu morei naquela
cidade a vida toda, tenha facilitado. A verdade, vossa majestade é
que Mar Azul é uma cidade portuária …
Isso todos nós sabemos, senhora Zhang. - interrompe o conselheiro
Yan Cong e ao final de suas palavras, alguns sons de riso são
ouvidos.
… e sendo um dos maiores portos de todo o império, não havia um
único navio ancorado. - nesse momento o som de risos foi trocado por
murmúrios de espanto. - O porto estava vazio, nenhuma embarcação,
pequena, média ou grande. Não havia nenhum navio ancorado. Os
marinheiros mais velhos, assim como os capitães, estavam boiando no
mar. Junto ao porto, ficam os armazéns, onde todas as mercadorias
vindas de outros países e aquelas que serão enviadas para fora e
esses armazéns estavam vazios. Não ficou uma única mercadoria para
trás. As lojas de suprimentos foram esvaziadas também e das casas
foram levados os objetos de valor.
Muitas coisas de ouro, prata e pedras preciosas. - comenta Lin
Ehuang.
Verdade, tudo que pode ser considerado de valor, foi levado.
Senhora Zhang viu alguém diferente?
Vossa majestade, eu vi minha irmã sendo arrastada por um homem
estranho, com roupas estranhas e o rosto desfigurado, caminhando em
direção a uma carruagem sem cavalos, ao lado dele tinha dois homens
de capuz que tocavam a trombeta. Quando chamei por minha irmã, o
homem apenas sorriu e lançou um pequeno pote de veneno em nós.
Sabia que era veneno?
Sim, vossa majestade, reconheci o cheiro, mas o antídoto estava na
casa de meu pai e eu o peguei e usei.
Também usou, senhora Lin? - pergunta o imperador cheio de
preocupação.
Sim, vossa majestade.
Com as informações que ouvimos, a que conclusão podemos chegar?
Vossa majestade, talvez sejam estrangeiros invasores com algum tipo
de poção que deixa as pessoas nesse estado, afinal, eles saquearam
a cidade. - diz o conselheiro Yan Cong.
Vossa majestade, gostaria de continuar com as explicações …
O conselheiro já falou tudo o que observou.
Conselheiro Yan Cong, deixe o conselheiro Yang terminar. Todas as
informações serão bem-vinda para nos ajudar contra seja lá quem
for. Continue conselheiro.
Obrigado, vossa majestade. Conforme suas ordens, majestade, seguimos
em direção a Jade Verde e depois chegamos a Jade Amarelo. O cenário
era o mesmo. Dezenas, centenas de corpos espalhados pelas estradas,
vilas, povoados e nas sedes das províncias. A senhora Zhang teve a
ideia de seguirmos a enorme coluna de pessoas em transe, fingindo
estarmos em transe também e assim chegamos ao pequeno porto de Jade
Amarelo, lá estavam alguns navios mercantes que recebiam as
mercadorias retiradas de Jade Azul e Jade Amarelo. Nós observamos
que os animais também foram levados, tais como cavalos, gados,
galinhas, porcos e tudo que eles podiam carregar. Quando chegamos no
limite entre Jade Amarelo e Jade Branco, vimos pela primeira vez
soldados diferentes …
Soldados? - falam alguns, em voz alta.
Esses soldados, vossa majestade, não estavam em transe, como
observou a senhora Zhang, eles conversavam entre si e organizavam o
embarque das mercadorias nos navios e havia muitos navios. No porto
contamos quatro navios mercantes ancorados e navegando em direção
ao norte, tinha mais quatro. O uniforme dos soldados é preto e
vermelho, com armaduras por cima, essas eram feitas de um bom aço
estrangeiro, pois não consegui reconhecer a estrutura de como foi
feita aquela armadura. A senhora Zhang reconheceu a guarnição do
segundo marechal e eu reconheci os filhos do governador da província
do Mar de Jade Negro, entre as pessoas em transe. Decidimos que era
hora de voltarmos com as informações colhidas, seguir adiante era
por demais perigoso. - completa a explicação o conselheiro Yang,
Para onde foram as pessoas em transe, depois de Jade Branco?
Vossa majestade, não seguimos para Jade Branco, ficamos nos limites
entre as províncias, mas as pessoas seguiam em frente, ao que
parece, vão se concentrar em Jade Negro.
Senhora Zhang, tem certeza de que eram meus soldados? Sabe reconhecer
ou diferenciar os exércitos do império? - pergunta o segundo
marechal.
Marechal Guang Chonglin, eu sei a diferença entre os soldados do
primeiro marechal e do segundo e aqueles eram seus soldados. Todos
eles tinham o símbolo da sua casa, marechal.
Alguém pode me dizer qual é a população das cinco províncias.?
Vossa majestade, temos que verificar primeiro. - responde o primeiro
conselheiro.
Vossa majestade, se permite, posso responder a essa pergunta, o
falecido imperador pediu uma contagem a quatro anos e eu participei
dela.
Sabe com precisão?
Vossa majestade, se passaram quatro anos, os números que guardei na
memória são de quatro anos atrás e não deve ser diferente dos que
constam nos documentos oficiais.
Muito bem, continue.
As cinco províncias, a quatro anos atrás, tinham um total de cento
e dez mil pessoas, sendo que Jade Azul e Jade Amarelo são as mais
povoadas, com trinta mil cada, já Jade Amarelo conta com vinte mil e
Jade Branco e Jade Negro com quinze mil cada uma. Eu estou passando,
majestade, os números cheios, mas sem erros, a quantidade de pessoas
nas cinco províncias. são de cento e dez mil pessoas. Agora com
certeza tem menos, afinal todas as crianças e velhos estão mortos.
Cento e dez mil pessoas? - fala um conselheiro.
Onde essas pessoas estão? - fala outro.
São invasores estrangeiros, com certeza. - argumenta outro.
Os documentos oficiais chegam as mãos do conselheiro Yan Cong, que
torce os lábios de desgosto.
Conselheiro Yan Cong, o que os documentos oficiais dizem?
Majestade, a senhora Zhang tem razão, são cento e dez mil pessoas
nas cinco províncias.
Muitos sussurros, muitas pessoas se expressando ao mesmo tempo.
Silêncio! Marechal Zhang, sua opinião.
Majestade, acho que não podemos avançar pelas províncias. Por
enquanto, já que uma das melhores guarnições do segundo marechal,
estão em transe.
Pensei que o marechal não temesse nada.
Conselheiro, não confunda precaução com covardia, aliás o senhor
tem esse habito sempre, o de confundir as coisas. - responde o
marechal Zhang Huizong.
O primeiro marechal tem razão, majestade, devemos ser precavidos
nesse momento, não sabemos com o quê ou quem estamos lidando. O
melhor será uma guarnição nos limites de Mar de Jade Azul e outra
em Mar de Jade Negro. Não concorda, marechal Zhang? - sugere o
conselheiro Yang.
Concordo. Fortalecer a guarda nas fronteiras com a Terra dos Bárbaros
também será bom, evita que eles tentem qualquer coisa e avisar o
país vizinho, depois do Grande Canal, para que fiquem atentos.
Acho que não é necessário, majestade, isso só vai espalhar um
caos que não existe …
Um caos que não existe? O conselheiro acabou de confirmar que cento
e dez mil pessoas foram levadas para algum lugar e não sabemos o
motivo, alguém os colocou em transe e matou centenas de outras
pessoas, se isso não é motivo para ficarmos em alerta, não existe
nenhum outro! - argumenta o marechal Zhang Huizong.
Chega! Por enquanto, ninguém vai para essas províncias., quero
guarnições em todas as estradas. Quero que o abastecimento vá para
o porto da cidade de Lua Azul, um navio deve interceptar os navios
mercantes vindo do estrangeiro e avisar. Quero a população segura,
qualquer movimentação estranha deve ser comunicada. Pode não ser
um caos, mas vamos agir para que não se transforme em um.
Um som de um corpo caindo é ouvido, duas mulheres desmaiam.
Deve ser o efeito colateral do antídoto. - olham para o conselheiro
como se ele tivesse falado algo estranho demais. - A senhora Zhang
sabe que o antídoto tem um efeito muito ruim, talvez até pior do
que o veneno, pois causa muita febre que pode levar a morte.
Então para que serve o antídoto?
Majestade, o veneno mata em menos de um dia, o antídoto, se a pessoa
não for socorrida, mata em três dias. - explica o conselheiro Yang.
Chamem o médico imperial, agora!
Majestade, o médico imperial para uma simples concubina?
__ Conselheiro Yan Cong, uma concubina que tem a preferência do
imperador, pode ter esse direito, não é o que diz a lei? - sem
esperar pela resposta o imperador chama de novo o médico. - Rápido!
O marechal pega sua esposa no colo e vai com ela para a sua residência.
Não gosta de sua esposa, mas o marechal não quer que ela morra, sem
que ele não tenha feito nada para ajudar a salvá-la.
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Atualizado até capítulo 48
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