Capítulo 12 Estamos de volta!

Quinze dias antes, atravessava os portões da capital, a capitã Wang Li Jie

e o que sobrou da guarnição que comandava. As rodas das carroças

gemiam, parecendo adivinhar que uma parte de sua carga sentia dor e a

outra parte não sentia mais dor e muito menos tinha vida.

A notícia do retorno da capitã chegou aos ouvidos do conselheiro Yan

Cong e do imperador, nessa ordem e o conselheiro convenceu o imperador de

ouvir as explicações da capitã naquele mesmo instante, para que os

detalhes não se perdessem na memória.

O primeiro marechal Zhang Huizong também soube do retorno da capitã e

também quer saber o que aconteceu, mas não chegou a tempo de

levá-la, e a seus soldados, para seu quartel-general, a capitã foi

interceptada no caminho e levada até o palácio e para lá o

marechal seguiu.

Na grande sala do trono, estão os conselheiros, os dois marechais e o

imperador.

 Capitã Wang Li Jie, se não tem condições, deve ir até o médico

do exército. - fala o imperador.

 Vossa majestade, me desculpe por interromper, mas a capitã é um

soldado e, com certeza, sabe de suas obrigações perante o império

e do perigo que vossa majestade correu e depois, a capitã não

parece estar muito ferida, tenho certeza que ela pode responder as

suas perguntas. - encerra o conselheiro Yan Cong com seu rosto

sereno.

 Seremos breves com sua capitã, primeiro marechal.

 Agradeço, vossa majestade.

 Gostaria de lembrar, primeiro marechal, que as informações de sua

capitã são importantes, já que a guarnição do segundo marechal

ainda não retornou. - novamente o conselheiro Yan Cong aparenta

serenidade no rosto.

Um silêncio paira no ar, parece ser obvio a todos que o conselheiro Yan

Cong repreendeu os dois marechais e até o próprio imperador. Os

conselheiros que apoiam o conselheiro Yan Cong, vibram de satisfação

por dentro e aqueles do outro lado, que são minoria, amargam mais

uma demonstração de poder do conselheiro Yan Cong.

 Capitã Wang, conte-nos o que aconteceu e onde estão o conselheiro

Yang, a concubina Lin e a senhora Zhang.

 Vossa majestade, é certo que meus ferimentos são profundos, mas não

são fatais, posso informar os acontecimentos e responder as suas

perguntas.

 Então, capitã Wang, informe ao imperador dos acontecimentos, como

ele pediu. - sugere conselheiro Yan Cong.

 Conforme o ordenado, saímos aos doze toques do congo. No portão

leste, as duas senhoras já nos esperavam e pouco depois chegou o

conselheiro Yang. - uma pausa para respirar. Capitã Wang recusou um

assento, vai ficar em pé como qualquer soldado faria. - O caminho

até a cidade Mar Azul foi tranquilo e rápido, não encontramos

ninguém na estrada, o que é muito estranho, pois o movimento de

cargas para o porto e para as cidades ao redor da capital e para a

própria capital é intenso o dia todo. Na cidade Mar Azul, chegamos

ao amanhecer e deparamos com uma cena de absoluto horror. Havia por

todos os lados, corpos e mais corpos de velhos. Todos foram degolados

ou atravessados por lanças ou facas. As casas, algumas estavam em

chamas e outras destruídas por dentro, nas casas dos mais ricos, os

proprietários, em sua maioria os mais velhos da família, estavam

enforcados nas entradas das casas. As duas senhoras foram atrás de

seus familiares e o conselheiro começou a coletar informações. A

cidade parecia deserta, a não ser pelos mortos. Ordenei que se

formassem quatro grupos para vasculhar a cidade e eu fui em um deles,

mas não havia sinais que pudessem identificar os agressores daquelas

pessoas. Voltamos a formação na praça principal. Confirmei a morte

de toda a família do governador, pelo menos dos mais velhos. Não

tivemos tempo de apagar os incêndios …

 Era o que devia ter feito! Muitas casas pertenciam aos nobres da

corte e muitos mercadores de alto nível! - fala o conselheiro Yan

Cong.

 Suas observações ingênuas de um civil, não condizem com a atitude

de um soldado. Minha capitã procurava por sobreviventes e possíveis

invasores que talvez ainda estivessem na cidade. O incêndio podia

ser controlado mais tarde, se houvesse necessidade. - observa o

primeiro marechal Zhang.

 De certo que sim. Desculpe a ingenuidade desse conselheiro e desculpe

a interrupção. - responde o conselheiro Yan Cong com um sorriso de

deboche que poucos viram.

 Depois de averiguar que a cidade estava mesmo deserta, com exceção

das pessoas mais velhas mortas nas ruas e em suas casas, voltamos

para a praça central e encontramos o conselheiro Yang correndo por

uma das ruas e atrás dele e de seu auxiliar, estava uma multidão …

 Mas a senhora não acabou de dizer que a cidade estava vazia?

 Sim, vossa majestade, entretanto de algum lugar aquelas pessoas

apareceram e todas armadas com lanças, martelos, facas, facões e

qualquer coisa que podia matar. O ataque foi rápido, mal conseguimos

nos organizar. Eles eram ferozes e por mais que eram feridos, as

pessoas em transe continuavam avançado …

 Em transe? - perguntam várias vozes.

 Sim, foi isso que observei. Assim como aquelas pessoas das comitivas

das províncias, os moradores da cidade estavam em transe e atacavam

sem parar, nada os detinha, mesmo os ataques com nossos poderes, que

feriam de maneira bruta, as pessoas se levantavam ou se arrastavam em

nossa direção. Foi assim que dezessete de meus homens morreram

naquela praça. - uma pausa para o pesar da capitã por seus

valorosos soldados. - De algum lugar surgiu as duas senhoras e suas

servas, a senhora Lin teve a ideia de usar a água para deter as

pessoas. Um jato muito forte, vindo de uma bomba de água, afastava

um pouco as pessoas, mas não era o suficiente, porque elas

continuavam a atacar. Fui ferida nas costas e em uma perna, alguns

dos soldados estavam no seu limite com muitos ferimentos, quando

ouvimos uma explosão …

 Explosão? - novamente várias vozes perguntam.

 Que tipo de explosão? - pergunta o imperador.

 Uma explosão, um som parecido com os dos canhões dos navios de

guerra imperiais.

 Quem era?

 O conselheiro Yang, vossa majestade. Ele trouxe uma espécie de

garrafinha com pólvora e as fazia explodir entre as pessoas em

transe …

 Matou cidadãos de Jinhai? - pergunta furioso o conselheiro Yan Cong.

 O que preferiria, conselheiro? Que todos estivessem mortos e nenhuma

informação viesse até nós? E depois, os cidadãos não estavam em

seu juízo perfeito, alguém os estava controlando, é isso capitã?

- o primeiro marechal parte em defesa de seus soldados.

 Novamente, desculpe minha ingenuidade, mas os cidadãos de Jinhai são

muito importantes para mim.

 São para todos nós, conselheiro Yan Cong, mas a situação naquele

momento era desesperadora e como disse o primeiro marechal, a

guarnição estava cumprindo ordens e precisavam sobreviver para

contar o que viram. - finaliza o imperador. - Continue capitã Wang.

 Sim, vossa majestade. Apesar das explosões terem matado alguns, os

que estavam vivos continuavam a avançar e o jato de água não

estava mais surtindo efeito e o conselheiro parou de jogar as

garrafinhas, a situação parecia se encaminhar para o nosso fim

naquele momento. Quando ouvimos uma trombeta tocar duas vezes e as

pessoas em transe apenas pararam de se mover. Elas soltaram as armas

e começaram a andar em direção aos limites da cidade. Todas

aquelas pessoas estavam no limite leste da cidade e de lá surgiu uma

coluna de fumaça, que a concubina Lin logo percebeu ser o lugar onde

estavam as crianças.

 Como ela percebeu? - perguntou o imperador.

 Através dos gritos, vossa majestade. Gritos altos e desesperados …

 Espere um momento, capitã. Quer dizer que não havia crianças na

cidade?

 Não, vossa majestade, não vimos nenhuma. A concubina Lin correu até

onde o som dos gritos estava vindo, mas quando chegou, já era tarde

demais. Os poucos gritos foram se silenciando até não se ouvir mais

nada. O galpão queimou rápido e totalmente.

 Crianças?

 Sim, vossa majestade. Não foi possível ver antes, porque parece que

as pessoas em transe reuniram as crianças fora da cidade e somente

naquele momento vimos as várias colunas de fogo e fumaça …

 Quem poderia mandar fazer tal coisa? - pergunta o imperador.

 Os Bárbaros com certeza! - grita um conselheiro.

 Invasores estrangeiros vindos do mar! - grita outro.

 Viu alguma coisa que possa identificar quem é o responsável?

 Não, vossa majestade, mas a senhora Zhang deve ter visto …

 Senhora Zhang?

 Vossa Majestade, a senhora Zhang reconheceu no meio da multidão a

irmã e foi atrás, seguindo aquelas pessoas em transe, que parecia

ter perdido o interesse em nos matar, pois a senhora Zhang foi até a

casa do governador junto deles e não foi atacada.

 O que ela viu?

 Não sei, vossa majestade, mas a pessoa próxima a irmã da senhora

Zhang, jogou um pote nela e na concubina Lin, fez alguns gestos e a

trombeta tocou novamente e todas as pessoas em transe começaram a

caminhar novamente.

 E as duas?

 Elas saíram do meio da multidão e voltaram para a praça central,

onde o conselheiro Yang identificou que o que o homem jogou nas duas

era um veneno …

 Veneno? - falam novamente várias vozes.

 Sim, um veneno peculiar, como disse o conselheiro, que mata em poucas

horas, mas a senhora Zhang conhecia o antídoto e foi buscar na casa

do pai e dividiu com a concubina Lin.

 Por que não voltaram?

 Vossa majestade, eu não tinha condições físicas ou mental para

discutir com a senhora Zhang, portanto, quando o conselheiro partiu

em direção de Jade Verde, as duas senhoras foram junto.

 Vossa majestade, a senhora Zhang e a concubina Lin, desobedeceram

suas ordens! - fala agitado o conselheiro Yan Cong.

 Se me permite continuar, vossa majestade, talvez eu consiga

esclarecer o motivo das duas acompanharem o conselheiro Yang.

 Continue.

 Vossa majestade, um soldado acompanhou as duas e muito do que falei é

o que esse soldado me contou. A irmã da senhora Zhang estava na

companhia desse homem que coordenava a saída das pessoas e a

concubina Lin informou que crianças maiores estavam vivas, pois

algumas foram vistas na multidão que caminhava para fora da cidade.

A intenção das duas é confirmar que as crianças estavam vivas e

até onde a multidão vai caminhar.

 Obedecendo às ordens que esse imperador deu. Muito bem, vamos

aguardar o retorno delas e da guarnição do leste, para formamos um

plano de defesa. Marechal Zhang, quero um relatório minucioso de

todos os sobreviventes e marechal Guang, quando sua guarnição

retornar traga-a até esse imperador imediatamente. É só.

 Sim, vossa majestade.

A capitã está exausta, uma pequena poça de sangue se formou no lugar

em que estava, mas ela se manteve firme, só desmaiando nos braços

do capitão Cheng Yan, quando atravessaram os portões do

quartel-general.

__ Firme como uma rocha. - sussurra orgulhoso o capitão Cheng.

O retorno de Jingfei e da concubina Lin, não preocupa ninguém,

aparentemente não. O primeiro marechal não se incomoda, afinal é

uma esposa que foi obrigado a aceitar, se ela não voltar, será o

destino, agora o imperador esconde sua preocupação, ele gosta da

voz aveludada de sua concubina e da simpatia com que ela o trata.

Vinte dias se passaram, é hora de alguém ficar preocupado.

 Primeiro marechal Zhang? Não há notícias das duas senhoras e do

conselheiro Yang?

 Vossa majestade, ninguém ainda retornou, mesmo a guarnição do

segundo marechal, também não retornou.

Esse é mais um dia de reunião com os conselheiros e seus marechais e

como em todas as reuniões, o primeiro conselheiro já atualizou a

todos sobre os assuntos pendentes e só aguardam o imperador dar sua

palavra final. Isso é tão comum, que quase todos no império

preferem falar com o conselheiro Yan do que com o imperador, até

parece que quem manda é o conselheiro.

A capital, na verdade, é uma enorme fortaleza e sendo assim, tem

quatro grandes portões. O portão leste e oeste, são normalmente

usados para a entrada de mercadorias e dos soldados, o portão sul

está sempre fechado, é a rota de saída do imperador e o portão

norte é por onde as pessoas entram. Todas as pessoas que vão a

capital, para qualquer atividade, tem que portar um passe e os

soldados do portão verificam um por um e depois do atentado contra o

imperador, esses passes são minuciosamente verificados.

Sete pessoas, montadas em cavalos cansados e elas mesmas com a aparência

cansada, se aproximam do portão norte e param em frente aos soldados

para anunciarem quem são. O conselheiro Yan deu ordens de ser

informado imediatamente quando um grupo de pessoas como aquele,

chegasse ao portão e o soldado responsável fez o que foi ordenado

por seu capitão, enviou um mensageiro ao primeiro marechal e um

outro ao conselheiro. Os soldados que protegem os portões e a

capital, são fiéis ao imperador e ao primeiro marechal, nenhum

soldado nunca questionou isso.

A reunião está quase terminando e é sempre a mesma coisa, o

conselheiro Yan fala, os outros conselheiros apoiam e o imperador

concorda, nunca muda. Um alvoroço na ante sala perturba aquele

ambiente monótono.

 O que está acontecendo? - pergunta o imperador.

Um soldado se aproxima do general Chen Shoi Ming e sussurra algo em seu

ouvido e o general se aproxima do primeiro marechal para retransmitir

a informação.

 Traga-os aqui imediatamente! Não deixe que ninguém os acolha

primeiro, entendeu?

O general entendeu e olha de lado para o primeiro conselheiro que

presta muita atenção na conversa, mas o general não se assusta com

cara feia. A ordem foi dada e será cumprida.

Por minutos, o outro soldado chega com a noticia ao conselheiro, que não

se importa muito, vai dar ao primeiro marechal esse pequeno gosto de

uma vitória em uma guerra não declarada.

A capitã Wang Li Jie ouviu a informação e pede ao general para

escoltar o grupo.

 Com discrição, capitã. O marechal quer vê-los primeiro, entendeu?

 Sim, general.

Do lado de dentro, aquelas sete pessoas cansadas esperam por uma

escolta, foram avisados que devem se dirigir ao palácio primeiro.

 Estamos cansados. Todos nós! Isso não pode esperar, talvez amanhã!

- reclama Jingfei.

 São as ordens do imperador. - responde o soldado.

Logo se aproxima a capitã, acompanhada de seis soldados.

 Senhoras, que bom vê-las a salvo! Ao senhor também, conselheiro.

 Isso precisa ser agora, capitã? - pergunta Jingfei de novo.

__ Infelizmente não podemos esperar. As notícias que eu trouxe só

poderão ser completas com as informações que as senhoras e o

conselheiro trazem.

Enquanto caminham pela rua em direção ao palacio, um homem observa o grupo,

ele é um dos vários olhos que o conselheiro Yan Cong tem na

capital.

Na ante sala, o primeiro marechal olha o grupo a sua frente. Sua esposa

está mais magra e com olhos fundos, os demais estão cansados e isso

é visível também.

 Quando falarem com o imperador, sejam precisos e não omitam nada,

entenderam?

 Omitir o quê? - resmunga Jingfei.

O grupo entra na sala do trono e todos se curvam, com o rosto no solo.

 Levantem. Que bom que estão todos bem. - o imperador saúda o grupo

e seus olhos passeiam tristes pelo rosto cansado de sua concubina. -

Trazem alguma novidade?

 Vossa majestade, queira me perdoar, mas deveríamos ouvir somente o

conselheiro, afinal ele é um membro oficial e coube a ele coletar

informações precisas sobre as províncias.

 Se vossa majestade me permite, acho que foi o próprio conselheiro

Yan que disse que um olhar diferente do habitual, seria de grande

ajuda para esclarecer os acontecimentos tristes que vossa majestade

passou e nós vimos muitas coisas interessantes que podem ser de

grande ajuda. - replica Zhang Jingfei.

 Isso é verdade, mas vamos ouvir primeiro o conselheiro e depois esse

imperador gostaria muito de ouvir o que as duas viram. - finaliza o

imperador.

 Vossa majestade, como eu acho que a capitã já deve ter lhe dito

qual era a situação da sede da província de Mar de Jade Azul, vou

falar sobre o que vi e minha opinião sobre isso.

 É o que todos esperamos, conselheiro Yang. - fala o conselheiro Yan

Cong.

 Os corpos, vossa majestade, espalhados por toda a cidade foram

brutalmente assassinados. Alguns foram enforcados e muitos morreram

por golpes de facas ou espadas. Aparentemente os mortos tinham mais

de sessenta e cinco anos …

 Como sabe disso? - pergunta o conselheiro Yan Cong.

 Uma das pessoas em transe era um mestre da escola de cultivo do

império e ele tem sessenta anos, logo a dedução lógica é que

somente os muito velhos foram mortos.

 Por quê?

 Vossa majestade, essa pergunta vai ficar sem resposta, eu sinto

muito. Não vimos em Mar Azul nenhuma figura diferente …

 A capitã Wang disse que havia um homem diferente por lá.

 Pois é, conselheiro Yan Cong, se o senhor me deixar continuar, posso

aos poucos esclarecer isso.

Talvez o conselheiro Yang não tenha o mesmo poder do primeiro conselheiro,

mas de vez em quando ele mostra suas garras, apenas para que o

primeiro conselheiro saiba que nem todos são carneirinhos em sua

fazenda.

 Continuando, vossa majestade e antes de chegar nessa figura estranha,

eu vi que as pessoas em transe, em um determinado momento, param por

nada. Pelo que percebi, eles receberam ordens de matar qualquer

estranho na cidade e assim o fizeram, mas antes de perceberem nossa

presença, todos estavam recolhidos nos enormes celeiros, casas ou

mesmo parados nas ruas mais distantes do centro da cidade. Outra

observação que fiz é que todos os que morreram, digo daqueles em

transe, a fumaça que sai da boca deles, sai com maior rapidez,

diferente daqueles que atacaram vossa majestade. - o conselheiro Yang

não para de falar, respira com calma e fala com calma. - Os corpos

que observei não tem marca nenhuma, com isso é possível dizer que

não foram drogados ou marcados com algum objeto de cultivo proibido.

Outra observação é a morte das crianças, que foram queimadas

vivas nos celeiros nos limites da cidade. As crianças eram todas

menores de cinco anos e as mais velhas seguiam os adultos em transe.

 Também não sabe o porquê de matar as crianças?

 Não, vossa majestade, infelizmente não. O que eu tenho é uma

teoria de que as crianças jovens precisam de cuidados constantes,

assim como os mais velhos e essa pessoa ou grupo de pessoas, não

querem cuidar deles, sendo assim eliminam os mais fracos. Outra

observação, é que as pessoas em transe obedecem ao som de uma

trombeta e os toques são específicos, parece ser uma melodia

cortada, fragmentada, algo como se cada parte dessa música fosse um

comando a ser obedecido. A senhora Zhang fez algumas observações

interessantes que merecem ser ouvidas.

Jingfei olha para o conselheiro Yang e vê um leve sorriso e um olhar de

simpatia. Parece que o conselheiro se arrependeu de sua atitude

grosseira, no caminho de volta.

 Então, senhora Zhang, o que viu de interessante?

 Vossa majestade, não sei se o que vi foi tão importante quanto o

que viu o conselheiro Yang, mas talvez por que eu morei naquela

cidade a vida toda, tenha facilitado. A verdade, vossa majestade é

que Mar Azul é uma cidade portuária …

 Isso todos nós sabemos, senhora Zhang. - interrompe o conselheiro

Yan Cong e ao final de suas palavras, alguns sons de riso são

ouvidos.

 … e sendo um dos maiores portos de todo o império, não havia um

único navio ancorado. - nesse momento o som de risos foi trocado por

murmúrios de espanto. - O porto estava vazio, nenhuma embarcação,

pequena, média ou grande. Não havia nenhum navio ancorado. Os

marinheiros mais velhos, assim como os capitães, estavam boiando no

mar. Junto ao porto, ficam os armazéns, onde todas as mercadorias

vindas de outros países e aquelas que serão enviadas para fora e

esses armazéns estavam vazios. Não ficou uma única mercadoria para

trás. As lojas de suprimentos foram esvaziadas também e das casas

foram levados os objetos de valor.

 Muitas coisas de ouro, prata e pedras preciosas. - comenta Lin

Ehuang.

 Verdade, tudo que pode ser considerado de valor, foi levado.

 Senhora Zhang viu alguém diferente?

 Vossa majestade, eu vi minha irmã sendo arrastada por um homem

estranho, com roupas estranhas e o rosto desfigurado, caminhando em

direção a uma carruagem sem cavalos, ao lado dele tinha dois homens

de capuz que tocavam a trombeta. Quando chamei por minha irmã, o

homem apenas sorriu e lançou um pequeno pote de veneno em nós.

 Sabia que era veneno?

 Sim, vossa majestade, reconheci o cheiro, mas o antídoto estava na

casa de meu pai e eu o peguei e usei.

 Também usou, senhora Lin? - pergunta o imperador cheio de

preocupação.

 Sim, vossa majestade.

 Com as informações que ouvimos, a que conclusão podemos chegar?

 Vossa majestade, talvez sejam estrangeiros invasores com algum tipo

de poção que deixa as pessoas nesse estado, afinal, eles saquearam

a cidade. - diz o conselheiro Yan Cong.

 Vossa majestade, gostaria de continuar com as explicações …

 O conselheiro já falou tudo o que observou.

 Conselheiro Yan Cong, deixe o conselheiro Yang terminar. Todas as

informações serão bem-vinda para nos ajudar contra seja lá quem

for. Continue conselheiro.

 Obrigado, vossa majestade. Conforme suas ordens, majestade, seguimos

em direção a Jade Verde e depois chegamos a Jade Amarelo. O cenário

era o mesmo. Dezenas, centenas de corpos espalhados pelas estradas,

vilas, povoados e nas sedes das províncias. A senhora Zhang teve a

ideia de seguirmos a enorme coluna de pessoas em transe, fingindo

estarmos em transe também e assim chegamos ao pequeno porto de Jade

Amarelo, lá estavam alguns navios mercantes que recebiam as

mercadorias retiradas de Jade Azul e Jade Amarelo. Nós observamos

que os animais também foram levados, tais como cavalos, gados,

galinhas, porcos e tudo que eles podiam carregar. Quando chegamos no

limite entre Jade Amarelo e Jade Branco, vimos pela primeira vez

soldados diferentes …

 Soldados? - falam alguns, em voz alta.

 Esses soldados, vossa majestade, não estavam em transe, como

observou a senhora Zhang, eles conversavam entre si e organizavam o

embarque das mercadorias nos navios e havia muitos navios. No porto

contamos quatro navios mercantes ancorados e navegando em direção

ao norte, tinha mais quatro. O uniforme dos soldados é preto e

vermelho, com armaduras por cima, essas eram feitas de um bom aço

estrangeiro, pois não consegui reconhecer a estrutura de como foi

feita aquela armadura. A senhora Zhang reconheceu a guarnição do

segundo marechal e eu reconheci os filhos do governador da província

do Mar de Jade Negro, entre as pessoas em transe. Decidimos que era

hora de voltarmos com as informações colhidas, seguir adiante era

por demais perigoso. - completa a explicação o conselheiro Yang,

 Para onde foram as pessoas em transe, depois de Jade Branco?

 Vossa majestade, não seguimos para Jade Branco, ficamos nos limites

entre as províncias, mas as pessoas seguiam em frente, ao que

parece, vão se concentrar em Jade Negro.

 Senhora Zhang, tem certeza de que eram meus soldados? Sabe reconhecer

ou diferenciar os exércitos do império? - pergunta o segundo

marechal.

 Marechal Guang Chonglin, eu sei a diferença entre os soldados do

primeiro marechal e do segundo e aqueles eram seus soldados. Todos

eles tinham o símbolo da sua casa, marechal.

 Alguém pode me dizer qual é a população das cinco províncias.?

 Vossa majestade, temos que verificar primeiro. - responde o primeiro

conselheiro.

 Vossa majestade, se permite, posso responder a essa pergunta, o

falecido imperador pediu uma contagem a quatro anos e eu participei

dela.

 Sabe com precisão?

 Vossa majestade, se passaram quatro anos, os números que guardei na

memória são de quatro anos atrás e não deve ser diferente dos que

constam nos documentos oficiais.

 Muito bem, continue.

 As cinco províncias, a quatro anos atrás, tinham um total de cento

e dez mil pessoas, sendo que Jade Azul e Jade Amarelo são as mais

povoadas, com trinta mil cada, já Jade Amarelo conta com vinte mil e

Jade Branco e Jade Negro com quinze mil cada uma. Eu estou passando,

majestade, os números cheios, mas sem erros, a quantidade de pessoas

nas cinco províncias. são de cento e dez mil pessoas. Agora com

certeza tem menos, afinal todas as crianças e velhos estão mortos.

 Cento e dez mil pessoas? - fala um conselheiro.

 Onde essas pessoas estão? - fala outro.

 São invasores estrangeiros, com certeza. - argumenta outro.

Os documentos oficiais chegam as mãos do conselheiro Yan Cong, que

torce os lábios de desgosto.

 Conselheiro Yan Cong, o que os documentos oficiais dizem?

 Majestade, a senhora Zhang tem razão, são cento e dez mil pessoas

nas cinco províncias.

Muitos sussurros, muitas pessoas se expressando ao mesmo tempo.

 Silêncio! Marechal Zhang, sua opinião.

 Majestade, acho que não podemos avançar pelas províncias. Por

enquanto, já que uma das melhores guarnições do segundo marechal,

estão em transe.

 Pensei que o marechal não temesse nada.

 Conselheiro, não confunda precaução com covardia, aliás o senhor

tem esse habito sempre, o de confundir as coisas. - responde o

marechal Zhang Huizong.

 O primeiro marechal tem razão, majestade, devemos ser precavidos

nesse momento, não sabemos com o quê ou quem estamos lidando. O

melhor será uma guarnição nos limites de Mar de Jade Azul e outra

em Mar de Jade Negro. Não concorda, marechal Zhang? - sugere o

conselheiro Yang.

 Concordo. Fortalecer a guarda nas fronteiras com a Terra dos Bárbaros

também será bom, evita que eles tentem qualquer coisa e avisar o

país vizinho, depois do Grande Canal, para que fiquem atentos.

 Acho que não é necessário, majestade, isso só vai espalhar um

caos que não existe …

 Um caos que não existe? O conselheiro acabou de confirmar que cento

e dez mil pessoas foram levadas para algum lugar e não sabemos o

motivo, alguém os colocou em transe e matou centenas de outras

pessoas, se isso não é motivo para ficarmos em alerta, não existe

nenhum outro! - argumenta o marechal Zhang Huizong.

 Chega! Por enquanto, ninguém vai para essas províncias., quero

guarnições em todas as estradas. Quero que o abastecimento vá para

o porto da cidade de Lua Azul, um navio deve interceptar os navios

mercantes vindo do estrangeiro e avisar. Quero a população segura,

qualquer movimentação estranha deve ser comunicada. Pode não ser

um caos, mas vamos agir para que não se transforme em um.

Um som de um corpo caindo é ouvido, duas mulheres desmaiam.

 Deve ser o efeito colateral do antídoto. - olham para o conselheiro

como se ele tivesse falado algo estranho demais. - A senhora Zhang

sabe que o antídoto tem um efeito muito ruim, talvez até pior do

que o veneno, pois causa muita febre que pode levar a morte.

 Então para que serve o antídoto?

 Majestade, o veneno mata em menos de um dia, o antídoto, se a pessoa

não for socorrida, mata em três dias. - explica o conselheiro Yang.

 Chamem o médico imperial, agora!

 Majestade, o médico imperial para uma simples concubina?

__ Conselheiro Yan Cong, uma concubina que tem a preferência do

imperador, pode ter esse direito, não é o que diz a lei? - sem

esperar pela resposta o imperador chama de novo o médico. - Rápido!

O marechal pega sua esposa no colo e vai com ela para a sua residência.

Não gosta de sua esposa, mas o marechal não quer que ela morra, sem

que ele não tenha feito nada para ajudar a salvá-la.

Capítulos
1 Capítulo 1 - O Reino das Águas
2 Capítulo 2 Um tiro perfeito, na direção errada
3 Capítulo 3 A Sala de Espera
4 Capítulo 4 O Caminho é longo
5 Capítulo 5 A festa de casamento
6 Capítulo 6 A nova casa
7 Capítulo 7 O jantar em família
8 Capítulo 8 O Imperador está morto! Viva o novo Imperador!
9 Capítulo 9 O futuro imperador
10 Capítulo 10 A Coroação
11 Capítulo 11 O retorno a cidade natal
12 Capítulo 12 Estamos de volta!
13 Capítulo 13 Momentos complicados
14 Capítulo 14 O palácio imperial
15 Capítulo 15 Uma concubina preferida
16 Capítulo 16 De volta a mansão Zhang
17 Capítulo 17 Um jantar para diversão dos convidados.
18 Capítulo 18 A convivência do casal dragão
19 Capítulo 19 As maravilhas de um bom relacionamento
20 Capítulo 20 O rumor
21 Capítulo 21 O aniversário de casamento
22 Capítulo 22 A Peregrinação
23 Capítulo 23 A terra treme
24 Capítulo 24 A terra treme e o palácio sangra
25 Capítulo 25 - Parte 1 - A terra treme, mas a esperança é sem fim
26 Capítulo 25.I – Parte 2 A terra treme, mas a esperança é sem fim
27 Capítulo 25.II – Parte 3 A terra treme, mas a esperança é sem fim
28 Uma vida e um sonho
29 O imperador e sua amada
30 A Sabedoria de Lin Ehuang
31 Um jantar muito divertido
32 Um corte no tempo – Os irmãos Tian
33 Um corte no tempo e um lugar para os irmãos Tian
34 Um corte no tempo e o alimento de Tian Long
35 As dificuldades de se governar
36 Conhecendo um ao outro e um convite
37 De volta a Jade Azul
38 Muitas aventuras do casal dragão
39 Um corte no tempo para os sonhos
40 Os Bárbaros
41 O Ataque
42 Os Bárbaros e a coragem
43 A volta para casa
44 O Festival do Fim do Outono
45 A despedida
46 Um continente desunido
47 Observações: Fim do primeiro Livro
48 Observações 2ª Parte
Capítulos

Atualizado até capítulo 48

1
Capítulo 1 - O Reino das Águas
2
Capítulo 2 Um tiro perfeito, na direção errada
3
Capítulo 3 A Sala de Espera
4
Capítulo 4 O Caminho é longo
5
Capítulo 5 A festa de casamento
6
Capítulo 6 A nova casa
7
Capítulo 7 O jantar em família
8
Capítulo 8 O Imperador está morto! Viva o novo Imperador!
9
Capítulo 9 O futuro imperador
10
Capítulo 10 A Coroação
11
Capítulo 11 O retorno a cidade natal
12
Capítulo 12 Estamos de volta!
13
Capítulo 13 Momentos complicados
14
Capítulo 14 O palácio imperial
15
Capítulo 15 Uma concubina preferida
16
Capítulo 16 De volta a mansão Zhang
17
Capítulo 17 Um jantar para diversão dos convidados.
18
Capítulo 18 A convivência do casal dragão
19
Capítulo 19 As maravilhas de um bom relacionamento
20
Capítulo 20 O rumor
21
Capítulo 21 O aniversário de casamento
22
Capítulo 22 A Peregrinação
23
Capítulo 23 A terra treme
24
Capítulo 24 A terra treme e o palácio sangra
25
Capítulo 25 - Parte 1 - A terra treme, mas a esperança é sem fim
26
Capítulo 25.I – Parte 2 A terra treme, mas a esperança é sem fim
27
Capítulo 25.II – Parte 3 A terra treme, mas a esperança é sem fim
28
Uma vida e um sonho
29
O imperador e sua amada
30
A Sabedoria de Lin Ehuang
31
Um jantar muito divertido
32
Um corte no tempo – Os irmãos Tian
33
Um corte no tempo e um lugar para os irmãos Tian
34
Um corte no tempo e o alimento de Tian Long
35
As dificuldades de se governar
36
Conhecendo um ao outro e um convite
37
De volta a Jade Azul
38
Muitas aventuras do casal dragão
39
Um corte no tempo para os sonhos
40
Os Bárbaros
41
O Ataque
42
Os Bárbaros e a coragem
43
A volta para casa
44
O Festival do Fim do Outono
45
A despedida
46
Um continente desunido
47
Observações: Fim do primeiro Livro
48
Observações 2ª Parte

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