Os portões da cidade são de ferro puro, pintados de um marrom bem
escuro. Uma parte do portão fica aberta e por ali passam as
carroças, carruagens e as pessoas simples. Todos devem se
identificar, afinal, a cidade é a capital de Jinhai e todo cuidado é
pouco para com os inimigos do império. Chegando na vez de serem
checados, uma surpresa espera a família Liang.
Não estou entendendo, soldado.
Senhor, são as ordens que tenho. - responde de maneira ríspida o
soldado.
O que acontece? - pergunta o capitão que estava mais atrás.
Não sei, capitão. O soldado diz que devemos seguir a nova escolta
até nosso destino. - responde Liang Yongliang.
O capitão que está muito feliz por estar de volta, vai até o posto
onde se encontra com um soldado, que é o comandante da patrulha do
portão, conversam por minutos e volta para junto da carruagem.
É algo bem simples, afinal. O imperador quer que a família Liang vá
para o palácio imperial e se hospede lá até a hora da festa do
casamento.
O quê? - grita tia Shuchun em entusiamo. - Para o palácio imperial?
Porque isso, capitão? - pergunta Liang Yongliang.
O imperador dará uma festa de casamento ao filho reconhecido, é
isto, senhor.
Começa um pequeno frenesi de alegria no grupo. Tia Shuchun quer comprar
roupas novas, porque acha que as que trouxe não são adequadas, para
se apresentar na frente do imperador, enquanto que Liang Yongliang
pensa que será a primeira vez que entrará no palácio imperial.
Enfim, todos estão empolgados, menos o capitão que pelo pouco que
entendeu, sua escolta continua. Outras duas pessoas empolgadas são
Jingfei e Xiuying, mas de uma maneira diferente, uma está ansiosa
para ver o palácio e suas belezas e a outra está emocionada por que
até agora o plano está caminhando bem.
Em frente ao portão do palácio, Xiuying não está impressionada, os
portões do Reino das Águas são muito mais bonitos, mas esse portão
impressiona Jingfei, na verdade, impressiona Isa, que olha encantada
para ele. O portão deve medir pelos menos uns quatro metros de
altura, supõe ela que gosta muito de engenheira e conhece
construções como ninguém ali, tudo fruto dos ensinamentos da mãe.
O portão também é de ferro, assim como o da entrada da cidade, mas
esse é pintado de verde-escuro e em cada folha do portão está um
círculo que contém o emblema da família imperial, uma ave, mas não
é uma ave qualquer, como pensou a princípio Jingfei, é uma Fênix
e em suas garras está uma cobra gigante. O símbolo imperial é
feito de ouro, a Fênix foi feita em ouro queimado e a cobra foi
feita em jade. Ouro parece ser algo comum no palácio, pois assim que
entram todos veem a frente um pátio enorme e lá ao fundo, distante
quinhentos metros, está o palácio que brilha sob a luz do sol, seu
telhado é forrado com folhas de ouro. É uma pena que a carruagem é
direcionada para outro lado, assim Jingfei não poderá ver o
exterior luxuoso do palácio.
A família Liang foi conduzida para o pavilhão dos hóspedes e para se
ter uma idéia da grandiosidade da propriedade, a carruagem e a
escolta levam vinte minutos para chegar até lá.
O pavilhão dos hóspedes é uma casa com três cômodos, toda pintada
de branco e janelas e portas pintadas de azul, tem um pequeno, mas
florido, jardim a frente e dois servos esperam na porta principal.
Tia Shuchun está em êxtase, é hóspede no palácio imperial e vai
participar da festa de casamento de sua enteada, festa essa oferecida
pelo imperador. Vai contar para todas aquelas mulheres estúpidas, da
cidadezinha onde mora, sobre tudo isso.
Um quarto para as mulheres e um quarto para os homens, a sala da frente
é para refeições e receber visitas. No quarto para mulheres, tia
Shuchun e a filha banham-se na enorme banheira, usando toda a água
quente. Enquanto isso, Jingfei espera sua vez, mas isso não a
aborrece, a Isa dentro da garota vê o pôr do sol mais lindo de sua
vida e admira a arquitetura da construção. Tudo que sempre quis ver
e que sempre admirou.
Xiuying, mesmo para um pavilhão de hóspedes, o luxo é grande. Os
tapetes, as cortinas leves, os vasos são delicados, tudo é muito
harmonioso, tudo é delicado e confortável.
A mansão do marechal também é luxuosa.
Você tem que me lembrar o motivo de minha presença aqui. - diz
aborrecida Jingfei, sentando no sofá coberto com almofadas forradas
com cetim de várias cores. - Você sabe como ele é?
Não, só conheço a história da família dele.
Isso é algo que pode me contar?
Claro que sim! É melhor saber alguma coisa sobre ele, afinal, está
aqui para lutar ao lado dele e derrotar o mal.
Isso é outra coisa que não gosto de lembrar.
Não se preocupe, você vai conseguir.
Que bom que você acredita nisso. - fala Jingfei, com certa dúvida a
respeito de sua participação nos eventos que desconhece e que estão
por vir. - Me fale sobre ele, o marechal.
A história do marechal é de conhecimento público, não existe nada
de misterioso, só muita luta e desafios a vencer.
Como assim? - pergunta Jingfei curiosa.
A mãe do marechal, era uma mulher muito bonita. Um rosto delicado,
uma voz suave, um temperamento amigável. Uma mulher que fazia alguns
homens pensarem na felicidade conjugal, mas o imperador, que já era
casado e com uma mulher também muito bela, que foi sua companheira
em várias guerras e deu a ele um filho, não podia casar com Zhang
Annchi. Então o imperador, movido por sua paixão, pressiona o pai
de dela, que era um de seus generais, e a tomou como concubina, para
desespero do pai dela. Annchi sabia que se não aceitasse, colocaria
o pai em uma situação muito ruim e assim a senhorita Zhang Annchi
aceitou ser a concubina do imperador Guang ChenGong. - Xiuying
respira um pouco. - Esse imperador que está aí, que agora está
velho, cansado e doente. A esposa oficial morreu no parto do segundo
filho e a amada concubina também morreu no parto do único filho.
Porque ele está reconhecendo o filho somente agora?
A inveja e o ciúme das outras concubinas e outros do palácio,
influenciaram o imperador que não se sentia seguro no amor, ele
sabia que Zhang Annchi não o amava e quando o marechal estava para
nascer, o imperador repudiou sua concubina favorita, baseado em uma
acusação duvidosa, a exilou na Mansão das Esquecidas e lá sem
nenhuma ajuda ou recurso, morreu ao dar a luz o filho amado. Tudo o
que aconteceu trouxe vergonha para a família Zhang e quando ela
morreu no parto, o imperador sentiu a tolice que cometeu, mas já era
tarde, ele não podia voltar atrás no seu decreto, que mandou a
amada embora e não podia reconhecer o filho. - novamente Xiuying faz
uma pausa. - O bebê foi entregue ao avô, que amava o neto e ensinou
ao marechal tudo o que ele sabia sobre lutas, a cavalgar e sobre
estratégias de batalhas. Com oito anos o menino despertou seu Ki,
mas como era um bastardo, não podia frequentar a escolas dos nobres
para aprender a cultivar seu poder. O avô mandou o neto para as
terras do oeste, onde diziam viver um mestre muito poderoso e parece
que ensinou bem ao marechal. O imperador, com remorso pelo que
aconteceu com Zhang Annchi, deu ao velho general a mansão, onde hoje
vive o marechal, mas isto não foi o suficiente para o general
perdoar o imperador, o general abandonou o exército e se dedicou a
criar cavalos. Quando o marechal completou dezesseis anos, ele
voltou, foi direto ao exército e foi aceito. Ele era desprezado por
muitos, mas o marechal mostrou seu valor nas várias batalhas que
esteve e nas guerras para conquistar outros reinos, foi aí que o
marechal brilhou intensamente e estava pronto para se tornar o
marechal de todo o exército do império. Com tudo isso acontecendo e
depois de vinte anos, o imperador enviou uma solicitação ao
conselho para revogar o próprio decreto, que expulsou Zhang Annchi e
assim poder confirmar para todos, que Zhang Huizong é seu filho
legítimo e dar a ele o posto que é dele por direito de nascença, o
de ser o príncipe e comandante de todo exército.
Fofocas palacianas destruíram duas vidas.
Essas fofocas são constantes, mesmo hoje em dia, muitos boatos
correm dizendo que o marechal não é digno …
O homem fez tudo pelo país!
Fofocas palacianas, como diz você.
Xiuying, porque o imperador colocou uma condição?
O marechal já tem trinta anos e nunca se casou. Tem duas concubinas
e não se envolve com ninguém. O imperador quer herdeiros para o
trono. A esposa do filho mais velho, não consegue segurar um bebê
em seu ventre e o filho caçula não é casado, portanto, o imperador
espera que o marechal dê a ele um neto para ser herdeiro do trono no
futuro, já que o filho mais velho, o príncipe herdeiro Guang
GangGuang é que será o futuro imperador.
Nossa que história incrível.
Uma história de superação.
O avô dele, ainda vive?
Não, o velho general Zhang morreu a muito tempo. - Xiuying para e
olha para Jingfei. - Vou contar mais uma coisa para você e isso é
para prepará-la, tudo bem?
Não gostei desse tom de voz. O que vem agora?
Zhang Huizong mora naquela mansão com a tia, irmã da mãe dele e
com suas duas concubinas …
Ah, não! Concubinas!
Sim e você deve ser bem atenta a essas mulheres …
Por quê?
Jingfei, deixe de conversa com esta serva e venha banhar-se! Quer se
atrasar para o banquete do imperador? - grita tia Shuchun.
Como Jingfei adivinhou, não tem mais água quente, mas a que sobrou dá
para um bom banho, depois se trocou, percebendo que os panos mais
bonitos as duas, mãe e filha, pegaram para elas.
Calma, eu fazer algo que a deixará muito bonita.
Usando o que tem aqui?
__ Jingfei, confie em mim.
A palavra confiança faz Isa estremecer, ela não tem um bom
relacionamento com a confiança.
A família Liang está pronta, a carruagem aguarda do lado de fora e
para surpresa de tia Shuchun, Jingfei está linda. Xiuying cumpriu a
palavra e usando o que tinha a mão, fez um vestido simples ficar
fabuloso. O tecido é vermelho, a cor das núpcias, leve e pouco
transparente. Um cinto vermelho com pequenas pedras preciosas, joias
da mãe de Jingfei, completam o traje nupcial.
Para quê um traje nupcial, você já se casou!
Tia Shuchun, aquele foi um casamento por procuração. Hoje devo me
apresentar como uma noiva real.
Tia Shuchun envia a enteada o olhar e o sorriso de desprezo. Pensa que
talvez tenha se precipitado, deveria sua filha ser a esposa do
primeiro marechal e não essa garota estúpida, mas agora é tarde,
vai procurar para a filha alguém tão valoroso quanto é o marechal.
A carruagem segue pela estrada de pedregulhos, gemendo. O cocheiro e os
cavalos continuam cansados. A escolta se mantêm desanimada. Isa está
nervosa, como no dia de seu casamento. Ela está nervosa pelo futuro
que desconhece, em um mundo que desconhece.
Como será esse marechal? - pergunta-se enquanto olha as lanternas
vermelhas penduradas em todo o percurso. O imperador está saudando a
noiva, razão teve Xiuying ao insistir no traje vermelho, mesmo Isa
odiando a cor vermelha, vai mostrar a todos, que respeita o
compromisso assumido com o marechal Zhang Huizong.
A carruagem para na entrada do palácio, que está todo iluminado com
as lanternas vermelhas, um cheiro gostoso no ar, o som de música
leve e suave.
O pai de Jingfei entrou na frente, cercado por sua esposa e enteada.
Sua filha biológica caminha sozinha pela enorme entrada iluminada e
é o centro de atenção de todos os convidados. Lá na frente, em um
trono postado acima do piso, para que o imperador possa ver todas as
pessoas por cima, está o próprio imperador, um homem velho, com a
aparência cansada, mas que olha para o homem a seu lado com um
brilho de orgulho, aquele, sem dúvida é o Primeiro Marechal Zhang
Huizong, seu marido.
Poderosa Vênus! Que homem lindo da po**a!
O homem ao lado do imperador é seu filho reconhecido, Zhang Huizong,
que definitivamente é um homem muito bonito. Seus trajes são
simples, mas a aura de poder que emana dele, faz com que o traje seja
magnífico. O marechal usa uma túnica preta com a gola em cetim
preto. Saindo do seu peito direito e terminando no lado esquerdo
sobre o coração, está o bordado de um dragão, a primeira vista
não se percebe que é um bordado feito com fios de ouro, que combina
perfeitamente com o cinto de ouro, feito com pequenos círculos,
unidos com uma delicada corrente de ouro. Em cada círculo está
esculpido um dragão. O dragão de ouro é o símbolo da família
Zhang.
Zhang Huizong é um homem alto e vestindo preto, sua estatura parece ter
ficado maior. Algo comum em suas vestimentas, é que são sempre
escuras, ora é o preto, ora é o cinza e muito raramente usa a
mistura das duas cores, principalmente no degradê dessas cores. O
rosto do marechal parece esculpido, uma perfeição maculada por
algumas cicatrizes, mas elas dão ao rosto um aspecto mais másculo
do que assustador. As cicatrizes estão no queixo, outra na bochecha
esquerda e a última está sobre o nariz. Seus olhos são frios,
negros como a noite, mas não demonstram nenhuma emoção. A boca é
levemente carnuda, com um tom rosado bem discreto. O cabelo comprido
está dividido em duas partes e a parte de cima está presa em um
coque, com um prendedor de ouro, com um dragão esculpido em relevo e
a parte de baixo está solta, cobrindo as costas.
Quando Jingfei entrou, com sua túnica aberta, na cor vermelha e o vestido
de baixo em um tom de vermelho mais suave, o marechal sequer moveu a
sobrancelha perfeita, nada naquela mulher, que muitos consideram
agora como muito bonita, fez o marechal sair de sua posição fria e
distante.
Não fale nada agora! Apenas caminhe até o imperador e se ajoelhe em
sinal de respeito e obediência. - diz Xiuying.
Jingfei caminha lentamente pelo corredor formado pelas pessoas presentes. Isa
se lembra que antes, teve o sonho de caminhar assim também, mas só
que era na igreja e que estaria acompanhada do pai e lá no altar,
esperando por ela, o noivo. Ainda bem que Jingfei usa um véu
vermelho sobre o rosto, assim ninguém pode ver que algumas lágrimas
teimam em rolar por seu rosto.
Prostrando-se diante do imperador, com o rosto no solo, Jingfei é apresentada ao
imperador por seu primeiro conselheiro.
Vossa majestade, eis aqui a esposa de seu filho, a senhora Zhang
Jingfei. - o homem tem uma voz poderosa e todos naquela sala ouviram
suas palavras e aguardam o imperador.
O marechal se aproxima de sua esposa e também se ajoelha, saudando o
imperador.
Vossa majestade, eu, Zhang Huizong e minha esposa, Zhang Jingfei, o
saudamos. - se o marechal é bonito, sua voz não fica atrás, causa
arrepios na nuca.
Com um movimento delicado, Zhang Huizong levanta o véu de sua esposa,
que está sorrindo, mas o sorriso sincero de Jingfei não abalou o
marechal, que mantém sua postura rígida.
O imperador ao contrário se encantou com a beleza doce de sua nora e
sorri de satisfação, seu filho que quase perdeu por sua estupidez,
se casou com uma bela mulher, digna de ser a princesa do império
Jinhai. O imperador aplaude a apresentação e anuncia o início dos
festejos. O casal se afasta para o lugar indicado, que é a segunda
cadeira ao lado do imperador.
Nesse império e nesse mundo, sentar ao lado do imperador tem todo um
protocolo. O príncipe herdeiro senta no lado esquerdo, a explicação
é que o príncipe herdeiro está cuidando do coração do imperador
e tudo que ele ama, em outras palavras, o príncipe herdeiro cuida da
família e do reino, que é o que o imperador mais ama. No lado
direito senta o segundo príncipe, que agora é Zhang Huizong, é
função dele preservar a alma, o espírito do imperador, ou seja,
cuidar do império, porque a alma do imperador está no seu império.
O terceiro príncipe, o caçula, senta-se na mesa de honra, junto com
os demais convidados, a ele cabe ser o apoio aos irmãos.
A festa começa, enquanto a comida é servida, o imperador faz um sinal
a seu servo pessoal, para trazer o presente para noiva.
Uma bela caixa de madeira trabalhada com desenhos pintados de muitas
cores, é colocada na mesa e quando Jingfei abre a caixa vê uma bela
coroa de ouro, encrustada com diamantes e um rubi no centro. A base
da coroa são dois dragões que se encontram no centro e entre suas
bocas abertas está o rubi, os diamantes enfeitam seus corpos e nos
olhos dos dois dragões estão duas pequenas esmeraldas. É uma peça
linda e Jingfei sorri de satisfação pela beleza da peça e olha
para o imperador com seu sorriso sincero.
É linda, vossa majestade! Obrigada!
Que bom que gostou. É a primeira vez que dou um presente e a pessoa
agradece com um sorriso tão sincero quanto o seu. - fala o imperador
de sua meiga nora.
Eu agradeço, vossa majestade.
A coroa, que na verdade é uma tiara imperial, é retirada da caixa por
Zhang Huizong e é colocada na cabeça de Jingfei e faz uma leve
reverencia a esposa, que continua sorrindo.
A festa transcorre sem novidades. Um grupo de dançarinas se apresenta
e depois é uma exibição de habilidades de um grupo de espadachins,
depois truques de mágicas, seguidos de acrobatas, uma festa com
muita música e comida. Claro que o vinho é amplamente distribuído
aos convidados, o imperador ordenou que nenhuma taça deve ficar
vazia.
A família Liang é apresentada ao imperador e Liang Yongliang recebe
seu título de Mercador do Império. A felicidade dele é enorme, mas
não é menor do que a de sua esposa e enteada, que lança olhares
sedutores para todos os lados.
O som do gongo no pátio, ecoa por toda a capital, anunciando a todos
que é meia-noite, hora do casal se recolher a suíte nupcial, que
foi devidamente preparada por ordens do imperador.
Jingfei procura por Xiuying com os olhos, mas não a vê em lugar nenhum.
Parece que terá que enfrentar essa situação sozinha. Que
pensamento de Isa, afinal, não se tem conhecimento de noite de
nupcias a três.
O casal é convidado a se levantar e seguir os servos. Huizong estende
a mão para a esposa e esta segura a mão do marido com delicadeza e
a sente fria.
__ Talvez nervoso? - pensa Jingfei. - Não, não mesmo. Esse homem não
parece ser o tipo que se afasta do perigo ou que tenha medo de alguma
coisa.
Agora, Jingfei está nervosa. É a noite de nupcias e não sabe o que fazer.
O quarto é luxuoso. Em uma das paredes tem duas janelas grandes, do
teto ao piso, separadas por uma parede e nessa parede está um vaso
enorme cheio de flores das mais variadas espécies e cores, que enche
o ambiente com um perfume suave. Cortinas flutuam com a brisa. Alguns
móveis, mas os olhos de Jingfei se arregalam quando avista a cama no
centro do quarto. A cama é composta de duas madeiras lustradas, uma
maior embaixo e uma menor em cima, depois um acolchoado, que
provavelmente é recheado de algodão e por cima uma coberta grossa
de cetim vermelha com bordados de flores e aves e um barrado em cetim
branco.
Jingfei acharia o quarto lindo, se não fosse a ocasião. Suas pernas estão
tremendo e as mãos começam a suar. Procurou por uma cadeira antes
que desabasse no chão.
Estaremos do lado de fora ouvindo cada ruido. O casamento deve ser
consumado hoje, senhor marechal ou melhor, príncipe. - este é Yan
Cong, o primeiro conselheiro do imperador e uma das pessoas que
desgosta abertamente de Zhang Huizong, tanto que o desprezo em sua
voz ao pronunciar a palavra príncipe, foi um choque para Jingfei.
A porta se fecha, Zhang Huizong senta em uma cadeira no lado oposto da
esposa. O marechal está aborrecido, esperava que consumar o
casamento fosse algo de sua escolha e portanto, levaria o máximo de
tempo possível, mas o imperador suspeita de suas atitudes, afinal,
ele não foi atrás de uma esposa, tudo isso é obra do imperador,
mas Zhang Huizong sabe que o imperador suspeita que ele não quer
consumar o casamento agora, essa pressa e audácia em querer
comprovar a consumação, não é coisa do imperador, isso é sem
sombra de dúvida o dedo do conslheiro Yan Cong no assunto.
Zhang Huizong olha para a esposa do outro lado do quarto, sentada e toda
encolhida na cadeira, parece que de vez em quando estremece e mal
ousa olhar para ele. Zhang Huizong sabe que precisa fazer alguma
coisa, mas está aborrecido demais, essa situação o pegou de
surpresa e ele não planejou nada.
Jingfei realmente estremece na cadeira e não é pela brisa que entra através
da janela, é pelo fato de estar no mesmo quarto que esse homem, que
apesar de lindo, não parece satisfeito de estar ali. Jingfei é uma
mistura de duas memórias, a de Jingfei e a de Isa, a alma é de Isa
e as memórias de Jingfei e o controle do corpo é de Isa, logo Isa
tem uma idéia, algo que viu em um filme ou quando lia uma novel, mas
para isso, deve ter a coragem de falar com seu marido. Se enchendo de
coragem, respira fundo e olha para o homem que está olhando para o
céu limpo do lado de fora, Jingfei hesita e não fala nada.
Droga! Não podemos ficar aqui, desse jeito a noite toda! - pensa
Jingfei.
Novamente enche o peito de ar e toma coragem.
Senhor … senhor … - Jingfei chama baixinho.
O que é?
Posso falar?
O que quer?
Bem … senhor, eu tenho … uma idéia para acabar logo com isso. -
fala de uma vez Jingfei.
Idéia? Qual?
Podemos fingir?
Finalmente Zhang Huizong olha para ela e franze a testa em sinal de dúvida.
Eu explico. Podemos fingir que estamos … o senhor sabe …
Tendo uma relação? - Zhang Huizong se encosta na cadeira para ouvir
melhor. - Como espera fazer isso?
Parece que ele aceitou, pensa Jingfei, então é hora de tomar a iniciativa.
No primeiro grito, Zhang Huizong se assusta.
O que pensa fazer?
Jingfei faz sinal para que ele não fale e continua com sua atuação. Depois
do grito, uma frase.
Esposo, por favor!
A cadeira foi jogada ao chão.
Seja gentil!
Outra cadeira no chão. Jingfei rasga suas roupas, Zhang Huizong arregala
os olhos. Jingfei tira os sapatos e os joga na parede, vai na direção
do marido e tenta tirar seus sapatos, mas este não deixa.
Senhor, temos que tirar nossas roupas, não tudo, mas algumas peças
precisam estar no chão quando aquela pessoa desagradável entrar de
novo.
Zhang Huizong entendeu a estratégia da jovem esposa e passou a colaborar.
Tirou seus sapatos e jogou na parede. Outro gemido de Jingfei, mais
alto dessa vez. Continuando a gemer, se dirige para a cama e sente se
ela faz algum ruido e percebe que a cama é barulhenta, deve ser
coisa daquele homem. Sentada ela começa a se movimentar, para baixo
e para cima, como se estivesse em um balanço. A cama faz a sua
parte, o ruido é alto e somando-se aos gemidos dela, quem está do
lado de fora pensa que os dois estão em uma relação forte e bruta.
Nós precisamos tirar nossas roupas. Vamos esperar os ruídos ficarem
mais intensos e faremos isso. Depois é só deitar junto e esperar o
dia seguinte. Certo?
Jingfei continua se balançando no ritmo e vai aumentando aos poucos e depois
de alguns minutos nesse ritmo, ela aumenta e aumenta e solta um grito
agudo, depois um soluço de choro, Jingfei começa a imitar o choro.
Para quê isso? Vão pensar que estou agredindo você!
Virgens na sua primeira vez sentem dor e choram depois. - Jingfei
olha para o marechal, assustada, acaba de perceber que disse ser
virgem para um homem. - Bem, isso é o que outras mulheres dizem.
Depois disso, Jingfei foi até um biombo no canto do quarto e tira seu
vestido, jogando-o no meio do quarto, corre para a cama usando
somente um tecido leve, que parece um tomara-que-caia, se cobrindo
com a manta.
Deite-se a meu lado. Tenho certeza que vão nos acordar cedo amanhã.
- sugere Jingfei.
O marechal está sem palavras, aquela garota é esperta, pensa ele.
Zhang Huizong se deita ao lado da esposa e Jingfei olha de relance para o
corpo do marido.
Poderosa Vênus! Isso é uma tentação! - pensa ela gemendo.
Machuquei você?
Não, é só a cabeça que dói, por causa do vinho.
Sem mais palavras, Zhang Huizong se deita de costas para a esposa e
relaxa o corpo, parece que está cansado, pois em poucos minutos está
ressonando, dormiu rápido. Jingfei olha para aquelas costas, quer tocar a pele branca e marcada com
algumas cicatrizes, mas se lembra que não é uma esposa de verdade e
esta não é uma noite de núpcias real. Suspirando, ela se volta de
costas e dorme tão rápido quanto o marido, realmente o vinho fez
efeito.
Um barulho estranho penetra na mente dos dois adormecidos, parece alguém
limpando a garganta com força e como os dois não se mexem, um som
de palmas é ouvido e os dois acordam.
Vossa majestade! - fala Zhang Huizong sonolento.
O conselheiro Yan nos disse que o casamento foi consumado, mas que eu
deveria ver com meus próprios olhos.
Aquela cobra, pensam Jingfei e Huizong.
O médico fará um exame na jovem esposa.
Vossa majestade, com todo respeito, eu não vou permitir que homem
algum toque em minha esposa e se o fizer, mesmo que esteja obedecendo
suas ordens, vou cortar as mão dele. - fala firme e calmamente Zhang
Huizong, ficando na frente da esposa.
O imperador abriu um enorme sorriso, nesse momento, uma serva que
recolhia as roupas no chão, chama a atenção do imperador.
Vossa majestade, me perdoe a interrupção.
O que é?
Olhe a cama, senhor.
A serva afasta mais a manta e no centro da cama está uma mancha, um
pouco grande, de sangue.
Eu estou muito feliz por você meu filho, eu sabia que é um homem
honrado e jamais permitiria que desonrasse sua esposa e pelo que
vejo, o casamento é verdadeiro. - o imperador sorri satisfeito,
nunca duvidou do filho, mas os conselheiros o aborreceram tanto, que
foi obrigado a fazer isso, mas a parte do médico foi ideia sua, isso
mostraria a honra do filho e não ficou desapontado. - Minha querida,
perdoe esse imperador e seja bem-vinda a nossa família.
O imperador se retirou muito feliz e o conselheiro Yan que está na
porta, morde o lábio de raiva. Tinha insistido para o imperador
verificar o despertar dos dois, sabia que não estariam juntos, mas
quando a porta foi aberta a cena era o contrário do que esperava. Os
dois estavam juntos, abraçados e para encerrar, o sangue da virgem
na cama. Nada deu certo e o Primeiro Marechal de Guerra Zhang Huizong
vence mais uma vez.
Depois de um bom banho, em separado, o casal veste roupas novas, se despedem
do imperador e partem para a mansão Zhang. Para Jingfei é uma nova
etapa, uma nova casa, uma nova vida e um futuro cheio de coisas a
serem feitas.
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Atualizado até capítulo 48
Comments
Graziela Lima
Personagens interessantes.
2024-04-04
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