Quando a comitiva imperial sai da Estrada Comum em sentido a Estrada
Imperial, o príncipe herdeiro Guang GangGuang está irritado,
nervoso e com o corpo dolorido. Observando o rosto mal-humorado do
irmão, Zhang Huizong se aproxima.
Irmão GangGuang, por que a irritação? Nunca tratou seus servos com
essa grosseria.
Os dois cavalgam sozinhos, se adiantaram dos demais, para uma conversa
informal entre irmãos.
Na verdade estou mais nervoso do que irritado. - Guang GangGuang
sorri de nervoso. - Irmão, na verdade não me sinto pronto! Entende
o que falo? Sino-me intimidado com a ideia de governar!
Irmão, isso é preocupação e não medo. O pai o treinou muito bem
e ele tinha, assim como eu, confiança em você e em sua capacidade
de tomar as decisões corretas, como fez com o reino que acabamos de
visitar. - Zhang Huizong toca no ombro do irmão. - Não se deixe
levar pelos maus pensamentos, você é capaz, eu sei.
Você é um bom irmão, razão teve meu pai em reconhecê-lo. Você é
um homem digno.
Os irmãos continuam a conversar, Zhang Huizong detalha os pontos nobres
do caráter do irmão e Guang GangGuang devolve os elogios. Só uma
pessoa está interessada naquela conversa, é o conselheiro Yan Cong,
para ele a aproximação do marechal do futuro imperador não é nada
boa para ele e seus planos.
A Estrada Imperial está toda enfeitada com lanternas de todas as
cores. Aqui e ali, ramos de flores enfeitam as fachadas das lojas e
casas, todos estão em festa pela coroação do novo imperador, que
devia ter voltado no mês anterior, mas uma aparição de bárbaros,
fez com que demorassem um pouco.
Em um ataque rápido, os bárbaros surgiram na dianteira e na
retaguarda, mas a agilidade dos marechais e seus soldados, não
permitiu que uma tragédia acontecesse.
O príncipe herdeiro Guang GangGuang é um homem habilidoso na espada,
foi um dos melhores alunos na escola militar, mas em determinado
momento da pequena batalha, o príncipe herdeiro se vê cercado por
mais de dez bárbaros, é obvio que a intenção é matar o príncipe,
mas a ajuda vem de seus irmãos, que cavalgam de direções opostas e
quando o príncipe herdeiro está prestes a receber uma machadada na
cabeça, uma espada voa pelo ar e atinge em cheio o peito do bárbaro,
antes que ele abaixe o machado. O príncipe herdeiro luta bravamente
e se junta a ele seus dois irmãos e logo aqueles bárbaros fogem,
quando a quantidade deles diminui tragicamente.
Enquanto a comitiva se reorganiza e os feridos atendidos, o marechal Guang
Chonglin junta alguns de seus homens e vasculha a região a procura
de mais bárbaros e se é seguro continuar. O marechal Zhang Huizong
fica para a defesa da comitiva, se os bárbaros resolverem voltar.
O príncipe herdeiro tem um ferimento leve no braço esquerdo, nada de
mais, mas o primeiro conselheiro faz disso uma tragédia.
Sua escolta não está bem preparada, deve utilizar sua guarda
pessoal, como sugeri …
Como, conselheiro Yan, os bárbaros sabiam de nossa rota?
Marechal Zhang, todos sabem dessa viagem do príncipe …
O senhor tornou isso publico?
Claro que não! O que insinua?
O mesmo que o senhor com relação a mim. Nós dois não somos
incompetentes, isso não era para acontecer. O itinerário do
príncipe não deveria ser de conhecimento de ninguém, foi o
combinado, para a segurança do próprio príncipe. O senhor não
acha estranho que bárbaros, que costumam atacar somente na
fronteira, estejam tão distante dela e com conhecimento do trajeto
da comitiva?
O que quer dizer, irmão?
Que talvez alguém tenha deixado essa informação chegar até os
bárbaros.
Queira me desculpar se eu o ofendi, senhor marechal, garanto que não
foi minha intenção, mas uma guarda pessoal é uma sugestão minha,
para a maior segurança do príncipe, herdeiro desse império. - o
conselheiro Yan sabe quando recuar e é por isso que não gosta de
Zhang Huizong, o homem é astuto demais. - Com a guarda pessoal, a
ajuda seria melhor. - finaliza a cobra sorrindo.
Nós controlamos a situação muito bem. - fala o marechal Zhang
Huizong, com o peito inflado pelo orgulho de ver que seus soldados se
saíram muito bem e sem muitos ferimentos graves.
O que importa agora é ver se os feridos foram todos cuidados. - diz
o príncipe herdeiro. - Depois vamos averiguar quem deixou escapar
nossa rota.
Vossa majestade precisa de uma guarda pessoal. - insiste o
conselheiro Yan.
Eu ainda não sou o imperador, quando o momento chegar, eu verei
isso. - encerra o assunto o príncipe herdeiro se encaminhando até
um grupo de soldados e servos feridos.
O marechal Zhang Huizong acompanha o irmão, algo sobre essa história
de guarda pessoal, o desagrada, mas não sabe explicar o que é.
O marechal Guang Chonglin se aproxima rápido em seu cavalo.
Descobriu algo, príncipe?
Meu relatório será entregue ao príncipe herdeiro, conselheiro Yan.
- o príncipe se afasta sem dar maiores explicações. Ele também
não gosta do primeiro conselheiro Yan.
Cães estúpidos! Um dia todos vocês serão apenas uma lembrança,
eu prometo. - resmunga para si, o conselheiro Yan Cong.
A entrada na capital foi uma festa, um mensageiro avisa a
imperatriz-mãe do sucesso da viagem e o povo festeja alegre que mais
um país foi anexado ao grande império Jinhai e sem a necessidade de
uma guerra. Todos saúdam o príncipe herdeiro e futuro imperador.
Muitos acham o príncipe muito gentil, outros que ele é um grande
diplomata e muitos acham que o príncipe é um grande líder. Não
importa o que o povo ou os conselheiros acham, o príncipe herdeiro
Guang GangGuang prometeu a si mesmo e ao irmão, que será um grande
imperador.
Uma semana antes da entrada triunfal do príncipe herdeiro na capital, o
Pavilhão do Sol está em polvorosa. Três mulheres correm de um lado
para o outro, tentando salvar tecidos ricos e belos. Uma tina cheia
de água está nos fundos da casa e nela Jia mergulha o linho branco,
para tentar remover a tinta preta. Em outra tina, Xiuying mergulha a
seda manchada de preto também, na terceira tina, Jingfei olha
desanimada para o brocado branco todo manchado e o azul todo
desfiado, possivelmente, a golpes de faca, seu coração está pesado
e dividido, não sabe se chora de tristeza pela maldade feita ou se
explode de raiva.
Quem poderia fazer tal coisa? - pergunta Jia.
Basta que você vire seu rosto em direção a próxima casa. -
responde Jingfei.
Elas não teriam coragem! É um presente da imperatriz-mãe! - diz
Xiuying.
Claro que teriam coragem! Quem as encoberta?
O marechal não está, para que a senhora conte a ele e eu ouvi o
mordomo Yun Qin dizer que ele ficará no palácio imperial até a
coroação. - informa Jia.
Mesmo que a senhora compre novos tecidos, não serão iguais a esses.
O que faremos?
Jingfei olha para os tecidos boiando na água. Boa parte dos tecidos estão
manchados, muito pouco poderá ser usado.
__ Jia, você vai até a loja de tecidos e compre alguns botões. Vou
fazer uma lista dos que quero e também da loja de pedraria. Não se
preocupe, tive uma idéia para salvar nosso dia e o dia da coroação.
Jingfei, a original, viajou com a mãe e a avó por muitos países e viu
muitas vestimentas diferentes, o que deu a Isa a idéia de unir tal
informação com as vestimentas comuns a esse império. Tia Meirong e
as concubinas ainda não venceram.
Novamente o palácio está colorido com as lanternas acesas. Flores enfeitam os
batentes das várias janelas e portas. No ar, o cheiro dos incensos,
todos pedem paz e prosperidade ao novo imperador. Os portões são
abertos de hora em hora, para a chegada dos convidados e são muitos
convidados, incluindo a família de Jingfei, que agora são parte,
distante, da família imperial.
O pátio interno, da entrada, está coberto de mesas para os convidados
que não tem autorização para entrar no salão do imperador, mas a
coroação propriamente dita, ocorrerá na frente da porta principal
do palácio, para que todos vejam.
Huizong!
Pois não, imperatriz-mãe.
Huizong, você pode me chamar de bisavó quando estivermos a sós,
entendeu?
Sim, bisavó.
Você tem o olhar duro de seu avô materno e a beleza de sua mãe,
mas seu caráter integro é o de seu pai e não adianta exclamar por
dentro, porque você sabe que é verdade, mesmo que ele tenha
sucumbido as intrigas do palácio contra a sua mãe, ele nunca deixou
de se considerar seu pai e lutou muito, contra todos que achavam que
você não fazia parte da família imperial. Assim como eu acho que
você é o escudo do novo imperador e do império, seu pai também
acreditava nisso. - termina uma orgulhosa bisavó.
Eu agradeço, bisavó.
Está cuidando de sua esposa?
Estou fora a um bom tempo, mas as notícias que recebei é que tudo
na mansão está bem.
__ Seja cuidadoso com sua esposa, ela é uma mulher gentil, delicada e
inocente. Esse lugar destrói pessoas assim, você sabe. - diz a
imperatriz-mãe se referindo a mãe do marechal. - E parece que as
coisas na sua casa, não estão muito bem, não. - encerra a conversa
a imperatriz-mãe, que andava de braços com o bisneto. - Nos veremos
mais tarde.
O marechal Zhang Huizong tem muitas coisas na mente, além de
investigar como os bárbaros chegaram tão longe no país e sem que
ninguém percebesse, tem que investigar como a informação do
trajeto da comitiva saiu do palácio, tem que explicar ao irmão mais
novo, porque vinte de seus soldados, incluindo um capitão, pediram
transferência para suas tropas, sem que pareça que ele agiu de
má-fé e agora tem que cuidar da esposa, contra quem ele não sabe.
O marechal é forte e destemido, mas é meio lerdo para algumas
coisas. Tia Meirong não é de sua total confiança e as concubinas,
na sua opinião, não são inteligentes, então não compreende bem
as palavras da bisavó. Um pouco lerdo, realmente.
O marechal Zhang Huizong está pronto. Usa seu traje na cor preta, como
sempre, com detalhes em dourado e nos punhos, o bordado de um dragão
e segura na mão sua espada. Os cabelos estão presos em um coque no
alto da cabeça e o prendedor, feito de metal, tem um dragão
esculpido. Esse é o traje do segundo príncipe e Primeiro Marechal
de Guerra Zhang Huizong.
A luxuosa carruagem do marechal para a frente do portão imperial e
dela descem tia Meirong e as duas concubinas do marechal. Todas
sorriem muito, nenhuma delas está preocupada com Jingfei, estão
certas que aquela garota não vai aparecer na coroação.
Duas semanas atrás, Li Liling e Ji Huang, entraram na casa de Jingfei
depois que ela saiu para o chá da tarde com a imperatriz-mãe, um
encontro que se tornou habitual. As duas levavam com elas, tintas
pretas em pequenos vidros, para que ninguém suspeitassem de nada. As
servas das duas, viram o que elas fizeram, mas sabem qual o castigo
se contarem para alguém, então apenas fizeram o que foi mandado, ou
seja, despejar a tinta nos tecidos novos da esposa do marechal.
Sorrindo muito, elas voltam para o Pavilhão da Noite, onde vivem.
Sorrindo estão até agora, na entrada principal. A primeira concubina é Li
Liling, que esperava se tornar a esposa, mas surgiu essa garota
Jingfei e estragou tudo, mas se hoje a esposa do segundo príncipe
não comparecer, talvez o segundo príncipe pense em mandar para a
Mansão das Esquecidas, a esposa que o desafia abertamente e mude seu
olhar para a concubina que está a seu lado a muito tempo.
Está tudo pronto para a coroação, em breve Guang Li Hua será chamada de
imperatriz e em breve poderá dar a luz o herdeiro do trono. Seu
remédio chegou e sem ler as instruções, tomou de um gole só, mas
está satisfeita, seu sonho se concretizará em breve.
O imperador está com seu luxuoso traje verde, que é a cor dos
imperadores desde sempre. Os cabelos presos no alto da cabeça, em um
coque, e no prendedor está esculpido a Fênix em dourado. Eis aí o
novo imperador, que vai governar Jinhai por toda a sua vida. Aí está
um homem que aprendeu a não confiar em ninguém, mas que precisa de
certas pessoas por perto, para governar o império. Aí está um
homem que não ama ninguém, quer dizer, não ama uma mulher em
especial, todas elas foram impostas em sua vida, nunca escolheu
nenhuma. Aí está um homem que acha que não está pronto para ser
imperador, mas quando olha para seu lado esquerdo, encontra o olhar
tranquilo e confiante de seu irmão Huizong e sente que o irmão
acredita mais nele do que o pai ou outra pessoa qualquer, isso o
tranquiliza um pouco.
Uma comitiva precede o imperador, são os conselheiros, seguidos pela
imperatriz e suas servas e depois o imperador, ladeado de seus
irmãos, que são os guardiões do império e logo atrás estão
outros Guardiões, são os grandes mestres do cultivo do Império
Jinhai.
O imperador vai caminhar até o centro do pátio interno, acompanhado
da imperatriz, e lá em cima de um palanque, vai saudar os quatro
ventos, pedindo proteção para seu reinado.
Na varanda que cerca o palácio, tem uma divisão. De um lado ficam as
esposas dos príncipes e dos principais conselheiros. A
imperatriz-mãe senta-se na primeira cadeira e as demais na
sequência. A imperatriz-mãe está preocupada, pois ainda não viu
Jingfei. No lado esquerdo da varanda ficam as concubinas dos
príncipes e do imperador.
Antes que o imperador chegue ao palanque, Jingfei senta-se ao lado direito
da imperatriz-mãe. Plena e tranquila.
Desculpe o atraso, majestade, muitas carruagens na entrada. -
responde uma sorridente Jingfei.
A imperatriz-mãe olha para as roupas de Jingfei que trata logo de
explicar.
Tive uma idéia e usei os tecidos que me deu. Ficou bom?
Minha querida, você está linda! - um sorriso se espalha pelo rosto
da velha senhora, que olha para tia Meirong, sentada na última
fileira de cadeiras, que está de boca aberta, literalmente.
O imperador já cumpriu com os rituais da coroação, é hora de voltar
para o interior do palácio e receber os convidados e os presentes.
Os conselheiros ficaram na escadaria, cada um em um degrau, os marechais
no primeiro degrau. A ordem de entrada será invertida, agora sobem
primeiro os marechais simbolizando a proteção ao imperador, logo em
seguida entra o imperador e sua esposa e por ultimo, os conselheiros.
No grande salão imperial, Guang GangGuang senta-se pela primeira vez
no trono de madeira vermelha e ornamentos de ouro, pela primeira vez
ouve seus súditos aclamaram seu nome.
Vida longa ao imperador Guang GangGuang! - isto foi repetido por três
vezes, como o protocolo exige.
E eis aí o novo imperador de Jinhai.
A cerimonia foi muito emocionante para o imperador, que tem os olhos
marejados. Ele foi educado durante toda a vida para chegar nesse
momento. No ventre da mãe, já era chamado de sua majestade. Nunca
Guang GangGuang pensou em ser outra coisa que não fosse ser
imperador, o que na verdade ele quer até agora, é que o pai o
tivesse ensinado mais.
Jingfei está ao lado da imperatriz-mãe e pergunta coisas sobre a coroação,
uma conversa tranquila, ela sabe que uma pequena pausa no assunto,
fará com que a imperatriz-mãe pergunte sobre os tecidos e em certo
momento, não há mais o que perguntar.
Pequena Jingfei, estes são os tecidos, que presentei você?
Senhora, resolvi fazer algo diferente …
Você é boa demais, eu sei disso. Para não causar uma discussão
desnecessária, inventa algo aceitável. Muito bom, é uma atitude
digna. - a imperatriz-mãe respira fundo, seu espião já contou o
que aconteceu e ela tem um plano para proteger a pequena Jingfei.
Antes dos cumprimentos ao imperador começar, a imperatriz-mãe alcança o
marechal Zhang.
Sua esposa sofreu um ataque dentro de sua propriedade, o que fará?
Ataque?
Uma invasão e os tecidos que dei de presente foram arruinados, mas
ela é brilhante e fez algo lindo para não envergonhar a casa dos
Zhang. Faça algo, ela precisa de uma guarda pessoal e logo! -
encerra a conversa a imperatriz-mãe.
Todos estão caminhando para o salão de festas, um salão enorme com
portas para os jardins. A corte será a primeira a dar os parabéns
ao imperador e cada membro da corte entregará seu presente, para que
isso aconteça, um outro trono foi colocado no salão, tão bonito
quanto o trono original, é o Trono dos Festejos, usado para as
grandes festas e que pode ser colocado em qualquer lugar, afinal, é
proibido por lei retirar o trono principal do lugar.
Os primeiros a cumprimentar o imperador são seus irmãos e suas
respectivas esposas. O marechal Zhang Huizong se aproxima de sua
esposa, oferece seu braço e Jingfei pousa delicadamente a mão no
antebraço do marido, seu sorriso é sincero para ele, que não ri.
Eles caminham pelo tapete de maneira harmoniosa, como um casal que
treinou os passos a muito tempo. Alguém faz um comentário com uma
voz um pouco alta.
Quem disse que eles não são um casal? Até as roupas são iguais!
Alguns riem, outros sussurram sobre a qualidade das vestes do casal Zhang.
Jingfei passou a semana bordando pedrarias no robe, que é de seda,
tingido de preto, não só pelo ataque, mas tingiu mais ainda,
ficando muito bonito. As pedrarias que mandou comprar, foram bordadas
em torno do punho da manga e em torno da barra. As vestes internas
são cinzas, resultado do tingimento irregular do ataque no linho
branco, por cima deste e antes do robe, uma saia em seda branca,
único pedaço que se pode salvar, toda bordada com delicadas flores
em fios de ouro. Como é uma festa de gala, as regras dizem que o
penteado tem que ser bem elaborado, mas Isa e Jingfei tem mais essa
coisa em comum, não se incomodam muito com regras de comportamento
que não tem peso na vida delas e sendo assim, Jingfei está com os
cabelos soltos, bem escovados e brilhantes, na cabeça usa a tiara de
princesa, como o falecido imperador a chamou. Brincos de ônix preta
e uma leve maquiagem, para que sua aparência jovem se destaque mais
ainda. Jingfei está linda, até o marido levantou a perfeita
sobrancelha dessa vez.
O marido está satisfeito por sua esposa estar de acordo com suas cores
e estar linda, mas duas concubinas e uma tia Meirong não estão.
Torceram o nariz assim que a viram e uma raiva subiu por suas
colunas, é ódio puro.
O marechal Zhang Huizong fez seu juramento de lealdade ao imperador e
foi acompanhado pela esposa, que depois ofereceu ao imperador uma
flor-de-cera.
Esta flor, imperador, não morre, assim como sua sabedoria e
capacidade para ser um grande líder dessa nação.
O imperador ficou satisfeito com o presente simples, mas com uma
simbologia muito grande, assim como com as palavras de sua cunhada.
Este imperador, agradece o presente e suas palavras, cunhada.
A flor está dentro de uma cúpula de vidro, é azul, com grandes
pétalas, muito bonita e diferente. Alguns membros da corte torceram
o nariz, outros acharam interessante o presente e bem de acordo, pois
a flor jamais morrerá e a esposa do primeiro marechal deseja que o
imperador e sua sabedoria vivam para sempre.
Depois deles, é a vez do marechal Guang Chonglin e a esposa. O juramento do
irmão caçula do imperador é feito com uma voz firme e sem
hesitação, assim como o marechal Zhang fez.
As concubinas do imperador, também querem oferecer um presente. As três
se sentam na frente do trono, cada uma está com um instrumento de
cordas, que produz um som harmonioso e celestial e Lin Ehuang vai
cantar. Quando a apresentação começa e o som melodioso e suave
ecoa pelo ambiente, todos fazem silêncio e quando Lin Ehuang começa
a cantar, nenhum som a mais, além dos sons dos instrumentos, é
ouvido. Sua voz é leve como a brisa, a canção é uma homenagem ao
imperador, fala de um homem corajoso que conquistou o mundo. A voz de
Lin Ehuang tem o timbre perfeito para cada momento da música, como
se sua voz foi feita para aquela música ou a música foi feita para
sua voz. Todos estão encantados, atentos aquele momento mágico, mas
ele termina. Ninguém se move e um imperador encantado por ter tal
talento em sua casa, é o primeiro a aplaudir e os outros o seguem.
Foi uma apresentação belíssima e uma voz igual ao canto de um
rouxinol.
Os membros da família real fizeram suas homenagens, é hora dos demais.
É a vez dos conselheiros, mas as palavras deles fazem parte do
protocolo, então são as mesmas que eles só repetem. O último
conselheiro se afasta, agora é a hora dos representantes de outros
países do continente. Muitos sorrisos e presentes. Os representantes
estão ansiosos para tratar com o novo imperador, muitos já imaginam
muitos negócios entre eles e outros estão querendo a anexação.
Isto é assunto para mais tarde, todos sabem disso, mas em cada
presente há um lembrete para que o imperador saiba das intenções
de todos eles.
Enfim chega a vez dos governadores das províncias do império Jinhai. São
trinta e duas províncias, logo são trinta e dois governadores, que
são acompanhados por seu principal conselheiro, um comandante das
forças militares da região e algumas pessoas de renome. Dentre
essas pessoas, está Liang YongLiang e sua esposa. Suas atitudes
estão diferentes, antes ele fazia questão de conversar com qualquer
um para chamar de amigo e ficar em evidencia na corte, mas hoje,
Liang YongLiang está em silêncio, seus olhos estão colados no
imperador, o homem não pisca.
Jingfei observa o pai e a madrasta, para ela, os dois estão iguais, a não
ser por aquele olhar fixo no imperador. Algo não está bem.
Será que aqueles dois, querem pedir alguma coisa ao imperador? -
pensa Jingfei. - Isso é demais!
Como Jingfei está ao lado do marido, no lado esquerdo do imperador, ela
não pode se afastar para falar com o pai e ela quer muito fazer
isso, sente que algo não está certo.
Os governadores se aproximam um a um, quando chega a vez do governador
da província do Mar de Jade Azul, sua comitiva se aproxima, algo não
está normal, observa Jingfei. A comitiva tem o mesmo tipo de olhar
fixo no imperador, sem brilho e eles mal respiram.
O que aconteceu com eles? - pergunta-se Jingfei.
Quando a comitiva está a menos de cinco passos do trono, o governador abre
o pequeno baú que carrega para que o imperador veja seu presente e
quando isto acontece, uma adaga surge na mão do governador que se
joga em direção do imperador, na sequência, toda a comitiva
desembainha suas adagas e se lançam em direção ao imperador. Tudo
é muito rápido, mas Jingfei também é rápida e se joga sobre o
pai, que cai e na sequência derruba o governador, que atrapalha as
outras pessoas da comitiva. O clima se torna caótico, gritos
assustados das damas e a imperatriz que corre assustada. Os
conselheiros se refugiam atrás dos soldados. Jingfei continua
segurando a cintura do pai.
Pai, pare com isso! O que está fazendo? - grita Jingfei ao pai que
parece não ouvir nada.
O governador se levanta e tenta novamente apunhalar o imperador, mas
seus irmãos estão na frente e após uma breve luta, o governador
está morto. Outros membros da comitiva continuam a lutar com os
soldados, mas são apenas homens de comércio e não lutadores, sendo
assim, morrem com simples golpes de espada. Jingfei ainda segura o
pai, gritando para que ele desperte, mas a madrasta passa por ela e
carrega uma espada, correndo em direção do imperador. Liang Shuchun
grita, assustando mais ainda as damas e alguns conselheiros, seus
olhos estão esbugalhados, em seu rosto não tem um pingo de
sanidade. Uma espada voa no ar e atravessa o corpo delgado da senhora
de meia idade, como se perfurasse uma folha. Uma mulher ambiciosa e
cheia de sonhos de grandeza, morreu parecendo uma louca.
Liang YongLiang se desvencilha da filha e a empurra para longe, um dos
guardas da comitiva ergue a espada para ferir Jingfei, mas esta se
afasta com rapidez e pega uma bengala caída perto dela e acerta o
homem com ela. O pai caminha firme entre os soldados em direção ao
imperador, mas ele está cercado por soldados e na frente deles está
seus dois irmãos para defendê-lo. Em segundos, outra comitiva se
movimenta, todos gritando e com os olhos esbugalhados, se jogam sobre
os dois marechais e os soldados, tudo isso para que Liang YongLiang
possa se aproximar do imperador. Jingfei percebendo a manobra, usa o
lado curvado da bengala para derrubar o pai, que se vira com os olhos
cheios de ódio e com a espada, que pegou próxima, enfrenta Jingfei,
que se esquiva com agilidade, não quer ferir o pai e continua
chamando por ele, para que desperte. Jingfei acredita que o pai está
sob alguma influência, sabe que o pai jamais atentaria contra a vida
do imperador, ele tinha muios planos.
Os soldados estão ocupados tentando afastar a segunda comitiva de uma
outra província, quando uma terceira surge. Os guardas dessas
comitivas são bem treinados e o oficial que os comanda também e um
deles se aproxima do marechal Zhang Huizong, é clara a intenção do
oficial em querer matar o marechal, assim como outro oficial que está
lutando com o marechal Guang Chonglin. Com os marechais mortos, os
soldados ficariam desnorteados e o imperador seria uma presa fácil.
Seria? Não, claro que não. Meros oficiais lutando contra dois
grandes marechais, especialistas na esgrima e grandes desenvolvedores
em seus cultivos. Nunca foram páreos.
Jingfei ainda luta contra o pai, que por incrível que possa parecer,
adquiriu uma força enorme e a cada golpe de espada desferido contra
a bengala, Jingfei sente os braços tremerem, mas agindo com o
conhecimento de Isa na esgrima, Jingfei joga fora a bengala e pega
uma espada no chão e luta de igual para igual com o pai. Os golpes
de Liang YongLiang são poderosos, mas Jingfei é habilidosa, se
esquiva de um lado para o outro, já antecipa que não terá mais
como evitar de ferir o pai e por segundos de distração, o pai fere
seu ombro, algo superficial, mas que acorda Jingfei, que com um
movimento rápido, gira em torno de si mesma e desfere o golpe mortal
no peito do pai e a espada atravessa o coração de Liang YongLiang.
Percebendo o que fez, Jingfei se joga sobre o corpo do pai, mas ao
fazer isso, um dos guardas das comitivas, levanta a espada para
corta-lhe a cabeça, no entanto, vindo de algum lugar, uma cadeira
acerta o guarda e desperta Jingfei, que empunha a espada. Quando o
guarda se levanta e vê Lin Ehuang, a concubina do imperador,
segurando uma bandeja, pronta a se defender, mas o guarda deu as
costas para sua outra oponente, que não desperdiçou o momento e o
transpassou com a espada.
O caos se instalou, duas outras comitivas também se revelaram e atacam
os guardas próximos, as pessoas no pátio se escondem onde podem, a
disputa está feroz, as pessoas das comitivas não se importam em
morrer, querem matar o imperador e tentam a todo o custo atravessar a
barreira de soldados ao redor dele. Outra leva de soldados aparecem,
são soldados do general Chen Shoi Ming, que é o responsável pela
segurança da capital e do palácio imperial. Os soldados que chegam
vão aos poucos controlando a situação, matando os supostos
agressores e no final, todos os membros das cinco comitivas, estão
mortos.
Jingfei está sobre o corpo sem vida do pai, chora muito e a seu lado está a
concubina Lin Ehuang, tentando consolá-la.
A senhora não tinha outra maneira de se defender! Não foi sua
culpa! Algo aconteceu!
Jingfei para um pouco o choro e olha para a mulher que a ajudou.
Sim, isto é verdade! Algo aconteceu!
As coisas estão se acalmando, as pessoas curiosas para ver os
agressores se aproximam.
Majestade! Isto foi um ato de traição!
Onde estava o senhor primeiro conselheiro, quando atacaram o
imperador? - pergunta o marechal Guang Chonglin. - Não acabou de
jurar proteger o imperador com sua vida? - finaliza ele com ironia.
Terceiro príncipe, quem sou eu para empunhar uma espada? Sua espada
é a mais habilidosa, sei disso e fiquei tranquilo sabendo que nosso
imperador estava seguro sob a proteção de seus irmãos. - responde
o conselheiro Yan Cong para um marechal Guang Chonglin sorrindo em
deboche. - Vossa majestade! Isso foi um ato de traição! Essas
províncias, provavelmente se uniram contra vossa majestade.
Isso não é verdade! - grita Jingfei, segurando nos braços o corpo
do pai. - Eu conheço o governador Meng Yuan, ele sempre …
Seu pai ajudou nesse ataque! - vocifera o conselheiro Yan Cong.
O senhor não observou os olhos deles? Não estavam comuns! Havia
algo de errado!
Fácil falar agora! Todos estão mortos!
Acha que mataria meu próprio pai se ele estivesse normal? Não era o
comportamento de meu pai, ele nunca faria algo assim. O senhor sabe
bem como ele era, ele não faria algo assim!
Afaste-se dele senhora Zhang! Rápido!
Vendo que Jingfei não se move, Lin Ehuang a puxa pelos ombros e surpresa,
assim como todos que presenciam a cena, vê uma fumaça escura, meio
acinzentada, sair da boca de Liang YongLiang e de todos os outros,
que até pouco tempo, tentaram matar o imperador.
Conselheiro Yang Dingxiang, o que está acontecendo? Como sabia
disso? - pergunta o imperador.
Observando um dos corpos, vossa majestade. Parece que quando a vida
se foi, alguma coisa estava parada na boca e quando eu abri a boca de
um deles, parece que uma ordem foi dada e todos abriram a boca e a
fumaça escura saiu. - explica o conselheiro Yang Dingxiang.
Magia? - pergunta o marechal Guang Chonglin.
Parece ser, mas …
Mas, o quê? - pergunta o imperador.
Algo assim já foi visto, não sei onde. - o conselheiro se levanta e
olha para o imperador. - Preciso verificar nos livros antigos. Isso –
aponta o conselheiro para o corpo a seus pés. - é uma magia antiga
de um cultivo proibido.
Isso não é outro de seus delírios? - pergunta o conselheiro Yan
Cong com deboche.
Qual explicação tem para isso, que seja melhor, que a explicação
do conselheiro das ciências? - pergunta o marechal Zhang Huizong.
É certo que o que aconteceu não é normal, mas alguém ter usado o
cultivo proibido? Acho que é um pouco demais. - retruca o
conselheiro Yan Cong.
Conselheiros, quero todos envolvidos em descobrir o que aconteceu,
entendido? São cinco províncias costeiras, grandes portos que
recebem e enviam mercadorias todos os dias, qualquer interrupção
nisso pode causar problemas para o resto do império. Eu quero saber
o que aconteceu, entenderam?
Sim, vossa majestade. - respondem todos.
Vossa majestade, eu peço sua autorização para ir até a cidade Mar
Azul. - pede chorando Jingfei. - Minha irmã não está aqui e sei
que alguma coisa deve ter acontecido …
Nós cuidaremos das informações sobre a cidade. Volte para casa.
Marido, sei que se preocupa com o imperador, por isso não estou
zangada por ter me defendido sozinha, mas algo aconteceu na cidade
Mar Azul e com minha irmã. Tendo o dever de filha mais velha em
minhas costas, eu devo verificar se minha irmã está bem e cuidar
dela. Vossa majestade, eu imploro. - Jingfei se ajoelha e coloca a
testa no chão.
Vossa majestade. A senhora Zhang é uma boa filha, nota-se bem e
defendeu vossa majestade das investidas do pai. Talvez um olhar
diferente do olhar mecânico dos soldados possa nos dar uma visão
melhor do que aconteceu. - o conselheiro Yan Cong olha para o colega
ao lado. - Talvez seja uma boa idéia ir junto o conselheiro das
ciências para uma outra avaliação e já que a senhora Zhang é
muito leal a sua família, o ideal será que o marechal designe sua
capitã e seus soldados para essa missão. Se estiver de acordo,
vossa majestade.
Excelente …
Vossa majestade, desculpe interromper, mas eu vos imploro também,
para que eu possa acompanhar a senhora Zhang …
Isto não é uma brincadeira!
Conselheiro Yan, meus irmãos mais novos …
A senhora Zhang e a capitã poderão ver isso.
Conselheiro, elas não sabem onde fica minha casa e …
Está tudo bem, concubina Lin Ehuang, você pode ir. - finaliza o
imperador.
Lin Ehuang e Zhang Jingfei se olham e tocam a mão uma da outra.
Está pronta para ser deixada para trás? Sabe disso, não é?
Estarei pronta e esperarei pela senhora. - responde confiante Lin
Ehuang.
As coisas estão mais calmas, os representantes de outros reinos ou os
próprios reis, estão se despedindo e partindo com muita rapidez,
assim como os governadores das outras províncias. A pilha de
presentes não foram abertas, mas ninguém se lembrou de abrir nenhum
deles, aliás, alguns olham com muita desconfiança para eles. O
primeiro marechal pede a dois homens para abrir uma por uma, as urnas
de presentes e com muito cuidado.
As concubinas do imperador não moram no palácio, tem sua própria
residência, a Casa das Concubinas, que não fica muito longe do
palácio. A casa tem seis cômodos, três quartos para as três
concubinas, uma sala comum e uma sala de banho. Antes que chegue na
casa, Lin Ehuang é detida por um dos guardas que a manda esperar
pelo imperador. Onde ela está, é um caminho de pedras, que corta um
belo jardim.
Concubina Lin Ehuang, espero que seja cautelosa nessa viagem.
Vossa majestade, eu serei.
Silencio.
O imperador quer falar algo, mas não sabe o quê. Lin Ehuang também
quer falar, mais não sabe o quê. Os dois ficam ali parados, olhando
para a lua bonita no céu, um ouvindo a respiração do outro, até
serem interrompidos.
Vossa majestade, os marechais o aguardam.
Eu quero agradecer pela canção. - diz finalmente o imperador.
Foi um presente bobo. - diz uma ruborizada concubina.
Foi um belo presente.
Silêncio.
Cuide-se e volte para casa.
__ Sim, vossa majestade.
No portão estão Jingfei e suas servas, esperando a carruagem, quando o
marechal Zhang Huizong as alcança.
Que modos foram aqueles diante do imperador?
Garanto que não faltei com respeito ao imperador, senão ele falaria
alguma coisa.
Você é muito atrevida! Desista dessa loucura agora! Eu pedirei
desculpas ao imperador por sua ousadia!
Ousadia, diz você? Minha família está praticamente morta! Ninguém
se preocupou em me proteger durante aquele ataque! Ousada? Sou ousada
porque eu posso! Sou ousada em me preocupar com minha família, assim
como você, querido esposo, se preocupou com seu irmão. Agora me
solte, eu tenho coisas para fazer.
Talvez o marechal Zhang Huizong, pensou que teria mais um bibelô na sua
casa, mas já percebeu que tem como esposa uma mulher com
personalidade. Um sorriso no canto da boca, modifica o rosto sempre
impassível do grande marechal.
Vou designar dois soldados para sua segurança pessoal. Aguarde um
pouco. - decide o marechal Zhang Huizong.
Que seja. - responde Jingfei.
A carruagem chega e a senhora Zhang entra, mas mal a carruagem se
moveu, um servo está a frente e pede para falar com Jingfei.
Estes cavalos são da imperatriz-mãe, um presente para a senhora e a
concubina Lin Ehuang.
O servo se afasta rápido, o condutor da carruagem pega os cavalos e
Jia conduz a carruagem. Está tudo pronto para o próximo passo.
Isso deveria acontecer? Digo, está tudo dentro do roteiro da
história?
__ Sim, senhora Zhang, está tudo correndo perfeitamente bem.
Outra vez Jingfei desconfia que Xiuying sabe mais do que diz. Ela respira
fundo, a lua as segue e espera que a boa sorte também as siga.
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Atualizado até capítulo 48
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