Capítulo 20

Alerta de gatilho ⚠️

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_Emilly_

Era madrugada e as folhas rolavam pelo chão enquanto o vento batia nas árvores...

Eu me encontrava num lugar escuro, tudo o que eu ouvia eram gritos e mais gritos, correntes sendo arrastadas, socos e barulhos de pessoas caindo. Olhei ao redor e me vi com 17 anos novamente, lá estava eu amarrada numa cama de ferro suja e insalubre enquanto era violada! Foi ali que eu perdi a esperança de um dia melhor. Os gritos de dor e terror preenchiam a sala enquanto aquele miserável retirava a única coisa que eu havia guardado do passado, a minha virgindade!

Quando ele terminou eu já estava sem ar e vomitando sem parar, ele foi para cima de mim novamente, mas alguém completamente encapuzado atirou na cabeça dele enquanto voava miolos por todos os lados, me vi vomitando sem parar enquanto o homem encapuzado me soltava.

*Porquê? Por que me salvar para depois me trair?*

Esse homem era ninguém menos que o Guilherme, o homem que eu tanto considerei como pai!

Ele me pegou nos braços e falou as seguintes palavras:

Guilherme- Nada nunca mais vai encostar em você enquanto eu estiver aqui filha!

E com isso eu acordei completamente suada enquanto tinha mais uma das minhas crises! Gritei, quebrei coisas e finalmente fui para o banheiro me deitando na banheira e ligando a água gelada que escorria sem parar. Retirei as minhas roupas rasgando elas com um ódio enorme e depois ascendi um cigarro...

O meu momento pós guerra de sempre...

Aqueles momentos de tortura vinha na minha mente como flashes da minha desgraça!

Eu estou quebrada e não sei até quando vou suportar.

Depois de muito tempo tentando respirar, eu finalmente cai num sono profundo dentro da banheira cheia de água!

Acordei no outro dia e percebi que estava na cama, olhei ao redor completamente desnorteada e encontrei o meu relógio em cima do criado mudo, lá constava exatas 7 horas da manhã.

* Quem foi o filho da puta que entrou no meu quarto? *

Olhei ao redor e encontrei uma nota junto com o relógio.

Nela dizia:

- Espero que não se importe por eu ter entrado no seu quarto, aconteceu que a água estava vazando por debaixo da porta e foi impossível não entrar! Pedi para o capataz Luiz pegar a senhora de dentro da banheira, pois fiquei com medo de você pegar uma hipotermia, não se preocupe, eu vesti a senhora com um roupão antes mesmo dele entrar no banheiro.

Ps: Carol ^⁠_⁠^

Dei de ombros irritada e depois fui ao banheiro e percebi que não havia água no piso.

* Já limparam? *

Achei aquilo estranho, mas ignorei, pois não tinha tempo para pensar muito, o trabalho me aguardava... Hoje mesmo eu tenho que conversar com os trabalhadores daqui, preciso ver se vão querer continuar trabalhando aqui, junto com a mansão eu também comprei tudo o que havia dentro dela então eu não vou precisar comprar nada!

Fiz as minhas higienes, tomei um banho gelado para acordar e depois fui escolher a minha roupa no closet.

Optei por uma calça jeans preta junto com um cinto de fivela, uma camisa social preta, uma botina escura e um chapéu.

Como eu vou supervisionar as agrícolas, vou precisar de mais roupas para trabalho.

* Bom, depois eu cuido disso! *

Eu estava esgotada, mas precisava seguir em frente, pois muitos dependiam de mim.

Chegando na sala de jantar eu me deparei com a mesa já posta cheia de comidas que eu nem lembrava que existiam...

Nela havia cuscuz, pamonha, tapioca entre outros...

Não posso dizer que senti saudades da culinária brasileira, pois passei a maior parte da minha vida no estrangeiro, mas garanto que isso aqui está me dando água na boca!

-Bom dia senhora!

Emilly- Bom dia! Você é a cozinheira?

-Não senhora! Eu sou só a ajudante, se quiser eu chamo a dona Márcia aqui.

Emilly- Não precisa, depois eu converso com ela.

-Sim senhora!

Ela logo saiu apressada como se eu fosse uma general. Eu já estava me acostumando em ser uma versão alegre, mas depois daquele pesadelo a minha carranca voltou!

Pego o meu tablet e fico olhando as notícias enquanto tomo o meu café puro e amargo, não demorou muito e a Carol desceu com aqueles vestidos cheios de cores vibrantes junto com um sorriso branquelo no rosto.

Carol- Bom dia!

Emilly- Bom.

Carol- Eita parece que hoje não é um bom dia.

Emilly- Realmente não é. Vou trabalhar bastante e depois vou até a cidade para conversar com o Eduardo!

Carol- Eduardo é aquele cara engraçado?

Emilly- Não vejo nada de engraçado naquilo!

Falei enquanto levava a xícara até a minha boca...

Carol- Sei lá, para um homem da máfia até que ele não é tão mal encarado.

Emilly- Ele só não foi torturado como a maioria! Não tem nada de especial nisso.

Carol então se calou percebendo o rumo que a conversa ia. Não julgo ela, afinal, quem é que quer saber de torturas no meio do café da manhã?

Assim que terminei eu me levantei da mesa e fui até os estábulos caçar um cavalo. Esqueci de falar que também comprei os animais, incluindo o gado e os cavalos.

Chegando lá eu me deparei com um puro sangue. Reconheci na hora quando vi o porte e a cara!

Luiz- Parece que ele gostou da senhora de cara.

Olhei para ele e falei:

Emilly- É um puro sangue?

Luiz- Puro sangue inglês. Esse veio direto da Inglaterra!

Emilly- Cela ele, vou dar uma volta nas agrícolas.

Luiz- Precisa que eu vá para guiá-la?

Emilly- Seria bom. Não conheço muito daqui!

Luiz- Tudo bem, só esperar um pouco que ele já vai estar pronto para a senhora montar.

Me virei colocando as mãos no bolso e senti o seu olhar no meu corpo.

* Safado *

Admito que ele é muito atraente, mas no momento só alguém me desperta fogo e esse alguém é o meu querido Rafael. Mesmo ele me odiando nesse exato momento...

Assim que montei no cavalo, ele me seguiu com outro cavalo que já estava celado. Minha conexão com esse cavalo foi instantânea, ele era preto e não aceitava rédias facilmente, assim como eu! Ninguém me põe cabresto.

Cavalgamos por um longo período debaixo do sol rachando até chegar na agrícola, aquilo era simplesmente magnífico!

O velho havia acabado de colher metade da soja e me vendeu de bandeja como se não fosse nada, eu simplesmente não consigo entender uma loucura dessas!

Emilly- É muito bonito!

Luiz- Verdade!

Olhei para ele e percebi que o mesmo estava me encarando. Roçei a garganta e falei meio ríspida:

Emilly- Vamos ver mais de perto!

Ele assentiu e depois andamos conferindo tudo, depois daquilo eu fui conferir o gado e quando eu percebi já era meio dia.

Emilly- Vamos voltar. Avisa os trabalhadores que eu vou fazer uma reunião depois do almoço lá em casa!

Luiz- Sim senhora.

Ele foi até os trabalhadores que estavam colhendo a soja e aproveitou para avisar a eles. Quando estávamos voltando eu resolvi perguntar algumas coisas...

Emilly- Eles moram aqui perto?

Luiz- Na verdade, o seu Francisco fez casas num hectare da terra dele há muito tempo atrás para os trabalhadores morarem lá enquanto trabalham na fazenda. Tem contrato e tudo!

Emilly- Vocês têm a cópia desse contrato?

Luiz- Sim, depois eu pego pra senhora ver.

Assenti e assim que chegamos o cheiro maravilhoso do almoço preencheu as nossas narinas...

Luiz- Eu já vou indo senhora!

Falou ele retirando o chapéu. De repente a Carol apareceu e falou:

Carol- Porque não almoça logo aqui?

Ignorei aquilo e subi para tomar um banho.

Enquanto eu banhava eu me lembrava daquele dia no córrego...

Rafael... Quando é que eu vou tirar você da minha mente?

Depois de já banhada eu escolhi uma roupa social que eu sempre uso. A camisa era branca alfaiate, a calça era uma social preta e de sapato eu escolhi uma bota salto fino preta de couro legítimo. Coloquei o meu colar de esmeraldas e borrifei um pouco de perfume... Assim que cheguei na sala de jantar eu percebi que ele estava lá.

Carol sabe ser insistente quando quer.

Luiz- Espero que a senhora não se incomode...

Falou ele meio constrangido.

Emilly- Não tem problema algum.

Olhei para a mesa e reparei que a culinária brasileira só tem de a melhorar cada vez mais...

Por mais que eu tenha vivido aqui, eu não me lembro nem da metade do que tem aqui nessa mesa.

Alguns eu me lembrava, como a feijoada, a galinha caipira e a polenta, de resto eu só fui pegando e provando. Depois de já estar satisfeita eu me levantei e fui até o meu quarto para ligar para o meu Consigliere vagabundo.

...

Depois de um tempo chamando ele finalmente atendeu!

Eduardo- Oi chefinha!

Emilly- Vou na cidade agora a tarde e quero que você ensine algumas coisas básicas para a Carol! Depois nós vamos conversar sobre aquele assunto.

Eduardo- Tudo bem! Aliás, eu tenho ótimas notícias para dar para a senhora.

Emilly- Tudo bem, vou desligar agora.

Depois de desligar o telefone eu fiquei um tempo inerte pensando na minha vida e no quarto eu iria fazer assim que conseguisse me livrar da máfia.

Eu não tinha muito o que fazer já que a minha vida era uma merda, mas estar no interior esses dias me fez perceber que essa paz eu não encontro em lugar nenhum!

Assim que eu desci as escadas, todos os trabalhadores já me aguardavam perto da escada ( o que facilitava o meu trabalho de ter que reunir eles...)

Emilly- Boa tarde a todos!

-Boa tarde patroa!

Responderam todos uns mais atrasados que os outros, mas ainda assim me responderam.

Emilly- Bom, como vocês já sabem eu sou a nova dona da fazenda e logo as escrituras da terra estarão em minhas mãos. Quero que saibam que se quiserem ficar eu não impedirei, não quero demitir ninguém já que eu sei que a maioria de vocês precisam desse trabalho para poder se sustentar e sustentar a família de vocês! Não sou de rodear assunto então quem quiser continuar que levante a mão.

Literalmente todos levantaram as mãos.

Emilly- Já que todos decidiram ficar eu espero que possamos nos dar bem a partir de hoje! Não sei como o seu Francisco lidava com os assuntos da agrícola ou dos demais afazeres, mas irei supervisionar cada um aqui até estar a par de tudo o que tem aqui. Sou meticulosa e gosto de tudo bem feito! Meu nome é Emilly e eu espero que estejam confortáveis com a minha liderança.

Todos olhavam para mim admirados, não me admira já que eu sou eloquente e culta ao mesmo tempo, mas também tenho o meu pulso firme para lidar com negócios e assuntos de meu interesse.

Emilly- Alguém quer falar alguma coisa?

-Senhora, e quanto ao salário? A senhora vai mudar alguma coisa?

Perguntou uma mulher que trabalhava na horta.

Emilly- Não sei quanto vocês ganham, mas vou calcular tudo certinho para não ter erros! Se tiverem que ganhar a mais irão ganhar, mais garanto que não ganharão menos do que já ganham.

A mulher então sorriu agradecida!

-A senhora vai supervisionar os gados?

Perguntou um dos pecuaristas.

Emilly- Amanhã 7:30 eu vou dar uma passada nos currais para dar uma olhada!

-Tudo bem.

Os demais foram me fazendo perguntas e eu fui respondendo! Quando todos já haviam sanado as suas dúvidas eu dei por encerrada a reunião e todos foram para os seus respectivos afazeres.

Suspirei satisfeita e depois fui até o meu quarto tomar mais um banho.

Essa região está para pegar fogo! Eu nunca vi um lugar tão quente. Mas acho que isso é devido ao fato de eu estar acostumada com o frio da Itália!

Depois de me vestir eu fui até o quarto da Carol perguntar se ela já estava pronta, fiquei escorada na parede de braços cruzados esperando ela e logo depois de um tempo ela apareceu...

Emilly- Vamos?

Carol assentiu e logo fomos para a cidade...

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Curtem e comentem...

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Continua...

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Comments

Claudijane Santos

Claudijane Santos

que demora pra atualizar 🤦

2024-07-18

1

Marina Lídia

Marina Lídia

demora é essa doida pra lê o livro 😕

2024-06-30

2

Jane Deise Dos Santos

Jane Deise Dos Santos

essa história é maravilhosa ansiosa por mais capítulos

2024-06-25

0

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